#ADEHOJE – OS APUROS DE FLAVIO E DOS ETCETERAS

#ADEHOJE – OS APUROS DE FLAVIO E DOS ETCETERAS

Só um minuto – O senador Flávio Bolsonaro, um dos Filhos do Capitão, está pulando miudinho com a gigantesca quebra de sigilos em suas contas e de seus arredores. Vultuosas quantias, transações imobiliárias questionáveis, o levam a ser acusado de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, entre outras. Enquanto isso, Bolsonaro pai, em Dallas, EUA, se cerca de apoiadores que ficam gritando enquanto a imprensa o entrevista, e se empolga, saindo a falar besteiras por metro, como chamar os manifestantes de idiotas, e que o semblante de George Bush, ex-presidente com quem se encontro, demonstrar que está preocupado coma Argentina.

E pulam na fogueira sob os pés o Ministro da Educação, que a gente ainda não sabe a que veio, e Moro, que tenta justificar o injustificável, o Decreto de Armas, entre outros sapos que mastiga, comendo letras.

ARTIGO – Ziquizira Brasilis. Por Marli Gonçalves

 Eles sempre existiram. Mas agora andam saindo das tocas inclusive de dia, atrás de comida para alimentar seus instintos torpes. E a comida deles – infelizmente – é a nossa liberdade, os princípios democráticos, a alegria. Não dá para calar porque a situação esquisita está numa crescente. Homens e mulheres cheios de ódio que parece estão gostando de nos irritar devem ser iluminados urgentemente. Não resistirão se formos firmes. Voltarão para as suas profundezas

Quer chamar atenção? Coloca uma melancia no pescoço! Capaz até de a gente achar engraçadinho porque pelo menos seria inofensivo. Mas não são nada inofensivas e nem brincadeiras as ações que temos presenciado espocar aqui e ali e que têm aumentado a frequência de uma forma preocupante. Do que vivem? Como conseguem dormir? Quem lhes deu tamanha ignorância e tanta ousadia? Onde estão os criadouros que os fermentam?

Tenho muito ouvido falar que é culpa da internet, das redes sociais que dá voz aos idiotas. Verdade. Dá mesmo. Mas encafifei que acabamos generalizando muito e o que é essencial nos escapa. O que temos de fazer é buscar os ninhos, os ovos de serpente chocados. Tipo localizar quem é a abelha rainha, a formiga mãe, o macho dominante. Quem é o enrustido problemático, o mentecapto cafajeste, o religioso doente, a mente do Mal. Nesses ninhos reside o mal que alimenta os boquirrotos, que comem as minhocas que lhe são servidas e as regurgitam nas redes. Esses são bem reais, orgulham-se de seus pensamentos e ações torpes, adoram dar entrevistas, aparecer na foto – e sempre com suas segundas intenções, acreditem.

Vergonha. Quantas vezes esses últimos dias li amigos meus falando que estavam com vergonha por conta de acontecimentos armados por essa gente nefasta. Vergonha! Vergonha do Brasil. De ser brasileiro, do papelão. Pior é realmente ruborizar e querer morrer diante das insanidades. A filósofa perseguida como bruxa, queimada como boneca, escorraçada no aeroporto. O cantor com cabelinhos de caracol, símbolo de uma era e da qualidade de nossas criações, achincalhado, tachado e #hashtagueado como pedófilo. Uns deputados obscuros e obscurantistas querendo levar à força um artista para depor lá no picadeiro deles – coitado, já pensaram você ser obrigado a ficar lá ouvindo e sendo agredido por aqueles “pelasaco”? Pelasacos são muito chatos. Os nossos, então, ainda por cima são muito burros.

Que dizer dos que, além de não nos deixarem andar para frente, com as mulheres decidindo o que fazer com seus corpos e úteros, quererem proibir o aborto das meninas e mulheres estupradas? Só pode ser gente muito ruim e sem sensibilidade para também querer ver nascer uma criança sem cérebro.

A coisa não pararia aí nos últimos dias. Houve o ápice. O absurdo da divulgação de um vídeo de um ano atrás no qual o mais do que conceituado jornalista William Waack aparece – fora do ar – resmungando e dizendo uma frase, sim, de cunho racista. Mas que é manjada até. E de maneira alguma isso querendo dizer que ele, William, seja racista, até por ser  impossível – uma vez que vem de uma família de ascendência de negros; mas nunca fez disso pilar. Pois bem. William Waack foi decepado, decapitado, dissecado e, pior, demitido, desconsiderado. E claro com um monte de gente (até uns bem admiráveis) aplaudindo seu linchamento público em prol de seus ideais supostos politicamente corretos – ah, como eles são corretos! Só eles são os bons, os puros. Pior ainda descobrir a origem, que isso foi arte de dois jovens cheios de dreads, blablabá, piriri pororó! Justiceiros… Dá até palpitação. Pavor.

Mas devemos ter pisado muito no pescoço do padre e estamos pagando por isso. Para finalizar o coreto apareceu o conhecido designer austríaco Hans Donner querendo, sim, falando sério, com gente aplaudindo, mudar a bandeira do Brasil. Legal, né? Querendo acrescer a palavra amor. Ficaria Amor, Ordem e Progresso na tira, no arco central que mudaria a posição para ascendente, ao contrário da forma atual. O verde seria degradê. O amarelo. Digamos que é uma coisa super simples de ser desenhada, reproduzida… Degradê. Degradê! Um veeeeerde… Amareeeelo. Não é genial? As estrelinhas ficariam ali mesmo onde estão.

Vocês também não gostariam de dar um golinho nessa bebida que ele sorve?

Que o Brasil está precisando de Amor, não há dúvida. Que as bandeiras brancas hasteadas que já deveríamos estar fazendo tremular nas ruas deveriam trazer amor estampado, não há dúvida.

As coisas estão tão esquisitas que só pode estar havendo uma epidemia de ziquizira. Ziquizira Brasilis, suco de nossas jabuticabas.

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Marli Gonçalves, jornalistaMais amor, por favor. Mas na real, para ser a bandeira de todos.

 Brasilzão, e ainda tem o Aécio querendo cantar de galo!

 

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ARTIGO – Gravando! Por Marli Gonçalves

Sorria. Ele está sendo filmado. Se há um lado bom nisso tudo que vem acontecendo  é que agora a gente está vendo e ouvindo no original.  Ninguém precisa contar. Se quiser ver tudo ou ouvir tudo é só ter tempo e procurar. Pá, tã, tã, como disse o cara que pensou em fazer strike com o Brasil, nos encaçapar.  Talvez seja isso que esteja nos deixando abestalhados: é igual a olhar pela janela os vizinhos, melhor do que usar copo para ouvir na parede

Como jornalista, repórter, sempre gostei e tentei descrever detalhes especiais da cena que registrava. As cores, as roupas, as expressões, os fatos e dramas paralelos. O tempo no grande ex- Jornal da Tarde esmerou isso ainda mais, aprendendo com os grandes mestres. Não tinha nada disso que temos hoje, e dos jornais dependia toda a informação. Hoje os textos dos jornais estão mais duros. É isso, aconteceu isso, o cara acusou; o outro lado. Difícil ler detalhes mais suaves, a não ser em algumas notas esparsas em colunas. De vez em quando uma foto genial também aparece para quebrar esses tempos duros que vivemos. Isso dá uma diferenciada.

Mas agora você não precisa mais de ninguém. Tá lá. Você escuta as frases, sofre com a língua portuguesa sendo estraçalhada na língua de boiboys, bêbados, sim, mas da própria luxúria e poder. Conhece a realidade pura, como se estivesse sentado ao lado deles na mesa do restaurante e quase nem quisesse comer, tão interessante a conversa alheia. Na hora do jantar, assistindo ao Jornal Nacional nos últimos dias, é capaz de você ter ficado com o garfo no ar e a boca aberta várias vezes.

Com aquelas malas e caixas recheadas de dinheiro que moravam sozinhas num belo apartamento em Salvador.

Com o depoimento de Antonio Palocci botando fogo, para não dizer outra coisa, no chefe, na chefa, no pessoal do PT, e admitindo o modelo espúrio do projeto de poder deles, construído a partir de 2002. Projeto que da boca pra fora vinha das bases; a verdade é que sempre veio é das bases empresariais e de poder e dominação econômica. Um rio que correu tão sujo quanto o Tietê.

Você – se jantava assistindo ao noticiário – deve até ter mastigado mais a comida enquanto via passar uma a uma as fotos de mais uma série de denunciados, desta vez os 7 do PMDB. “O País dos Sete Ladrões” – daria título e filme para conquistar o Oscar. Por recorde de corrupção já devem estar concorrendo. No começo da semana outra lista dessas – aí em cima do PT – também era melhor que lista de supermercado: dois ex-presidentes, não sei quantos senadores, um quilo de deputados. Surreal. Foi flecha pra tudo quanto é lado.

Mas, enfim, como dizíamos, vendo e ouvindo tudo no original, dá para ver as caras deles, os modelinhos, as barriguinhas, os sorrisos irônicos, as lágrimas de crocodilo, o linguajar chulo com relação às mulheres, sentir a entonação e a ironia de como falam. Como se defendem, como acusam, como mentem.

Pior é que a indigestão, surpresa, preocupação e temor não estão limitados ao noticiário local. É bomba de hidrogênio voando sobre o Japão. É a natureza mostrando as manguinhas e rodopiando na passarela com Harvey, Irma, José e Kátia e arrasando áreas inteiras na sua passagem. Levantando plateias para fugir e a maré. Me digam se em apenas uma semana três furacões, um terremoto  e o tempo seco que atrapalha até a respiração pode ser normal.

Tenho meditado muito sobre velocidade das mudanças nos últimos anos, e especialmente sobre as super populações. Quem as comandará? Como se alimentarão? Quanto tempo viverão? Ou sobreviverão?

Será que tem alguém gravando?

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Marli Gonçalves, jornalista É melhor mastigar bem tudo isso, para ver se conseguimos digerir

SP, 2017

 

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