STF X O ANTAGONISTA X REVISTA CRUSOÉ: CENSURA! Nota oficial Abraji

Inquérito do STF contra fake news vitima liberdade de imprensa

[Íntegra]

O inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para apurar a disseminação de “fake news” contra os ministros do próprio tribunal atingiu hoje seu primeiro alvo: a liberdade de imprensa.

O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou, nesta segunda-feira (15.abr.2019), que o site O Antagonista e a revista Crusoé retirem do ar conteúdo relacionado à reportagem “O amigo do amigo de meu pai” (capa da mais recente edição da Crusoé), que trata de supostas relações entre o presidente do Supremo, Antonio Dias Toffoli, e a empreiteira Odebrecht. Na mesma decisão, Moraes determinou que a Polícia Federal intime “os responsáveis” pelo site e pela Revista “para que prestem depoimentos no prazo de 72 horas”. Caso os veículos não retirem os conteúdos do ar, receberão multa diária de R$ 100 mil.

39072-134yjwnayobfowzfjm86brwA decisão faz parte do Inquérito 4781, que foi aberto por Toffoli em 14.mar.2019, tramita em sigilo no STF e é relatado por Moraes. Segundo o relator, o inquérito trata da “existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo Tribunal Federal, de seus membros e familiares, extrapolando a liberdade de expressão”.

A reportagem da Crusoé apontou a existência de um documento no qual o empreiteiro Marcelo Odebrecht, em resposta a questionamentos da Polícia Federal no âmbito das investigações da Operação Lava Jato, revela que o codinome “o amigo do amigo de meu pai” se refere a Toffoli. O codinome havia sido usado em emails trocados entre Marcelo Odebrecht e executivos da empreiteira.

Após a publicação da reportagem, Toffoli solicitou a Moraes “a devida apuração das mentiras recém divulgadas por pessoas e sites ignóbeis que querem atingir as instituições brasileiras”.

Moraes, ao determinar que a reportagem fosse retirada do ar, considerou que “há claro abuso no conteúdo da matéria veiculada”  –  sem explicar em que consiste tal abuso.

O ministro afirmou ainda que se trata de “típico exemplo de fake news”  – sem esclarecer como o tribunal conceitua “fake news”, já que não há consenso sobre o tema nem entre especialistas em desinformação.

O único elemento que Moraes cita para qualificar a reportagem como falsa é uma nota na qual a Procuradoria Geral da República afirma não ter recebido informação sobre os esclarecimentos de Marcelo Odebrecht. A Crusoé, em seu texto, diz que “cópia do material”  foi remetida para a PGR. Embora esse seja um aspecto secundário da reportagem, Moraes afirma que “obviamente o esclarecimento feito pela Procuradoria Geral da República torna falsas as afirmações veiculadas na matéria”. O documento citado pela Crusoé não apenas existe como está disponível na internet. A íntegra foi também publicada pelo jornal O Estado de S.Paulo.

É grave acusar quem faz jornalismo com base em fontes oficiais e documentos de difundir “fake news”, independentemente de o conteúdo estar correto ou não. Mais grave ainda é se utilizar deste conceito vago, que algumas autoridades usam para desqualificar tudo o que as desagrada, para determinar supressão de conteúdo jornalístico da internet. O precedente que se abre com essa medida é uma ameaça grave à liberdade de expressão, princípio constitucional que o STF afirma defender. 

Também causa alarme o fato de o STF adotar essa medida restritiva à liberdade de imprensa justamente em um caso que se refere ao presidente do tribunal. 

A Abraji apela ao Supremo Tribunal Federal para que reconsidere a decisão do ministro Alexandre de Moraes e restabeleça aos veículos atingidos o direito de publicar as informações que consideram de interesse público.

Diretoria da Abraji, 15 de abril de 2019.

CARANGUEJO DA CENSURA

OAB/SP ESTÁ PRECISANDO MESMO DE UMA BOA E PODEROSA ESPANADA, VEJA SÓ. “ADVOGADAS” QUEREM CENSURA AO COMERCIAL COM GISELE BUNDCHEN. ERA O QUE FALTAVA. E O PROGRESSISTA D`URSO APOIANDO….

EÍ, JÁ NÃO BASTA O ATRASO DAS MINISTRA, DA TURMA?ADVOGADAS APOIANDO A CENSURA? O PRESIDENTE DA ORDEM APOIANDO A CENSURA?

não!

FONTE: DO MIGALHAS -www.migalhas.com.br

“Hope ensina”

Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP é contra propaganda da Hope

A Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP manifestou apoio à Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Federal, que pediu ao Conar a suspensão da propaganda da marca de lingerie Hope em que a modelo Gisele Bündchen “ensina” às mulheres como dar más notícias ao marido ou namorado, por reforçar o “estereótipo da mulher como objeto sexual”.

Na campanha publicitária televisiva “Hope ensina”, a modelo aparece, primeiro, vestida normalmente e conta que bateu o carro ou estourou o cartão de crédito. A estratégia é considerada “errada” pela propaganda. Em seguida, Bündchen reconta a história, mas vestindo apenas lingerie, no que seria a fórmula “correta” de contar algo ruim, mostrando o “charme” da mulher brasileira.

Esse tipo de campanha publicitária não se encaixa mais na sociedade em que vivemos hoje, por se tratar de um simples e explícito desrespeito às conquistas femininas contra a discriminação por gênero, pensamentos machistas e o tratamento da mulher como objeto sexual à disposição dos homens. Conquistas atingidas após séculos de preconceitos e abusos“, disse a presidente da Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP, Fabiola Marques.

Para o presidente da OAB/SP, Luiz Flávio Borges D’Urso, “a Comissão da Mulher Advogada da OAB/SP tem razão em seu protesto, pois não se pode admitir que em nossa sociedade ainda se verifiquem manifestações discriminatórias contra a mulher, humilhando-a e reduzindo-a a um objeto sexual“.