Beijos contra o cabeça de esgoto Fidelix. Ele, sim, excretor. Amanhã, 14 hs, Avenida Paulista

bob_cecil_kiss_animated_gif_by_nevuela-d4m8nsmGrupo organiza ‘beijaço’ LGBT na Paulista em resposta a Fidelix

 

FONTE: ESTADÃO


Simpatizantes da causa LGBT criam evento no Facebook no qual prometem ato em resposta à fala homofóbica do candidato no debate de domingo

por Mateus Coutinho

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Menos de um dia após as manifestações homofóbicas do candidato à Presidência Levy Fidelix (PRTB) simpatizantes da causa LGBT organizaram um “Beijaço” na Avenida Paulista marcado para às 14h desta terça-feira, 30 em resposta ao candidato do PRTB.

“Queremos fazer um ato que mostre que não aceitamos que esse tipo de discurso homofóbico do Levy possa ser dito com tanta naturalidade em rede nacional! É um absurdo que um presidenciável incite o ódio desse jeito, em um período em que todos os dias estamos vendo nas notícias a morte de gays, lésbicas, travestis e pessoas transexuais!”, diz o texto da página do evento, que até o fim da manhã desta segunda já contava com 3,9 mil participantes confirmados.

“Levy, vai ter LGBT se beijando na Paulista e vai SER LINDO!!!”, segue o texto da página do evento intitulado “Beijaço LGBT na Paulista: resposta ao candidato Levy Fidelix.”

Debate. Durante o debate realizado na noite de domingo, o candidato do PRTB, ao ser questionado pela candidata Luciana Genro (PSOL) sobre porque “as pessoas que defendem tanto a família se recusam a defender como família um casal do mesmo sexo”, respondeu com duras críticas e ofensas à comunidade LGBT. “Olha minha filha, tenho 62 anos e pelo que eu vi na vida dois iguais não fazem filhos”, disse Fidelix que chegou a afirmar ainda que “aparelho excretor não reproduz”.

“O Brasil tem 200 milhões de habitantes, daqui a pouquinho vai reduzir para cem. Vai para a Paulista e anda lá e vê, é feio o negócio, né? Então, gente, vamos ter coragem. Nós somos maioria, vamos enfrentar essa minoria. Vamos enfrentá-los. Não tenha medo de dizer que ‘sou pai, mamãe, vovô’, e o mais importante, é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”, afirmou o candidato.

Justiça. Além do evento criado na rede social, o deputado federal Jean Willys (PSOL-RJ) um dos principais apoiadores da comunidade LGBT no Congresso divulgou nota em seu perfil oficial do Facebook afirmando que vai avaliar a possibilidade de entrar com uma representação contra Fidelix na Justiça. “Vou avaliar junto à assessoria jurídica se é possível representar contra o candidato na Justiça por sua ofensa a uma coletividade e por estimular a violência contra esta (coletividade)”, diz a nota.

VACA

Notícia boa para jornalistas. Temos o direito de fazer crítica impiedosa. Veja matéria do Conjur, publicada hoje

Liberdade em plenitude

Gifs%20Anim%E9s%20Feu%20%28107%29Jornalista tem o direito de fazer crítica impiedosa

Por Elton Bezerra

A publicação de reportagem ou opinião com crítica dura e até impiedosa afasta o intuito de ofender, principalmente quando dirigida a figuras públicas. Com esse fundamento, o ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, acolheu o Recurso Extraordinário da Editora Abril contra condenação do Tribunal de Justiça do Distrito Federal que a obrigava a indenizar em R$ 10 mil o ex-governador Joaquim Roriz por danos morais. A empresa foi defendida pelo advogado Alexandre Fidalgo, do EGSF Advogados.

“Não caracterizará hipótese de responsabilidade civil a publicação de matéria jornalística cujo conteúdo divulgar observações em caráter mordaz ou irônico ou, então, veicular opiniões em tom de crítica severa, dura ou, até, impiedosa, ainda mais se a pessoa a quem tais observações forem dirigidas ostentar a condição de figura pública, investida, ou não, de autoridade governamental, pois, em tal contexto, a liberdade de crítica qualifica-se como verdadeira excludente anímica, apta a afastar o intuito doloso de ofender”, afirmou o decano do STF.

Na avaliação de Celso de Mello (foto), a liberdade de imprensa é uma projeção da liberdade de manifestação do pensamento e de comunicação, e assim tem conteúdo abrangente, compreendendo, dentre outras prerrogativas: o direito de informar, o direito de buscar a informação, o direito de opinar e o direito de criticar. Dessa forma, afirma o decano, o interesse social, que legitima o direito de criticar, está acima de “eventuais suscetibilidades” das figuras públicas.

Mello afirma que essa prerrogativa dos profissionais de imprensa justifica-se pela prevalência do interesse geral da coletividade e da necessidade de permanente escrutínio social a que estão sujeitas as pessoas públicas, independente de terem ou não cargo oficial.

“Com efeito, a exposição de fatos e a veiculação de conceitos, utilizadas como elementos materializadores da prática concreta do direito de crítica, descaracterizam o ‘animus injuriandi vel diffamandi’, legitimando, assim, em plenitude, o exercício dessa particular expressão da liberdade de imprensa”, diz Mello.

No caso, o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz processou a Editora Abril e o jornalista Diego Escosteguy por conta de uma reportagem publicada em dezembro de 2009. No texto, a revista compara Roriz ao personagem Don Corleone, do filme O Poderoso Chefão, e afirma que ele pode ser o homem que teria ensinado José Roberto Arruda, ex-governador do DF, a roubar.

No entendimento do TJ-DF, a veiculação de juízo de valor teria deixado “clara a intenção do veículo de comunicação e do responsável pela matéria de injuriar e difamar, com ofensa à honra e à moral, excedendo os limites da liberdade de imprensa”. Para o ministro, a crítica faz parte do trabalho do jornalista.

Clique aqui para ler a decisão do ministro Celso de Mello

Clique aqui para ler a decisão do TJ-DF.

FONTE: CONSULTOR JURÍDICO – WWW.CONJUR.COM.BR