ABRAJI DIVULGA LISTA DE RECOMENDAÇÕES PARA JORNALISTAS COBRIREM PROTESTOS ( E OUTRAS SITUAÇÕES PERIGOSAS)

 

JORNALSITA 3Recomendações de segurança para cobertura de protestos

A Abraji traduziu as orientações dadas pelo INSI (International News Safety Institute) para jornalistas que atuam na cobertura de protestos. O INSI tem sede na Inglaterra e reúne membros de grupos de comunicação e associações de jornalistas (entre as quais a Abraji) por todo o mundo. Há 10 anos, dedica-se a apoiar e oferecer treinamento em segurança para profissionais de imprensa.JORNALISTA 5

A lista a seguir é composta apenas de recomendações, que podem (e devem) ser adaptadas de acordo com as peculiaridades de cada veículo e jornalista. A adoção de uma ou outra medida é uma opção. É importante, ainda, que cada redação discuta normas de segurança antes de enviar as equipes para a rua.

 O conteúdo também está publicado em nosso site: http://www.abraji.org.br/?id=90&id_noticia=2518

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1. Antes de sair a campo

– Certifique-se de que sua credencial está válida e à mão.

– Pode ser útil alertar as autoridades de que sua organização de mídia planeja cobrir os protestos, se for apropriado e se isso não representar perigo para você. Ou tenha à mão o contato (preferencialmente, o celular) da pessoa responsável na empresa/veículo; quanto mais sênior, melhor (editor, chefe de reportagem etc.)

– Leve equipamento de proteção. Podem ser: capacetes (capacete de ciclista é uma opção acessível), máscaras com purificador de ar, respiradores de fuga e/ou coletes a prova de balas com placas de proteção extra. Escolha de acordo com as armas usadas pela polícia local para controlar a multidão. JORNAIST A6

– No caso de gás lacrimogênio, use uma máscara com purificador ou um respirador de fuga (se disponíveis) para proteger seus olhos e pulmões. Se você planeja levar esse equipamento, certifique-se de que você tem a versão/filtro apropriados para gases, não apenas para partículas.

– Se você não tem acesso a estes equipamentos, a melhor alternativa são máscaras com purificadores e respiradores de meia-face ou descartáveis, que são mais baratos.

– Se você não tem acesso a nenhuma das opções anteriores, use um pano seco sobre a boca para tentar proteger seus pulmões e saia de perto o quanto antes. Considere usar óculos de proteção. Mulheres: considerem não usar maquiagem, pois o gás adere a ela.

JONALISTA 2– Se você não tiver um pano seco ao alcance, puxe sua blusa para cobrir o nariz e a boca e assim proteger o fluxo de ar. O ar no lado de fora da blusa provavelmente estará contaminado pelo gás.

– Procure não usar lentes de contato, já que o gás lacrimogênio entra por baixo delas. 

– Use calçados confortáveis, com os quais você possa correr.

– Use tecidos naturais, pois são menos inflamáveis que os sintéticos.

– Prepare uma mochila com suprimentos suficientes para um dia: capa de chuva leve, alimentos leves e água, baterias de reserva para equipamentos eletrônicos, equipamento de proteção.graphics-journalist-335913

– Leve um kit de primeiros-socorros e esteja apto a usá-lo.

– Carregue uma cópia de sua credencial ou identificação de profissional da imprensa e os números de telefone de seu editor e de seu advogado (ou do advogado da empresa). Certifique-se de que seu editor saberá quem (família, amigos) e como contatar no caso de você ser preso ou ferido.

– Configure um número de emergência para discagem rápida em seu celular.

– Se possível, estude o mapa da área antes de ir a campo. Considere filmar o local previamente a partir de lugares altos.

– Combine um ponto de encontro com sua equipe, caso vocês se percam, e um lugar seguro para onde ir caso a situação fique muito perigosa.

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2. Em campo

– Tente não ir sozinho. Se puder, leve alguém para vigiar a retaguarda enquanto você fotografa.

– Assim que chegar, procure por rotas de fuga e certifique-se de que saberá para onde ir se perder a orientação.

– Tente permanecer às margens da multidão e não fique entre policiais e manifestantes.

– Multidões têm vida própria. Esteja sempre atento ao humor e à atitude geral.

– Avise seus editores se o humor começar a mudar e comece a pensar em um plano.

– Se planejar mudar de direção, verifique a situação de lá com pessoas que estejam vindo de onde você pretende ir. 

– Equipes de TV devem carregar o mínimo de equipamentos possível. Ao identificar possibilidade de agressão, certifique-se de que sua mochila é grande o suficiente para colocar o tripé e guarde-o. Esteja preparado para deixá-lo para trás se precisar fugir.0006

 

3. Quando os ânimos se exaltam

– Evite cavalos. Eles mordem e, obviamente, dão coices.

– Evite ficar na linha de tiro de canhões de água, pois podem danificar seu equipamento. E muitas vezes têm corantes, para que as forças de segurança identifiquem os manifestantes depois. 

– Fique contra o vento em situações de gás lacrimogênio e mantenha-se o mais abaixado que puder, para ficar abaixo da névoa do gás, que tende a subir. Assim que a área estiver limpa, ou você tiver mudado de lugar, procure ficar parado por um tempo com as pernas afastadas, os braços abertos e o rosto voltado para o vento até que os efeitos do gás passem. Isso permitirá que o vento sopre o gás das roupas e garante que você receba bastante ar fresco.

– Lave suas roupas o quanto antes puder, ou o gás ficará nelas por muitos meses.

– Se a polícia te prender, tente pedir para eles ligarem para sua chefia, se você tiver o número. Tente falar com um oficial superior, pois isto terá mais impacto.police

– Ligue para seu editor, cheque se a empresa disponibiliza serviço jurídico. 

– Evite situações de violência, se você puder, e afaste-se para filmar, se necessário

BRASIL É MUITO PERIGOSO PARA JORNALISTAS. MUITO. VEJA ESSA NOTA DA ABRAJI

CADÊ VOCÊS?Brasil volta a ser um dos 10 países mais perigosos para jornalistas 

O Brasil caiu uma posição no índice de Impunidade do Comitê de Proteção aos Jornalistas (CPJ) e entrou para o grupo dos dez países mais perigosos para jornalistas. O índice leva em consideração o número de casos de morte de jornalistas por conta da profissão que não foram solucionados entre 1º de janeiro de 2003 e 31 de dezembro de 2012. 

O país chegou a sair da lista da CPJ em 2010, mas voltou após o crescente número de assassinatos de jornalistas e blogueiros no interior do país sem registro de nenhuma nova condenação desde então.O país ocupa agora a 10ª posição no índice, uma piora em relação ao ano passado, quando ocupava a 11ª posição.

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