ARTIGO – O Homem não está nada bem. Por Marli Gonçalves

O homem não está bem; não está nada bem. O homem está confuso, nervoso, não sabe o que fazer, anda inseguro, percebe que está perdendo poder e que já não é mais invencível, daí reagir muitas vezes perigosa e virulentamente. O homem vê que a cada dia tem de dividir o poder com serenidade. Percebe que os tempos são outros e que há reação a qualquer de seus desmandos.

Sei que tudo isso se enquadra muito bem no que vivemos, e que claro deve ter vindo à sua cabeça a figura do presidente que essa semana, parece, criou, percebeu e sentiu a temperatura máxima, e essa não era um filme da tarde de domingo, muito menos do feriado nacional com tantos significados e que conseguiu transformar este ano em um dia de ódio e horror, terrível e tenso para os brasileiros.

Tudo bem que não dá para deixar passar isso em branco, vendo o desfile em verde e amarelo de tanta gente paramentada abanando a bandeira, confusa, enganada e/ ou apenas ignorantes em busca de um líder, sendo usada sem dó por oportunistas, pessoas más, para não dizer outras coisas, com pretensões da pior espécie, querendo fechar os horizontes da liberdade e da democracia. Brincando perigosamente com o futuro.

Claro que esse Homem aí, o que conclamou e tramou o que espantados assistimos, também não está bem, não está mesmo é nada bem. Mas isso não é de hoje. Esse aí nunca esteve bem, e em nada do que fez, nem como militar, muito menos como político, ocupação que exerce há mais de 30 anos sem brilho, e que por golpe de sorte e das condições daquele momento eleitoral foi posto no poder máximo.

Mais do que evidentemente não estar bem, repara só: esse Homem está bem maluco – não é impossível que acabe numa camisa-de-força – desorientado, inconsequente, e literalmente atirando para tudo quanto é lado na tentativa de se manter nele, no tal poder que, parece,  subiu para sua cabeça e, pior, para a de todos os seu filhos, parentes, amigos e ministros que o seguem nessa balada insana seja em cima de palanques, na frente da câmera de suas insensatas lives ou no cercadinho que se tornou o ponto de encontro da turminha que o anima.  E num país que se desmancha, precisando tanto de um governo.

Muito chato. Só imagino e adoraria saber detalhes de qual foi o real bastidor, os fatos que o levaram a apelar para a pena de Michel Temer para criar uma nota pública que pudesse por panos quentes e frios, pelo menos por hora, na perigosa confusão que armou. Queria ser a mosquinha que pudesse ver a real, que normal não foi, não caiu do céu esse arrego que deve estar causando forte azia e indisposição, inclusive em quem saiu atrás dos trios elétricos do horror achando que estava abafando.

Mas, enfim, pulando esse assunto que já deu, o que é visível é que o homem, o ser masculino, esse que já não aguento mais ver aparecer diariamente envolvido em tantas notícias de crueldades e feminicídios, talvez até por conta e somada a situação nacional, não está nada bem, e se debate angustiado. Com o avanço do movimento feminista, com a entrada cada vez mais expressiva  das mulheres no mercado de trabalho e lutando por sua independência e participação igualitária, as bases do tal domínio do macho estão ruindo à nossa frente, sendo levados pela onda de força que vem sendo demonstrada pelas mulheres, especialmente nesse momento de superação, da pandemia, onde fomos tão e mais brutalmente atingidas.

É preciso destacar esse momento importante. Porque dele poderá vir, finalmente, um novo mundo e quero estar aqui para presenciar e celebrar o resultado dessa luta de toda uma vida. Torcendo para que essa lufada, enfim, sopre cada vez mais forte aqui e em todo o planeta.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Os nossos loucos (primeiros) dias de setembro. Por Marli Gonçalves

O que será, que será? Posso quase apostar que muito barulho por nada, que vão dar com os burros n`água. Sempre aprendi que cão que muito ladra fica rouco e não morde. Poderemos esperar, contudo, que uma primavera floresça – sementes também têm surgido em meio a esse setembro que já chegou, veio se esgueirando entre tantas ameaças. O golpe deles já foi esse: exatamente como queriam, passamos os últimos dias falando dessa gente, de suas ameaças e boquirrotices.

loucos dias de setembro

Nem contamos até 10 – nem precisa, porque já andavam armando confusão desde bem antes deste mês. Coisa chata, como se não tivéssemos tanto a resolver no nosso dia a dia. Como se o país estivesse a mil maravilhas e não com uma inflação galopante e ameaças reais, as de falta de água, de energia, de saúde, vacinas, e tudo o mais.

Mas setembro chegou e com ele umas luzes poderosas que ainda podem realmente mudar algo, se forem coesas. Vindas da total perda de paciência com o desgoverno e inquietude agora bastante expressa objetivamente pelos empresários líderes dos principais setores da economia, surpreendentemente até do agronegócio, que souberam até afugentar e se sobrepor aos medrosos que pularam fora com medo de puxão de orelha e bicho-papão. Os que ficaram firmes em seus manifestos sabem que tudo vai melhor com democracia e paz. Claro, sempre melhor para eles, diga-se de passagem. Mas têm poder.

Quando até os bancos e banqueiros se mexem, o sinal está claro. E de qualquer forma ele ainda está fechado para nós, os que assistimos ainda inertes ao andamento desse espetáculo deplorável, o momento da política nacional que tanto nos fraciona, estilhaça; não é mais nem que nos divide, porque agora tem de um tudo.

Tem os adoradores, os que antagonizam, com seus erros de cada lado. Adoradores! Seja de um, seja de outro, se me entendem. Aí não tem conversa, nem explicação, apenas uma espécie de amor platônico. Precisam de um paizinho que os guie, acima de tudo, seja o que fazem ou fizeram, mesmo que tenha sido em situações justamente que nos levaram ao desastre atual.

Entre os adoradores estão os que ainda não conseguem perceber ou já estão se dando muito bem com o fundo do poço; tem os que pensam igual, e sonham dia e noite, rezando ou não, para que retrocedamos em tudo ao século passado no que ali havia de pior, de atrasado. Do outro lado, os que ainda não admitem qualquer outra nova possibilidade, mesmo que próxima do razoável para unir – só enxergam um homem, sua barba e, ultimamente, também as suas coxas firmes. Tudo bem, vai, que ninguém mais pode fazer tanto mal quanto o atual perturbador geral da Nação está fazendo.

Perigosos, nessa miríade há os que acham que estão, como meu pai diria, por cima da carne seca, sendo que no fundo estão é como nós, à mercê de tudo de ruim. São os que – só pode ser – cegos e surdos, mantêm-se ocupados em se desfazer de informações sérias, da imprensa, que xingam cada vez que esta os chama à realidade. Gostam das mentiras que os alimentam, e imaginam uma Pátria toda verde e amarela, não gentil, armada, onde pensam que um dia poderão se dar bem. São agressivos e a maioria dos que devem ir sem máscaras às ruas dia 7 para apoiar a familícia, já que a vida comezinha deles também não lhes dá outras diversões além da beligerância com que tratam temas sociais ou de comportamento.

Agora surgem – o que até positivo é – os mais ou menos, que há dois meses preparam outra grande manifestação, mas para o dia 12: arrumadinhos, esses, entre eles muitos arrependidos com o apoio que deram a Bolsonaro em 2018, tentam consertar o que acabaram criando. Têm e mantém críticas aqui e ali a algumas decisões do Poder Judiciário, STF incluso, ao Congresso, se apresentam como centro e centrados, numa pauta confusa, e buscam uma pista, uma terceira ou quarta via, mas que tenha afinidade com a mão inglesa, direção à direita. Também prometem fazer barulho e são organizados.

Enfim, há opções para quase, ressalte-se, quase, todos os gostos. No dia 7 até com locais diferenciados para não se estranharem ainda mais.

Passando tudo isso pode ser que surjam novas brechas onde, então, poderemos – nós, o que ainda não acharam espaços confiáveis – nos encaixar.

Aí, então, será a primavera.

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Marli GonçalvesMARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto.  (Na Editora e na Amazon). marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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ARTIGO – Independência ou… Por Marli Gonçalves

São tantas as palavras ou sentimentos que podemos anexar a essas reticências em momentos de bravatas, mas que podem ser passos decisivos, históricos, discutíveis ou não, como há 198 anos atrás. Que nos levou a este país ainda, infelizmente, tão dependente, inclusive de liberdade

independência

Independência ou morte! Se Dom Pedro falou exatamente isso, se foi à beira de um riacho ou de detrás de uma árvore onde resolvia seus problemas de desarranjo intestinal enquanto voltava de Santos para São Paulo, ainda há discussões. Mas a frase é boa, convenhamos.  Acompanhada das imagens pintadas anos depois por Pedro Américo que encravaram no nosso subconsciente mostram mesmo um herói e tanto.  Sob um céu azul de poucas nuvens, montado em um cavalo maravilhoso que só faltou mesmo ser branco, espada em riste, luxuosamente vestido, cercado de companheiros. Até que fotos e vídeos existissem como hoje, eram os pintores e ilustradores os contratados para criar e congelar imagens dos fatos, conforme elas “deveriam” ter ocorrido, ou porque assim o imaginaram; ou porque assim foi a encomenda.

Verdade é que as pesquisas históricas mostraram que, infelizmente, não foi bem assim. Além da diarreia resultante de algo com o qual tinha se alimentado no caminho, Dom Pedro estaria mesmo é montado em uma mula, que seria como se viajava naqueles tempos, e que, coitada, não passou para a História.  Devia estar acompanhado de, no máximo, dizem, 14 pessoas, e todos brancos, que a escravidão ainda demorou foi muito a ser questionada. (Repare que os negros, na pintura, estão à esquerda, apenas assistindo a cena toda).  Aquela roupa maravilhosa que aparece, impecável, de botões dourados, chapéu de Napoleão, também devia ser outra bem mais confortável e suja de pó – se até hoje nossas estradas estão cheias de pó, lama, buracos, e você vai até ali e volta imprestável… E as margens do imponente rio? Nada! – quando o mensageiro o alcançou provavelmente estava perto de algum veio de água, algum corregozinho mequetrefe e providencial.

Hoje chamaríamos de stress o que já acumulava há meses. E mau humor, que não teria como ficar bem com a tal baita dor de barriga, nem aqui, nem lá.  Dom Pedro ficou pior e furioso com as cartas de sua esposa, princesa Leopoldina, e de José Bonifácio, que chegavam com informações de mais ameaças vindas de Portugal. E com o, digamos, conselho, de que seria chegada a hora de se emancipar, declarando o Brasil livre. Quem sabe faz a hora, não espera acontecerOps, essa letra já é bem mais recente, mas continua bem boa para ser lembrada.

Enfim, teria sido assim. Mas talvez ele nem tenha mesmo dito a tal frase que surgiu escrita – e só assim, dizem, comprovada como seu pensamento nas correspondências que depois enviou a todas as regiões. Mas naquele 7 de setembro sua resposta, após ler a correspondência, quem sabe, poderia ter sido também apenas um sonoro palavrão (deviam existir alguns bem bons), ou talvez um discurso inteiro.

Enfim,  de frases, falas, bravatas ( e essas temos ouvido aos borbotões), de discurso em discurso, de tropeção em tropeção, atos heroicos ou não, pacíficos ou sangrentos, de jegue ou com tanques de guerra, aos trapos ou com roupas verde-oliva, chegamos aqui nesse país, tão assustador para quem acompanha os fatos, a versão dos fatos, as imagens e como as novas comunicações chegam a cada um. Hoje, além dos pintores, dos fotógrafos, dos vídeos, dos criativos internautas e seus memes, são os chargistas com seu humor e acidez que no futuro mostrarão o tempo, quando algum maluco tentar decifrar como chegamos, em 2020, nesse atual desolador cenário social e político. Será revivida até uma certa facada, que virá com tantas dúvidas quanto aquele longínquo Sete de Setembro.

Independência ou…Precisamos pensar muito nisso. Ou serão as reticências que nos esperarão.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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NOTA ABRAJI – VIOLÊNCIA CONTRA JORNALISTAS: 20 AGREDIDOS

graphics-photographer-677358Policiais e manifestantes agridem 20 jornalistas em protestos do 7 de Setembro 

judge6A Abraji contabilizou 21 casos de violação contra 20 profissionais da imprensa durante os protestos realizados no 7 de Setembro. A polícia foi a autora de 85% das agressões – dezoito casos – na maioria das vezes por uso ostensivo de spray de pimenta. Os números podem aumentar conforme mais casos forem confirmados. Os 21 casos registrados pela Abraji estão organizados em uma planilha disponível para download neste link: http://bit.ly/15R0fgi.

Brasília foi a cidade mais violenta para os profissionais da imprensa: 12 jornalistas foram agredidos, todos por policiais militares. O fotógrafo Ricardo Marques, do jornal Metro, desmaiou após ser atingido no rosto por spray de pimenta. Uma de suas câmeras foi furtada. A fotorrepórter Monique Renne, do Correio Braziliense, registrou o momento em que um policial jogou spray de pimenta diretamente em sua câmera; ao fotografar a cena, André Coelho, do mesmo jornal, foi agredido por PMs.

No Rio de Janeiro, o repórter da Globo News Júlio Molica foi duplamente atingido: pelo spray de pimenta da PM e por chutes de manifestantes, que tentavam expulsá-lo do local.

Os manifestantes também se voltaram contra a imprensa em Manaus: a repórter Izinha Toscano, do Portal Amazônia, levou socos nas costas; Camila Henriques, do G1 Amazonas, foi empurrada. Elas tentavam registrar a prisão de alguns manifestantes.

Forças de segurança: tradição de violênciaPhotographer_head
Os números mostram a recorrência das forças de segurança como autoras de violência contra jornalistas. No último sábado, as PMs igualaram o recorde de 13 de junho, quando agentes de segurança também agrediram 18 profissionais da mídia.

Desde o dia 13 de junho a Abraji já contabilizou 82 violações contra jornalistas durante a cobertura de manifestações. A planilha completa com os nomes de todos os profissionais agredidos, veículos para o qual cada um trabalhava, data e local da agressão está disponível para download neste link: http://bit.ly/13C5YKi.

A Abraji repudia as ações de policiais e de manifestantes contra profissionais da imprensa. Agressões são sempre injustificadas. Quando os agredidos são repórteres, todos os cidadãos terminam sendo vítimas da falta de informação.

http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2611

Informação: Brasília 7 de setembro, onde eu acho que coisa vai pegar

soldier7soldier4Parada indigesta

Em Brasília, 1.850 militares vão desfilar na Parada de Sete de Setembro.

Na segurança, serão destacados 2.400 policiais. No Rio não será diferente.

Fonte: Aziz Ahmed – O POVO/RJ

ARTIGO – Quando setembro vier, por Marli Gonçalves

bandeira brasileiraEu quero estar primavera. O mais lindo mês do ano, pelo menos para mim, chega com gosto de dúvida, de desilusão, de mais repetição de promessas de sonhos que não se realizam. Devia marcar o contrário, a criação e o florescimento, mas a mediocridade está secando a terra, e só ervas daninhas estão sendo, digamos, legalizadas e incentivadasb151

Meus dedinhos gordinhos foram contando… setembro, outubro, novembro, pânico, dezembro! O terceiro quadrimestre abre a cortina e já mostra os dentes com um sorriso maroto e muito pouco confiável. O coração aperta e o bolso, ah, este, coitado, que já vive tendo contrações terríveis, se estoura de vez. Fosse só isso, normal. Mas há um estranho sentimento no ar que respiro, e que percebo – não é pólen. É descrédito, decepção, uma preguiça danada, toalhas jogadas ao chão junto com os cartazes que pediam, pediam, e que até agora não ganharam nada, a não ser uns remendos. Uns garranchos, arremedos.

O mês que também é o mais romântico – deve ser por causa do acasalamento das espécies – marca uma nova aceleração dos fatos, uns empurrões para concretizar um monte de coisas antes que o número vire, e 2014 chegue. Digo até que anteciparia um título: 2014, o ano que a currupoca vai piar. Não adianta procurar no Google, mas saiba que as currupocas, sejam o que for, piam sim. (Já a jiripoca é um peixe que imita passarinho). Aliás, como ia dizendo, construindo meu raciocínio, elas, inclusive, as currupocas, já estão piando! Deve ser a primavera chegando que adiantou o ciclo das eleições e medidas eleitorais, tantos movimentos em cima das árvores, com macacos correndo para os seus galhos ou pulando deles, rapidamente.

flying4É muito impressionante e chega a dar angústia porque o Brasil parece muito com aquela brincadeira de criança, de amarrar uma nota com um cordão, se esconder, e ficar puxando cada vez que um incauto tenta pegar. O Brasil continua o país do Futuro, aos soquinhos, aos pulinhos; anda uma casa, recua três, avança duas, retrocede e fica de castigo sem jogar por duas rodadas. Quarenta ministros e quetais para só uns dois ou três ficarem apitando a locomotiva para aparecer. O resto, ei lá, gazeteia. É um vai-não-vai-vai sem graça.

FREETudo isso pode emergir no Dia 7 de Setembro. Ou não, como diria Caetano. Ou talvez,como gesticularia o Gil, pode não ser bem assim. É Dia da Pátria, Dia do Pau Brasil. Mas ainda não é dia do patriota que, aqui, é só nome de um ministro a cada dia mais nanico, mais inoperante. Um ataque de arma química na Síria mata mais de mil, criancinhas são mostradas agonizantes, e o cara diz apenas que “é grave e preocupante, precisa ser investigado”. Um brasileiro é preso em Londres, tem suas coisas apreendidas, e o Patriota chama de “inusitada” a ação inglesa. Fora os coitados dos corintianos que penaram aqui na esquina da Bolívia. Qualquer hora essezinho vai perder a permissão até para usar seu próprio sobrenome.

Já falei para vocês e se não falei, conto agora, que fui uma criança fraquinha, o que me manteve muito dentro de casa, assistindo a desenhos animados e lendo contos que me influenciam até hoje. Um deles me veio à cabeça agora, para tentar descrever a ânsia de nossa presidente que vejo, tentando se disfarçar de fada madrinha, abrindo um saquinho de bondades e felicidades que se desmancham no ar quando em contato com quem pensa. A varinha de condão, a caneta com a qual assina os benefícios exclusivos e especiais, inclusive financeiramente, para os aduladores que se multiplicam à medida que sua popularidade baixa, impressionante!

h16Mas vamos hastear as bandeiras! Vesti-las. Pintar tudo de verde e amarelo, nos fantasiar de flores pipocando em todas as terras, dando frutos. Pode até amarrar pano na cabeça para se disfarçar e não ser reconhecido – uma ideia para um monte de gente que não poderia nem ser visto protestando porque há, sim, uma patrulha no ar. (E, garanto que não é o Obama em busca de terroristas, mas partidários na caça dos que consideram desviados). É uma patrulha especial que vive nos fundos das pensões, de onde sai apenas para disfarçar um pouco os cortiços, torná-los só mais arrumadinhos; prega um prego aqui, constrói um negocinho ali. Joga um cubano onde houver um prefeito amestrado. Pinta lá.

Nada de planejamento, nada de estrutura, de estudos, de direção. Vai batendo o vento e eles vão vergando, mas essa é esperança que, tal como no funk, desçam, desçam , desçam, até o chão e lá fiquem para pelo menos adubar a terra.

Podemos começar agora. Pode não ser hoje nem amanhã, mas conseguiremos. Para que possamos acreditar. Botar uma fé. E aí viver uma primavera de verdade. Uma primavera brasileira, a nossa. Trabalhando como as abelhas e as formigas. Cantando como as cigarras. Fazendo os ninhos para chocar o Futuro.4

São Paulo, 2013
Marli Gonçalves é jornalista Uma otimista por natureza.

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