ARTIGO – A política dos bordões. Por Marli Gonçalves

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passeata

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Virou modinha. Mudou o soluço. Engasgou? Fora Temer. Bateu o pé na quina da mesa? Fora Temer. Vai lançar algum produto? Não se esqueça de levar a plaquinha Fora Temer. Procurava algo para estampar sua camiseta? Fora Temer. Estava passeando na rua e teve vontade de gritar? Fora Temer. Acabou o papel? Fora Temer. Poesia? Amar sem temer

  Creio que esse seja agora o novo mantra, a senha que se deve dizer para circular em alguns meios – se o evento é grande, se for relacionado à cultura melhor ainda, se junta mais de dez, plaquinhas e jogral, pode até chegar a virar notícia na tevê. Ajuda na divulgação. Por exemplo, dizem até que o filme é ótimo, mas onde quer que esteja passando Aquarius haverá alguém falando as palavras up to date e isso vem animando bastante a bilheteria.

São milhões de citações na internet, centenas de memes. O negócio, admitamos, pegou. E o nome do cara ajuda: temer, temor, tremer, tramar.

Outro dia fui bisbilhotar uma passeata de protesto dessas já rotineiras, tranca-rua. Quem me conhece sabe que adoro um protesto – oposição sempre, si hay gobierno soy contra. Me preocupou ver a mélange de temas, difusos, tanto como ocorreu em 2013 e que acabou dando em nada – ninguém sabia se era por centavos, por passe livre ou contra o governo de então, ainda Dilma versão 1.

Num bolinho de gente vi Fora Temer – claro; e Volta Dilma, mais uns Não vai ter Golpe (?!?); mais Diretas Já. Ultimamente mais uma palavra de ordem se aboletou: “Pelo fim da PM”, em geral jogada direta e provocantemente aos policiais que até trincam os dentes.

Muito vermelho, a forma era uma só, quase homogênea, uma maioria de estudantes se divertindo, paquerando, tomando muita cerveja (agora os ambulantes acompanham o movimento), caminhando e se imaginando lutando pelo país. Beleza. Na frente, outro grupo – esse com roupas escuras, munidos com escudos (!) de madeira, pedaços de tapumes, lenços e toucas ninja escondendo o rosto, um arremedo de guerreiros do apocalipse, os tais black blocs. Garotos e garotas mirradinhos, desmilinguidos com cara de mau. Podiam ir ser punks de verdade, fazer música, produzir algo de bom.

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Carimbo na avenida Paulista

Volitando em torno disso tudo, centenas de policiais e nas imediações, prontos a entrar em ação, mais carros de choque e patrulhas especiais. Maior climão.

Um chiquê, diriam blogueiras de moda: muitos com máscaras presas em volta do pescoço, máscaras de respirar tipo de guerra, impressionantes, sabe aquelas? A imprensa também usa, assim como capacetes, umas tentativas de blindagem contra a repressão.

Capítulo especial, coitada da imprensa, acaba tendo que se blindar melhor mesmo, porque apanha e é atacada tanto pelos manifestantes quanto pelos policiais. Jovens repórteres que, animados, sentem-se em uma verdadeira cobertura de guerra. Gás para tudo quanto é lado, bombas, quebração, fogueiras de lixo das ruas, material que aliás não falta em lugar nenhum aqui em São Paulo.

Já vivi para ver tudo isso e muito mais e saber que um fósforo se torna muito mais inflamável nesse caldo, e essa expectativa fica no ar durante todos os protestos. Um infiltrado maluco pode direcionar todas essas energias para promover o mal e outras intenções debaixo de bandeiras das torcidas organizadas por eles lá no meio.

Tem coisa mais banana do que defender um governo, seja lá de quem for? Muito menos um que já era, já foi. Que detonou o país, fez tudo errado. Caiu no rastro de rabo, as tais pedaladas, o álibi caído do céu para nos livrar mais rápido do abacaxi.

Falando sério: o Temer veio no pacote junto com esse abacaxi, não adianta tentarem omitir isso dando a ele a pecha que parece título de novela mexicana – O Usurpador. O cara era a única saída institucional. Aceita.

Fora Temer, ok. E aí? Pergunto isso não porque goste da pessoa, mas porque ando vivendo na realidade, torcendo para que as coisas melhorem, e o que vejo não é nada animador. Se as contas da campanha forem rejeitadas, ele cai – e mesmo já caprichosamente jogadas para o ano que vem qualquer hora essas contas serão julgadas.

Alguém acaso tem alguma ideia brilhante, avista algum quadro político que poderia ser a mão libertadora, pacificadora, a nos levar para a luz?

Eu não vejo, ao contrário. Por favor, se souberem de algo, de alguém, avise os outros! Parece que o Papa, entre as poucas unanimidades, não quer se mudar para o Brasil.

Um bordão sozinho não faz nem nossa primavera, vocês verão. Pode é sobrar bordoadas para todo mundo.

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oculos fendiMarli Gonçalves, jornalista – Inquieta e, pior, cansando dessa brincadeira chata que virou a política nacional.

SP, SOS, 2016

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Jornalista virou sparring? Saco de pancadas? Tiro ao alvo. Veja os números das agressões em 2013

Estudo

De 113 agressões a jornalistas em 2013, 70 foram intencionaiselephant-swing

As 113 ocorrências foram registradas pela Abraji entre 11 junho e outubro deste ano

A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo divulgou nesta sexta-feira (13) um estudo com a análise de 113 casos de agressões contra jornalistas durante os protestos de 2013. Segundo o documento, 70 delas foram intencionais. “Foram considerados deliberados os ataques realizados a despeito da identificação das vítimas como profissionais da imprensa”, explica a associação.

As 113 ocorrências foram registradas pela Abraji entre 11 junho e outubro de 2013. A partir de novembro, a associação tentou entrar em contato com todas as vítimas para verificar se a agressão havia sido deliberada ou não. Em 21 casos não foi possível localizar a vítima da violação ou ela não respondeu. Um dos repórteres localizados não soube dizer se a agressão havia sido deliberada ou não. Excluindo-se esses 22 casos, o universo analisado reduziu-se a 91 agressões, das quais 70 (ou 77%) foram deliberados.

A divulgação dos resultados deste levantamento marca os 6 meses do começo da onda de manifestações que atingem o pais, quando houve uma repressão violenta da Policia Militar de São Paulo à marcha contra o aumento das tarifas de ônibus em 13 de junho.

A esperança de 5774: nossa mensagem de Rosh Hashaná

“Quando deixarmos a liberdade ressoar, quando a deixarmos ecoar em cada casa e em cada vilarejo, em cada cidade e em cada estado,  chegaremos mais rapidamente ao dia em que todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, protestantes e católicos, poderão se dar as mãos e cantar o velho spiritual negro:

“Livres, afinal; afinal livres. Louvado seja Deus Todo-Poderoso. Estamos livres, enfim!”

Esta é a palavra profética do reverendo Martin Luther King, negro, protestante, americano, cidadão do mundo. Seu famoso discurso “Eu tenho um sonho” completa agora 50 anos. É hora de se tornar realidade.

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Feliz Ano Novo!

 

Rosh Hashaná, 5774

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BRICKMANN&ASSOCIADOS COMUNICAÇÃO- B&A

Comunico e lembro que daqui a menos de 3 horas se dará o RÉVEILLON DO SEGUNDO SEMESTRE! Feliz próximo pedaço de ano, Happy Half Year!

graphics-happy-new-year-22993130 de junho , indo para 1º de Julho, marca o início do segundo semestre.

Que ele venha com boas notícias!

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ARTIGO – Alguém aí, por favor, liga o Brasil na tomada. Por Marli Gonçalves

LUZ DE FESTAComeçaremos já interrompendo as nossas transmissões para verificar em qual tomada ligar, qual padrão. Os internacionais? Ou será no nosso mesmo, todo nosso, brasileirinho, particular e original? Tomada de plugue, de pino, redonda ou achatada? Pior, se vai vir ou não com fio terra, expressão que em si já apavora quase metade da população, a masculina, e que confesso que nunca a entendi muito bem; não alcancei, digamos, tal dimensão de grossura. Adianto que a esta altura é inútil se preocupar, já que no escuro ninguém vê nada, só sente

Exatamente o que parece estar acontecendo aqui na política de nossa pátria santa. Ninguém vê mais nada e nada de mais, e a impressão é que as coisas estão sendo feitas no escuro, na maciota, nas negociações, por entre névoas. Que apagão que nada! Liguem as luzes para que a maquiagem dos números e contas públicas não saia torta – maquiagem no escuro é uma roubada. Fica toda borrada.

Valhei-nos, lanternas, velas, palitos de fósforo, lampiões, tochas e luzinhas de LED de todas as cores! Valhei-nos! Janeiro dá passagem ao mês de fevereiro na avenida, e os blocos já estão nas ruas – e não são os blocos de pré-sal, que esse Zinho aí anda esquecido no enredo. E porque essa música que soa nos faz – aos que estão alertas – lembrar daquela velha analogia, a da galinha, do ovo, de contar com os dois não sei onde. Contenha-se.candle_light_lovecandle_light_love_animated

candlelightNo mundo real, aquele que a gente acorda cedo para ir trabalhar, ou se está lento, ou vagaroso, periclitante. Primeiro, porque era o verão, as posses de prefeitos, as chuvas, a chapinha do cabelo, a preguiça, e aí para que começar uma coisa tão próxima do Carnaval? Produção, que é produção mesmo, novos negócios, aquecimento econômico, dinheiro circulando, gente comprando, neca de pitibiriba.

No acender das luzes desse próximo mês os-que-tinham-ido voltarão para nos assombrar lá no mundo imaginário, lá no Planalto Central, naqueles prédios de enormes corredores internos e que parecem uma cuia dividida. Lá retornarão ao poder os (poupe-me de nomeá-los, por favor) novosvelhos, que manterão a iluminação do abajur lilás e da luz vermelha na porta – e lá não é bem um estúdio de gravação.

Lá, onde não tem apagão, não sinhô, seus pessimistas de plantão, imprensa ignara! Lá onde se decidem as nossas coisas. Onde eles estão se juntando num bolinho só, para fazer a tal base de sustentação. A massa pobre, que vai pra batedeira, nem preciso descrever, não?

lightLá. Onde baixam nossas contas de luz, mas é o dinheiro público que vai pagar a parte restante da bondade. Entendeu? Lá onde baixam uma energia e elevarão a outra, que também tem impacto direto e enorme na inflação, na alta dos preços que não param de subir nem no escuro.

Lá onde a chefe é maquiada para aparecer bonita e simpática no quadradinho mágico da sala de todos os brasileiros, anunciando que a luz não será apagada e poderá ser paga. O que, portanto, não precisa ser muito inteligente para ver, poderá fazer aumentar o consumo. Mas garantem que, como Deus é brasileiro, encherá os reservatórios, afastando – fiquem sossegados, Mãe Dilmah dos Lobões sabe das coisas!- o perigo de faltar luz, de apagões, de apaguinhos. Inclusive na Copa. E nas Olimpíadas.

O pibinho vai crescer forte. Lula, finalmente iluminado, poderá saber mais das coisas, senão lendo, talvez ouvindo a rádio no box do chuveiro, de água quente, para cozinhar nosso galo em banho-maria. Estranho, reparou que agora ele só aparece sempre pelos cantos, como se estivesse à espreita de algo, esperando algo, como um chamado; que algo dê errado para ele palpitar; que apareça mais algum inimigo para ele controlar, exterminar, jurar, como fez com o DEM, como fez com a oposição.

A valsa até que transcorreria sem deslizes, já que a essas coisas todas, no fundo no fundo estamos até acostumados.

high_lightsO que perturba, novidade, pelo menos do meu ponto de vista, é que também se está apagando a iluminação que vinha dos cérebros nacionais, as ideias luminosas, a energia para modificar o percurso. Que cabeças outrora pensantes e olhos outrora atentos estão se acomodando no escuro, saindo à luz do dia apenas em bandos para atacar os rebanhos dispersos à procura de um pastor, que no caso não seria um cão.

Nem um clarão. Fiat Lux!

São Paulo, 2013. O poste já está instalado.lampost
Marli Gonçalves é jornalista– Não podemos tocar a energia e nem vê-la, mas é ela que forma e molda tudo o que conhecemos. É bom lembrar que ela não se perde nem se cria; apenas se transforma.

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ARTIGO – Rabos de Sereias, por Marli Gonçalves

Como a lendária vida das sereias pode se aproximar da nossa. Como brinquedos virtuais viciam e relaxam, igual à droga na veia. E co271553g57ngfb5bemo seria bom se pudéssemos sempre criar mundos imaginários e entrar neles, de verdade, vivendo alguma fantasia, aventura, como nos filmes       trop01

Estou criando sereias. É. É isso mesmo. Não tem gente que conta carneirinhos, conversa com formigas? Pois bem, eu resolvi criar sereias. Era preciso desacelerar, diminuir a pressão, dar um tempo para a cabeça refrescar. Estando em São Paulo – aliás, numa deserta São Paulo – mesmo assim, difícil é de se desconectar dela! Eu, inclusive, nem posso, mesmo.

Ficando, o estado de atenção, aquele alarme sempre pronto a ser acionado, não pode ser deixado de lado, totalmente desligado. Mas pensando bem – vamos e venhamos e convenhamos – que a situação lá pelas praias também não está das mais tranquilas – o noticiário que sobe a serra parece muito com roteiros de filmes de terror ou de bang-bang. Daí, muito melhor criar sereias em ambiente seguro, virtual, controlável e na cidade grande, que a coisa não está para peixe.

Voltando às minhas sereias – já tenho mais de dez – devo dizer que cuidar delas está me ocupando muito e de uma forma muito especial nesses dias de folga. Eu as acordo, ponho uma a uma para trabalhar em busca de tesouros. Em geral elas acham e me devolvem toda sorte de lixos que foram jogados no fundo do mar, alguns até muito perigosos, como anzóis. Latas, pneus, botas e bicicletas velhas… E como elas, danadinhas, só saem para trabalhar com moedas adiantadas, levo muito prejuízo, porque, vendidos, o que faço na mesma hora, esses lixos não passam de 10, 15 moedas. (As sereiazinhas não vão nem até ali, nadando seus rabões, por menos de 60 moedas, o mínimo do “cachê”). Lá no reinado, parece a nossa vida aqui fora: lixo, para comprar, gastamos fortunas; e quando é para vender vemos muxoxo, valem pouquinho, inclusive as peças e os corais mais raros. E as mais gostosas (minhas sereias são bem gostosas) valorizam mais o seu cachê.mermaid1

É legal vê-las passando, nadando, dançando com seus rabinhos coloridos – esqueci de dizer: cada um tem uma cor, um perfil, um enfeite; já vêm com nome, mas isso dá para mudar. Na ficha de cada uma, acreditem, tem até a “foto” das “amigas sereias” que cada uma delas gosta ou detesta – o termômetro da sua produtividade. Elas precisam estar bem felizes para depositar mais moedas no baú enquanto nadam. E eu preciso muito das moedas para gastar com elas. Preciso também de pérolas, mas essas são raríssimas de achar. Veja só, lembrei do mundo exterior novamente: tão raros como achar pessoas honestas, de caráter e amigos leais; tão raro quanto políticos preparados para exercer cargos importantes. Um grita, o outro não escuta.

Mermaid53Um jogo e tanto, de contente. Chama-se Mermaid World ( O Mundo das Sereias) e é um aplicativo da Apple, grátis, que achei por acaso. Botei em meu IPAD, e onde eu vou elas vão comigo.Sempre gostei de sereias, da sua forma, dos mitos ao seu redor, do canto irresistível aos marinheiros, aos homens, e não há fábula infantil melhor para mim do que A Pequena Sereia, aquela que depois de enfeitiçada e de ganhar pernas, sofria a cada passo, como se mil agulhas transpusessem seu corpo. Tudo para conquistar um tal príncipe. Insosso, tanto quanto o personagem da novela aí, que deve estar deixando sonolento até o Dragão do São Jorge. Não sabe se dá ou desce.

Há muito as coleciono. Sereias vão ficar na moda sempre, com seus rabos majestosos. Semana que vem estarão expressas num mini-seriado, com a Isis Valverde, “O Canto da Sereia”.

Ainda não contei como as minhas sereias surgem no marzinho particular dessa viagem, que me recuso a chamar de jogo, categoria que eles lá enquadraram o aplicativo. Você pode até comprar sereias, mas a forma mais legal é juntando duas das suas, que você escolhe. Aí elas vão cantar para chamar uma outra sereia. São 51 ao todo. (Ai, que saco, lembrei do mundo exterior de novo e eu tinha me prometido esquecer do Lula). Mas são 51 mesmo e as mais incrementadas, fui ver, chegam a custar alguns milhares de moedas. Vão demorar muito a nascer. Melhor tentar achá-las fazendo as outras cantarem. Canta, sereinha, canta! Ensinem para o Mantega como conseguem multiplicar, e apenas investindo em vocês mesmas! Esse está mais perdido do que o fio dental das sereias cariocas.

Fora isso, cada Reino – você vai comprando espaços – é limitado a apenas cinco sereias e como são, mal ou bem, mulheres, acredito que quem criou o tal aplicativo ache que mais de cinco daria pancadaria ali no fundo do mar, e o que seria realista demais para um brinquedo virtual. Uma puxando o rabo da outra, já pensaram?glitter-graphics-mermaid-572719

glitter-graphics-mermaid-650248Descobri esses dias que para viver bem pelo menos com a gente mesmo e até com nossa criança interior, precisamos de alguma fantasia particular, seja ela qual for. E vou falar: cheguei a essa conclusão depois de assistir ao maravilhoso novo filme de Ang Lee, As Aventuras de PI. Por incrível que pareça, foi a imagem dele, PI, um garoto ainda, náufrago, convivendo com um tigre, no meio do oceano e girando medusas brilhantes quem me lembrou disso.

Melhor que foi antes de um naufrágio. Porque as sereias não existem; não podem salvar ninguém.

São Paulo, mares de 2013 a navegar
 

Marli Gonçalves é jornalista– Hodiernamente, é preciso estar mais à frente. Se a sereia é de água doce é uma Iara, confere?

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ARTIGO – Lufa-lufa, corre-corre, olé! E que venha 2013! Por Marli Gonçalves

animated-gif-happy-new-year_9Desde 1987 não acontecia de um ano ter quatro números diferentes, não repetidos. A Serpente de Água regerá 2013, pelo horóscopo chinês. O planeta é Saturno, o senhor dos anéis. Orixá regente? Há controvérsias, mas tendem a ser reconhecidos entre alguns dos mais velhos e sábios, Xangô, Obaluayê, Nanã. E o que tudo isso tem a ver com você? Sei lá!

Não vai ser bissexto. Então, prepare-se para comemorar 364 desaniversários. O seu aniversário será o de menos no agitado ano que se prenuncia ali na linha do horizonte. Mas resolvi parar, colocar um turbante, me concentrar, fortemente, para dizer algumas coisas que prevejo como certas. Claro, além de todas as boas coisas que já estou vendo que acontecerão em sua vida.

Para começar, você vai ouvir muito falar de água, de quinua e de Matemática. Um monte de artigos, reportagens, festejos, medidas (se forem no Brasil, serão provisórias, como tudo o que parece que instalam nesse país) serão publicadas e anunciadas aos quatro cantos do planeta. A ONU pode não mandar muito para acabar com as guerras mas, para estabelecer datas, estou para ver instituição melhor do que ela. 2013 será o Ano Internacional para a Cooperação pela Água, com tudo o que isso quiser dizer, e resumindo: tamos secos e mal pagos!

Pela FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, decidiram finalmente prestigiar a quinua – alguém precisava fazer isso. Sabia que a quinua é um alimento completo, com tudo que é essencial, aminoácidos, microminerais e vitaminas, além de não conter glúten? E que a bichinha floresce e se multiplica, mesmo em situações adversas, como em solos pobres, na seca e em diferentes alturas? Pois, então, viva a Quinua! Palminhas para a quinua!Três hurras! Alimentação é coisa séria¸ e toda redenção é positiva.NYbaby

Aí, a Unesco, que não gosta de ficar atrás, instituiu 2013 como Ano Internacional da Matemática no Planeta Terra. Tomara que aprendam logo a calcular com quantos paus se faz uma canoa, com quantos políticos se faz um Congresso sério, qual a probabilidade de esse país dar certo, com tanta gente metendo a mão.

Peraí, que agora estou vendo que vamos receber aqui no Brasil muita gente de fora. Prevejo que muitos novos casamentos advirão disso porque quem há de resistir ao povo brasileiro, à brasileira? Será que esses estrangeiros entenderão que não temos culpa por eles sempre terem uns perrengues por aqui, porque a gente ainda não se acostumou à globalização?

Vamos ter muita bola rolando (além das jogadas na corrupção desenfreada) na Copa das Confederações, pelo que entendi um “esquenta” da Copa do outro ano lá, daqui a pouco já na ponta do nosso nariz, que o tempo está cada vez mais rápido, o tal lufa-lufa. Coração na mão, para o time não fazer vergonha, no mínimo.

Por falar em coração na mão, mão no coração, vamos ver e ouvir exemplos de fé e hordas de orações – que clamem por nós – vindas da juventude, que se reunirá aqui na Jornada Mundial da Juventude, com Papa e tudo. Isso quer dizer que haverá forçadas e forçosas pressões de todos os lados debatendo feio por temas que nos são tão caros que deveriam ficar a salvo das religiões: o amor entre pessoas do mesmo sexo, o sexo para o prazer, o direito ou não de procriar e decidir sobre seu próprio corpo, e a liberação, apoio, incentivo e empurrão para o avanço das pesquisas livres sobre células-tronco.

Quem sabe a gente não consiga? E se você pensou que esse sonho é tão alto que, se fosse realizado, o mundo acabaria, saiba que há novas datas, problemas, previsões que podem contribuir para tal evento. Pensou que tinha se livrado, depois do chabu dos maias?

Em maio de 2013 pode haver uma tempestade solar devastadora, que pode deixar você mal, sem internet, sem luz, sem – imagine! – Facebook, Twitter, Google, fofocas sobre celebridades e games. O fim do mundo, hein?

Mas também tem uma: você só chegará lá se não houver um tal arrebatamento e chegada do Senhor Jesus, como vi que prognostica uma seita religiosa.

baby01Ou, ainda, pior, se tiver sobrevivido ao “tranco” que a Terra pode dar, meio que brecando, já que também tem maluco dizendo que as rotações da Terra estão diminuindo, mais lentas, e que ela pode parar de girar.

Esses zinhos também dizem que os dias já estariam maiores, com mais de 38 horas de duração, na verdade. Isso porque eles não estão na nossa pele! De qualquer forma, cumpre-me informá-lo de que esses caras também previram (em 2011) que a tal rotação vai parar totalmente em 16 de janeiro de 2013, o que segundo eles resultará em um dia permanente de um lado do globo e noite permanente sobre o outro.

Como eu ia dizendo, se o mundo brecar mesmo, acho que quem vai achar umas brecadas somos nós. Nem preciso prever. Use marrom.

São Paulo, momento Nostradamus, 2012-2013Marli Gonçalves é jornalista– Seja o que for, temos de viver para ver. ( …)”Para ganhar um Ano Novo / que mereça este nome, /você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, /eu sei que não é fácil, /mas tente, experimente, consciente. /É dentro de você que o Ano Novo /cochila e espera desde sempre” (Carlos Drummond da Andrade)

 

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Achei essa, do Chico Buarque. Clique aqui

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