Mais esta: gás brasileiro faz o mundo chorar. Sabia que exportamos as belezinhas, com bandeirinha?

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fonte: Blog do Gabeira – www.gabeira.com

Brasil e a exportação da morte, por Fernando Gabeira

Deputados e senadores estão de férias. Não podem ouvir o ministro Fernando Bezerra sobre as chuvas, nem perguntar por que o Rio construiu apenas uma das 75 pontes quebradas.

Mas não podem também se informar sobre uma denúncia publicada hoje no Globo, em matéria assinada por Rasheed Abou-Alsamh.

Segundo ela, o gás lacrimogêneo exportado pelo Brasil matou um bebê no Bahrein e está aterrorizando a oposição xiita que luta por uma monarquia constitucional.

O gás brasileiro, produzido em Nova Iguaçu, pela Condor Tecnologias não Letais, vem numa lata prateada e ostenta a bandeira nacional.

A empresa nega que seu produto seja venenosa e afirma que as negociações são controladas pelo Ministério da Defesa e das Relações  Exteriores.

São dois ministérios respeitáveis. No entanto, no que diz respeito à exportação de produtos bélicos são também muito fechados.

Percebi isso, na luta contra a exportação das chamadas bombas cacho(cluster) que produzem inúmeras mortes de crianças, porque parecem brinquedos e nem sempre explodem quando lançadas.

Tanto o Itamaraty como o Ministério da Defesa são reticentes em especificar as exportações brasileiras, afirmando que isto preserva também a segurança dos clientes.

Há um certo orgulho em exportar gás lacrimogêneo pois a bandeira do pais está exposta na lata. Outro tema que merecia ser melhor discutido.

Não falamos sobre essas exportações abertamente, mas elas saem daqui com a bandeira nacional.

Possivelmente, as bombas de gás foram exportadas para a Arábia Saudita e de lá ganharam o Bahrein. Quem nos garante que as bombas cluster, condenadas mundialmente, não fazem também trajetos sinuosos e imprevisíveis?

Ser acusado da morte de projeteis   ostentando a bandeira nacional não é bom para o Brasil. Mas quem responde pelo pais, nesse caso? O Congresso está de férias, o governo às voltas com as enchentes.

A única saída é registrar isto e afirmar mais uma vez sobre esse tipo de política externa: não em meu nome. Esse Brasil com a bandeira na bomba de gás é o pais da maioria, dos ministros blindados, da sede de exportar, mas nem sempre me representa.

COMENTÁRIO MEU:

A mim também não representa, caro amigo.

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