ATENÇÃO – HC PEDE AJUDA. #HCCOMVIDA

graphics-medical-medicine-159259Hospital das clínicas da Faculdade de medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP lança plataforma própria de captação de doações

Hospital das clínicas da Faculdade de medicina da Universidade de São Paulo – HCFMUSP lança hoje uma plataforma própria para captação de doações por parte da sociedade civil. Em um movimento espontâneo de diversos setores, pessoas físicas, organizações e empresas vêm se mobilizando para contribuir com o Hospital no enfrentamento da pandemia. Agora há um canal oficial para que essas doações sejam feitas.

Desde janeiro, o HCMFUSP vem se preparando para a chegada do Coronavírus por meio de seu comitê de crise. Entre outras iniciativas, reservou um instituto inteiro, com 900 leitos, para receber pacientes com COVID-19, e adquiriu insumos como máscaras e luvas em grande quantidade, de modo a prover os materiais de proteção para garantir a segurança de pacientes e colaboradores. Em um momento delicado como esse, em que o uso de materiais hospitalares e outras necessidades cresce muito, a ajuda de todos os setores da sociedade é uma excelente forma de manter o HCFMUSP forte e funcionando no seu melhor.

Por isso, muitos vêm procurando a instituição para saber como podem contribuir com recursos que possam ser revertidos em máscaras cirúrgicas ou N-95, luvas, óculos, testes de detecção do vírus, entre outras tantas necessidades. Em paralelo a isso, alguns de nossos residentes também se mobilizaram, lançando o movimento (#VEMPRAGUERRA), buscando angariar doações para o HCFMUSP utilizar nos próximos meses. Iniciativas como esta merecem todo nosso reconhecimento e agradecimento.

No entanto, devido à urgência das demandas que dispararam frente à crise do Coronavírus, a direção do HCFMUSP optou por ter sua própria plataforma de graphics-medical-medicine-030686arrecadação de doações. Através do HCFMUSP, InovaHC, e Fundação e Faculdade de Medicina (FFM), estamos lançando um canal próprio de recursos – www.viralcure.org/hc – uma plataforma de código aberto que não faz custódia de fundos e não cobra taxas, direcionando a totalidade das doações para depósito direto na conta da FFM – entidade privada, sem fins lucrativos, reconhecida por seu caráter filantrópico, criada em 1986 por alunos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) para atuar na promoção do ensino, pesquisa e assistência em saúde, e apoiar nas atividades da FMUSP e do HCFMUSP.

Com o lançamento desta plataforma, a campanha com a hashtag #HCCOMVIDA irá divulgar em diferentes mídias as missões que compõe a plataforma, criadas a partir de demandas reais, levantadas pelas equipes de gerenciamento de crise do HCFMUSP.

Convidamos a todos para que participem. Doando, compartilhando, e divulgando esta ação.

O #HCCOMVIDA é mais que um convite, é uma missão, para manter o HC vivo, e a população ainda mais forte.

ARTIGO – O dia depois. Por Marli Gonçalves

O que sairá de tudo isso? Nunca vivemos coisa parecida, uma batalha mundial e contra um vírus, a pandemia do COVID-19, que já dizima milhares de pessoas. Tantas mudanças de hábito, tantas imposições.  Nos adaptamos aos poucos ao Presente, que – e que assim seja garantido! – estoura todos os dias nessa guerra que não deixa de ser muito particular, uma vez que cada um tem responsabilidade por si e muitas pelos outros. Mas já sonho com o dia depois, aquele, no Futuro, uma forma de renovar as esperanças e a saúde mental, que não tem como não estar afetada

Como é? Como vai ser?  Até quando? Perguntas e mais perguntas, e nem bem uma é respondida surgem outras e outras, em detalhes que precisam ser vistos, revistos e solucionados. Uma angústia imensurável, difícil de aplacar. Precisamos sobreviver – essa é a questão central – acima de metas, planos, governos, e esse, aqui no Brasil, nos leva a ainda mais e mais dúvidas sobre o desenrolar desse momento; e não vai perder por esperar. Já começamos a fazer barulho.

Cada um fechado em si como pode, poucos nas ruas, e todos esses em estranhos visuais e movimentos – nunca vi tantos esfregarem suas mãos em movimentos nervosos como os que fazemos nos virando com álcool em gel em cada lugar, cada coisa que tocamos, e desesperados tentamos nos livrar do maldito. Olhares ansiosos. Com máscaras, como se elas fossem escudos (e não são, se usadas de forma aleatória); alguns com luvas. Praticamente nos benzemos, nos damos passes, em busca de assepsia. O vírus invisível pode estar sendo carregado em todos, porque nem todos o desenvolvem. Crianças podem levar aos mais velhos. Os mais velhos entre si. Todos para todos, sem exceção. Os jovens ainda arrogantes talvez ainda duvidem que podem transmiti-lo como o vento. Não há testes que isentem enquanto isso não acabar.

A tecla idoso não para de ser batida, e quem tem mais de 60 anos apresentado literalmente como alvo de uma flecha que queremos que erre muito. Quando se passa dessa idade, talvez não tivéssemos ainda consciência, essa exata noção, que a cada dia nos tornamos mais frágeis. E se essa pandemia veio para calibrar a população mundial estamos na fila principal – junto com nosso conhecimento, maturidade, história, e o que não valerá nada diante da atual conjuntura. Alguns, já solitários, ficarão mais isolados. Outros, tidos como estorvos, para eles haverá torcida para que se adiantem na tal fila.

Não nos damos as mãos, não nos abraçamos, ficamos sem beijos, um é bom, vários, dois, três, quatro, dependendo se é carioca, paulista, três para casar. Agora só nos tocamos com a ponta dos cotovelos ou dos pés, numa dancinha inimaginável. Ou nos deleitamos em conversas virtuais. Todos viramos caras quadradas, enquadradas no visor.

Mas haverá um dia – o dia depois – e creio que é bom pensar nisso, projetar. Dá esperança para ultrapassar essa agonia, essa fase espinhosa, quase impossível de descrever.

As festas que faremos nas ruas, a alegria que será – e tudo o mais será melhor, mais importante, pelo menos por um tempo tudo terá mais valor, prazer – podermos nos libertar e andar livres, em nossas atividades normais. Vamos cantar, dançar, nos abraçar?

 A Humanidade toma um baque que já nos faz pensar o que sairá dessa experiência, como conseguiremos lidar com tantas incertezas e sobreviver à crise que se descortina mostrando suas garras para uma sociedade enfraquecida em tantos sentidos e por tantas outras formas.

Chegará o dia depois. Ele deverá chegar, embora agora não tenhamos a menor noção de quando será.

Será anunciado? Haverá uma data em que todos, no planeta inteiro, comemoraremos, que passará a ser universal?

Quero estar viva para viver esse dia. E que você também esteja para que possamos nos dar as mãos. Se cuida.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Elogio da Loucura. Por Marli Gonçalves

 A Deusa Loucura está entre nós, confortável e ironicamente instalada em todo o mundo, mas muito mais próxima de nós, rindo satisfeita de suas artes que obrigaram a quem fez muxoxo ficar bem esperto, que fizeram tremer as bolsas, as carteiras, as mochilas. Artes que, inclusive, nos mostram todos os dias o perigo da ignorância que ainda grassa

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O bom humor nacional, o jeitinho brasileiro, essa ginga toda, não tem limites, e às vezes penso que, se de um lado é bom, suaviza um pouco as coisas, de outro é também o que nos mantêm inertes quando tratamos de situações que requerem ações, responsabilidade, sabedoria e conhecimento.

Essa semana de tremores e terremotos, de angústia e preocupação valerá por muito tempo como reflexão dos caminhos e do comportamento nacional. Deve ser assinalada nos calendários da história, vista e revista como a dos dias que despertaram toda a sorte de incertezas, chamaram o medo para dentro das casas, onde tememos ficar isolados. E não sabemos se será assim, ou melhor, ou ainda pior, na semana seguinte, nos dias seguintes, ou, ainda, nos meses seguintes. Nem como será a sequela que deixará, além da cicatriz que for se fechando.

Os dias que não poderemos beijar, abraçar, dar as mãos, tocar, sem temor. Quando o tremor e o temor se juntam como em um anagrama do I-Ching. E o baile de máscaras não tem beleza, nem sedução, nem fantasia como ousou dizer o homem que nos governa, obrigado rapidamente a tirar a sua própria máscara da ignorância, e que agora deveria arrancar também de todos os que cegamente querem impor as suas tolas palavras e sua inversão de valores a toda a sociedade. Sentiu em sua própria nuca o bafo da realidade. Seu rosto foi obrigado a se desvendar, de forma a se desobrigar de responsabilidade com o ato que convocou, como um tapa na cara de todos os democratas.

Um grupo sem qualquer empatia, agressivo, autoritário, descontrolado dirige a nação em momento tão delicado; que já o era, mas agora soma à sua crise social, econômica, política e de poder  – de repente, estonteante, rapidamente – fatores inesperados como crise na área de petróleo, queda das bolsas, aumento sideral do dólar, e um novo vírus se espalhando, somando-se ao sarampo que voltou com mala e cuia, à dengue e à miséria. Como vai ser propor, se necessário, o isolamento do nosso povo?

Vem da iniciativa privada as decisões mais apropriadas e, agora sim, a palavra cancelar perdeu seu sentido frufru e passou a existir, canceladas atividades, reuniões, eventos, shows, partidas, etc., pelo menos até o fim deste mês. Alguém tinha de levar a sério esse assunto, sem meter os pés pelas mãos a não ser como o cumprimento inventado lá no Oriente de bater as pontas dos pés numa dança que logo ganhará nome e ritmos.

A insanidade do centro do poder nacional está tomando proporções que já não cabem mais apenas em comentários políticos feitos por jornalistas, sempre recebidos por xingamentos e bananas. Não cabem mais nos recados mal escritos que nos mandam através de redes sociais robotizadas para evitar que sejam questionados em suas informações e visões dantescas do mundo. Eles, salvo exceções – e nessas horas terríveis nossa visão fica mais aguçada – mostram-se de tal forma inadequados, inapropriados e desproporcionais que havemos de temer o desfecho local dessa terrível temporada.

Se a Deusa Loucura nasce rindo no secular ensaio de Erasmo de Roterdã que com fina ironia expõe a situação que visualizava, não desejaremos nós que a tristeza seja o fim, quando se teima em insistir no que nesse caso não é nada bom do ditado citado na obra, e que assistimos no poder atual: “Não tens quem te elogie? Elogia-te a ti mesmo”.

Um perigo.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Perplexa. Por Marli Gonçalves

Pasma, boquiaberta, aturdida, abalada, abismada, espantada. Revoltada. Perplexa. Só não digo que estou surpresa, porque era bastante previsível que teríamos problemas e embora os fatos que temos presenciado sejam difíceis de aceitar que ocorram nas nossas fuças e saiam completamente até do roteiro que imaginamos em nossos piores pesadelos.

Não estamos sonhando, embora pareça que estamos dormindo um sonho anestésico, irreal, como se o país todo tivesse bebido algo que adormecesse suas reações e estivesse sendo levado desmaiado para algum lugar absolutamente desconhecido. Uma espécie de golpe, sim, mas na nossa capacidade de interceder, por falta de caminhos, de líderes, e de coragem de assumir que estamos com sérios problemas.

E que nosso problema maior tem nome, sobrenome, filhos, apoiadores aproveitadores mal intencionados e malucos, e uma capacidade infinita de nos envergonhar, além de travar qualquer forma de desenvolvimento até tentada por alguns raros personagens bons que também estão incluídos nessa história bufa.

Tudo isso em um momento tão complexo como o que está sendo vivido em todo o Planeta, quando cada vez mais precisaremos de presença, bom senso, capacidade de negociação, respeito, temperança, enormes decisões, seriedade e liderança.

Perplexa. Perplexidade. Justamente a palavra que embute os sentidos e sentimentos contraditórios que estou reconhecendo em muitas outras pessoas, vendo muitos viverem, uma vez que também fala de nossa insegurança, indefinição, incertezas e essa louca paralisação. As encontro nas ruas, trocamos impressões, e cada um vai para um lado balançando a cabeça, inerte, desconsolado. Pessoas de todos os andares, do subsolo às coberturas, da geral aos camarotes.

Diariamente diante de nós se descortina o contrário de tudo isso o que precisamos: shows de ignorância, desrespeito, moralismo e conservadorismo sem noção, irresponsabilidade, provocações, ameaças, que alimentam ogros, libertam demônios que se levantam das profundezas.

Não é piada, embora sempre a gente brinque que o Brasil é o país da naturalmente piada pronta. Já é, não precisa forçar. Estamos na mão de um maluco, ouço de muitos. Agora alguns “aliados” até passam a reconhecer que a coisa está descambando. E não fazem mais nada. Esperam, como se diz, o circo pegar fogo.

E o circo está armado, coberto de gasolina, com um monte de feras famintas de ódio loucas para saírem de suas jaulas e estraçalhar a democracia, apostando no esmigalhamento de todos os poderes.

Somos nós ao mesmo tempo a plateia e os trapezistas, malabaristas, palhaços, mágicos e bailarinas, que sobrevivemos a cada dia enquanto eles encenam esse triste espetáculo, com a paquidérmica anuência que domina, mas muito ainda pela falta de opções de escolha. Parece que dessa terra arrasada não brotam flores novas e viçosas que possamos regar com louvor; apenas ervas daninhas já arrancadas que insistem em tentar se reafirmar.

Economia em frangalhos, insegurança, falta de saneamento básico demonstrado a cada inundação, cada morro que desaba, mata, e não vê comoção nem solução, e as notícias se repetem, muitas vindas de um cercadinho inadmissível e humilhante onde o que um dia ocupou o lugar de Quarto Poder se submete e não consegue formular nem a questão principal – afinal, aonde o senhor quer chegar?

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