Caçada ao Osama: achei esse relato geral um dos mais interessantes. É do Blog do Gabeira, no Estadão

 

elas procuram o corpinho no mar...

Nos bastidores da caçada a Bin Laden

por Fernando Gabeira

Uma grande equipe do New York Times, liderada por três repórteres, Mark Mazetti, Helene Cooper e Peter Baker, conta hoje a história dos bastidores da ação que matou Bin Laden.

Algumas das minhas dúvidas foram esclarecidas. O microblogueiro paquistanês que contou a história menciona a explosão de um helicóptero e eu não conseguia processar esse dado. As autoridades americanas afirmavam que não houve nem mortos nem feridos entre os mariners que invadiram a casa. Aquela explosão foi provocada pelos próprios norte-americanos porque o helicóptero enguiçou na hora da partida. O raciocínio imediato foi este: é melhor destrui-lo do que deixá-lo para trás.

A longa história da captura de Bin Laden, realmente, começa na prisão de Guantánamo, onde vários detentos mencionaram a existência de um emissário de confiança de Bin Laden. Ouvidos, os lideres mais importantes na prisão disseram que desconheciam o nome . Essa recusa contribuiu para os americanos achassem que estavam numa pista correta.

A CIA começou a interceptar telefonemas e e-mails da família do emissário. Há dois anos, no Paquistão, um funcionário nativo da agência anotou a placa de um Suzuki branco e através dessa pesquisa, as investigações chegaram à casa de Abbuttabad.

Como todas as investigações de longo prazo, houve momentos mais intensos e outros mais frios. As fotos de satélite, uma vez localizada a casa, serviram para determinar o estilo de vida dos ocupantes. Não tinham internet nem telefone, queimavam o próprio lixo.

A primeira dúvida era sobre realizar ou não a captura. Não foi uma decisão linear. Pesava ainda a experiência fracassada na Somália, em 1993, quando dois helicópteros Black Hawks foram derrubados. E também, até meados de abril, a CIA tinha um dos seus quadros preso no Paquistão. Seu nome é Raymond A. Davis e estava detido por abrir fogo contra dois paquistaneses, numa rua movimentada de Lahore. Havia a possibilidade de uma retaliação contra Davis, na prisão. Ele foi libertado em 16 de abril.

Uma vez tomada a decisão de atacar, restavam grandes dúvidas sobre as características da operação. Um dos arquitetos da operação pensou em bombardear o edifício. Fizeram as contas e viram que precisariam de 32 bombas, corriam o risco de abrir uma grande cratera no lugar e jamais encontrar o corpo de Bin Laden.

Havia também a possibilidade de fazer uma blitz junto com as forças paquistanesas. Mas teriam de avisá-los com antecedência, aumentando o risco que a operação vazasse e Bin Laden conseguisse escapar. Isto não significa que o Paquistão não tenha colaborado. No momento exato, apenas os americanos sabiam da operação.

Obama fez várias reuniões secretas e pediu algum tempo para decidir. Finalmente, deu a ordem para o assalto, preferindo-o ao bombardeio. Montou uma sala de situação e mudou a rotina da Casa Branca para que visitantes não percebessem que alguma coisa se passava.

O assalto foi programado para o sábado mas a noite estava nublada. Optou-se pela noite de domingo e os quatro helicópteros partiram de Jalalabad, no lado do Afeganistão, perto da fronteira. No mapa que encontrei no Google, mencionei o aeroporto de Abbuttabad como uma possibilidade de recuo. Mas foi um erro. Dentro do espírito de não comunicar aos paquistaneses, o aeroporto era inútil. Na verdade, o grande problema dos helicópteros era serem confundido pelos paquistaneses e bombardeados como se fossem parte de força inimiga.

Soldados paquistaneses montam guarda na casa de Bin Laden.(AP)

Na sala de situação, com grande estoque da batata frita e soda, Obama e seus assessores acompanharam a operação, desde o momento em que os helicópteros decolaram em Jalalabad. Segundo os assessores, cada minuto parecia um ano. Até que a frase Gerônimo morto em ação foi transmitida. Era o fim da operação, com sucesso total.

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

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