Nós, mulheres, ganhamos o Prêmio Nobel da Paz. Três mulheres nos representam, com suas cabeças cobertas, mas bem vivas

Mulheres da Libéria e Iêmen dividem Nobel da Paz em 2011

Presidente da Libéria, uma militante política e uma ativista social são agraciadas pela Academia Real Sueca por causa do trabalho pelos direitos das mulheres

As ganhadoras (a partir da esq.): Tawakkul Karman, Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee

As ganhadoras (a partir da esq.): Tawakkul Karman, Ellen Johnson Sirleaf e Leymah Gbowee (Mandel Ngan/AFP)

Ellen Sirleaf é a primeira mulher chefe de estado na África. Só ganhou por causa da compatriota Leymah. E Tawakkul Karman é a 1ª mulher árabe a conquistar o Nobel da Paz

Desde sua primeira edição, em 1901, o Prêmio Nobel da Paz já tinha sido entregue a 121 pessoas e organizações. Entre os ganhadores, apenas doze eram mulheres. O número subiu para 15 nesta sexta-feira, com o anúncio do trio de ganhadoras da edição de 2011. A presidente da Libéria, Ellen Johnson Sirleaf, a militante pela paz Leymah Gbowee, também liberiana, e a ativista Tawakkul Karman, uma iemenita que se destacou na onda de manifestações da Primavera Árabe no Iêmen, foram escolhidas pelo comitê norueguês do Nobel, que anunciou a escolha pela manhã, em Oslo.

As três foram premiadas “pela luta pacífica pela segurança das mulheres e pelo direito de participar nos processos de paz”, declarou, em Oslo, o presidente do comitê norueguês, Thorbjoern Jagland. “Não podemos alcançar a democracia e a paz duradoura no mundo se as mulheres não tiverem as mesmas oportunidades que os homens para influenciar os acontecimentos em todos os níveis da sociedade”, completou ele. A última mulher a conquistar o prêmio – e a primeira mulher africana laureada com o Nobel da Paz – foi Wangari Maathai, que morreu no último dia 25 de setembro.

Cronologia: Da indicação ao prêmio, como é feita a escolha do Nobel da Paz

Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, passou para a história ao se tornar, em 2005, a primeira mulher eleita chefe de estado no continente africano, em um país de quatro milhões de habitantes traumatizados por guerras civis que, de 1989 a 2003, deixaram 250.000 mortos. Os conflitos destruíram a infraestrura e a economia do país. “Desde sua posse em 2006, Ellen Johnson Sirleaf contribuiu para garantir a paz na Libéria, para promover o desenvolvimento econômico e social e para reforçar o lugar das mulheres na sociedade liberiana”, destacou o presidente do comitê norueguês.

Greve de sexo – A chegada da presidente ao poder foi possível graças ao trabalho de Leymah Gbowee, “guerreira da paz”, fundadora do movimento pacífico que contribuiu para terminar com a segunda guerra civil em 2003. Uma das mais memoráveis contribuições de Leymah à paz em seu país foi a ideia de convocar uma “greve de sexo”. Lançada em 2002, essa iniciativa original levou as liberianas de todas as confissões religiosas a negar sexo aos homens até que cessassem os combates – o que obrigou Charles Taylor, ex-chefe de guerra convertido em presidente, a envolve-las nas negociações de paz.

“Leymah Gbowee mobilizou e organizou as mulheres além das linhas de divisão étnica e religiosa para colocar um fim na uma longa guerra liberiana e garantir a participação das mulheres nas eleições”, relembrou Jagland. A terceira laureada, a iemenita Tawakkul Karman, também foi premiada pela luta pela inclusão da mulher no processo político – assim como na África, no Oriente Médio elas têm pouquíssima participação na tomada de decisões. Conforme o comitê, Tawakkul “teve papel preponderante na luta pelos direitos das mulheres, democracia e paz no Iêmen, tanto antes como durante a Primavera Árabe”.

Tawakkul Karman é a primeira mulher árabe a receber o Nobel da Paz. Ao ser avisada da escolha do comitê, ela se disse honrada e surpresa, e dedicou seu prêmio aos ativistas que lutam pela democratização dos países árabes. “Trata-se de uma honra para todos os árabes, muçulmanos e mulheres. Eu dedico este prêmio a todos os participantes da Primavera Árabe”, afirmou ela ao canal de televisão árabe Al-Arabiya. “Este prêmio é uma vitória para a revolução, por seu caráter pacífico.” Tawakkul recebeu a notícia do prêmio na Praça da Mudança, em Sanaa, onde os opositores ao regime acampam desde fevereiro.

fonte: VEJA.COM

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