A polícia está acirrando os ânimos. É visível. Querem nos tirar da rua. Nós, jornalistas, e os manifestantes. Cada dia está ficando mais clara essa tentativa. Veja nota da Abraji sobre as porradas de sábado.

82Abraji lamenta agressões e detenções de jornalistas durante protesto em SP

Quatorze jornalistas que faziam a cobertura do protesto realizado no último sábado (22.fev.2014) em São Paulo sofreram agressão ou foram detidos pela Polícia Militar. Pelo menos cinco deles sofreram violações mesmo estando identificados como profissionais da imprensa.

Sérgio Roxo (O Globo), Reynaldo Turollo (Folha de S.Paulo), Paulo Toledo Piza (G1), Bárbara Ferreira Santos (Estadão), Fábio Leite (Estadão), Victor Moriyama (freelancer) e Felipe Larozza (Vice) foram detidos temporariamente, por períodos que variaram de alguns minutos a cerca de três horas. Roxo, Bárbara e Moriyama também sofreram agressões.

Bruno Santos (Terra) sofreu uma torção no tornozelo e foi atingido por golpes de cassetete enquanto tentava escapar de uma confusão em meio ao protesto.

Evelson de Freitas (Estadão), Amanda Previdelli (Brasil Post), Mauro Donato (Diário do Centro do Mundo), Tarek Mahammed (Rede de Fotógrafos Ativistas), Alexandre Capozzoli (Grupo de Apoio Popular) e Alice Martins (Vice) foram agredidos com cassetetes, golpes de escudo ou chutes.

Com estes, chegam a 57 os casos de agressões e detenções de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas cometidos por policiais militares desde junho de 2013 em São Paulo. Dessas ocorrências, a maioria – 57% – foi deliberada, ou seja, o jornalista identificou-se como tal e mesmo assim foi agredido ou detido.

São Paulo mostra-se a cidade mais violenta para repórteres em cobertura de manifestações: dos 133 casos de agressões registrados de 13.jun.2013 a 22.fev.2014, 63 ocorreram na capital paulista. Um total de 59 profissionais sofreu algum tipo de violação. O levantamento completo pode ser baixado neste link

A Abraji lamenta, mais uma vez, que jornalistas sejam detidos e agredidos enquanto realizam seu trabalho durante a cobertura de manifestações de protesto. Tentar impedir o trabalho da imprensa é atentar contra o direito da sociedade à informação e, em última análise, à democracia.spectacle_06

http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2757

Mais um jornalista assassinado. Mais um, no Rio de Janeiro. Veja nota ABRAJI, em protesto. Que mais podemos fazer a não ser protestar?

animation

Abraji condena execução de jornalista no sul do RJ 

 A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo condena o assassinato do jornalista Pedro Palma, proprietário do semanário “Panorama Regional”, que circula no sul fluminense. Palma foi executado a tiros na porta de sua casa em Miguel Pereira por dois homens em uma moto. Seu jornal vinha publicando reportagens sobre irregularidades nas prefeituras da região.

 A Abraji cobra apuração rápida e rigorosa da execução. Ao que tudo indica, a intenção dos criminosos era interromper o trabalho jornalístico de Pedro Palma – um flagrante atentado à liberdade de imprensa e um ataque ao direito à informação de moradores da região. A Abraji espera que executores e mandantes do crime sejam identificados e julgados. A impunidade em casos como esse pode encorajar novos ataques à imprensa e aos jornalistas.

 Diretoria da Abraji, 14.fev.2014

Nota Abraji – Morre Santiago, o cinegrafista que virou símbolo dos ataques à imprensa. Vamos guerrear contra isso. Contra todos os lados que não querem a liberdade.

0012

Abraji lamenta morte de cinegrafista atingido por rojão durante protesto 

A Abraji lamenta a morte cerebral do cinegrafista Santiago Ilídio Andrade confirmada nesta segunda-feira (10.fev.2013) e se solidariza com familiares, amigos e colegas do profissional. Santiago foi ferido na cabeça por um rojão na noite de quinta-feira (6.fev.2014). Ele cobria uma manifestação, na região central do Rio de Janeiro, contra aumento das passagens de ônibus. A investigação da polícia aponta manifestantes como os responsáveis pela compra e disparo do rojão.

É o primeiro caso fatal envolvendo jornalistas atacados durante os protestos de rua, mas os incidentes têm se multiplicado. Desde junho de 2013, a Abraji alerta para a escalada de violência e violações contra profissionais da imprensa. Desde que esta onda de protestos começou até o anúncio da morte de Santiago Ilídio Andrade, houve 117 casos de agressão, hostilidade – tanto por manifestantes quanto por policiais – ou detenção de jornalistas.

A violência sistemática contra profissionais da imprensa constitui atentado à liberdade de expressão. É preciso que o Estado (Executivo e Judiciário) identifique, julgue e puna os responsáveis pelos ataques.

Diretoria da Abraji, 10 de fevereiro de 2013

http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2729

ARTIGO – Insinceridades e sincericídios. Por Marli Gonçalves

mickey-mousePode ser o maior trubufu da história, caída ou caído. Ou um bebezinho todo enrugado recém nascido. Talvez um vira-lata estropiado. Postou uma foto no Facebook ou outro desses lugares e não dá dois segundos começa a enxurrada de interjeições iguais ou similares ou genéricas. Linda! Lindo! Lindésima! Lindão! Lindona! Que bonitinho! Tem variações como “cada dia melhor, hein?”, entre outras frases que, certamente, nem a pessoa-alvo está gostando de ler porque sabe mesmo que é mentira. E que, de verdade, está só descobrindo um puxa-saco

Impressionante. A cada dia fica mais claro que, se proibidas forem algumas expressões, a internet e as redes sociais acabam. Minguam. Desidratam. Ficarão sem assunto. Não precisa nem de marco civil, militar, controle não sei mais de quê. E se cobrassem, então, por essas palavras? Tem quem iria ficar na miséria. Se apitasse cada vez que alguém escreve algumas destas letrinhas ou expressões seria ensurdecedor. Acho que para parar essa mania só espalhando que, cada vez que uma mentira dessas for postada, uma criancinha morrerá lá na África, ou crescerá uma verruga, ou aumentará o aquecimento solar. Só ameaçando.

2“Linda (o)” e todas as suas variações – como bela, belíssima; kkkkkk e rsrsrsrsrs, para dizer que achou engraçada alguma coisa. E o “Bom Dia”, então? Deve ter gente que não é capaz de cumprimentar o porteiro ou o vizinho dentro do elevador – mas dá “Bom Dia” na internet. Tem também o “Boa Noite” – falta só pegar a moda de falar “vou mimir” – Graças a Deus que pelo menos entre meus amigos ainda não li nenhum. Fora o beijo no coração, beijo na alma, em um monte de lugares não eróticos.0014

Outra coisa é a mania de postar foto da comida que está comendo. Cada comida besta, bife e arroz com ovo, de vez em quando até aparecem iguarias, mas para que eu quero ver? Muitas vezes a imagem só está querendo dizer que a pessoa “pode” – está comendo num restaurante caro em alguma quebradinha “exclusiva” do mundo. Alguém conta para as pessoas que alimentos são uma das coisas mais difíceis de fotografar e de sair bem na foto? Precisa ser profissional e, em geral, inclusive, utilizar de técnicas e produtos falsos para a produção, como massinha, gelo, luz, ângulo, gotas, etc. – coisa de quem vive do que está postando, por isso o faz bem quando faz, não é para qualquer um. Essa semana, no Instagram, uma conhecida apresentadora de tevê que anda babando e poetando em cima do seu bebê postou uma foto de um copo cheio de um negócio que, sinceramente, parecia vômito, meio bege. O copo também era daqueles de bar, feioso, de geleia. “Suco do dia: polpa de morango, folha de brócolis, couve, blueberry, proteína de arroz, gengibre e capim-cidreira! A cor é feia mas o gosto é bom!” – dizia a legenda.

XRAYDRG_animadoBom apetite! – diria eu. Aproveite bem! Beba até o fim. Fosse fazer algum comentário, ainda diria: “Corajosa” ou “O que aconteceu com seu paladar? Foi a gravidez?”, ou ainda poderia também perguntar “Está fazendo alguma promessa?”

Se ver fotos de comida engordasse, estaríamos todos obesos. Na hora do almoço é pior, mas tem também a versão jantar, café da manhã e lanche da tarde. Sadismo explícito.

shark on a boardFico a cada dia mais surpresa com a criação e desenvolvimento desse ambiente virtual. Na tevê, propagandas, concursos e informações importantes mostram como única alternativa o endereço da internet “para maiores esclarecimentos”, “Saiba Mais”, como se todo o mundo desse nosso tão desenvolvido país tivesse acesso. Computador, ao menos. Sinal de Wi-Fi. Smartphone. Do jeito que as coisas vão, nem radinho de pilha!

KKKKK. Na sua cara se é um dos que acham que “todo mundo” tem carro, e que “todo mundo” tem internet. Se nós que temos acesso, e até trabalhamos com isso, de vez em quando ficamos completamente vendidos e isolados por essas operadoras/provedoras e outras, digamos, “orras”… Imagino nos rincões como anda a coisa!

Aqui na megalópole São Paulo, entre as cinco maiores cidades do mundo, toda rica, poderosa, industrial, estamos sendo enganados todos os dias por governos, sejam tucanos, estrelados, socialistas, comunistas, coronelistas, qualquer um. Anunciam em grande estilo que várias praças e avenidas passarão a ter Wi-Fi gratuito, acesso livre, que estão criando não sei quantos postos de atendimento, que vão passar talco cheiroso em nossos bumbuns. Vai procurar!

Um roteador funcionou mal e porcamente na Praça Dom José Gaspar – Biblioteca Mário de Andrade, a maior e mais importante do Estado, com placas. Pufff! Sumiu o sinal, sumiram as placas e ninguém viu, ninguém sabe, pergunta ali para aquele ali. E o tal ACESSA SP? Pufff também. Nem tchuns de satisfação. Ou Feedback, como os empolados falam, com tom quase britânico.

Tudo isso para dizer uma coisa só: não acredite em tudo que escuta; não acredite em tudo que lê ou vê. Não acredite no que esses caras prometem. Mentem deslavadamente, ou omitem, digamos assim, os detalhes e condições.

Vá se preparando para o ano que vem.

São Paulo, 2013
smoochingMarli Gonçalves é jornalista – De vez em quando pega um tempo só para checar a realidade e o funcionamento desse lindo mundo cor-de-rosa que tentam pintar

********************************************************************
E-mails:
marli@brickmann.com.br
marligo@uol.com.br

ABRAJI DIVULGA LISTA DE RECOMENDAÇÕES PARA JORNALISTAS COBRIREM PROTESTOS ( E OUTRAS SITUAÇÕES PERIGOSAS)

 

JORNALSITA 3Recomendações de segurança para cobertura de protestos

A Abraji traduziu as orientações dadas pelo INSI (International News Safety Institute) para jornalistas que atuam na cobertura de protestos. O INSI tem sede na Inglaterra e reúne membros de grupos de comunicação e associações de jornalistas (entre as quais a Abraji) por todo o mundo. Há 10 anos, dedica-se a apoiar e oferecer treinamento em segurança para profissionais de imprensa.JORNALISTA 5

A lista a seguir é composta apenas de recomendações, que podem (e devem) ser adaptadas de acordo com as peculiaridades de cada veículo e jornalista. A adoção de uma ou outra medida é uma opção. É importante, ainda, que cada redação discuta normas de segurança antes de enviar as equipes para a rua.

 O conteúdo também está publicado em nosso site: http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2518

 JORNALISTA 1

1. Antes de sair a campo

– Certifique-se de que sua credencial está válida e à mão.

– Pode ser útil alertar as autoridades de que sua organização de mídia planeja cobrir os protestos, se for apropriado e se isso não representar perigo para você. Ou tenha à mão o contato (preferencialmente, o celular) da pessoa responsável na empresa/veículo; quanto mais sênior, melhor (editor, chefe de reportagem etc.)

– Leve equipamento de proteção. Podem ser: capacetes (capacete de ciclista é uma opção acessível), máscaras com purificador de ar, respiradores de fuga e/ou coletes a prova de balas com placas de proteção extra. Escolha de acordo com as armas usadas pela polícia local para controlar a multidão. JORNAIST A6

– No caso de gás lacrimogênio, use uma máscara com purificador ou um respirador de fuga (se disponíveis) para proteger seus olhos e pulmões. Se você planeja levar esse equipamento, certifique-se de que você tem a versão/filtro apropriados para gases, não apenas para partículas.

– Se você não tem acesso a estes equipamentos, a melhor alternativa são máscaras com purificadores e respiradores de meia-face ou descartáveis, que são mais baratos.

– Se você não tem acesso a nenhuma das opções anteriores, use um pano seco sobre a boca para tentar proteger seus pulmões e saia de perto o quanto antes. Considere usar óculos de proteção. Mulheres: considerem não usar maquiagem, pois o gás adere a ela.

JONALISTA 2– Se você não tiver um pano seco ao alcance, puxe sua blusa para cobrir o nariz e a boca e assim proteger o fluxo de ar. O ar no lado de fora da blusa provavelmente estará contaminado pelo gás.

– Procure não usar lentes de contato, já que o gás lacrimogênio entra por baixo delas. 

– Use calçados confortáveis, com os quais você possa correr.

– Use tecidos naturais, pois são menos inflamáveis que os sintéticos.

– Prepare uma mochila com suprimentos suficientes para um dia: capa de chuva leve, alimentos leves e água, baterias de reserva para equipamentos eletrônicos, equipamento de proteção.graphics-journalist-335913

– Leve um kit de primeiros-socorros e esteja apto a usá-lo.

– Carregue uma cópia de sua credencial ou identificação de profissional da imprensa e os números de telefone de seu editor e de seu advogado (ou do advogado da empresa). Certifique-se de que seu editor saberá quem (família, amigos) e como contatar no caso de você ser preso ou ferido.

– Configure um número de emergência para discagem rápida em seu celular.

– Se possível, estude o mapa da área antes de ir a campo. Considere filmar o local previamente a partir de lugares altos.

– Combine um ponto de encontro com sua equipe, caso vocês se percam, e um lugar seguro para onde ir caso a situação fique muito perigosa.

 Animated_lawyer_making_deal_with_de

2. Em campo

– Tente não ir sozinho. Se puder, leve alguém para vigiar a retaguarda enquanto você fotografa.

– Assim que chegar, procure por rotas de fuga e certifique-se de que saberá para onde ir se perder a orientação.

– Tente permanecer às margens da multidão e não fique entre policiais e manifestantes.

– Multidões têm vida própria. Esteja sempre atento ao humor e à atitude geral.

– Avise seus editores se o humor começar a mudar e comece a pensar em um plano.

– Se planejar mudar de direção, verifique a situação de lá com pessoas que estejam vindo de onde você pretende ir. 

– Equipes de TV devem carregar o mínimo de equipamentos possível. Ao identificar possibilidade de agressão, certifique-se de que sua mochila é grande o suficiente para colocar o tripé e guarde-o. Esteja preparado para deixá-lo para trás se precisar fugir.0006

 

3. Quando os ânimos se exaltam

– Evite cavalos. Eles mordem e, obviamente, dão coices.

– Evite ficar na linha de tiro de canhões de água, pois podem danificar seu equipamento. E muitas vezes têm corantes, para que as forças de segurança identifiquem os manifestantes depois. 

– Fique contra o vento em situações de gás lacrimogênio e mantenha-se o mais abaixado que puder, para ficar abaixo da névoa do gás, que tende a subir. Assim que a área estiver limpa, ou você tiver mudado de lugar, procure ficar parado por um tempo com as pernas afastadas, os braços abertos e o rosto voltado para o vento até que os efeitos do gás passem. Isso permitirá que o vento sopre o gás das roupas e garante que você receba bastante ar fresco.

– Lave suas roupas o quanto antes puder, ou o gás ficará nelas por muitos meses.

– Se a polícia te prender, tente pedir para eles ligarem para sua chefia, se você tiver o número. Tente falar com um oficial superior, pois isto terá mais impacto.police

– Ligue para seu editor, cheque se a empresa disponibiliza serviço jurídico. 

– Evite situações de violência, se você puder, e afaste-se para filmar, se necessário

NOTA de hoje, da ABRAJI, associação brasileira de jornalismo investigativo

 

0014Abraji repudia novas agressões contra jornalistas

 A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo repudia a ação de manifestantes que atacaram repórteres nas ruas de São Paulo na noite dessa terça-feira (18.jun.2013).

 

Manifestantes hostilizaram uma equipe da TV Record aos gritos, depois a pedradas, até incendiar um veículo de transmissão da emissora.

 0009

Uma profissional da Band também foi atacada com um jato de vinagre no rosto durante a cobertura. Gritos contra meios de comunicação foram incorporados pelos manifestantes, que desde segunda-feira vaiam as equipes de televisão. A Abraji condena as ameaças e agressões que, nesta semana, partiram de pessoas que participavam das manifestações.

 

Atos de violência contra a imprensa colocam em risco o direito à informação de toda a sociedade. O trabalho de repórteres de quaisquer meios ou empresas é tão essencial à democracia quanto os protestos ora em curso.

 

Diretoria da Abraji, 19 de junho de 2013