Assunto muito sério: leia esse post de Ricardo Kotscho. Agora ele está vendo a verdadeira face do Zé Cardozo, ministro da Justiça e dissimulado total

Quem nos acompanha já estava alertado que o atual Ministro da Justiça, também chamado de um dos Três Porquinhos de Dilma, o Zé Eduardo Cardozo, é um dissimulado.

E os dissimulados são um dos tipos mais terríveis de gente que se pode encontrar nesta vida.

Peço a leitura atenta deste post, publicado no Balaio do Kotscho, do jornalista Ricardo Kotscho, no sábado, 19 de fevereiro. Trata de um um pedido que um outro grande jornalista, Audálio Dantas, tentou fazer ao coisinha ministro. Sobre Wladimir Herzog.

Veja o que deu. E o grande Ricardo Kotscho lascou o pau, de forma legal e genial, até porque ele não esconde de ninguém sua ligação com Lula, o petismo, etc… A admiração pelo porquinho é que foi embora, enfim, no episódio. Escafedeu-se.

Mais um a ver a verdade…

Aproveito para publicar também, mais abaixo, um comentário feito – também lá no Balaio – pelo Carlos Brickmann, que lembra de outro assassinado pela ditadura, Chael, seu primo, e que nunca foi honrado pela turma que pertencia antes de ser morto. Nem por Dilma, com quem chegou a dividir uma célula.

Dilma chorou lágrimas de crocodilo em homenagem a ele, há alguns anos. Prometeu que de tudo faria para resolver as questões… E NADA.

Pois bem, a mãe de Chael, Dona Emília,  morreu ontem, domingo, sem ver a Justiça feita ao seu filho.

Assim, você pode ter uma noção de quanta coisa há para ser feita e dita. Mas que a poucos verdadeiramente interessa.

Olha aí. Esta é a história:

A terceira morte de Vlado Herzog

Pense num absurdo, em algo totalmente inverossímel, num completo desrespeito aos que querem contar a nossa história e à memória de quem tombou na luta pela redemocratização do país.

Pois foi isso que sentiu na pele esta semana o jornalista Audálio Dantas ao procurar o Arquivo Nacional, em Brasília, para poder finalizar o livro que está escrevendo sobre o seu colega Vladimir Herzog, o Vlado, torturado e morto nos porões do DOI-CODI durante a ditadura militar (1964-1985).

Vlado já tinha sofrido duas mortes anteriores: o assassinato propriamente dito por agentes do Estado quando estava preso e o IPM (Inquérito Policial Militar) que responsabilizou Vlado pela sua própria morte, concluindo pelo suicídio.

Esta semana, pode-se dizer que, por sua omissão, o Ministério da Justiça, agora responsável pelo Arquivo Nacional, matou Vladimir Herzog pela terceira vez, impedindo o acesso à sua história.

Muitos dos que foram perseguidos naquela época, presos e torturados, estão hoje no governo central, mas nem todos que chegaram ao poder têm consciência e sensibilidade para exercer o papel que lhes coube pelo destino.

É este, com certeza, o caso de Flávio Caetano, um sujeito que não conheço, chefe de gabinete do ministro da Justiça, meu velho ex-amigo José Eduardo Cardozo, por quem eu tinha muito respeito.

Digo ex-amigo pelos fatos acontecidos ao longo da última semana, que relatarei a seguir.

Na segunda-feira, Audalio Dantas me contou as dificuldades que estava encontrando para pesquisar documentos sobre o antigo Serviço Nacional de Informações (o famigerado SNI) no Arquivo Nacional, e pediu ajuda para falar com alguém no Ministério da Justiça.

Explique-se: um dos primeiros decretos baixados pela presidente Dilma Rousseff, o de nº 7430, de 17 de janeiro de 2011, determina a transferência do Arquivo Nacional e do Conselho Nacional de Arquivos da Casa Civil da Presidência da República para o Ministério da Justiça.

Por se tratar de quem se trata, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo na época do crime praticado contra Vlado, o primeiro a denunciar o assassinato, profissional dos mais premiados e respeitados do país, com 57 anos de carreira _ provavelmente mais do que os nobres Cardozo e Caetano têm de idade _, encaminhei a Audálio o telefone do gabinete do ministro da Justiça.

E lhe recomendei que falasse diretamente com José Eduardo Cardozo, explicando a ele as absurdas dificuldades que estava encontrando no Arquivo Nacional para fazer o seu trabalho.

Foi muita ingenuidade minha, claro. A secretária de nome Rose, certamente sem ter a menor idéia de quem é Audálio Dantas e de quem foi Vladimir Herzog, informou que o chefe de gabinete, Flávio Caetano, estava “em reunião com o ministro”, garantindo que entraria em contato mais tarde.

Até aí, faz parte do jogo. Chefe de gabinete é para isso mesmo. Serve para fazer a triagem das demandas que chegam ao ministro, e não devem ser poucas.

“Deixar sem resposta mais de dez telefonemas, no caso de qualquer cidadão, não caracteriza apenas desleixo ou arrogância, mas falta de educação”, desabafa Audálio, com toda razão.

Pelo jeito, Flávio Caetano anda muito ocupado ou também nunca ouviu falar de Audálio e Herzog. Sem conseguir ser atendido por telefone pela excelência maior nem pelo seu chefe de gabinete, o jornalista-escritor resolveu encaminhar este e-mail ao Ministério da Justiça:

“Prezado Senhor Flávio Caetano

Provavelmente o senhor não me conhece, por isso apresento-me: sou Audálio Dantas, jornalista, ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e da Federação Nacional dos Jornalistas, ex-deputado federal. Tentei vários contatos telefônicos com o senhor, sem resultado. Por isso envio-lhe esta mensagem.

Estou concluindo (com prazo para entregar à Editora Record) livro sobre o Caso Herzog, do qual fui parte. Necessitando de informações sobre o assunto, procurei, no último dia 10, o Arquivo Nacional _ Coordenação Regional de Brasília, que mantém a guarda dos papéis do Serviço Nacional de Informações. Depois de me identificar, preenchi fichas de solicitação, tomando o cuidado de acrescentar informações adicionais sobre o caso, hoje referência histórica.

Como dispunha apenas de uma cópia de procuração que foi dada pela viúva de Herzog, Clarice, datada de agosto de 2010, disseram-me que era necessário documento original, com data mais recente. Já estava para buscar outra procuração quando recebi (dia 14/02) ofício em que se exige, além da procuração:

– Certidão de óbito de Vladimir Herzog
-Certidão de casamento

Considero que, em se tratando de caso histórico, de amplo conhecimento, e quando se sabe que a União foi responsabilizada na Justiça pelo assassinato de Herzog, tais exigências são absurdas e até desrespeitosas. Que atestado de óbito terá a viúva para mostrar? O que foi lavrado com base no laudo do médico Harry Shibata, que servia ao DOI-CODI e confessou tê-lo assinado sem ver o corpo? E que certidão de casamento terá Clarice Herzog juntado à ação que impetrou contra a União pela morte do marido?

E se a pesquisa fosse sobre o ex-deputado Rubens Paiva, quem forneceria o atestado de óbito? Desse jeito, ninguém conseguirá saber sobre ele no Arquivo Nacional.

Gostaria de discutir mais a questão que envolve, parece, deliberada dificultação de pesquisa. Ou, no mínimo, desconhecimento histórico por parte desse órgão público.

Faço questão que essas informações cheguem ao conhecimento do ministro José Eduardo Cardozo, que deve conhecer minha história.

No aguardo de uma resposta,
Atenciosamente,

Audálio Dantas”.

No momento em que escrevo este texto, no final da tarde de sábado, dia 19/02, Audálio continua esperando uma resposta. Na melhor das hipóteses, suas informações não chegaram às mãos do ministro José Eduardo Cardozo. Não tenho como saber porque também não consegui falar com o ministro.

Na sexta-feira à tarde, depois de ler o e-mail acima que Audálio enviou ao chefe de gabinete, sem receber retorno, liguei para o gabinete do ministro. A secretária que atendeu já ia me despachando direto para a assessoria de imprensa do ministério. Fui bem educado ao lhe explicar:

“Minha senhora, eu não quero entrevistar o ministro. Eu preciso falar com ele pessoalmente sobre um caso grave e urgente do qual ele deve tomar conhecimento”.

Só aí ela permitiu que eu soletrasse meu sobrenome, respondeu-me que sabia quem eu era, pediu os números dos meus telefones e, imaginei, cuidou de passar a ligação para o ministro. Minutos de silêncio depois, a secretária voltou para me dizer, sem muita convicção, que o ministro estava ocupado e me ligaria em seguida. Também estou esperando até agora.

Na hierarquia da falta de respeito pela própria função que exerce, o menos responsável nesta história é o funcionário de nome Raines, que se apresentou como historiador ao atender (ou melhor, deixou de atender) Audálio Dantas.

A sua superiora, Maria Esperança de Resende, coordenadora-geral da Coordenação Regional do Arquivo Nacional no Distrito Federal, é quem assina o absurdo pedido de documentos. Alguém superior a ela a colocou lá sem perguntar se as suas qualificações eram adequadas ao seu pomposo cargo no comando do Arquivo Nacional.

Talvez o jeito mais simples e barato de resolver este problema seja baixar outro decreto presidencial e devolver o Arquivo Nacional à Casa Civil da Presidência da República, como era antes, já que o Ministério da Justiça não parece muito interessado no assunto nem preocupado com o seu funcionamento.

Das duas uma: ou Cardoso está muito mal assessorado ou não entendeu ainda quais são os seus compromissos e responsabilidades no Ministério da Justiça do governo de Dilma Rousseff, a presidente da República que, ao contrário de Vladimir Herzog, conseguiu sobreviver às torturas na ditadura militar.

Autor: Ricardo KotschoCategoria(s): Blog http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/

E O COMENTÁRIO DO CARLOS BRICKMANN, QUE CITEI

1.     Carlos Brickmann disse:

Ricardo: esta história não lhe lembra a do Chael Charles Schreier? Por indicação sua, enviei mensagem ao então ministro Paulo Vanucchi, e ele simplesmente não respondeu. É o mesmo caso do tal Caetano, do tal Cardozo: é melhor fingir que não é com eles, que assim não dá trabalho. Solidariedade total ao Audálio, solidariedade total a você. E, quanto ao boquinheiro que acha que você quer voltar para a Folha, só uma informação: se quisesse, voltaria no mesmo dia a qualquer redação em que já trabalhou.

6 comentários sobre “Assunto muito sério: leia esse post de Ricardo Kotscho. Agora ele está vendo a verdadeira face do Zé Cardozo, ministro da Justiça e dissimulado total

  1. Helena de Almeida Roesele 21 de fevereiro de 2011 / 15:04

    Sinceramente, somente nos faltava um Ministro da Justiça dissimulado, além de faltar com o cumprimento das obrigações que lhe foram designadas.O que, sinceramente, não consigo entender, é que sendo a Presidente uma das “vítimas” da ditadura, torturada, como disse ela no Congresso e na campanha presidencial, tendo sido o Lula também, uma das vítimas do regime, porque um comportamento distorcido, desinteressado, negligente, sem ética, mal conduzido do Ministério da Justiça e a designação errada da Presidente da República do Cardozo. homem, que sabemos bem, gosta mais de tênis e de bacalhoadas, do que trabalhar o Arquivo Nacional, assunto extremamente sério para a Nação e para os brasileiros, não só obsta informações ao Sr.Aldálio Dantas, como dificulta as mesmas, solicitando documentos impossíveis de serem apresentados.Pergunto, será que seria somente má vontade, ou será que existiria algum outro motivo escuso, para que estas informações permanecessem nos porões da história? Sinceramente, este governo está começando mal.

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  2. oromar 21 de fevereiro de 2011 / 15:31

    Quando chegar o tempo de esclarecer as circunstâncias da morte de Herzog,também será o tempo de esclarecer os reais objetivos da luta armada no Brasil,os justiçamentos,as traições (ideológicas e morais),o destino dos recursos financeiros apoderados pela esquerda,e o que mais existir,portanto se pergunte se no poder você gostaria mesmo de conhecer a verdade.

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    • marligo 21 de fevereiro de 2011 / 23:12

      Caro Oromar.
      Pode ter certeza que tenho pleno conhecimento dessas possibilidades que você levanta. E não será surpresa.
      O que deve prevalecer é a VERDADE. Principalmente no caso em questão – WLADIMIR HERZOG. Ou você tem alguma dúvida do que ocorreu ali?
      E esses arquivos sobre os quais tratamos são de todos, devem ser abertos. Não estamos falando em revisão da Lei da Anistia…
      abs,

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      • oromar 22 de fevereiro de 2011 / 13:50

        Cara Marli Gonçalves
        Não se trata de possibilidade,não existe surpresa e também jamais se deve encarar um fato como principal,quando estamos analisando um período que já é histórico.
        Não tenho dúvida do ocorreu ali,como me perguntou,assim como não tenho dúvida que a esquerda não foi aprender democracia em Cuba ou na Universidade Patrice Lumumba,nas décadas da guerra fria.
        Não tenho dúvidas também que a não omissão daqueles que lutaram e também tombaram nocombate à tentativa de cubanização do Brasil,tomaram o posicionamento correto.

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