Uma conversa dos meus amigos Ricardo Kotscho e Afif Domingos, no Ranieri, outro amigo. Saudades dessas prosas de tabacaria

Afif e o novo PSD: “Collor jogou nossas bandeiras no lixo”

Na volta do almoço no Rodeio, ao parar para tomar um café no Ranieri, aqui ao lado de onde moro, encontrei meu velho amigo Guilherme Afif, 67 anos, vice-governador de São Paulo e principal mentor do novo PSD, o Partido Social Democrático criado por Getúlio Vargas, consagrado por Juscelino Kubitschek e relançado esta semana pelo prefeito Gilberto Kassab.

Aproveitei para dirigir a ele três perguntas que todo mundo certamente gostaria de lhe fazer. De bom humor, fumando um charutinho, ele respondeu de bate-pronto.

Balaio _ O que leva o vice-governador de são Paulo, ex-candidato a presidente da República, ex-deputado federal e empresário bem sucedido, a se aventurar na criação de um novo partido, a esta altura da vida e do campeonato?

Afif _ Sempre é tempo de recomeçar. Estou recomeçando no ponto em que paramos em 1989, na campanha presidencial, quando as nossas bandeiras foram empunhadas pelo presidente eleito, Fernando Collor, que as jogou no lixo. E o momento agora é para recomeçar com o mesmo ideário. A nossa principal bandeira será a da igualdade de oportunidades, que é a verdadeira inclusão social. Grande parte dos que estão vindo conosco fizeram parte daquela campanha de 1989, como o vice-governador da Bahia, Otto Alencar.

Balaio _ Os jornais contestaram a definição dada pelo prefeito Gilberto Kassab de que o PSD é um partido de classe média. Com números do patrimônio dos fundadores, entre os quais o seu se destaca, mostraram que o PSD na verdade é um partido de ricos. Isto ajuda ou atrapalha na conquista do eleitor?

Afif _ Este negócio de partido de ricos não quer dizer nada… É como dizia o Joãozinho Trinta: “Povo gosta é de luxo, quem gosta de miséria é intelectual”. Graças a Deus, tenho um patrimônio que é fruto de muito trabalho. Quero dar oportunidade a outras pessoas de repetir uma história como a minha. Na hora em que o cidadão tem oportunidades, a escolha é dele. Para ser um empreendedor, tem que gostar do risco. Quanto maior o risco, maior a chance de vencer. De risco eu entendo: meu negópcio sempre foi trabalhar com seguros…

Balaio _ Esta semana, o ex-presidentre FHC lançou um manifesto _ “O papel da oposição” _ em que aconselha seu partido a esquecer o povão dominado pelo PT e trabalhar para conquistar a nova clase média. O que o senhor acha desta análise? O DEM, assim como o seu PSD, também se define como defensor da classe média. A concorrência não ficou muito grande nesta área?

Afif _ Acho que pinçaram uma palavra do artigo do Fernando Henrique e fizeram a manchete. Ele fez um tratado sociológico, e a classe média não esta afeita a esta sociologia toda. Só quer melhorar de vida. O discurso que hoje atinge estas pessoas, à medida em que sobem de classe social, é a consciência do pagador de impostos, parafraseando os filósofos: “Pago, logo exijo”. Elas passam a exigir seu direito a saúde e educação de qualidade, justiça e polícia que funcionem, sabendo que nada é de graça. É o cidadão contribuinte de impostos que paga por isso.

DO BLOG DO RICARDO KOTSCHO, O BALAIO

Um comentário sobre “Uma conversa dos meus amigos Ricardo Kotscho e Afif Domingos, no Ranieri, outro amigo. Saudades dessas prosas de tabacaria

  1. Lena 17 de abril de 2011 / 12:09

    Marli, não posso apoiar um partido que tem como meta alterar as relações trabalhistas do setor privado, que já são frágeis, e não pensar o quanto temos que mudar nas vantagens oferecidas aos agentes políticos e administrativos (setor público). Os impostos são elevados não à toa, mas porque as despesas de custeio (folha de pagamento, aposentadorias excelentes, a previdência dos agentes tem um rombo de R$ 52 bi que o governo esconde, licença para estudar remunerado, etc). Esses dois Brasis precisam ser igualados e isso os políticos por medo, votos, lobby não querem enfrentar. Enquanto tivermos políticos fugindo dessa responsabilidade de igualar direitos dos celetistas aos do setor público, nem mesmo Afif será por mim respeitado como político.

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