Sabia dessa história? Do Partido Pirata? Já viu esse movimento?

Os piratas estão chegando

do blog de Fernando Gabeira – wwww.gabeira.com.br

Geração que cresceu com a internet entra na política

Há 30 anos, os verdes foram uma grande novidade na política alemã. Agora, a novidade são os piratas, do Partido Pirata, que obteve 8 por cento dos votos na Renania do Norte, Vestafalia.

 Munidos de lap-tops e tablets, os membros do Partido Pirata querem sobretudo acesso às informações, transparência.
Como outros movimentos rebeldes no mundo, Occupy Wall Street, e os indignados da Espanha, revoltam-se contra as decisões do mundo financeiro que não levam em conta a opinião das pessoas.

Freeman J. Dyson afirmou num livro que a energia solar, o genoma e a internet iriam definir os contornos do Século XXI. Da destruição ambiental, surgiu o movimento verde; agora, com o crescente papel da internet, surge o movimento dos piratas.

A cena política alemã, um pouco diferente das outras, não se caracteriza apenas pelo surgimento de novos movimentos mas, principalmente, por sua aparição na política institucional.

Esse caso Delta vai dar muito pano para manga lá no Rio. Invadiram e “roubaram” a casa do vice-governador Pezão. Matéria do Gabeira

Entre o assalto e a pizza

30.04.2012 | 21:57 -FONTE: FERNANDO GABEIRA – BLOG -www.gabeira.com.br

Depois de um longo dia de trabalho, acabo me voltando de novo para esse escândalo no Rio, acionado pela divulgação das imagens do governador Cabral com o dono da Delta num luxuoso restaurante de Mônaco, inicialmente tomado pelo Ritz de Paris.

Estava concentrado na imagem do secretário de Saúde, Sérgio Cortes com uma pizza na mão e uma Coca Cola na outra, em plena noite parisiense. Em alguns países seria repreendido por razões puramente técnicas: não é a refeição ideal para um secretário de saúde.

Mas aqui a história é outra. Depois de tantas acusações de corrupção na saúde, da manobra para escapar do processo sobre compras desastrosas e superfaturamento, simbolizar que tudo acabou em pizza é muito pouco.

Na verdade, tudo acabou em caviar e champagne nos grandes restaurantes de Paris, Mônaco e Cannes. Essa imagem de Sérgio Cortes deveria ser estampada na porta de todas as emergências dos hospitais do Estado. As pessoas iam entender rapidamente porque são mal tratadas.

Justamente quando contemplava a figura patética numa rua de Paris, chega a noticia estranha do assalto ao apartamento de Luiz Fernando Pezão, no Leblon.

Pezão é vice-governador e gerente de todas as obras no Rio. Não há casas de vice sem segurança. Na Nascimento, uma viatura guarda diuturnamente a casa de uma ex-mulher de Sérgio Cabral.

Por que abandonariam Pezão? Sobre a cama, os policiais acharam 15 caixas de jóias vazias, deixadas pelos ladrões. Não tenho uma visão estatística de quantas caixas de jóia um casal costuma ter em seu apartamento. Eram jóias de fantasia ou um investimento seguro para seu dinheiro?

Talvez os ladrões possam ter deixado ali para despistar. Talvez outros motivos os levaram ali. Tudo muito nebuloso, logo depois da divulgação das imagens envolvendo a Delta e Cabral.

Pezão é um grande defensor da Delta. Disse, precipitadamente que as investigações eram inúteis, estava tudo em ordem. Decidiu afundar com a Delta. Deve ter suas razões. É possível que guarde também alguns documentos em casa.
Teria sido esse o objetivo do assalto?

Tudo muito misterioso nesse fim de segunda feira. Imagino que os repórteres policiais trabalhem no feriado.
Como não havia segurança no prédio do vice-governador? Por que foi a única casa assaltada no prédio? Por que não havia câmera ?

Será que tudo isso acontece por acaso? No auge de um fim de semana conturbado mostrando as vísceras da relação governo-Delta, a casa de Pezão é assaltada. Uma possibilidade entre milhões, um acaso extraordinário?

A única certeza é que Pezão estava ausente, de férias na Itália. O que significa que alguns jóias foram preservadas, pois sempre se levam as melhores para essas ocasiões.

Código florestal: leia a análise do Gabeira

Código Florestal, aos vencedores o deserto

DO BLOG OFICIAL DE FERNANDO GABEIRA – http://www.gabeira.com.br/wordpress/2012/04/codigo-florestal-aos-vencedores-o-deserto/
 

Com 274 votos a favor e 184 contra, a Câmara aprovou, ontem, um novo Código Florestal para o Brasil. Como somos um pais rico em recursos naturais e também um grande produtor de alimentos, creio que a votação de ontem tem uma importância planetária.

A votação reflete uma vitória dos deputados que se dizem ruralistas, aliados ao PMDB e outros partidos da base do governo.

Desde o princípio, achei que num debate exposto apenas ao jogo parlamentar, a tendência era sair um Código Florestal impreciso. Mencionei a importância do trabalho científico para orientar as decisões pois é muito difícil, abstratamente em Brasília, definir limites de preservação em todos os os rios do Brasil, limites de destamento em todos os principais biomas do pais.

Mesmo dentro da Amazônia é uma grande abstração afirmar que 80 por cento de sua área não pode ser plantada. Existem regiões degradadas que poderiam ser usadas e, alem disso, existem métodos de plantação, usados pelos indígenas no passado, que não destroem o meio ambiente.

Pelas pessoas que comemoraram, pela ênfase em suprimir multas e facilitar financiamentos mesmo para quem desmatou recentemente, a mensagem que o novo Código Florestal passa é a de liberalismo em relação ao uso do solo no Brasil.

Como será interpretado, que conseqüências trará para o nosso futuro? O líder do PMDB, Henrique Alves, estava eufórico com a votação. Ele não é do tipo que se preocupa com o futuro do pais, muito menos do planeta. Como a maioria é um político vulgar, interessado em enriquecer e fazer negócios no Congresso.

Poucos donos de terra no Brasil respeitaram a lei. Agora que se passou este sinal de liberalização, é possível que a respeitem menos ainda.

O governo dá a entender que foi derrotado e que não queria esse desfecho. O governo também a entender que é contra a corrupção e está realizando uma faxina. Tudo isso é calculado para manter algo os níveis de popularidade de Dilma.

A combinação de extrordinário recursos naturais com um baixíssimo nível político acabaria definindo os caminhos futuros do Brasil. O pais contribui para solucionar um importante problema mundial que é o da segurança alimentar. Poderia fazê-lo de uma forma mais equilibrada.

O único consolo é que na vigência de leis mais severas, o meio ambiente era destruído de qualquer jeito. Na vigência de multas pesadas, poucos centavos eram recolhidos aos cofres do governo. Para o bem ou para o mal, as leis não são ainda o fator determinante.

Se depender do Congresso, com o nível de mediocridade dominante, tudo será negociado até a última árvore e a última gota de água nos rios brasileiros.

Não sei se a resposta para isto é apenas o radicalismo militante. O zoneamento ecológico, algo que não é realizado no Brasil, pode definir, com a ajuda da ciência como e quais áreas  serão exploradas. Da mesma maneira, os comitês de bacia que cuidam especificamente de um rio teriam mais condições de determinar a área de proteção de suas margens do que deputados em Brasília que, as vezes, nunca saíram de sua própria região.

Vamos ver como se desenrolam os próximos capítulos. A quem se interessa pelo tema, recomendo a leitura do livro A Ferro e Fogo, de Warren Dean, contando a destruição do Espírito Santo com a lavoura do café, realizada sem planejamento e critérios

Artigo do Gabeira no Estadão de hoje…Sobre o Cachoeira

Vapor de Cachoeira não navega mais

por Fernando Gabeira – http://www.gabeira.com.br/wordpress/2012/04/9165/

Ilustração: Cadu Tavares

O vapor de Cachoeira do verso de Caetano Veloso é uma lembrança nostálgica de um navio que ligava Salvador ao Recôncavo Baiano. Lançado em 1819, um grande feito para a época, o vapor de Cachoeira não volta nunca mais. Já o de Carlinhos Cachoeira apenas sofreu uma avaria. Pode voltar em forma de submarino ou qualquer embarcação anfíbia.

O vapor de Cachoeira tinha muitos dos defeitos e mais poder que alguns partidos políticos. Tinha bancada parlamentar, acesso e contatos no governo, preenchia cargos e influenciava a promoção de coronéis da Polícia Militar. Os fragmentos de gravações indicam também que Cachoeira tinha algo mais do que os partidos pequenos: um esquema de informação próprio que vazava escândalos para a imprensa, com a esperança de moldar imagens na opinião pública.

Pode-se argumentar que, ao contrário dos partidos, Carlos Cachoeira não tinha um programa. Não havia nada escrito porque não precisava. Programas, dizia o velho Brizola, também podem ser comprados. Cachoeira nunca se interessou em comprar um. Mas é exatamente a prática cotidiana no vácuo de propostas políticas reais que torna o partido de Cachoeira um novo tipo de ator no cenário nacional. A forma como articulou a bancada de Goiás, suprapartidariamente, é inédita. O projeto de regulamentação da loteria que lhe interessava partiu de um senador, foi relatado por um deputado e ainda dependeria da supervisão de Demóstenes Torres.

Num único momento parlamentar, senti a bancada goiana atuar em conjunto. Foi para derrubar um projeto de Eduardo Jorge e meu que proibia o amianto no Brasil. Era um movimento contrário ao que penso, mas não posso negar seu caráter democrático nem a preocupação legítima com os interesses de seus eleitores. Goiás tem mina de amianto em Minaçu e os deputados temiam o desemprego e o declínio econômico na cidade.

Não se conhece, fora de Goiás, a extensão da influência de Cachoeira. A verdade é que nenhum órgão de imprensa foi lá conversar com as pessoas, sentir a atmosfera, indagar sobre as forças típicas do Estado. Confesso que tenho mais perguntas que respostas. Um esquema tão intrincado e complexo merece um estudo maior, que só a íntegra das gravações pode esclarecer – ou, ao menos, indicar pistas.

E o Demóstenes, hein? É a pergunta que todos fazem na rua, resignados com o peso do argumento de que todos os políticos são iguais, até mesmo os que incluem a dimensão ética em sua atuação parlamentar. O desgaste que ele produziu na oposição é arrasador. Não se limita ao célebre “são todos iguais”. Avança para outra constatação mais perigosa: se os críticos são como Demóstenes, toda a roubalheira denunciada por eles não passa de maquinação. A sincera constatação popular “são todos iguais” torna-se um dínamo para múltiplas conclusões políticas. A mais esperta delas é: logo, são todos inocentes.

Depois de tudo o que Demóstenes fez, a partir do fragmentos ouvidos, eram inevitáveis as mais variadas repercussões no cotidiano político, em ano de eleição.

O esquema, no conjunto, precisa ser conhecido e pode ser iluminado por uma CPI. Carlos Cachoeira tinha influência nos governos de Goiás e de Brasília, detinha um poder regional. Era bem mais que um bicheiro. Apresentá-lo assim, desde o início, não combinava com o tipo clássico consagrado pela ficção: camisa aberta no peito, colar de ouro, mulatas deslumbrantes, amor à sua escola de samba. Cachoeira, além dos negócios legais, já usava a internet como ferramenta. Organizava loterias federais, disputava a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo e mantinha um site de jogos, hospedado na Irlanda.

Ele usa muito melhor os instrumentos do seu tempo do que os bicheiros tradicionais, com seus anotadores sentados em caixotes, esperando a chegada da polícia em nova campanha contra o jogo do bicho, dessas que sempre morrem na próxima esquina, ou na próxima manchete. Os bicheiros sempre desconfiaram da legalização porque tinham medo da pesada concorrência que as novas circunstâncias trariam.

Empresário da era eletrônica, Cachoeira tinha um partido sem programa e decidiu legalizar seu negócio de forma que bicheiros tradicionais nem sequer sonhavam: escrevendo a lei, mobilizando a sua bancada, cuidando da tramitação, dos detalhes formais, garantindo a supremacia no futuro.

Cachoeira tem negócios clandestinos e legais. A maneira como se organizou para tocá-los é típica do pragmatismo de muitos partidos políticos: buscar a proximidade com o governo. Sua proposta era deslocar Demóstenes para o PMDB e aproximá-lo do Planalto. Houve algumas conversas sobre isso nas eleições de 2010. Para Demóstenes seria a morte política por incoerência, talvez mais suave que o atropelamento súbito pelos fatos.

Apesar de sua prisão e da desgraça de Demóstenes, Cachoeira continuou desdobrando a tática de aproximação. Tanto ele como Demóstenes escolheram advogados que, além de sua competência, são amigos íntimos do governo. Uma escolha desse tipo nunca é só técnica. É também política. Representa uma bandeira branca de quem não busca conflitos e anseia por uma saída controlada para um escândalo que ameaça governos do PSDB e do PT.

Leis são como salsichas, é melhor não ver como são feitas. Essa célebre frase atribuída a Bismarck é uma constante na crítica aos Parlamentos. Em caso de um escândalo de intoxicação alimentar, é importante saber como foram feitas. Se Carlinhos Cachoeira foi capaz de criar suas leis, aprovando-as no âmbito estadual e levando-as à esfera nacional, o que não podem outros grupos poderosos e articulados?

Essa vulnerabilidade da democracia, de um modo geral, se torna uma inquietação alarmante no caso singular do Brasil. O momento aponta para a desaparição dos partidos programáticos e abre o caminho para os núcleos de todo tipo, principalmente o partido de tirar partido.

 

Publicado no jornal Estado de São Paulo 13/04/2012

LEMBRAM DO SUMIÇO DAS ABELHAS QUE ATÉ HOJE NINGUÉM EXPLICA. GABEIRA FALA SOBRE UMA PISTA.

Sumiço das abelhas: a grande pista

DO BLOG DE FERNANDO GABEIRA – WWW.GABEIRA.COM.BR

Dois grupos de cientistas chegaram ao mesmo ponto no estudo do processo de desaparição das abelhas, um mistério que se prolonga há pelo menos uma década.

Segundo o New York Times, citando o jornal Science, os cientistas chegaram a um tipo de pesticida, neonicotinoide, que atua no cérebro das abelhas, tornando-as incapazes de realizar suas atividades comuns.

Os estudos foram feitos na Inglaterra e França e podem levar à proibição do uso dos pesticidas apontados como a causa. Os cientistas, no entanto, não definem uma causa única para o desaparecimento da abelha.

Há menos flores e o crescimento econômico vai reduzindo também suas possibilidades de sobrevivência.

Perguntei a muitas comissões européias que visitaram a Câmara sobre a causa da desaparição das abelhas. Havia muita incerteza sobre as causas. Alguns se arriscavam a explicar pelos fatores habituais que prejudicam o meio ambiente.

A descoberta da desaparição das abelhas nos leva a uma constatação parecida com o surgimento do livro A Primavera Silenciosa, de Rachel Carson.

É um dos livros mais importantes da história do movimento ecológico pois chamou a atenção para o sumiço dos pássaros e influenciou gerações de militantes como, por exemplo, o ex-vice presidente Al Goore

Pitadas de bom senso. Sobre as greves que pipocam, Gabeira

Só o governo não viu

 Fernando Gabeira

FONTE: www.gabeira.com

A greve dos policiais continua na Bahia e foi deflagrada no Rio. O enfoque mais comum nos jornais e televisão enfatiza a ilegalidade do movimento.

Dois outros pontos deveriam ser mencionados. O primeiro deles é a eficácia da greve, nessas circunstâncias.

O melhor caminho para os policiais seria uma intensa campanha voltada ao público, revelando suas dificuldades de sobrevivência com salários tão baixos.

Essa hipótese torna-se mais difícil porque, ao contrario de outras policias, como a norte-americana, não houve o esforço necessário de aproximação com o público.

As campanhas pedagógicas sobre consumo de droga eram feitas, nos Estados Unidos, pela policia. Transplantadas para o Brasil, viu-se que não funcionavam bem. A imagem das duas policias, a americana e a brasileira,  eram vistas de forma diferente pelos estudantes.

Mas é preciso começar a superar esse distanciamento histórico entre policia e população. A greve não ajuda porque espalha o medo e a sensação de que a cidade foi abandonada.

Há outro ponto sobre o qual não se fala muito porque admiti-lo seria criticar o poderoso governo. E este ponto é a absoluta falta de habilidade oficial em negociar com a policia. E sua incapacidade de prever os fatos.

A radicalização dos policiais e bombeiros era uma tendência evidente quando se votou a PEC-300. Em vários momentos, tivemos a impressão de que haveria tumultos na Câmara ou mesmo em Brasília.

O quadro pedia muita coisa, menos empurrar com a barriga como fez o governo federal, seguido por alguns governadores.

Duas grandes cidades brasileiras, famosas por seu carnaval, vivem um momento difícil exatamente quando pensavam em atrair mais turistas e começar a arrancada nacional para receber mais visitantes.

A policia não deveria fazer greve. Nem os passageiros de trem no Rio deveriam perder a paciência. É fácil apenas defender a lei.

Difícil é preservá-la com medidas que aliviem o sufoco real. Os PMS do Rio vão ganhar R$2070 mensais em 2013. Os passageiros de trem foram convidados pelo secretário Júlio Lopes a esperar mais dois anos por melhoras no transporte.

É necessário buscar um equilíbrio na avaliação do momento. A simples aplicação da lei e a repressão ao movimento grevista não resolvem o problema de fundo.

É preciso rever as expectativas sobre a segurança pública. Sem uma policia com salários dignos será difícil alcançar a paz urbana. Os avanços conseguidos até agora são pontuais e, no Rio, muito localizados em áreas importantes para a Copa do Mundo.

Dizer que o orçamento é curto não basta. Há tanta dinheiro para propaganda, há tanto desperdício no governo.O orçamento será sempre será curto. Daí a necessidade absoluta de usá-lo com inteligência.