Rio de Janeiro se reorganizando. Amanhã, paralisação dos cientistas da Fiocruz. Em todo o país

Estudantes da Fiocruz fazem paralisação nesta terça-feira

Protesto é contra o corte de recursos do CNPQ, que afetará pesquisas em zika, dengue, febre amarela e chikungunya

Estudantes da Fiocruz, em solidariedade aos 879 bolsistas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) – agência de fomento à pesquisa científica e tecnológica vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) –, realizarão em todo o país, nesta terça-feira (22/8), uma paralisação em protesto à política de contingenciamento de gastos, que os afeta diretamente.

O corte de 30% do orçamento do MCTIC, somados aos 40% contingenciados pelo governo (dos R$ 730 milhões destinados ao CNPq, R$ 672 milhões foram gastos até o final de julho) afetará, entre outras, pesquisas na área de arboviroses, como as voltadas para febre amarela, zika, chikungunya e dengue, causando um grande impacto na saúde pública.

Na sede da Fiocruz, no Rio, a manifestação começará às 9h, no campus de Manguinhos, com concentração na estação do trenzinho do Centro de Recepção do Museu da Vida. Às 10h haverá um debate sobre o papel das bolsas e, às 12h, será realizada uma caminhada pelo campus da Fiocruz.

No total, em todas as unidades da Fundação serão afetados 245 alunos de iniciação científica, 75 de mestrado, 85 de doutorado, 28 de pós-doutorado e 245 pesquisadores com bolsa de produtividade.

FONTE:

Coordenadoria de Comunicação Social da Fiocruz
E-mail: ccs@fiocruz.br

ARTIGO – Ovos, virados. Por Marli Gonçalves

Ovos, virados

Por Marli Gonçalves

A mais nova arma não letal que vem sendo usada aqui para expressar desagrado e beicinho é geometricamente perfeita. Não para em pé, verdade, mas seu formato, exatamente nele inspirado, o oval, é bonito e serve bem para um monte de coisas. Se fresquinhos, recém-postos, postura; se no ninho, ninhada; na panela, se vira todo.

Frágil, delicadinho, o ovo está sempre no meio das polêmicas. Já começa do princípio de sua própria existência. Quem nasceu primeiro? O ovo ou sua mãe? A galinha? A pata? Ovos de quê? A humanidade se depara com suas grandes questões. Seria a Terra oval? – perguntaram-se até os conquistadores, abrindo aí dissidência histórica com o redondo, com o quadrado, isso sem esquecer o retângulo, ou o losango e suas arestas.

Para ficar em pé precisa de suporte. Para chocar precisam ser aquecidos.

Sua geometria, contudo, faz com que, atirado, voe célere pelos ares se partindo no alvo, esparramado, esbanjando seu amarelo e branco pegajoso. Andam voando para cima de quem se apresenta fora da hora para a missão impossível que se torna a cada dia o quadro eleitoral a se definir ano que vem. Homens públicos ressuscitarão o hábito de usar elegantes e bem dobrados lenços de pano em seus bolsos. Talvez se ressuscite também o galante que o oferece a uma mulher que chore ao seu lado, ou que dele necessite que seja estendido sobre uma poça de água.

Ovo jogado dá boa foto, vira notícia. Só precisa ter bastante cuidado para carregar o armamento, que pode fazer estrago se quebrado, rompido dentro da bolsa. Aí mostra seu pequeno, mas porcalhão, potencial ofensivo. Não é bomba que estoure no colo. É arma infantil.

Por aqui o bombardeio é assim leve, embora gaste alimento tão nutritivo. Certo que ele tem fases: épocas em que é execrado, bandido, vilão, assassino silencioso. No momento, pelo menos nesse sentido, os ânimos estão apaziguados e até indicado está sendo para fortalecer o corpo, fonte de nutrientes, proteínas, e sabe-se lá mais quanta coisa que aparece a cada dia, impressionante, para elogiá-lo. Coma pelo menos um ao dia. Já apareceu quem coma mais de 30 para ficar fortinho – mas esses dizem que separam a gema – ficam só com a clara.

Do branco ou do caipira. O preço está pela hora da morte.

Cozido, frito, mexido, batido, cru, mole, duro – é dinâmico esse moço dentro da sua casquinha. E, se do limão faz-se a limonada, dele os políticos fazem um omelete quando se mostram coitadinhos indignados pela perseguição de um desses elementos dos quais tentam sempre se esquivar, e que tanto os humilham.

Ovos voam em todas as direções, vindos da esquerda e da direita. Se servissem para algo, logo viriam os que gostam de pisar no tomate. Em ovos, pisamos nós.

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marli retratoMarli Gonçalves, jornalista – Precisamos rever nossas armas. Antes que o façam.

SP, 2017

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Mais uma vitória: Mulher ganha direito de importar sementes de Cannabis

MULHER GANHA O DIREITO DE IMPORTAR SEMENTE DE CANNABIS PARA USO MEDICINAL

Uma mulher garantiu, por meio de um habeas corpus preventivo (HC), o direito de importar sementes da cannabis sativa para cultivar em sua residência, com o objetivo de produzir seu próprio óleo de cânhamo para fins medicinais. A decisão da juíza federal Renata Andrade Lotufo, da 4ª Vara Federal Criminal de São Paulo/SP, impede que autoridades policiais apreendam as sementes, bem como, indiciem a mulher por crime de tráfico de drogas.

Em 2014, a paciente foi diagnosticada com síndrome parkinsoniana, cujos sintomas a impediram de exercer seu trabalho de servidora pública. Para o tratamento da doença, foi indicado, além de medicamentos tradicionais, o uso de óleo de cânhamo, o qual, além combater os sintomas, auxilia no tratamento dos efeitos colaterais da própria medicação alopática.

Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), acolhendo vários estudos e testes sobre a eficácia do uso do canabidiol para fins terapêuticos, incluiu a cannabis sativa em seu rol de plantas medicinais, de uso controlado.

Por outro lado, a Anvisa não permite a produção do óleo de cânhamo no Brasil. Ela apenas autoriza sua importação, que tem custo elevadíssimo, o qual a servidora não consegue arcar e, por isso, pretende importar apenas a semente da cannabis sativa, para cultivá-la e produzir seu próprio óleo para fins medicinais.

Diante do pedido, a juíza Renata Lotufo verificou que não há uma jurisprudência pacífica nos tribunais federais acerca do tema. Ela cita um trecho de um voto do ministro do STF Gilmar Mendes, o qual diz que “a criminalização estigmatiza o usuário e compromete medidas de prevenção e redução de danos”.

“Desse extenso resumo sobre as oscilações rítmicas da jurisprudência sobre as sementes da maconha e a questão do uso próprio, extraem-se as seguintes conclusões: o direito e a sociedade estão amadurecendo sobre o uso próprio de drogas; a jurisprudência é absolutamente insegura em relação ao assunto, caso a impetrante resolva arriscar importar por conta e risco as sementes de maconha”, entende Lotufo.

A juíza afirma que como só é possível a obtenção do óleo via importação, o tratamento fica restrito a um pequeno público, ferindo o direito constitucional da isonomia e que a medida (possibilidade de importação) trouxe pouco alento para aqueles que não sejam de família de classe média alta ou alta.

Renata Lotufo lembra que o cultivo e produção caseira do óleo medicinal da maconha, já liberado em outros países, é uma realidade no mercado paralelo brasileiro, inclusive sendo possível assistir na internet a vídeos com tutoriais ensinando a fazer o óleo. “Assim, é totalmente admissível, tolerável e compreensível o desespero das famílias que produzem seu próprio óleo medicinal, já que mal de Parkinson, esclerose múltipla são doenças com sintomas que trazem bastante sofrimento aos pacientes e suas famílias”, enfatiza.

Por fim, a magistrada entende que não há indícios de que a servidora irá cometer quaisquer delitos relacionados ao uso indevido ou ao tráfico de entorpecentes, “haja vista que busca somente melhores condições de vida no convívio de sua enfermidade, a qual não possui cura até a presente data”. (FRC)

Habeas Corpus – íntegra da decisão

São Paulo, 18 de agosto de 2017

FONTE:

Seção de Produção de Texto e Atendimento à Imprensa – SUTI
Núcleo de Comunicação Social – NUCS

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