A censura ainda existe, para nossa tristeza. E a pressão também. Veja essa ameaça policial à arte, por causa de uma foto

me006Ratos, saiam dos sapatos

Foto de Antonio Brasiliano, "censurada" pela polícia

Foto de Antonio Brasiliano, “censurada” pela polícia

Esta imagem incômoda de Antonio Brasiliano, exposta na área externa do Espaço Cult, na Vila Madalena, em São Paulo, acaba de ser retirada do centro cultural por coerção e abuso de autoridade da PM.

A mostra, chamada Quatro Retratos, reunia trabalhos de Brasiliano, Thelma e Marcos Vilas Boas, Julio Kohl e Marcelo Naddeo. Programada para durar um mês e meio, a exposição teve sua conclusão precipitada por conta de ameaças veladas de policiais militares.

A esperta foto de Brasiliano flagrava, em primeiro plano, blocos de concreto com imagens de ratinhos, que foram grafitados pelo Esqueleto Coletivo enquanto, em segundo plano, se formava uma linha de PMs. A imagem foi produzida durante a Ocupação Prestes Maia. E ocupava o muro de entrada do Espaço Cult. A imagem fala por si. Mas pode falar ainda mais alto através de sua ausência.

Nas últimas semanas, PMs da delegacia vizinha, o 14º distrito, têm rondado em viaturas o Espaço Cult e proferido grosserias na direção de frequentadores e dos proprietários da casa. Com comportamento próprio aos roedores, começaram a aparecer à noite, principalmente à saída dos funcionários após os eventos que costumam terminar tarde, por volta das 23h, quando aquele quarteirão da rua Inácio Pereira da Rocha se encontra mais deserto, para deixar ameaças veladas. “Isso aí não pode. Isso precisa ser censurado. Vamos tirar isso daí.” Na última semana, uma viatura do 18º distrito, notório por movimentações suspeitas, demonstrou seu incômodo de modo mais eloquente. “É melhor tirar. Isso vai ficar ruim pra vocês. Estamos avisando. Por enquanto ainda não fizemos nada.” Recado dado, os PMs não quiseram se identificar e partiram.

Coagida, temendo possíveis represálias anônimas por parte dos policiais, a direção do Espaço Cult preferiu retirar do muro a imagem de Brasiliano. A expo continua.

A retirada forçada da foto torna ainda mais explícita a sua mensagem.

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