#ADEHOJE – CONGRESSO BELISCA PRESIDENTE

#ADEHOJE – CONGRESSO BELISCA PRESIDENTE

 

SÓ UM MINUTO – Nos anos 70 havia uma inscrição constante nas paredes: CELACANTO PROVOCA MAREMOTO. Lembrei disso ao ver a Câmara votar ontem à noite, de surpresa, em primeira e segunda votação, a PEC do Orçamento. A proposta impositiva estava perdida lá desde 2015. Foi um beliscão e tanto nessa onda de desaforos entre Executivo e Legislativo. Com sua aprovação, o governo fica mais engessado do que já está. Ela classifica como obrigatório o pagamento de despesas que hoje podem ser adiadas, principalmente investimentos. Assim, de um Orçamento total de R$ 1,4 trilhão, o Executivo teria margem de manobra em apenas R$ 45 bilhões das despesas. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre está prometendo o xeque-mate aprovando lá também a PEC.

Enquanto isso, Sergio Moro está penando também para ter seu pacote de combate ao crime incluído na pauta. Hoje foi lá falar durante horas…

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ARTIGO – Petelecos em mãos que falam. Por Marli Gonçalves

hands8Não me venham dizer que estou com algum tipo de fixação em coisas que se pode fazer com as mãos, já que na semana passada falei em beliscões. Mas lembrem-se de que, como jornalista, passo bom tempo olhando as minhas, escrevendo e usando as mãos para batucar as pretinhas, as teclas, e talvez por isso elas bem mereçam ser fonte de inspiração. Com bom humor, o sinal de positivo, falar que algo é legal. O V da vitória de um festejo. Responder desaforos ou mandar alguém para alguns lugares, dependendo do dedo, e … dar petelecos! hands8

Funciona e não machuca. Assim, mãos à obra! Vamos sair por aí dando petelecos, nem que sejam imaginários. O que tem de coisa ruim e merecedora de ganhar um deles dá uma lista gigantesca e não sei se conseguirei ser completa aqui. Você prepara os dedinhos e pum! Isso na real. No imaginário, como tudo vale, se você quiser pode trocar, dependendo do que/quem for o que quiser mandar para longe: pode virar chute, tabefe, empurrão e safanão, sacudidela, tranco. Tudo vai depender de sua índole.

Eu, repito, gosto do peteleco. Hão de concordar que, primeiro, é uma palavra deliciosa, sonora, gordinha; segundo, um ato de mandar para longe, de dar um piparote muito interessante. Coisa de criança que já jogou botão. Dá até para ser elegante, delicado, mirando, como quem joga golfe mira os tais buracos. Só não pode deixar cair a peteca.

Não, não sei se peteleco vem de peteca, mas é que as duas são palavras que trazem em si duas consoantes que ultimamente andam nos dando muita dor de cabeça, e não é o “L” nem o “C”. Conheço muita gente que anda louca para dar um peteleco no PT, o partido. Parece que vem aumentando esse número, saindo às ruas, o que me leva a sugerir talvez a criação de um Movimento Peteleco e, no alvo, a obrigação de mandar para longe uma série de desmandos e erros, gente querendo andar para trás. Seria suprapartidário. Melhor ser Movimento, que Grupo Peteleco ficaria parecendo pagode.

Ponto! Já viria até com logotipo, a famosa mãozinha armada.

Pensem. O peteleco é inofensivo. Também serve para despertar alguém – quem sabe quantos estarão apenas anestesiados só precisando de um para acordar e agir?Animated_World in hands

Claro, há variações, mas aí são coisas que a gente faz por diversão, com quem a gente gosta. Dar um coquinho, aquele murrinho com a mão fechada, que parece querer despertar a cachola de quem leva; o puxão de orelhas, dado nos meninos traquinas e nos aniversariantes, quantos anos estiver completando. E tem mais uma: a consagrada! A ardida! A sardinha. A “sardinha” era aquela mania de, com o dedo indicador e o maior, dar um “tapa arrastado” na bunda do colega ou amigo, como se fosse tirar uma lasca, largando os dedos. Tem que ser na bunda, e meio para dar uma machucadinha, no mínimo arrancar um ai. Faz tempo que não solto os dedos e dou sardinha em alguém. Bem, faz tempo que minha lista de amigos íntimos (tem de ser, porque a operação oferece riscos!) também não aumenta. Na sardinha outra dica de segurança: não ache com tanta certeza e tanto ímpeto que sabe de quem é aquela bunda que vê e atrai a sua sardinha. Verifique se é mesmo da pessoa que conhece, espere que ela se vire. Senão a coisa pode acabar mal.

Mas, voltando ao reles peteleco, também lembrei deles nessa semana em que recebi a visita de pernilongos sem teto querendo ocupar minha cama, e é uma satisfação acertar um deles em pleno voo. Eu disse pernilongos.

Poderemos então petelecar os chikungunyas, os aedes, e juntos, petelecando, mandar para longe, bem longe, as más notícias, a seca, os desmandos, os medos, essa crise que quer, ela sim, pegar, mas nossos calcanhares.

handsSinceramente? Também pensei no peteleco quando estava querendo afastar uma tristeza que me agonia, uma sensação de falhar sempre no emocional e nas relações e que, ainda por cima, soma fatos, feitos e não feitos este ano que já estamos dando petelecos para que vá embora o mais rápido possível.

São Paulo, 2014

hands13Marli Gonçalves é jornalista – Ando pensando em estilingue também. E se acaso pudéssemos dar petelecos nas nuvens – será que choveria mais?

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ARTIGO – Me belisca. Por Marli Gonçalves

DontCryNão estou nem acreditando. Isso deve ser alguma pegadinha. Só pode ser. É verdade? Os fatos dessa fábula pipocam em nossas energúmenas cabeças e bolsos. Dona Sorrelfa já se faz desnecessária e teve de procurar outro emprego, lá com o Malvado Oposicionista. “Eu ganhei e agora vocês têm de dançar conforme meu samba”, é como se a ouvíssemos falar, ela, a Madame Coração Valente, antes de logo sair mandando, andando duro. Foram poucas as horas de paz depois que os votos foram contados. Subiu isso, aquilo, solta um, solta dois, solta três, eles todos fora do xadrez.PinchBum

Dona Sorrelfa ficou pasma quando soube que Madame Coração Valente não precisava mais dos seus serviços porque dali em diante, de novo, pouco importaria o que esse povo gosta ou deixa de gostar. Pouco importa se disse que não faria e agora faz. Não precisaria mais dela, Sorrelfa, para esconder os fatos, ia descarregá-los, puxar a corda. O calendário de certas pessoas ou personagens só funciona de quatro em quatro anos. E agora Madame Coração Valente estava abrindo a bolsa, a de maldades, de ordens e vinganças, de preparo dos ajustes – tipo vou apertar o seu cinto, amarrar forte o espartilho e você que vá reclamar. Para quem? Para quem?

Dona Sorrelfa saiu correndo atrás do Malvado Oposicionista assim que ele voltou de férias e, toda feliz, logo arrumou trabalho na CPI; aliás, no mesmo dia. Dona Sorrelfa é mesmo muito requisitada na política. Foi quem apareceu e costurou e bordou o tal acordo lá da CPI, CPMI. Tira o meu que eu tiro o seu, mandem outras buchas para os canhões. Alô, alô, marciano… Dona Sorrelfa é tão eficiente que o Malvado Oposicionista só soube de tudo do que foi feito depois que desceu do palco onde um anunciado discurso ficou mais para fala de palanquinho do que para virar registro histórico. Ó, como andam sumidas Dona Oratória, Dona Caça-estadistas! Não era para ser algo forte, que denunciasse tantas mentiras ditas pela Madame Coração Valente e seus súditos? Faltaram dizer que o Malvado Oposicionista não só acabaria com o Bolsa Família, como faria todo os beneficiados plantarem batata e criarem frangos para instituir a coxinha no lugar da feijoada às quartas e sábados. Sim, frango. Porque ovo, o ovalzinho, a turminha do Coração feito com a mãozinha chegou a indicar como substituto da carne. Mas cadê o gogó? É, nem tudo é genético, meu netinho.

twistheartOs juros subiram. Combustíveis mais caros, inflação faz ouvir seus cascos batendo cada vez mais perto, poucos negócios, Amazônia ainda mais desmatada, energia em risco junto com a água, já que estiagem não é coisa que dá só em campo de chuchus. Números que somem: Madame Coração Valente gosta de fazer malabarismos com eles. Quando aparecem, com o Senhor Realidade Brasileira, mostram um Brasil em branco e preto…

Enquanto isso, o Senhor Finamente Poderosos Presos teve um grande baque. Coitado. A gaiola se abriu e cada dia um canarinho saiu pela porta da frente. Agora até este senhor está pensando seriamente em ir passar umas férias com o Joaquim Barbosa lá em Miami. Isso dá matéria na coluna social? Parece que sim.

Houve reação. Um monte de gente gritando em letras maiúsculas na internet, até marcando uns encontros, uns rendez-vous. No primeiro, na passeata que era até para ser boa embora com uns pedidos esdrúxulos, houve uma infecção transmitida por bolsonarinhos armados e uns pingados segurando plaquinha querendo militares. Quero crer que perderam o endereço do hospício e estavam em passeata errada. Problemas de GPS.detour

Os canarinhos se soltaram. Assim como o Grande Passaralho, um monstro alado que se alimenta de jornalistas e assola as redações atingindo jornalistas de grande reputação. Pior: jornalistas importantes que foram demitidos. E não é que outro grupo de jornalistas completamente desimportantes tiveram e têm a ousadia de aplaudir? Está ou não está perdido esse mundo? No meio de tudo isso mais um jornal diário vai para o espaço, implodido da forma mais estranha que poderia acontecer até numa fábula de terror. Todos falam em contenção, e juram que é um remédio. Injeção na testa me parece bem melhor do que isso, mais gostoso. (Virá daí tanto botox?)

Se eu bebesse, ou sei lá usasse psicotrópicos fortes, ou se tivesse estado em outro planeta nas últimas semanas, o que também não foi o caso porque não desgrudo daqui, voltasse e alguém me contasse alguns desses e outros fatos, iria achar que a pessoa estaria tirando uma da minha cara. Passamos uma campanha política duríssima que acabou de arrasar as contas do país, que culminou com aqueles mesmos dois lados de sempre, e um, o que saiu vitorioso no raspão, jurava de pés juntos e dedinhos apontando que o Malvado Oposicionista iria fazer isso, aquilo, e mais. Mas quem acabou executando o hino foi a própria, a tal Coração Valente (e fala confusa).

Não existe mais brio ou vergonha na política nacional; não existe situação, oposição. Quase não acreditei na série de derrotas, na falta de capacidade de informar, juntar as peças. O Governo dos 40 ministérios e varais, do ministro demitido que escorrega, do ex que se mete em tudo, como sombra que ameaça, que não sabe de nada, que esqueceu de tudo, que sumiu com a Rose que sabia. O Governo do PAC empacado, das relações internacionais esquisitas, vai continuar. Ainda ousam dizer que Deus é brasileiro?

Vou recorrer a meu velho e sábio pai do alto de seu quase um século de vida, resmungando e sentenciando diariamente depois de assistir ao noticiário: bando de salafrários, papagaios, caras de pau que prometem prometem… Fora mais algumas expressões que não fica nem bem para uma moça fina como eu repetir. E esse texto pode cair na mão de algum menor de idade.

São Paulo, e o Natal tentando penetrar, 2014 WormMarli Gonçalves é jornalista – Imagina só o que Dona Sorrelfa não deve ainda estar aprontando nesse momento. Ela é danada de silenciosa. E esta foi uma fábula do país onde tudo está custando justamente isso, uma fábula.

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