Ricardo Noblat fala sobre “aquele” zinho que mordia no Paraná. E agora tenta morder em Brasília.

Foto: Albari Rosa / Gazeta do Povo

 O senador Roberto Requião (PMDB-PR) escreveu no twitter que daria uma boa discussão seu gesto de arrancar das mãos de um jornalista o gravador onde estavam registradas algumas perguntas que ele lhe fizera.

Em dado momento da entrevista, o jornalista quis saber se Requião não seria capaz de abrir mão da aposentadoria mensal de R$ 24.117,00 que recebe como ex-governador do Paraná.

O atual governador Beto Richa (PSDB-PR) havia revogado o decreto que garantia o pagamento de aposentadoria a Requião e a outros ex-governadores.

Em 2007, por 10 votos contra um, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o dispositivo da constituição de Mato Grosso do Sul que permitia o pagamento de aposentadoria para ex-governadores.

Desde então, tramitam ali ações contra o pagamento de aposentadoria a ex-governadores de oito estados – um deles, o Paraná.

A discussão proposta por Requião no twitter é fácil de ser travada. E o resultado, certamente, não lhe será favorável.

Salvo em ditaduras, onde a imprensa não é livre, jornalista tem o direito de perguntar o que quiser – e a quem quiser. Assim como qualquer cidadão.

Se o alvo das perguntas se sentir ofendido por elas, deve procurar a Justiça e processar o seu autor. É simples assim. Não há outra forma legal de proceder. Legal e civilizada.

Por que Requião preferiu o caminho da violência? Ou não é uma violência tomar de um jornalista seu instrumento de trabalho?

Primeiro porque as perguntas, nos termos em que foram formuladas, não configuravam calúnia, injúria ou difamação. Requião não seria bem-sucedido se processasse o jornalista.

Segundo porque Requião é um político com vocação de ditador. Seu temperamento é autoritário. Há uma vasta coleção de episódios protagonizados por ele que amparam o que digo.

Requião sentu-se provocado pelo repórter porque não está acostumado a responder a perguntas que o incomodam. Como governador do Paraná, fugia delas. Ameaçava jornalistas. Perseguia a sabotava jornais.

O repórter que perdeu o gravador para Requião, devolvido depois com o cartão de memória apagado, tentou prestar queixa junto à Polícia Legislativa. Sem sucesso.

Foi orientado a levar o caso à Corregedoria do Senado, encarregada de fiscalizar o comportamento dos senadores. Ocorre que a corregedoria está vaga desde o ano passado.

José Sarney (PMDB-AP), presidente do Senado, omitiu-se como de hábito. Informado a respeito, balbuciou:

– Eu não conheço esse fato. O senador Requião é um cavalheiro. Deve ter havido um mal entendido. Ele não deve ter feito isso.

Requião fez. Não foi um mal entendido. Ele é tudo – menos um cavalheiro.

Quanto a Sarney… Bem, é apenas um cavalheiro.

Um comentário sobre “Ricardo Noblat fala sobre “aquele” zinho que mordia no Paraná. E agora tenta morder em Brasília.

  1. Silvio Massarini 6 de outubro de 2014 / 19:51

    Maravilha que Álvaro Dias tenha se reelegido! Fora Requião! Vá vender requeijão na feira…Salve Álvaro dias! Abaixo os politiqueiros que querem ganhar no grito e na violência! Ele, o tal é um verdadeiro Pit Bull…Não há então o que se estranhar…

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.