Violência no Rio de Janeiro. Hora de bom senso, principalmente com os policiais. Leia artigo de Fernando Gabeira, sobre a PEC 300

Para acalmar o Rio

24.11.2010 | FONTE: www.gabeira.com.br

Enquanto carros e ônibus são incendiados no Rio, governadores se reúnem em Brasília, pedindo a não aprovação da Pec 300. Esses dois fatos são relacionados.

A polícia do Rio é das mais mal pagas do Brasil.  A Pec 300 despertou um grande entusiasmo entre todos os policiais, fora de Brasília, porque equipara o piso salarial ao da capital, isto é, R$3.500.

A Pec foi aprovada em primeiro turno. Falta o segundo. O governo resistiu enquanto pode, mas perdeu. Agora sua resistência consiste em evitar a votação do segundo turno. Os governadores alegam que a decisão significa gastos extras, cerca de R$ 43 bilhões.

Os governadores têm suas razões orçamentárias mas se esquecem que o governo federal, pelo texto da nova lei, deveria ajudá-los a cumprir esse compromisso. Se não houver uma nova votação da Pec 300 os policiais brasileiros ficarão frustrados. Se ela for derrotada num segundo turno, será pior ainda porque muita gente teria mudado de opinião.

O governador da Bahia, Jaques Wagner, tem um argumento de peso: afirma que a Pec desrespeita a autonomia federativa, com deputados e senadores fixando salários nos estados. Mas a própria lei indica o governo federal como o provedor da diferença, caso os estados não possam cumpri-la.

Seria interessante, no momento em que temos problemas no Rio e em outros estados, uma negociação madura com os representantes dos policiais. Se não conseguimos pagar o que prevê a Pec 300, vamos tentar, pelo menos, uma proposta conciliatória.

Não interessa, exatamente em tempos de confronto, nos quais o tráfico se transforma em narcoterrorismo, romper a confiança recíproca entre governos e polícia.

Votei a favor da Pec 300 porque acho que a atividade policial precisa ser bem remunerada. Caso o governo considere, realmente, que não pode pagar, que, pelo menos, apresente sua proposta conciliatória. Espero que além de compreenderem a situação dos policiais em todo o Brasil, os governadores tenham também um pouco de sensibilidade para o momento do Rio.

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