“Mãe Dilma” é genial. Sobre a blindagem, a proteção, o “corpo fechado” dos ministros. Do Gabeira

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e agora o Gabeira está só lá no blog dele, o original, no endereço ( fora os artigos pro Estadão):

http://www.gabeira.com.br/

Em torno do verbo blindar

Fernando Gabeira

Ultimamente, deram para blindar. Blindaram o ministro Fernando Pimentel e agora blindam o ministro Fernando Bezerra. Se continuam nesse ritmo, haverá uma ala de ministros blindados no desfile do 7 de Setembro.

O verbo blindar é dos neologismos mais desconcertantes na política brasileira. Acontece assim: surgem evidências contra os ministros e o governo e sua base dizem para nós: não acreditem nas evidências, mas naquilo que estamos falando.

Pedem uma reação religiosa como se Brasília fosse a Cidade de Deus de Santo Agostinho, onde a visão das coisas não apreende a realidade, que deve ser alcançada pela fé.

Às vezes, esse verbo blindar parece um encontro da politica com a história em quadrinhos. É como se, de repente, os aliados do governo gritassem shazam e o corpo do protegido se fechasse.

Ainda no mundo juvenil, lembram, com sua blindagem, o dono da bola que resolve interromper a partida quando seu time está ameaçado.

A ideia de fechar o corpo é antiga. No passado, benziam-se as crianças contra mau olhado. A antropologia é rica em estudos sobre feitiço. O que há de comum com o governo é atribuir aos olhos dos outros problemas produzidos por si mesmo.

A ideia de se blindar tem um outro viés religioso que se expressa nos versos de Jorge Benjor: Jorge, sentou praça na cavalaria/eu estou feliz porque também sou da sua companhia/eu estou vestido com as roupas e as armas de Jorge/ para que meus inimigos tenham pés e não me alcancem/… para que meus inimigos tenham olhos e não me vejam.

Assim chegamos ao momento em que a política não só vira história em quadrinho mas encarna também um desejo religioso de proteção, de fechar o corpo: armas, lanças se quebrem, sem o meu corpo tocar.

Do velho sonho de aproximar divergências na solução de problemas comuns, a política nos distancia. De havaianas na rua, ao vermos um ministro blindado, dentro de um carro blindado, não há como não reconhecer um fracasso da política que nos tornaria mais transparentes. Toneladas de metal nos separam e não há como entrar nessa pesada estrutura para beliscá-los e acordá-los para a realidade. Podem continuar dormindo e blindados por mais uma década.

O único problema é que o peso da blindagem dificulta seus movimentos e ameaça romper o assoalho. Sua saída é combinar superpoderes, ampliar o conceito de blindagem: tanto pode ser uma vestimenta de ferro, como pode ser a  palavra mágica que os faz desaparecer diante de repórteres.

Com a blindagem entramos no campo da magia e da religisão. A Dilma deixará de ser a mãe do PAC para ser simplesmente Mãe Dilma, que mantém ministros, combate mau olhado e traz a pessoa amada no prazo de dois dias.

 

APROVEITO PARA POSTAR UM VÍDEO COM MÚSICA PAR A OUVIR ENQUANTO LÊ:

Pensatas sensatas. Essa é uma. Do Gabeira. Sobre a China, nós, Kissinger, cresciemtno, política, foco, etc. e tal. ( principalmente sobre o etc. e tal)

SOBRE A CHINA ( por Fernando Gabeira)

A China, depois de uma análise da situação internacional, decidiu continuar crescendo e deixar para segundo plano o combate à inflação. Os dirigentes chineses viram que isto traz mais estabilidade, no momento dificil. Como disse no blog de ontem, acabo de concluir a leitura do livro de Kissinger,” Sobre a China”, impressionado como fazem analises de curto e longo prazo e, de certa forma, a popularizam.

O mais impressionante no livro, que é restrito às relações diplomáticas dos dois paises, é ver como posiçoes tão antagônicas encontraram um ponto de convergência para avançar. O relato mostra como havia disposição mutua de um entendimento e como delicados episódios diplomáticos foram sendo superados para que o interesse comum continuasse a ser negociado. O cimento dessa complexa relação são os objetivos claros de cada um.

Não vejo nada parecido no panorama nacional. Não foi criado um espaço de interesse comum que pudesse ser encaminhado, apesar das divergências. Esse espaço poderia ser conquistado na política externa. O Brasil saiu-se bem na Conferência de Durban e vai ser o anfitrião da Conferência Rio+20. Não existem diferenças substanciais entre a posição do governo e da oposição. Por que não dialogar nesse campo e realizar uma preparãção verdadeiramente nacional?

O ano de 2011 foi passado na discussão da queda de ministros. É muito pouco. Dois paises gigantescos souberam distinguir entre suas querelas e objetivos de longo prazo, criando um espaço para que esses últimos fossem preservados. Se avançarmos na política externa, isso pode ser estendido no futuro a algumas linhas  da economia. Não estou propondo nenhum tipo de trégua, ou esfriamento dos conflitos políticos. Mesmo sem neutralizá-los, é preciso sair do pântano onde só de definem as divergências e não e não se distinguem os pontos de convergência nacional.

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Não falei do vazamento antes porque ele já estava na garganta. ABSURDO. Mas leia o Gabeira, que entende do assunto.

O vazamento de óleo na Bacia de Campos quase passa batido na sua primeira semana. Imprensa, deputados e especialistas não se interessaram tanto pela mancha de 63 km2 no litoral fluminense.

O vazamento aconteceu no campo de Frade e, pela primeira vez, através da delegacia do Meio Ambiente da PF ficamos sabendo que a Chevron, empresa responsável pelo vazamento, talvez esteja escondendo dados importantes.

Leio que o secretário de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc vai sobrevoar a área amanhã. O governador Cabral. ainda nem tocou no assunto . Minc costumava ser mais rápido no gatilho.

O delegado da PF, Fábio Scliar, afirmou que, ao contrario do informado, o vazamento ainda não foi contido e que não viu uma frota de 17 navios trabalhando para conter a mancha, mas apenas um.

Pode ser que o vazamento seja mais grave, como suspeita o delegado. O que impressiona é como o Brasil é blasé. Em outros países, pelo menos as imagens seriam mostradas na televisão.

Aqui só  se lê a nota da Chevron. O Rio deveria se mexer mais porque está lutando pelos royalties do petróleo. Precisa mostrar que cuida do seu litoral e está atento. E o Brasil sinalizar com seriedade para quem vem explorar o pré-sal.

Ontem, a bancada do Rio no Congresso foi informada o vazamento.Uma comissão externa de deputados fluminenses, sem custos para o Congresso, deve ser formada.

Ouvi um locutor dizer, com alívio,  que houve o vazamento mas que a mancha estava se afastando do litoral brasileiro. Talvez tenha sido essa a causa do desinteresse- o rumo dos ventos.

Como se o mar territorial fosse um universo fechado e fora dele nada nos preocupe.

O Globo de hoje publica uma página inteira com as declarações do delegado e informa que a proprietária da plataforma da Chevron é a Transocean que esteve no centro do desastre da BP, no Golfo do México.

A esta altura, tanto a Chevron como a Transocean devem estar pensando como é mais fácil administrar um desastre num pais em que ninguém vai inspecionar o lugar imediatamente, que não divulga as imagens do poço, não rastreia o curso da mancha, nem examina como foi dada a licença ambiental . Ainda por cima é um país tropical, abençoado por Deus.

Toda essa celebração em torno do pré-sal só faz nos preocupar com o futuro do oceano brasileiro pois na faixa em que o óleo será explorado, circula a maioria das espécie em extinção em nossos mares

Leia isso, do Gabeira, sobre a ponte sobre o Rio Negro. Talvez você não saiba o preço que pagamos pela ponte lá longe e tão perto de nós em seus custos

Post de Fernando Gabeira no blog do Estadão

Corrupção

– Uma ponte para a imaginação –

FERNANDO GABEIRA

Custou um bilhão e noventa milhões de reais. Maior ponte fluvial do Brasil, a ponte do Rio Negro tem 3596 metros.
Levou três anos e meio para ser concluida e hoje é uma estrela no twitter:#Ponte do Bilhão.
Algumas lacunas no planejamento, obrigaram importar equipes estrangeiras para solucionar os problemas da obra.
Grande parte deles, problemas ambientais: acidez da água, fluxo do rio, coisas que um bom relatório de impacto ambiental deveria ter indicado antes da licença de construção.
A ponte vai integrar a região metropolitana de Manaus, composta de oito cidades, e com dois milhões de habitantes.
Está sendo considerado, ao lado do Teatro de Manaus, um dos grandes monumentos da cidade.

A ponte sobre o Rio Negro.
Todas as vantagens do projeto devem ser ressaltadas hoje, no discurso de inauguração.
No entanto, o preço incendeia a imaginação num momento em que se discute tanto os gastos do governo e os desvios de verbas públicas.
O empreendimento envolve o BNDES e o governo da Amazônia. O jornal a Crítica fez um levantamento dos gastos do governo no semestre, indicando que pagou R$105 milhões só à Camargo Correia.

Num semestre o governador Omar Aziz já gastou R358,4 milhões com a ponte e empenhou R$908 milhões. Para os recursos do estado e os ganhos econômicos imediatos, é uma obra faraônica.
Segunda maior ponte da América Latina, é maior sobre o Orenoco, na Venezuela, a Manaus-Iranduba já atrai a atenção da imprensa internacional, em busca das mega obras.
A China acaba de concluir uma delas, a maior ponte sobre o mar no mundo:42 quilômetros. O custo do quilômetro foi de R85 milhões contra R$360 milhões da ponte brasileira.
A ponte brasileira não é a maior, mas desponta como a mais cara do mundo. O Tribunal de Contas do Amazonas está examinando os gastos. Mas o dinheiro já foi gasto.
O custo da manutenção da ponte está orçado em R$1 milhão por mês. Mais um encargo que os opositores da obra consideram pesado para os contribuintes do Amazonas. Será, no entanto, uma eterna vitrine para os políticos que determinaram sua construção.

Quer ler uma análise deliciosa sobre o que acontece lá nas bandas do Ministério da Agricultura?

 É do blog de Fernando Gabeira, lá no Estadão. O endereço é: http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Quando surgiram as primeiras acusações contra Wagner Rossi, o governo afirmou que não eram graves.

Quando surgiram acusações que eram graves, o governo afirmou que não havia provas.

E quando surgem acusações que o próprio Ministro confirma, o governo insinua que só demitira Rossi  em caso de batom na cueca.

Se aparecer o batom  na cueca, o governo dirá que  é mancha  de ketchup.

As últimas acusações publicadas pelo Correio Brasiliense não se referem apenas a viagens num avião de uma empresa  que vende vacinas para o Ministério- http://bit.ly/n9Ykcx.

Elas falam também num sócio da empresa que teria uma secretaria no Ministério.

O governo vai, de sobressalto em sobressalto,  mantendo seu apoio a Rossi. As acusações contra ele são antigas. Lembro-me , na Câmara, de um deputado paulista que, volta e meia, subia à tribuna para desancar Rossi.

Seu nome é Fernando Chiarelli. Ficava muito emocionado e com isso passava a sensação de algo pessoal e localizado em Ribeirão Preto.

Rossi não era deputado naqueles anos, mas não me lembro de alguém discursando em sua defesa. Rossi é do PMDB, Chiarelli do PDT.

Jamais poderia prever que aquelas acusações de Chiarelli sobre o enriquecimento de Rossi pudessem ser revistas à luz de um problema nacional.

Rossi é uma cereja no bolo de casamento do PT e PMDB. Mas os noivos, com sua experiência, já devem ter percebido que ela pode ser devorada por uma CPI.

No mínimo, Rossi terá de voltar ao Congresso para se explicar. E dessa vez as explicações serão mais difíceis .

Se Rossi não cair dessa, é melhor marcar na agenda do Congresso “um dia da semana para ouvir o Rossi”.

Trabalho dobrado para ele: passará um dia se preparando para falar no Congresso e um dia respondendo às perguntas dos parlamentares.

Seu ministério trata da agricultura, um dos dínamos da economia brasileira, num mundo à beira de  uma  séria crise.

No Transportes, o recurso foi buscar o número 2 para assumir o ministério. Na Agircultura esse recurso não existe mais, pois o numero dois já saltou fora.

Bom motivo para buscar um grande nome do próprio setor e passar uma borracha no erro de ter escolhido Rossi.

Casamento complicado, esse.

Sobre Errolflyns e outros. Comentário do Gabeira vale. Pela seriedade, pelo humor, e porque mostra que estamos mal com essa turma aí, escandalosamente cinematográfica

Em busca das provas robustas

por Fernando Gabeira

    A presidente Dilma Rousseff, para variar, ficou irritada. O vice Michel Temer perguntou onde estavam as provas robustas.

As duas figuras que aparecem como noivo e noiva no bolo de aniversário da coligação PMDB- PT  estão unidas na censura à Policia Federal.

Acontece que a tanto a Policia Federal como a Procuradoria estão apresentando muitos dados, gravações telefônicas e, agora, depoimentos dos presos.

Apareceu até uma testemunha chamada Errolflyn de Souza Paixão. Os mais jovens podem ir ao Google e encontram lá o nome do ator norte-americano que inspirou os pais do Errolflyn brasileiro.

Num texto literário, esse nome seria um achado. Mas os estudiosos dos escândalos brasileiros sabem que, assim como fumaça e fogo, nomes estranhos e escândalos andam juntos no Brasil. Ele afirma que a deputada Fátima Pelaes sabia do esquema e ficou com parte do dinheiro da emenda de R$ 4 milhões.

O ideal seria que o governo ficasse calado até que o processo se desenrolasse. Ao se precipitar nas criticas à operação da PF, tentou mostrar para a base aliada que vai protegê-la.

Mas os fatos estão aí. O trabalho da PF está fundamentado neles. Dificilmente, as investigações, sobre esse e outros casos, será paralisada.

É o dilema que  tenho enfatizado. Não dá para evitar que a roubalheira venha à luz. Mas não dá também conter a base aliada que quer verbas das emendas parlamentares e suavidade na PF.

Se a greve dos aliados acabar com a liberação das verbas, aí então é que o trabalho da PF se fará mais necessário porque é das verbas que nascem as tramóias.

Só uma coisa preocupa. A PF tem enfatizado sua luta salarial. Isso significa que, com aumentos de salários, ela será mais complacente?.

Os tempos de vacas gordas permitiram a implantação de um poderoso esquema no Brasil. Seu objetivo não foi somente trocar o governo, mas também democratizar as benesses do poder, incluindo um amplo espectro de partidos, sindicatos, entidades de classe e ONGs.

É a tática da Arca de Noé que funciona bem no pais mas ameaça afundar nas crises. Quando menino, ouvia muito esta frase: ou todos se locupletam ou restaure-se a moralidade.

Em tempos da vagas gordas, chegou-se perto da estabilidade ideal do modelo. Quase todos que têm voz e organização foram cooptados. A própria PF, em alguns casos que envolviam o governo, pipocou.

Errol Flyn, o ator, em pose de detetive.

Não é só a crise econômica que ameaça a estabilidade do modelo. Ele também é ameaçado pela ganância e sensação de impunidade.

No imenso laranjal em que tranformaram o Brasil, Erroflyns da Paixão, Capitães Marvel da Silveira, Clarkgable dos Santos vão aparecer muitas vezes. Isto para ficar apenas na inspiração do cinema americano. Há todo um arsenal nativo à disposição dos plantadores.

( fonte: BLOG DO GABEIRA, NO ESTADÃO )

De Juiz de Fora, para o mundo. Gabeira, também de Juiz de Fora, conta um pouco das lembranças que tem de Itamar. Vale a pena.

ADEUS A ITAMAR FRANCO

por Fernando Gabeira, do blog no Estadão:

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Morreu Itamar Franco. Foi um grande político de Minas . Como Presidente da República cumpriu seu papel e levou o Brasil à segunda eleição direta para presidente com muita dignidade.

Eu conheci na nossa cidade, Juiz de Fora. Andávamos na rua Halfeld, onde se fazia o footing dominical. Itamar era um jovem engenheiro e, aos poucos, foi crescendo no cenário político.

Um dos lideres populares de Juiz de Fora era também dirigente sindical. Chamava-se Clodismith Riani e foi preso pelo governo militar.

Com a saída de Riani, Itamar ocupou o espaço de uma liderança de oposição. Riani era do PTB e creio que foi com esse sigla que Itamar ganhou a primeira eleição para prefeito.

Tive a oportunidade de reencontrá-lo às vésperas da queda de Collor. Ele se hospedou no Sheraton, no Rio, e não falava com jornalistas. Fui recebido com a ressalva de que não daria entrevista.

Parecia um pouco perplexo. Eu dizia que ele seria o próximo presidente, que Collor não aguentaria mais um mês. Parte de sua discreção era característica do cargo de vice.Além disso ,vinha da política mineira e era um pouco tímido .

Sua performance como senador sempre foi muito boa, sobretudo comandando a comissão que discutiu a energia nuclear no Brasil.

Voltei a encontrá-lo na convenção do PPS, quando já era candidato a senador por Minas. Foi sua última vitória eleitoral.

Itamar foi um homem de bem, cercado de pessoas corretas e fieis, alguns conhecidos desde minha juventude, como Ruth Hargreaves e seu primo Henrique, que se tornou Chefe da Casa Civil.

Na sua presidência, com Fernando Henrique na direção da economia, foi criado o Plano Real que estabilizou o pais, preparando-o para os grandes avanços das duas últimas décadas.

Uma grande perda, sobretudo para um Senado decadente e submisso como o de hoje. Às vezes, o critiquei quando exercia a presidência. Depois de tudo que aconteceu nos últimos anos,reconheço que seus erros foram secundários e o Brasil ainda precisava muito de gente como ele