ALÔ, ONGs! Estão querendo assassinar os passarinhos sem destino. Quem?O IBAMA! Mais um drama. Leia o Gabeira, sobre esse tema.

ASSUNTO: Ibama não sabe o que fazer com pássaros vindos da Venezuela, apreendidos em ação contra contrabando, em Manaus. São 270 aves.

Uma solução radical do IBAMA

por Fernando Gabeira – Blog no Estadão:http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

24.junho.2011 /

  • Preocupante a história dos 270 pássaros apreendidos pela PF no aeroporto de Manaus.Eram um contrabando vindo da Venezuela. Os pássaros, 80 por cento canário da terra, e alguns pintassilgos e rouxinóis, vieram em gaiolas escondidas na bagagem.

O procedimento normal é devolvê-los para a Venezuela. Como o IBAMA não tem verba para isto, está pensando em sacrificá-los.

Canários existem em muitos pontos do Brasil, como na Serra da Canastra.(foto FG)

Seria um equívoco. De fato, a lei proíbe que sejam soltos no Brasil. Podem ter alguma doença e contaminar a fauna brasileira, precipitando o processo de extinção de algumas aves.

Mas será que não existe uma forma de examinar esses pássaros? É um desafio para os veterinários.Além disso, pode-se consultar a Venezuela sobre a presença de alguma doença entre os pássaros de lá. Já houve algo que justificasse uma precaução maior?

Sacrificar os pássaros é uma saída muito dramática que revela não só nossa falta de recursos materiais como também de recursos intelectuais para superar um problema que não é dos mais complicados.

A suspeita de doença é também analisada num período de quarentena. Se o IBAMA não tem dinheiro nem esse período, as inúmeras organizações que trabalham com animais poderiam conseguir esse dinheiro, desde que administrado com transparência.

STF DECIDE: PODE MARCHAR, SIM. LEIA POST DO GABEIRA SOBRE ISSO TUDO, E MUITO MAIS

Maconha, uma decisão previsível

por Fernando Gabeira(16.junho.2011 09:22:54)

  • A decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a realização da manifestações pela legalização da maconha não me surpreendeu. O fato de ter sido unânime acentua a facilidade da previsão.

Todas as leis devem ser cumpridas. Mas nenhuma delas vem com uma blindagem contra a discussão.Por meios legais, é possível discordar de uma lei e modificá-la.

Num artigo que escrevi para o Estado de São Paulo, na véspera da marcha da maconha, defendia a tese de que isso era um problema relativamente simples para a democracia brasileira.
Bastava, disse nas últimas linhas, combinar com a polícia, isto é acertar itinerário e hora para não prejudicar o complexo trânsito metropolitano.

A tese da liberdade de expressão deve ser estendida nas manifestações às pessoas que exaltam a maconha? Talvez, a partir de agora, isso não seja fator de punição.

A liberdade, se assim for interpretada, traz alguns perigos políticos. É inteligente exaltar a maconha numa demonstração pela legalidade do consumo? Se isso se torna o tom dominante numa manifestação, milhares de pessoas que não fumam, não gostam, mas ainda assim são pela legalização ficarão marginalizadas. Podem achar que o tema é de exclusividade dos usuários e, por suas razões, não querem ser confundidas.

As pessoas que vêem na legalização uma possível saída para um complexo problema social querem mais do que tiveram até agora. Querem saber como seria o processo, quais os modelos internacionais que foram estudados e até que ponto podem ser aplicados aqui. Isto é: que condições são necessárias reunir para dar um passo novo na política de drogas?

O Supremo rejeitou o cultivo doméstico. Também não é permitido no Brasil, como é na Califórnia e alguns outros estados americanos, o uso para fins medicinais.

Quando escrevi o artigo para o Estadão, tudo parecia tão simples que não imaginava uma sessão do Supremo para avaliar o tema. Mas como o Parlamento evita os temas perigosos, atualmente todas as expectativas se concentram no outro lado da Praça dos Três Poderes

DO BLOG DO GABEIRA, NO ESTADÃO: http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

BOMBEIROS – RJ. Post do site do Gabeira, que acompanha desde sempre o movimento. Informe-se de como vai a coisa. E não vai bem.

Bombeiros têm primeira vitória, mas ainda falta o salário

por Fernando Gabeira -09.junho.2011 

    A decisão do governador Sérgio Cabral de criar uma Secretaria de Defesa Civil é a primeira vitória dos bombeiros e todos aqueles que se preocupam com uma resposta aos desastres naturais.

Como se sabe, para escapar da pressão dos médicos no serviço público, o governador Cabral utilizou um grande numero de oficiais do Corpo de Bombeiros na Saúde, pois militarizando o trabalho conseguia mais disciplina.
Saúde e defesa civil se fundiram, com prejuízo da segunda que cresce de importância num mundo atingido por desastres naturais e ameaça de aquecimento .
Mas a adesão a uma tese de autonomia e singularidade da defesa civil defendida pela oposição, na campanha eleitoral, não resolve o problema, pois o aumento prometido de 5,58% não atende às reinvidicações dos bombeiros, unidos agora aos soldados da PM e aos funcionários da Policia Civil.

Querem um piso de R$2.900 para todas as categorias. É uma concessão dentro da própria ideia da PEC-300. No texto aprovado em 2010, o piso salarial era de R$3,5 mil para soldados e R$7 mil para oficiais.
Não posso deixar de me alegrar com a separação entre saúda e defesa civil, ambas importantes e autônomas. Mas temo pelo êxito nas negociações salariais. Vai ser preciso lugar muito.

O governador Cabral foi muito arrogante com os bombeiros. Ele já tem uma tendência à arrogância e apoiado por Lula e pela Globo sente-se o dono do mundo .
De fato, são dois aliados importantes tanto no campo da política como no das comunicações. No entanto, a arrogância pode solapar até os mais poderosos.

Os gregos diziam que a punição que os deuses reservam para a soberba é a cegueira.Pode também ser entendido de forma simbólica porque a soberba é em si uma forma de cegueira.

Foi dado um passo, mas no domingo a população vai mostrar ao governador Cabral como leva a sério a remuneração de bombeiros e policiais. Gostaria de ver bombeiros e policiais triunfando ali onde mais sentem o desprezo do governo: o salário com que se compra o pão de cada dia.

PS: A manutenção dos 439 bombeiros é tão insensata aos olhos da população que Cabral acabará cedendo nesse ponto. Ele tem seus marqueteiros,tipo de gente com utilidade para político que não anda na rua.

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Quer saber do Peru? Dá uma olhada nesses links da TV Estadão. Gabeira está cobrindo esta estranha eleição…entre a cruz e a caldeirinha, Humalla X K. Fujimori

>>>>http://tv.estadao.com.br/videos,FERNANDO-GABEIRA-VAI-ACOMPANHAR-AS-ELEICOES-PERUANAS,139626,259,0.htm

http://tv.estadao.com.br/app/estadao/tvestadao/player/player.swf

FRASE DO DIA, para ser percebida por gente que já está até chamando Guimarães Rosa para defender erros em livro. E que ainda não estão “contando Paloccis”

…”Sem contar que, alem do exército mobilizado, a soldo, para defender suas idéias, há também alguns batalhões românticos que vêem  em tudo isso uma luta da esquerda contra a direita, dos pobres contra os ricos, do progresso contra o atraso”.

( DA COLUNA DE FERNANDO GABEIRA NO BLOG DO ESTADÃO, SOBRE O CASO PALOCCI)

Uma análise da votação do Código Florestal, de quem entende do riscado: Fernando Gabeira

A novela do Código Florestal

por Fernando Gabeira – DE HOJE, do blog no ESTADÃO

Código ou incêndio florestal? A votação do texto esta semana tornou-se muito áspera, considerando a complexidade do tema.
Muita gente, vendo de longe, imagina que as dificuldades estão apenas num embate entre ambientalistas e ruralistas.
O governo perdeu o controle de sua base e foi obrigado a adiar a votação. Portanto, o problema existe também entre governo e base aliada.
Mas o que me parece mais interessante, não foi levantado com destaque. Um dos países com mais recursos naturais no mundo, o Brasil é muito complexo para ser resolvido pela burocracia política em Brasília.
Se tivessemos feito um zoneamento ecológico e econômico do país, não precisávamos ficar discutindo se as terras teriam de ter 80 ou por cento de reserva legal. Cada área, de acordo com o estudo específico de suas condições, teria o espaço exato para sua proteção.

Da mesma maneira, no caso dos rios, é difícil determinar uma regra para todo o Brasil. Criamos, através de três leis, uma legislação moderna para os recursos hídricos. Ela prevê a criação de Comitês de Bacia, um instrumento democrático de gestão, que poderia determinar a situação das margens do rio sob seu controle.

Visão da Mata Atlântica, em Itatiaia, RJ.(foto FG)

 Não posso dizer que o caminho de votação do Código no Congresso esteja errado. Ele precisa ser definido lá. Mas o quadro legal em que se faz a escolha é abstrato, impreciso. O ecologista saca um número mais alto, o ruralista um número mais baixo. E fica parecendo que esse é o melhor debate.

A novela vai continuar e o provável resultado será a insatisfação das partes. Elas precisavam incorporar procedimentos científicos em suas decisões. Se duvidam dos cientistas, que, às vezes, também discordam entre si, poderiam pelo estabelecer um padrão: quando houver consenso científico, estaremos juntos, quando não houver, resolvemos a questão na luta política.

Caçada ao Osama: achei esse relato geral um dos mais interessantes. É do Blog do Gabeira, no Estadão

 

elas procuram o corpinho no mar...

Nos bastidores da caçada a Bin Laden

por Fernando Gabeira

Uma grande equipe do New York Times, liderada por três repórteres, Mark Mazetti, Helene Cooper e Peter Baker, conta hoje a história dos bastidores da ação que matou Bin Laden.

Algumas das minhas dúvidas foram esclarecidas. O microblogueiro paquistanês que contou a história menciona a explosão de um helicóptero e eu não conseguia processar esse dado. As autoridades americanas afirmavam que não houve nem mortos nem feridos entre os mariners que invadiram a casa. Aquela explosão foi provocada pelos próprios norte-americanos porque o helicóptero enguiçou na hora da partida. O raciocínio imediato foi este: é melhor destrui-lo do que deixá-lo para trás.

A longa história da captura de Bin Laden, realmente, começa na prisão de Guantánamo, onde vários detentos mencionaram a existência de um emissário de confiança de Bin Laden. Ouvidos, os lideres mais importantes na prisão disseram que desconheciam o nome . Essa recusa contribuiu para os americanos achassem que estavam numa pista correta.

A CIA começou a interceptar telefonemas e e-mails da família do emissário. Há dois anos, no Paquistão, um funcionário nativo da agência anotou a placa de um Suzuki branco e através dessa pesquisa, as investigações chegaram à casa de Abbuttabad.

Como todas as investigações de longo prazo, houve momentos mais intensos e outros mais frios. As fotos de satélite, uma vez localizada a casa, serviram para determinar o estilo de vida dos ocupantes. Não tinham internet nem telefone, queimavam o próprio lixo.

A primeira dúvida era sobre realizar ou não a captura. Não foi uma decisão linear. Pesava ainda a experiência fracassada na Somália, em 1993, quando dois helicópteros Black Hawks foram derrubados. E também, até meados de abril, a CIA tinha um dos seus quadros preso no Paquistão. Seu nome é Raymond A. Davis e estava detido por abrir fogo contra dois paquistaneses, numa rua movimentada de Lahore. Havia a possibilidade de uma retaliação contra Davis, na prisão. Ele foi libertado em 16 de abril.

Uma vez tomada a decisão de atacar, restavam grandes dúvidas sobre as características da operação. Um dos arquitetos da operação pensou em bombardear o edifício. Fizeram as contas e viram que precisariam de 32 bombas, corriam o risco de abrir uma grande cratera no lugar e jamais encontrar o corpo de Bin Laden.

Havia também a possibilidade de fazer uma blitz junto com as forças paquistanesas. Mas teriam de avisá-los com antecedência, aumentando o risco que a operação vazasse e Bin Laden conseguisse escapar. Isto não significa que o Paquistão não tenha colaborado. No momento exato, apenas os americanos sabiam da operação.

Obama fez várias reuniões secretas e pediu algum tempo para decidir. Finalmente, deu a ordem para o assalto, preferindo-o ao bombardeio. Montou uma sala de situação e mudou a rotina da Casa Branca para que visitantes não percebessem que alguma coisa se passava.

O assalto foi programado para o sábado mas a noite estava nublada. Optou-se pela noite de domingo e os quatro helicópteros partiram de Jalalabad, no lado do Afeganistão, perto da fronteira. No mapa que encontrei no Google, mencionei o aeroporto de Abbuttabad como uma possibilidade de recuo. Mas foi um erro. Dentro do espírito de não comunicar aos paquistaneses, o aeroporto era inútil. Na verdade, o grande problema dos helicópteros era serem confundido pelos paquistaneses e bombardeados como se fossem parte de força inimiga.

Soldados paquistaneses montam guarda na casa de Bin Laden.(AP)

Na sala de situação, com grande estoque da batata frita e soda, Obama e seus assessores acompanharam a operação, desde o momento em que os helicópteros decolaram em Jalalabad. Segundo os assessores, cada minuto parecia um ano. Até que a frase Gerônimo morto em ação foi transmitida. Era o fim da operação, com sucesso total.

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/