ARTIGO – Sobre todas as coisas. Por Marli Gonçalves

Vocês pensam que é fácil escolher? Cada semana decidir, escolher, e escrever sobre um tema que agrade a um grande número de leitores? Um desafio fascinante, mas tem semanas que vou te contar…! Não há Cristo que ajude. Nem com desentupidor de pia no cérebro. Ou você fala sobre tudo, o que será esse nosso caso hoje, ou inventa um conto, um tanto, faz telefone sem fio. Não é por menos que já tem colunista até escrevendo sobre outros colunistas, que escreveram polêmicas; ou outros escrevendo polêmicas justamente para comparecer

Pensa bem que situação. Você procura se nos próximos dias, pra frente, vai ter – sei lá – algum dia comemorando qualquer coisa, profissão, alguém. Nada. Você lê tudo o que passa na sua frente atrás de algum aspecto diferente para opinar, mas, nada. É tudo igual, todo dia, e você, leitor querido, já está de saco cheio de ouvir reclamação, não?

Escrever é um ato muito pessoal. Penso também em falar algo de mim, do que ando passando, mas vou acabar reclamando, que a fase está cheia de perrengues, e isso pode acabar ficando muito chato. Ando workaholic um pouco demais, trabalhando um pouco demais, concentrada em blocos de afazeres, e a objetividade dos atos, de tirá-los da frente um a um não é bom celeiro para criação e desenvolvimento de temas. O legal é mantê-los, construindo, mascando.

Embora declare que pelo menos eu sempre tente reclamar de coisas mais gerais, aquelas que tem muita gente reclamando, ou pelo menos deveria ter. Muitas dessas coisas, já que “ninguém” colocou a boca no trombone, lá vou eu.

Desse tipo aí recebo muitas sugestões todas as semanas. Invariavelmente chegam acompanhadas de um incentivo do tipo “Só você pode falar nesse assunto…”

Tem gente que acredita que todos os jornalistas são auto-suficientes, independentes, poderosos, protegidos, com uma aura, cheios de advogados prontos a defendê-los, com uma espécie de imunidade garantida no trabalho, segurança privada para si e sua família. Não tem gente até que acredita mesmo que haja essa tal mídia independente que a gente vê por aí, abastecida com muita Petrobras, caixa, BB, propaganda de governo, mula-sem-cabeça? Me engana que eu gosto…O buraco é bem mais embaixo.

Adoro mesmo é quando consigo acertar um bom alvo. Semana de glória. Mais leitores que chegam. Coluna replicada entre amigos de amigos de amigos. Chovem cartas de apoio, depoimentos que corroboram o que disse; alguns dizem até que tenho capacidades telepáticas, que tirei as palavras de “suas bocas”.

Política é um dos temas em que isso mais acontece. Defesa da mulher com base na realidade , também, embora outro dia tenha sido muito elogiada, mas o leitor – homem, claro – ressalvou meus “feminismos”, sem saber que esse era o maior elogio que ele podia ter me dado.

Sucesso garantido, para um grupo: basta descer a lenha em coro quando medidas impopulares são tomadas, principalmente afetando a classe média, falar mal de todos os petistas e duvidar da capacidade de alguma autoridade. Olha que todos esses são temas bastante corriqueiros no nosso país da piada pronta. E, mesmo assim, tem semanas que nem eles, benditos, salvam… estão sem valor, tão numerosos.

Há, ainda, semanas que a violência é tanta, tantos casos escabrosos, que o melhor é assobiar e falar do tempo, sol, calor e chuvas matando e deslizando as terras ano após ano, e aí junta logo a violência, com a política, com a corrupção,com a falta de leis e de respeito com os cidadãos.

Tem o mundo, tem a moda, tem os medos. Tem o que morreu para não se matar, o que se enforcou com a própria corda, o que está recebendo na mesma moeda. Tem o semestre indo embora voando, o tempo apertando, e a memória indo buscar referências.

Continuo anotando tudo, tentando capturar, ouvindo comentários sobre onde iremos parar. Temas sempre existem, mas alguns encasquetam, e não consigo responder. Como porque, por exemplo, proliferam tantas boquetas de guardar dinheiro roubado por aí, como meu pai bugre velho pergunta, se referindo aos paraísos fiscais que explicam e aplicam os roubos.

Ou, como é que tem gente que sabe distinguir tão bem todos os tipos de banana?

São Paulo, só abril, 2012Marli Gonçalves é jornalistaUm tema em si.

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