TOGNOLLI, DO BRASIL 247, CONTA TUDO DO PROCESSO CONTRA O RAFINHA BOLSONARO BASTINHOS, QUE VAI REBOLAR NA MÃO DE UM DOS MELHORES ADVOGADOS DO PAÍS. VEJA SÓ.

Wanessa, Buaiz e o bebê: R$ 100 mil de Rafinha

Wanessa, Buaiz e o bebê: R$ 100 mil de Rafinha Foto: Divulgação

EXCLUSIVO: Numa petição que acaba de sair do forno, o casal precificou em cem mil reais a honra atingida pelo humorista; é a primeira vez que um bebê ainda no ventre pede indenização por danos morais; ações criminais estão sendo preparadas. Matéria de Claudio Julio Tognolli

13 de Outubro de 2011 às 17:07

Claudio Julio Tognolli_247 – É com uma frase do filósofo grego Aristóteles que o casal Wanessa Camargo e Marcos Buaiz inicia a querela judicial contra o humorista Rafinha Bastos. “As pessoas que tendem para o excesso na arte de gracejar são considerados bufões vulgares, esforçando-se para provocar o riso a qualquer preço”, ensinava o mestre grego. Citando Aristóteles, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira, um dos mais tradicionais de São Paulo, pede uma indenização de R$ 100 mil por danos morais causados pelo humorista ao casal e ao próprio bebê, ainda no ventre de Wanessa – “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”, lembra o advogado.

Pela primeira vez na história do Direito brasileiro, um bebê, ainda no ventre materno, entra com uma ação de indenização por danos morais. “Consorciado aos pais, os autores MARCUS e WANESSA, também o nascituro por eles gerado adere ao polo ativo dessa impetração ressarcitória”.

Para quem não se lembra, a “piada” de Rafinha Bastos atingiu os pais e também o feto. “Comeria ela e o bebê”, disse Rafinha, no CQC, programa do qual já se demitiu.

Fornicação

Na petição, Manuel Alceu recorre a expressões de efeito para desqualificar o humorista. Cita a sua “cafajestice chinfrim” e fala que ele parlapateou sua vontade de com ela (Wanessa) fornicar, chegando ao inimaginável cúmulo de nessa cópula abranger ao bebê. O advogado lembra ainda que, após o episódio, na sua conduta posterior, o humorista não demonstrou qualquer sinal de arrependimento em relação ao que disse.

Além dos R$ 100 mil, o casal Marcos Buaiz, Wanessa Camargo e seu bebê reivindicam ainda que Rafinha pague até as custas do advogado da família – ou seja, do próprio Manuel Alceu.

Esta petição, à qual o leitor do 247 tem acesso em primeira mão, tem a data de hoje.

Nos próximos dias, sairão do forno as ações criminais.

 fonte: brasil 247 — http://www.brasil247.com.br/pt/247/midiatech/18674/Wanessa-Buaiz-e-o-bebê-R$-100-mil-de-Rafinha.htm

Grampos ilegais grampeiam no Brasil

Claudio Tognolli: Ainda por cima roqueiro dos bons!

é do Brasil 247 essa matéria do grande Claudio Tognolli, entre os maiores repórteres do país. Esse vai à luta e mostra a cara.

Grampos ilegais têm sido comuns no Brasil

Escândalos recentes, como o da compra de votos da reeleição e o das fitas do BNDES, que atingiram Luiz Carlos Mendonça de Barros e Ricardo Sérgio de Oliveira, partiram de grampos não referendados pela Justiça

19 de Julho de 2011 às 12:57

Por Claudio Julio Tognolli_247 – Um dos axiomas básicos da bioética bem que pode servir de esteio para o jeito com o qual o jornalismo brasileiro tem lidado com os grampos ilegais. Na medicina, costuma-se dizer que o médico faz uso da “ética conseqüencial”: vai fazer tudo o que for possível desde que a conseqüência última seja salvar o paciente. O jornalismo dito sério, e digamos com alguma ductibilidade ética, costuma vindicar que de tudo fará desde que o assunto seja de interesse público.

Não estamos irremissivelmente a salvo do uso de grampos tidos e havidos como ilegais. Mas, sem ter feito uso dos axiomas da bioética, o jornalismo brazuca sempre defendeu o uso de escutas ilegais quando elas serviam para a oxigenação da democracia. O leitor pode ver com desconfiança a vasta defesa que nosso jornalismo fez dos grampos ilegais. E pode achar que o jornalista que os defendeu tem algo parecido com Veiga Filho, o editor e personagem do escritor Lima Barreto, que escrevia e publicava no jornal, ele mesmo, as críticas sobre as suas poesias.

Causará arrepio a um jurista o que se segue: mas a publicação de dois grampos ilegais fez muito bem, obrigado, à democracia brasileira. Vejamos dois casos: a compra de votos para a emenda da reeleição do ex-presidente FHC e o caso dos grampos no BNDES. Os autores, respectivamente, Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo, e Guilherme Barros, ora no Portal IG, foram fulminados, “faute de mieux” pelos patrulheiros da ética. Alegava-se que a Constituição do Brasil estava sendo rasgada quando a imprensa resolvia publicar fitas em que o repórter não participava da conversa. Mas o fato é que sem o trabalho de Rodrigues e Barros o Brasil teria sido um país pior.

A Folha de S. Paulo chegou a publicar “n” editoriais defendendo o uso do grampo ilegal. E, a 14 de maio de 97, a Folha de S. Paulo publicou a seguinte petição de princípios. “A Folha recebeu anteontem à noite novas gravações a respeito da venda de votos a favor da emenda da reeleição. Mais detalhadas, essas conversas envolvem agora integrantes do governo federal. Além do deputado Ronivon Santiago (PFL-AC), outro parlamentar conta a mesma história da venda de voto. É o deputado João Maia (PFL-AC).

A pessoa que realizou as gravações, identificado apenas como ”Senhor X”, forneceu à Folha todos os detalhes sobre as fitas. A reportagem sabe quando, como e em quais circunstâncias as fitas foram gravadas. Essas informações não serão divulgadas para preservar a identidade da pessoa. Como na reportagem de ontem, os trechos apresentados hoje também fazem parte de gravações realizadas ao longo de vários meses, em diversas oportunidades.

Essas conversas ocorreram todas depois da votação do primeiro turno da emenda da reeleição na Câmara dos Deputados, em 28 de janeiro passado. A seguir, a Folha selecionou os trechos mais relevantes das novas gravações, precedidos de uma breve explicação”.

Os grampos do BNDES que derrubaram, em 1998, o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e parte da cúpula do banco, por ocasião da privatização do sistema Telebrás. Foi graças a Guilherme Barros que o Brasil soube que “Mendonção” articulava para botar na telefonia brasileira a Telecom Italia –que, agora, é investigada por ter injetado 120 milhões de euros em serviços de espionagem, inclusive no Brasil, para fulminar seus concorrentes.

Hoje Rupert Murdoch está sendo julgado. O escândalo dos grampos a envolvê-lo se tornou conhecido pelo mundo a partir do caso de Milly Dowler, uma garota inglesa de 13 anos que desapareceu em 2002 e teve suas ligações grampeadas pelo News of the World. Depois, Milly foi encontrada morta e o caso das escutas de suas ligações levou à demissão de Rebekah Brooks, que trabalhava como chefe de reportagem do News of the World na época.

Temos uma diferencinha fundamental do modelo brazuca: Murdoch empregava policiais, pagava pelas fitas –e os assuntos que bisbilhotava não tinham interesse público.

Se me dessem uma fita de interesse público, ilegal, e pela qual na houvesse nenhuma transação financeira a envolver este repórter, eu publicaria, é óbvio. Aliás: foi neste pensamento que publiquei, na Folha de S. Paulo, no Notícias Populares, e mandei ao ar na rádio Jovem Pan, a fita que abriu a CPI da Nike. Nela o jogador Edmundo contava como a Nike escalava a seleção do Brasil. Ganhei a fita de presente. Era e voz do Edmundo. Tanto me bastou.

Sem a ética conseqüencial da medicina, nosso jornalismo iria mal. E o país, pior:

Conheça abaixo a história da minha fitinha:

http://veja.abril.com.br/190898/p_096.html

Palmério Dória escreve sobre o caso do filho que talvez não seja filho de FHC. Ele chama a mãe de “A última exilada”

ATENÇÃO:
Reproduzo aqui artigo do meu amigo Palmério Dória, escrito para o BRASIL 247.
Apenas trago para cá  porque – primeiro – tem informações que talvez você ainda não soubesse. Segundo, porque esse assunto vai dar pano para manga…Ah, vai! E palmério levantou a história em 2000.
Não acho o texto elegante, como sei que Palmério sabe fazer…Faltam nomes, e ele só dá os nomes de gente que brigou na vida ( e nã foram poucos). Acho que Palmério ainda nos deve uma boa matéria. Sem poupar os amigos.
( a história do filho que não é filho saiu assim, no fim de semana: veja aqui)

A última exilada

Não havia jornalista em Brasília que não soubesse do caso entre FHC e Miriam Dutra, enviada pelo Globo a Portugal

27 de Junho de 2011 às 17:26

Palmério Doria

Assim como existe carro-forte, existe armário-forte. O do Caso FHC-Miriam Dutra não abria nem com pé-de-cabra até abril de 2000, quando Caros Amigos veio com a primeira reportagem sobre o assunto. A revista entrega o jogo logo de cara. “Por que a imprensa esconde o filho de 8 anos de FHC com a jornalista da Globo” é o título que ocupa toda a capa. Não entra em tricas nem futricas, denuncia o silêncio dos grandes grupos de comunicação diante de “Um fato jornalístico”, como diz o título da reportagem.

Por isso, os jornalistas que assinamos a matéria de 6 páginas – eu, Sérgio de Souza, Mylton Severiano, Marina Amaral, José Arbex e João Rocha – deixamos de lado quase todos os detalhes que cercam o romance para ir fundo no essencial: por que, quando lhe interessa, a mídia publica que Fulano ou Cicrano teve caso fora do casamento; e naquele caso, passou uma década escondendo o caso FHC-Miriam Dutra. Então, em 2000, não era o caso de contar que…

… o caso de amor começa com a bênção de outro par constante, Alberico de Souza Cruz, o todo-poderoso diretor de jornalismo da Rede Globo, e Rita Camata, a bela deputada federal do PMDB, sensação do Congresso, mulher do senador capixaba Gerson Camata, que um dia seria candidata a vice de Serra nas eleições presidenciais de 2002.

… mais saborosa que a pauta da Constituinte, as andanças do quarteto na noite brasiliense eram o grande assunto nos círculos políticos e nas redações. Contudo, os diálogos e as situações vividas por eles não renderam um mísero gossip em coluna social alguma.

… o bafafá com status de rififi que se instalou no gabinete de Fernando Henrique, ouvido no corredor por jornalistas do naipe de Rubem Azevedo Lima, e presenciado por seus assessores, quando Miriam Dutra foi comunicar-lhe a gravidez, seria digno dos melhores bordéis do Mangue – “Rameira!”, xingava o senador aos berros. Tudo com direito a efeitos especiais, arrematados por um chute de bico de sapato de cromo alemão no circulador de ar.

… a operação cala-a-boca-da-Miriam foi organizada por uma força-tarefa: Alberico de Souza Cruz; o então deputado federal José Serra; e Sérgio Motta, que tinha coordenado a campanha de Fernando Henrique para o Senado, seu amigo mais íntimo.

.. o trio maravilha se desdobra. Providencia a mudança da futura mamãe para apartamento mais confortável na Asa Sul – ao botar o colchão no caminhão, um dos carregadores alisou-o e disse para os colegas: “Este é do senador” (ah, esse povo brasileiro); e, depois do nascimento da criança, na medida em que se projetava a candidatura de Fernando Henrique à presidência, tratam de mudar Miriam para outro país. No caso, Portugal, onde a Globo era parceira da SIC – Sociedade Independente de Comunicação, primeira estação portuguesa de televisão privada. Aí a repórter iniciaria a longa carreira de última exilada brasileira, que chega aos nossos dias.

… Ruth Cardoso, antropóloga, pouco ficava em Brasília. Tocava vida própria em São Paulo, o que facilitava o caso extraconjugal do marido.

… Fernando Henrique não contou para Ruth Cardoso o caso extraconjugal durante certa viagem a Nova York como se propala, mas numa casa isolada nos arredores de Brasília, onde o casal descansava nos fins de semana. Foi pouco antes dele assumir a candidatura. Não se sabe, claro, o que conversaram. O certo é que, por volta das oito da manhã, jornalistas que ali davam plantão, viram um Gol sair em disparada, com Fernando Henrique ao volante e a mulher ao lado. E foram atrás deles até o hospital Sarah Kubitschek, onde o casal desapareceu.

… a futura primeira-dama reapareceria com um braço na tipóia no saguão do hospital; ao ser abordada pelos repórteres, perdeu sua habitual presença de espírito e afastou-os, quase explodindo:

“Me deixem em paz!”

SEGREDOS DE POLICHINELO

Não havia, como não há hoje, jornalista em Brasília que não soubesse de tudo quanto se passa, às claras ou nos bastidores. Segredos de polichinelo. Veja fez uma reportagem, mandou repórter atrás de Miriam na Europa (não por coincidência, Mônica Bergamo, que viria a dar na Folha, em 2009, a notícia do reconhecimento do filho adulterino por Fernando Henrique, 18 anos depois). Mas, naquela época, a semanal nada publicou. Nós também fomos atrás dela na Espanha, onde Miriam passou a morar depois de Portugal – “Perguntem para a pessoa pública”, foi a única coisa que deixou escapar. Ao mesmo tempo, fomos atrás de uma história que envolveu toda a imprensa. E volta a envolver: a história de Tomás Dutra Schmidt. Que a maioria dos colegas, na sua anglofilia, transformou em Thomas. Está lá, no registro do cartório Marcelo Ribas, conforme cópia autenticada obtida por Marina Amaral, a quem bastou sair do hotel em Brasília, atravessar a pista e entrar no edifício Venâncio 2000, primeiro andar, onde a avó materna de Tomás foi declarante do nascimento, ocorrido a zero hora e quinze minutos de 26 de setembro de 1991.

Por que tanto segredo?, perguntamos a todos os jornalistas que ocupavam postos de comando nas publicações em que trabalhavam durante a campanha presidencial de 1994. Cada qual apresentou suas razões. Alguns simplesmente desqualificaram o fato. Outros apelaram para a uma ética jornalística válida apenas para FHC. Outros confessaram ainda que guardavam matéria “de gaveta” para a eventualidade de um concorrente sair na frente.

Tentando fazer Caros Amigos sustar a matéria, houve vários tipos de pressões, relatadas uma a uma na reportagem. Algumas sutis, outras ostensivas. Um amigo jornalista me acenou com emprego público na Petrobras, durante almoço na cantina Gigetto, quando julgavam que eu era o único autor do trabalho. Tinha sido enviado pelo lobista Fernando Lemos, cunhado de Miriam Dutra. O mesmo Lemos que mandou um dublê de jornalista e lobista à redação de Caros Amigos, dizendo estar intercedendo em nome da própria jornalista da Globo, o que ela negou de pés juntos lá em Barcelona. Um deputado federal do PT ligou-nos para dar “um toque”. Disse que o Planalto estava preocupado com “uma matéria escandalosa” que estaríamos fazendo. O afável colega Gilberto Mansur chamou Sérgio de Souza e seu sócio Wagner Nabuco de Araújo para jantar no Dinho’s Place da avenida Faria Lima. Começou suave, ponderando que a revista ia criar problemas para si própria, que aquele assunto era irrelevante, que, deixando aquilo pra lá, Caros Amigos passaria a ter o mesmo tratamento da grande imprensa em matéria de anúncios estatais. Vendo que Sérgio de Souza era irredutível, deixou claro que podíamos esquecer a publicidade oficial se publicássemos a matéria – o que já acontecia na prática.

ETERNAMENTE OTÁRIO

Na época, Gilberto Mansur, ex-diretor da revista masculina Status, um mineiro maneiro, era braço-direito do publicitário Agnelo Pacheco, que havia conquistado a confiança do secretário de Comunicação de FHC – e homem das verbas publicitárias, portanto. Falamos do embaixador Sérgio Amaral, porta-voz da Presidência, que o colunista de humor José Simão chamava de “porta-joia”, sempre com a pose de “nojo de nóis”. Juntos, Agnelo e Amaral “operavam” a Caixa Econômica Federal. Agnelo adorava dizer que era um dos depositantes do “Bolsa Pimpolho”, que financiava a vida de Miriam Dutra e seu filho no continente europeu.

O que não tem a menor relevância perto do Custo Brasil para alimentar a conspiração de silêncio em torno do romance. Existem hoje, no eixo Brasília-São Paulo, grupos de picaretas que ficaram ricos graças a esse adultério, bem como ao falso DNA agora brandido pela família Cardoso, a fim de evitar mais um herdeiro a dividir l’argent que FHC vai deixar. Absolutamente contra sua vontade, FHC cai de novo na boca do povo. Mesmo nas edições online dos grupos de comunicação que tanto faturaram para esconder o romance, seus leitores vêm com pérolas, tais como este comentário sobre a notícia da Folha do teste de DNA negativo, repercutindo nota da coluna Radar, de Veja – autora do furo:

A GLOBO DEU GOLPE DA BARRIGA EM FHC

O Brasil pagou caro essa pensão. FHC, quando era ministro da Fazenda, isentou de CPMF todos os meios de comunicação. Em 2OOO houve o Proer da mídia, que custou entre US$ 3 e US$ 6 bilhões aos cofres públicos. Ele também mudou a Constituição para permitir que a mídia brasileira, então falida, pudesse contar com 30% de capital estrangeiro. E autorizou que o BNDES fizesse um empréstimo milionário à Globo.

Ricardo J. Fontes

DNA falso você pode conseguir com qualquer R$ 10 milhões em qualquer esquina de São Paulo ou Washington, onde Tomás estuda. Mas, se FHC de fato não for o pai, o Brasil merece conhecer o pai verdadeiro, o homem que tomou dinheiro dos Marinhos e de FHC durante 20 anos e carimbou de vez o ex-presidente como, além de entreguista, zé-mané, trouxa, pangaré, terceirizado. Enfim, otário.

Artigo – Gabriel Mallet Meissner fala umas verdades sobre a violência. Na USP e fora dela.

O assassinato da USP é maior do que a USP

A universidade é insegura porque São Paulo é insegura. E a cidade é insegura porque o Brasil é inseguro

Gabriel Meissner, para o BRASIL 247

O assassinato do estudante Felipe Ramos de Paiva, 24, na última quarta-feira no estacionamento da FEA-USP, está suscitando uma nova discussão sobre segurança pública. É pressuposto que, ainda mais do que nas ruas, dentro do ambiente universitário pudéssemos nos sentir seguros para ir e vir. Não é o que acontece e disso já se sabe há muito tempo. O crime desta semana não é o primeiro a acontecer na USP e nem será o último. Assaltos, estupros, roubos de automóveis… tudo isso já aconteceu na Cidade Universitária e ocupa as manchetes nos jornais há anos.

Agora o caso em que alguém é morto, obviamente, causa ainda mais repercussão e reações de todas as partes. É neste momento que ficamos indignados e que nosso sangue ferve, clamando por justiça. E que, com razão, passamos a exigir todo tipo de atitude das autoridades. Mas é neste momento também que precisamos nos esforçar a manter a cabeça fria e pensar exatamente no que devemos exigir delas e de que segurança pública precisamos. Digo isso porque esta discussão já está correndo o risco de ser mal encaminhada.

Explico-me. Tal como aconteceu no massacre de Realengo, muitos cidadãos estão indignados com o fácil acesso que “qualquer um” tem acesso à Cidade Universitária. Aonde estão os seguranças que não barram na entrada os que não são estudantes, professores ou funcionários da USP? Como assim, qualquer pessoa pode entrar sem ser identificada? Vamos reforçar as fronteiras!

Não é por aí. Uma das maiores belezas de uma universidade pública – tal qual a USP e a Unicamp – é ser de fácil acesso a toda população. Que todos possam desfrutar do seu ambiente e de sua estrutura, como bibliotecas, museus etc. Transformar a Cidade Universitária em um condomínio como Alphaville pode ser uma solução – mas uma solução ruim. Ruim porque privaria a população do acesso de um centro de estudo e igualmente porque é uma pseudo-solução, nada além de um paliativo.

O problema da falta de segurança na USP não se origina, exclusivamente, dentro da própria USP – mas na sociedade como um todo. A USP é insegura porque a São Paulo é insegura. São Paulo é insegura porque o Brasil é inseguro. Por fim, o Brasil é inseguro por uma série de razões, como o péssimo monitoramento que o governo faz de nossas fronteiras.

Quando nos deparamos com crimes como o de Realengo e o da USP nos sentimos tentados a olhar para as soluções imediatistas, logo aquelas que não costumam ser boas soluções. Esta é uma oportunidade para pensarmos na segurança pública de um modo mais amplo. O raciocínio é simples: se as ruas forem seguras, as escolas e universidades também o serão. Este deve ser o foco. Termos tranqüilidade para ir e vir, sem a necessidade de muralhas nos separando do “perigo lá fora”. Sem precisarmos transformar a USP em uma Alphaville universitária. E, diga-se de passagem, em Alphaville também ocorrem assaltos, estupros e assassinatos…

Sim, a USP deve continuar aberta à sociedade e suas portarias não devem ser fronteiras pelas quais só passa quem tiver passaporte. Não é aí que está a origem do problema. O que não quer dizer que não devamos exigir mais segurança na Cidade Universitária. Que tem muitas falhas que facilitam a ocorrência de crimes, destacando-se vigilância insuficiente de seguranças desarmados e a péssima iluminação noturna. Mas se não aproveitarmos eventos como o triste assassinato de Felipe Ramos de Paiva para olhar a questão de maneira mais ampla, podemos desistir que o problema da segurança pública seja solucionado algum dia.

Particularmente, sonho com o dia em que Alphavilles não sejam mais necessárias e que não precisemos nos isolar do resto do mundo para nos sentirmos seguros…

  • Gabriel Mallet Meissner é editor do site Revista Entremundos.

http://entremundos.com.br/revista

www.twitter.com/gabrielgauche

gabriel@entremundos.com.br

Olha a campanha do Brasil 247: #chamaobolsonaropropau

VAI LÁ NO www.brasil247.com.br! Vai lá também. Mas pode gritar aqui, também.

O PIOR É QUE AINDA TEM GENTE DEFENDENDO A “LIVRE EXPRESSÃO” DO VERME ESTÚPIDO. COMO SE FOSSE ESSE O CASO.

#chamaobolsonaropropau

#chamaobolsonaropropau Foto: DIVULGAÇÃO

Hoje, o Brasil 247 lança uma campanha. Se você tem algo a dizer sobre o deputado mais intolerante do Brasil, escreva um artigo e chame o Bolsonaro pro pau. Nós publicaremos

Jair Bolsonaro (PP-RJ) é o deputado federal mais cretino do Brasil. Mas tem eleitores. Está no sexto mandato consecutivo e é pago, com seu dinheiro, para promover a intolerância e o racismo. Numa entrevista ao programa CQC, ele atacou negros e homossexuais. A Ordem dos Advogados do Brasil, seção Rio de Janeiro, ingressou com uma representação que pode levar à sua cassação por quebra de decoro parlamentar. Juristas argumentam que o processo não será simples, pois um parlamentar goza de imunidade para expressar sua opinião, por mais ofensiva que seja. Portanto, se você é contra o deputado Bolsonaro, chame ele pro pau. Escreva um artigo para contato@brasil247.com.br. Nós publicaremos. E divulgue no seu Twitter a hashtag #chamaobolsonaropropau. A campanha está sendo lançada hoje, 31 de março de 2011, 47 anos depois do golpe mililtar de 1964, que tem o deputado Bolsonaro como uma de suas últimas viúvas. Escreva, pelo fim do entulho autoritário.