PARA SER APURADO: Seguranças truculentos podem ter machucado integrantes do Fêmen em protesto contra o BBB, ontem, em shopping de São Paulo. Os caras devem ter pensado que também eram Bozós da TV Globo… Do UOL

 

FEMWIZARDFemen acusa seguranças de shopping de agressão verbal e física

James Cimino
Do UOL, em São Paulo

09/01/201315h53

 
  • Divulgação/Femen

    9.jan.2013 - Manifestante do Femen Brazil mostra ferimento em seu rosto; ela alega que a marca foi causada pelo sapato de um segurança do shopping que pisou em seu rosto9.jan.2013 – Manifestante do Femen Brazil mostra ferimento em seu rosto; ela alega que a marca foi causada pelo sapato de um segurança do shopping que pisou em seu rosto

As integrantes do Femen Brazil, movimento feminista criado na Ucrânia que se manifesta exibindo os seios, acusam os seguranças do shopping Santana Park de tê-las agredido verbal e fisicamente após o protesto que fizeram contra “a alienação promovida pelos reality shows”. O local foi escolhido devido à presença da casa de vidro do “BBB13”, de onde serão selecionados dois participantes para entrar na casa.

“Eles já estavam nos esperando. Foram três em cima de mim e mais sete nas minhas amigas. Nos derrubaram no chão. Depois nos levaram para uma salinha onde tinha outros dez seguranças que ficaram nos chamando de vagabundas, que a gente não trepava e que a gente só queria aparecer. Um deles pisou no rosto da minha amiga. Vamos fazer exame de corpo de delito e prestar queixa”, conta a manifestante Anna Steel, de 19 anos.

Após o incidente, Anna e as duas amigas que estavam com ela durante o protesto foram encaminhadas pela PM ao 72º DP, onde “fomos muito bem tratadas”, conforme afirmou Amanda Roseo-Alba, 25, outra das manifestantes.

Vamos falar sério.Com exclusividade para o blog, o psiquiatra Alexandre Saadeh, especialista na questão, responde sobre o uso da imagem do transsexual Ariadna no BBB. Que já está sendo vítima de preconceito e na degola.

Não assisto o BBB, porque não dá tempo, nem eu sou muito a fim. Mas, como faço até com as novelas, leio. Ou seja, sei do que acontece porque leio diariamente dezenas de jornais, revistas e sites e blogs e tudo …. às vezes acabo sabendo mais do que quem assiste.

Ontem, pedi a um dos médicos que acompanho o trabalho e que mais admiro, Dr. Alexandre Saadeh, psiquiatra, psicodramatista, professor da PUC-SP, médico assistente e Coordenador do AMTIGOS (Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual) do NUFOR, do IPq, Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas,  da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, respondesse para a gente a seguinte questão:

A presença de uma transsexual, operada, no BBB, com todo esse alarde, ajuda em algo? No esclarecimento? Ou apenas é mais uma utilização indevida, que ainda aumenta o preconceito e as dificuldades? Ou, ainda,  pode servir para que haja um aumento de pedidos para um serviço ainda disponível para poucos aqui no Brasil?

DR. SAADEH RESPONDE:

 “Apesar dela ter se operado na Tailândia, penso que divulgar o tema, sem apelação, é sempre bem vindo. Atualmente, aqui em São Paulo, o número de cirurgias aumentou, além de termos mais centros de atendimento à população. Só gostaria de dizer que nem todo transexual se prostitui ou gosta de aparecer.

Aliás, a grande maioria nem quer chamar a atenção ou fazer alarde e sim viver discretamente. Se forem explorar o passado da participante, que seja pelo lado positivo, de batalhadora e não pelo negativo. Os transexuais, sejam eles mulheres transexuais (MtF) ou homens transexuais (FtM), são como qualquer outra pessoa, apesar da incongruência entre o sexo anatômico e sua verdadeira identidade de gênero.

Aguardo, receoso, o resultado da aparição dessa transexual num programa de grande repercussão, lembrando que ela não representa o todo do grupo ao qual pertence, mas que deve ser respeitada por sua coragem”.

Dr. Alexandre Saadeh, especialista: “nem todo transexual se prostitui ou gosta de aparecer. Aliás, a grande maioria nem quer chamar a atenção ou fazer alarde e sim viver discretamente”
Alexandre Saadeh: psiquiatra, psicodramatista, professor da PUC-SP, médico assistente e Coordenador do AMTIGOS (Ambulatório de Transtorno de Identidade de Gênero e Orientação Sexual) do NUFOR, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da FMUSP.

Não é demais, o Dr Saadeh?