Luto na literatura: morre Gore Vidal. Menos elegância e cultura no mundo

Morre aos 86 anos o escritor americano Gore Vidal

Vidal era romancista e também escreveu para a Broadway e a televisão.
Escritor morreu em Los Angeles, vítima de complicações de uma pneumonia.

 FONTE: Do G1, com agências internacionais *
 
 

O escritor norte-americano Gore Vidal morreu nesta terça-feira (31), aos 86 anos, em sua casa, em Hollywood Hills, Los Angeles, na Califórnia, Estados Unidos, informou seu sobrinho ao jornal “Los Angeles Times”.

“Vidal morreu em casa, de complicações de uma pneumonia”, afirmou ao jornal o sobrinho Burr Steers.

O escritor era primo do ex-vice-presidente dos EUA Al Gore e meio-irmão da ex-primeira dama Jacqueline Kennedy. Ele foi romancista e ensaísta e residiu muitos anos em Ravello, na Itália. Gore escreveu livros e artigos para periódicos do mundo inteiro.

Trajetória
Gore Vidal nasceu na Academia Militar de West Point em 3 de outubro de 1925, dentro de uma família com excelentes contatos no mundo da política. Era filho de um pioneiro da aviação americana e foi criado em Washington, D.C., onde seu pai trabalhou para o governo Roosevelt e seu avô foi o senador T. P. Gore.

Estudou na Universidade de Nova Hampshire.

Ele ingressou na literatura quando adolescente, escrevendo contos e poemas. Publicou seu primeiro romance, “Williwaw”, aos 21 anos, ao servir às Forças Armadas durante a Segunda Guerra Mundial. O livro foi escrito a bordo de um navio.

Vidal escreveu 25 romances, incluindo obras históricas como “Lincoln” e “Burr” e sátiras como “Duluth” – sua produção literária girou em torno do romance histórico, da sátira sobre o estilo de vida dos americanos e da ficção científica. Seus livros mais famosos são “À procura de um rei”, “O julgamento de Paris” e “A era dourada”.

Seu terceiro romance, “A Cidade e o Pilar”, abordou sem subterfúgios o homossexualismo, decisão que escandalizou os críticos quando foi publicado em 1948, mas que abriu um novo terreno na literatura americana.

Seu fascínio pela política foi evidenciado em 1967 no livro “Washington DC”, que conta a história de uma família de políticos.

Ele também escreveu sucessos da Broadway, roteiros e dramas para a televisão. Como roteirista de cinema, Vidal escreveu os textos de “Calígula” (1979) e “Paris está em chamas?” (1966).

Em 1993, obteve o Prêmio Nacional do Livro dos Estados Unidos por seu ensaio “United States Essays, 1952-1992″.

Quando não estava escrevendo, aparecia em filmes, interpretando a si mesmo, como em “Roma de Fellini”.

Escritor é fotografado em uma sessão literária, em 2009 (Foto: Florida Keys News Bureau, Carol Tedesco/AP)Escritor é fotografado em uma sessão literária na Flórida, em 2009. (Foto: Florida Keys News Bureau, Carol Tedesco / AP Photo)

Vida pessoal e política
Abertamente bissexual, Vidal retornou ao tema da identidade sexual 20 anos mais tarde, com a sátira “Myra Breckenridge.”

Nos anos 50 passou a sofrer perseguições por parte dos conservadores liderados pelo senador McCarthy, pois era um crítico das posturas belicistas adotadas pelos dirigentes norte-americanos.

Ele tentou várias vezes, sem sucesso, ser eleito para cargos políticos. Nos anos 60, teve um papel muito ativo dentro das fileiras mais liberais do Partido Democrata e se apresentou sem sucesso para o posto de congressista pelo estado de Nova York.

Entre 1970 e 1972, presidiu o People’s Party (de tendência liberal), e em 1982 se apresentou como senador pela Califórnia e ficou perto de conquistar uma cadeira no Congresso ao obter mais de 500 mil votos.

Nos últimos anos, suas opiniões políticas ficaram ainda mais radicais. Vidal foi particularmente ácido com o governo do presidente George W. Bush, a quem chamou uma vez de “homem mais estúpido dos Estados Unidos”.

Polêmicas com escritores
Por várias vezes, Vidal se envolveu em polêmicas com outros escritores, como uma discussão com insultos com o colunista conservador William Buckley diante das câmeras de TV.

Vidal considerava Ernest Hemingway uma piada  e chamou Truman Capote de “animal sujo”.

Em outro episódio famoso, Vidal afirmava que Norman Mailer havia dado uma cabeçada em seu rosto ao fim de uma discussão antes de um programa de televisão. Vidal também associou Mailer ao assassino Charles Manson.

Ele elogiou, criticou ou fez piadas de amigos e inimigos como Anais Nin, Tennessee Williams, Christopher Isherwood, Orson Welles, Truman Capote, Frank Sinatra, Jack Kerouac, Marlon Brando, Paul Newman, Joanne Woodward, Eleanor Roosevelt e a família Kennedys, entre outras celebridades.

(*) Com informações das agências de notícias Associated Press, Efe, France Presse e Reuters

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2 Respostas to “Luto na literatura: morre Gore Vidal. Menos elegância e cultura no mundo”

  1. Não visualizo alguém com o seu toque para ocupar a vaga de crítico do Império Americano.
    (Reler “Criação” p/homenagear sua ‘passagem’).
    Grata, Marli.

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