Bicicletas, convívio, acidentes. Leia essa análise de quem entende. Gabeira, sobre as bikes, sobre tudo, sobretudo.

pedala

As bicicletas do Rio, por Fernando Gabeira

 

Uso bicicleta há algumas décadas no Rio. Fiz duas campanhas políticas montadas nela.

Embora nunca tenha sofrido um acidente, reconheço que é hora de discutir a relação.

As bicicletas são uma realidade no Rio. De uma certa forma já o eram, antes da construção das ciclovias, na gestão de Alfredo Sirkis como secretário de urbanismo.

Milhares de trabalhadores da Zona Oeste sempre usaram as duas rodas para unir suas casas à estação de trem.

As ciclovias estimularam a classe média a ampliar o uso de bicicletas. O trânsito caótico e a chegada das elétricas produzidas na China contribuíram para completar o quadro.

Dois atletas foram atropelados esta semana. Um deles morreu.

No próprio Leblon uma talentosa produtora de tevê perdeu a vida de uma forma absurda.

A construção de ciclovias que as vezes nem são adequadamente mantidas, como a da Zona Oeste, não resolve o problema.

O uso de bicicletas vai crescer cada vez mais. De um lado, porque é um grande esporte pedalar por uma cidade como o Rio. De outro, porque, em certas áreas como a Zona Sul do Rio, é o meio de transporte mais racional.

Não adianta supor que ter uma rede de ciclovias resolve. Nem fazer como São Paulo, criando áreas de lazer protegidas, para se andar de bicicleta.

É preciso uma política que favoreça a coexistência pacífica entre motoristas e ciclistas. Ainda falta infraestrutura, sinais adequados e sobretudo educação no trânsito.

Não são apenas os motoristas que sentindo-se mais fortes desrespeitam os ciclistas. Estes sentem-se mais fortes que os pedestres e, em muitos casos, também os desrespeitam.

Aplicar o Código Nacional de Trânsito é um primeiro passo. Mas campanhas específicas são necessárias para que o número de desastres seja reduzido.

Nos últimos dias, os ônibus têm sido os vilões. Favorece a direção perigosa a prática das empresas de não darem o nome dos motoristas que cometem infrações.

Isso parece que vai ser combatido. Mas o trânsito continuará caótico tanto no Rio como nas principais cidades médias do estado.

Tentei realizar um rápido trabalho nas cidades serranas e constatei que os engarrafamentos parecem estar em toda parte.

A mobilidade e segurança no trânsito passaram a ser um problema de grande dimensão.

Vereadores e deputados não discutem muito o transporte coletivo no Rio. Parecem domesticados pelas empresas.

Chegou a hora de colocar o tema no topo da agenda. É uma questão de vida ou morte. E também de produtividade. Não se faz mais nas cidades brasileiras o mesmo que se fazia no passado.

Nosso tempo é perdido nos engarrafamentos e a vida caminha na corda bamba. É hora de levar a sério não só trânsito mas o avanço irreversível das bicicletas ao cotidiano da metrópole.

Artigo publicado no jornal Metro em 06/05/2013Benny-Mountain-Bikes

Um comentário sobre “Bicicletas, convívio, acidentes. Leia essa análise de quem entende. Gabeira, sobre as bikes, sobre tudo, sobretudo.

  1. Silvio Massarini 27 de janeiro de 2015 / 12:39

    Haddad, ou: Malddad é um incompetente. Vejam os pontos de ônibus novos, que substituíram os antigos, que funcionavam, pois eram abrigos do sol e da chuva. Já essas monstruosidades, com teto de acrílico e com vidros na frente, fazem com que as pessoas se sintam como frangos de padaria, assando ao sol…Com franqueza, é muita incompetência este poste que Lula plantou em São Paulo. Mas que deve ter corrido muita grana na troca do que era funcional pelo que é ruim, isso lá deve…

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