Artigo-1º de novembro de 2010: O dia que parece não querer chegar

Marli Gonçalves

 Imagine o que será. Sabemos apenas que será segunda-feira, Dia de Todos os Santos, que a Lua estará minguante, signo de Escorpião, e um dia antes dos Finados. Que pode chover. Pode fazer Sol. Que pode ter nuvens. Pode ser que sim; pode ser que não. Que “ontem” ocorreu o segundo turno, e que quando esta manhã de segunda, dia 1º, chegar, já teremos sobrevivido às eleições mais esquisitas e irregulares que já vimos, entre as poucas que fizemos.

Eu não bebo, mas me imaginei acordando no dia 1º de novembro de 2010 (se é que eu vou conseguir dormir de domingo para segunda), com cara de ressaca, e até certa dor de cabeça. Ressaca eleitoral. Provavelmente eu e você já saberemos quem ganhou a eleição presidencial, e isso no fundo, no fundo, não fará muita diferença. Mas que vai ser difícil encarar esses próximos dias até chegar lá, ah! Isso vai!

Concentrei-me mentalmente para tentar vislumbrar um pouco mais desse futuro que está aqui na nossa porta. O que vi e explica a dor de cabeça que sentirei: eu, enlouquecida com tevê, rádio, computadores ligados nos noticiários e na apuração online pelo TSE. Tudo por uma questão de hábito, frise-se; e não de torcida. A não ser contra uma das partes, a pior.

Depois de dias, principalmente esses últimos, nos quais os ânimos se acirraram e se acirrarão de forma assustadora, e a movimentação política passa como tanque de guerra, eu admito: estou tensa. Tensa, eu disse. E não estou gostando nada disso. Dói meu estômago também, uma apreensão. Não sabemos que bicho vai dar, e o que realmente acontecerá. Se a Dilma perder, qual será a reação de Lula, que já está babando? Se ganhar, o que será de nós que a combatemos? Acabo de descobrir, por exemplo, que a campanha do PT contratou um grande escritório de advocacia só para ir atrás de “crimes contra a honra, calúnia, difamação, injúria”. Eu disse que o terninho Chanel que Dilma usa nos debates é falso. Se não for? E se ela tiver pago os R$ 20 mil que ele vale para costurarem no tamanho dela?

Pensa comigo: tem ideia do que pode, mal ou bem, ocorrer nesses dias? Os institutos de pesquisa estão errando ou blefando? Quais serão os índices de abstenção e nulos? Quantos vão dar de ombros e só resolver viajar, aproveitar o feriado prolongado? O que o governo vai tirar a mais de seu saquinho de bondades, mágicas, boas notícias, ufanismo? E os debates? Quem vai escorregar na casca de banana?

Voltemos a nos concentrar no dia 1º de novembro de 2010. Procurei também ver quem nasceu nesse dia e na lista muitos nomes complicados e não exatamente populares aqui, à exceção do Larry Flint, editor da Hustler, do novelista Gilberto Braga e, em 1974, nasceu a Hello Kitty, aquela gatinha japonesa bem viadinha que virou febre. Lá em Portugal, e se lá estivéssemos, as crianças costumam andar de porta em porta a pedir bolinhos, frutos secos e romãs.

Novos elementos: a partir desse dia a pesca estará proibida nos rios do Mato Grosso, por conta da piracema. Em compensação terá terminado, na região de Angra dos Reis, a temporada de pesca de sardinhas. O dia 1º de novembro é o Dia Mundial Vegano (“World Vegan Day”), comemorado desde 1994, quando a Vegan Society inglesa comemorou 50 anos e a moda acabou se espalhando, literalmente, e radicalmente para todo o mundo. Os vegans não comem isso, nem aquilo, e não adianta perguntar se eles ouvem os gritos de dor da alface, do tomate. Eles são bem específicos. Têm muitas coisas que eles não praticam.

Tenho horror a coisas específicas e fechadas assim, como as que a gente pode identificar numa política de esquerda, atrasada e renitente e que, à direita dos fatos, quer nos botar bem no meio de uma fogueira, de uma luta de classes desvairada, provocativa, perigosa, de uma divisão entre bons ou maus, independentemente das mentiras que contem. Já estou maluca, ou o mundo deles seria outro? No que mostram não há mais miséria, pobres, problemas de saúde, racismo, abortos, relações homossexuais que precisam ser estabelecidas civilmente, problemas ambientais.

Nunca antes, tudo.

É verdade, de alguma forma. Nunca antes na minha história e na história do país – nem com o Collor – a eleição foi tão matreiramente sabotada, manipulada. Marina rompeu um pouco com essa tristeza, por uns dias. Mas tudo já voltou a desandar, e o bolo ainda está no forno.

É. O dia 1º de novembro de 2010 será inesquecível. De qualquer forma. E está demorando muito para chegar.

Brasil, Brasil,Brasil

(*) Marli Gonçalves, jornalista. Não há intuição, jogo de cartas, tarô, búzios, borra de café, bola de cristal que possa se meter a besta e nos dizer o que será, o que será…

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Um comentário sobre “Artigo-1º de novembro de 2010: O dia que parece não querer chegar

  1. Helena de Almeida Roesele 23 de outubro de 2010 / 8:20

    Quem sabe o que você está vaticinando, não seja mesmo a realidade de todos nós que aqui estamos,teclando e teclando e tentando dizer,e tentando não morrer de revoltas,tentando mudar o rumo de algumas coisas ou impedir outras.Quem sabe? Depois deste cenário pré agônico que você está fazendo, à mim, só me resta lembrar que depois do dia primeiro, Dia de Todos os Santos ( duvido muito ), virá o de finados e então poderemos fazer algumas coisas.Por exemplo, enterrar a baba do Lula, se isto ocorrer, não gastar velas com os defuntos ruins, de forma alguma, e ir à vários entêrros políticos. Se morrerem muitos, poderemos gastar até os possíveis, disse, possíveis 20 mil não sei se de dólares ou de reais, em corôas de flores.Vai valer o preço. Podemos cantar até o Hino Nacional.Chorar, de jeito nenhum.As lágrimas são como as pérolas.Mas, penso que há uma coisa muito bonita dentro de cada um de nós, ocorra o que ocorrer, é o saber que sempre tentamos e que foi uma insurreição internáutica.Ah, isto foi.Pude ouvir até o bater de panelas virtual, passeata virtual.Conheço um pensador que diz que “as recordações são porções de vista fresca”, porque de repente, vi certa similaridade com o “Diretas Já” . Em cada tecla , podemos ouvir a voz rouca das ruas do Ulisses Guimarães.Ninguém indicia nossa vontade, nem nossas preferências, nem o coração e nem as nossas almas.E, quem sabe, com os teclados vamos impedir que nossas idéias possam fluir sem policiamentos ou atos de exceção.

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