#ADEHOJE, SÓ UM MINUTO – NÃO, NÃO É NORMAL

#ADEHOJE, SÓ UM MINUTO – NÃO, NÃO É NORMAL

Só um minuto – Cidadania é inegociável, não é coisa de esquerda, direita. Hoje quero falar sobre umas coisas que me preocupam. A mim e a muitos brasileiros que tem alguma noção da realidade e dos perigos que certas medidas e fatos representam. Ontem, falei de censura – que é inadmissível, em qualquer caso. Não tem mas, nem meio mas… O Estado deve ser laico, manter longe os dogmas religiosos. Também não é exatamente normal, desculpem, o número de militares que estão sendo postos em lugares chaves do governo federal e em outros governos estaduais. São 13 em cargos do alto escalão. Hoje foi anunciado o nome do porta-voz do governo Bolsonaro, General de divisão Otávio Santana do Rêgo Barros. Ele chefiava o Centro de Comunicação Social do Exército e participou de Missão de Paz no Haiti.

DENÚNCIA: SP CIDADE ÀS TRAÇAS. SUJEIRA E CHURRASCO NA AVENIDA PAULISTA????PODE ISSO?

DENÚNCIA: SP CIDADE ÀS TRAÇAS. SUJEIRA E CHURRASCO NA AVENIDA PAULISTA????PODE ISSO?

 

 

FILMEI PORQUE É PRECISO DENUNCIAR E REGISTRAR. NOS DEFENDER. VEJA O VÍDEO, ONDE REGISTRO O DESCALABRO E A IDEIA E PROVA DE QUE ESTAMOS COMPLETAMENTE SEM LEI NA CIDADE DE SÃO PAULO.

DOMINGO, AVENIDA PAULISTA ABERTA PARA A POPULAÇÃO.

VER AQUELES MOLAMBOS HUMANOS – HIPPIES E TODA SORTE DE SERES ESTRANHOS – OCUPANDO O CHÃO, E QUE OCUPAM AS CALÇADAS EM FRENTE AO SHOPPING CENTER 3, NA ESQUINA DA AVENIDA PAULISTA COM RUA AUGUSTA, JÁ É RUIM DEMAIS. QUASE JÁ NÃO DÁ MAIS PARA PASSAR ALI E JÁ É UM ABSURDO.

MAS NESSE DOMINGO, O DESCALABRO FOI ASSISTIR – COMO SE ESTIVESSEM NA CASA DA MÃE JOANA! – ELES FAZENDO CHURRASCO, NUM PEDAÇO DE MADEIRA NO CHÃO, COM AS CARNES JOGADAS, FUMAÇA, CRIANÇAS JUNTO. PASSOU DOS LIMITES. O HORROR. FISCALIZAÇÃO SANITÁRIA! CADÊ VOCÊ?

POIS BEM. PERGUNTEI A DUAS – DUAS – EQUIPES DE FISCALIZAÇÃO. ERA COMO SE ELES FOSSEM CEGOS E NÃO ESTAVAM VENDO AQUILO. ESTAVAM ALI APENAS PAR A FAZER NÚMERO COM SEUS COLETES. PARA TIRAR OS COMERCIANTES QUE TENTAM VENDER ALGO QUE PRODUZEM, PARA ISSO SERVEM, ÀS CENTENAS, AGINDO ATÉ COM VIOLÊNCIA…MAS OS TAIS HIPPIES…

PERGUNTEI TAMBÉM AO PESSOAL DA GUARDA METROPOLITANA, QUE TAMBÉM ESTAVAM LÁ, MAIS DE DEZ, CONTE. O RESPONSÁVEL ME DISSE QUE “CLARO QUE ERA PROIBIDO FAZER AQUILO”, MAS QUE NÃO PODIAM AGIR, ACREDITEM, PORQUE A POPULAÇÃO PODERIA REAGIR.

AH, MAS GARANTO QUE SE A GENTE SE JUNTA PARA FAZER UM CHURRASQUINHO POR ALI, ÍAMOS TODOS PRESOS…

VEJAM A SUJEIRA. FUI FILMAR PARA QUE TODOS TENHAM NOÇÃO DO DESCALABRO E AÍ OS MOLAMBOS TENTARAM ME INTIMIDAR COMO PODEM NOTAR NO VÍDEO. OS POLICIAIS CONTINUARAM SEM SE MEXER. HOUVE FORTE POSSIBILIDADE DE EU SER AGREDIDA. EU, E VOCÊ, QUE PAGAMOS IMPOSTOS, A POLÍCIA, OS FISCAIS.

NÃO TEMOS A QUEM RECORRER! ALÔ PREFEITURA!!!!!ALÔ POLÍCIA! ALÔ FISCALIZAÇÃO! ALÔ IMPRENSA QUE COBRE CIDADES!!!!

 

Marli Gonçalves

 

ARTIGO – Nunca dantes estivemos assim tão…Por Marli Gonçalves

Desesperançados. Achei a palavra. Passei a semana pensando sobre isso, eu própria meio taciturna, estranha, apreensiva. Sem conseguir ver a tal luz que abre o caminho. Cansada de todo dia a mesma coisa, alguma surpresa ou revelação de como o poço é fundo. Estou falando do Brasil. Estou falando de todos nós, uns mais outros menos, não é mesmo? Mas todos nós.

É tão forte a sensação que saí por aí perguntando, conversando com quem encontrava, puxando assunto, colhendo impressões. Queria saber o estado de espírito dos outros, sem falar diretamente sobre o meu próprio.

Antes de mais nada, entenda, por favor. Sou – pelo menos sempre me considerei – uma otimista quase incorrigível. Tenho bom humor, prezo a felicidade, detesto o baixo astral. Perceba que estou falando de algo mais filosófico, sensível, imaterial. O resultado do que colhi nas ruas explicou o que meu íntimo intuía. Em qualquer classe, se é que ainda há alguma. Nunca dantes estivemos assim tão desesperançados. A desesperança é descrença, desilusão, desânimo, desengano. Decepção.

Isso é um problema. Porque desmobiliza, cria uma legião de egoístas, cada um tentando salvar seu próprio couro. E querendo a pele do outro só para tamborim.

Nunca dantes estivemos assim. Nem durante a ditadura, pelo menos essa última que foi a que vivi – tenho de ressaltar. Quando lutávamos contra ela – e como lutamos! – o sangue corria em nossas veias, com gosto, pelo morrer ou matar em prol da liberdade, da democracia, do orgulho. Enfrentávamos as cavalarias, o medo, burlávamos, abríamos os espaços, conquistávamos centímetros que eram nossa redenção, valiosos. Um jogo bruto. Até “o outro lado” era mais intenso, deu tanto trabalho agarrado ao osso que dilacerava. Mulheres levantavam e abriam os olhos. Era um país em busca de sua identidade, no campo, nas cidades, nas escolas, universidades, palcos, no anonimato, na clandestinidade. Matavam nossos líderes, outros surgiam. Coisa bonita de ver e lembrar. Cantávamos! A luta pelas Diretas foi o ápice.

Hoje, o que temos? O linguajar chulo de coxinhas, mortadelas, palavras sendo distorcidas, ódio entre amigos, óbvios ídolos de barro e lama cobertos por milhões de dólares de corrupção sendo defendidos, literalmente, com unhas e dentes, fantasiosamente em prol de dogmas antiquados e inadequados. Não há política, mas politicagem, se alastrando daninha em todos os poderes da República, cada um puxando a sardinha, a toga, o pato, o quebra-quebra, repartidos entre si como carniça entre urubus.

Alguém aí avista alguma atitude cívica, de amor, de desprendimento? O chão que eles ladrilham pavimenta apenas o caminho de poder. De poder um mais que o outro. Antropofagia, teu nome é Brasil.

Vai falar bem de quem? Vai botar a cara de quem numa camiseta para ir às ruas? Pior, de repente, acredita, e dias depois vai ter de explicar que pensou mesmo que aquele ou aquela poderia servir. Qual o quê! Marina? Nem zumbe mais a mosca. FHC? Agora aparece do alto de um trono criticando, como ele era melhor nisso, aquilo. Dilma? Nos fez rir – e chorar, muito. Lula? Nunca dantes um líder operário deixou tantos órfãos no caminho, sem saber de nada, não ver nada, não se comprometer nem com a sua própria história, quanto mais com a nossa. Instituições? Vacilam.

Verdade. Nunca dantes estivemos é assim tão … desamparados. Quem pode busca outra cidadania. Quem pode faz as malas – embora certo seja também que essa desesperança e muito medo estejam sendo as marcas do século em todo o planeta. De onde mais se espera é de onde não vem nada. Espaço aberto a pestes, misérias, guerras.

Utopias! Quero uma para viver. Enquanto estou por aqui, farei o que puder, procurarei ter ânimo. Eu não os tenho, mas quem tem descendentes deve estar muito chateado com o rumo dessa prosa.

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Marli Gonçalves, jornalista – Tô até vendo uns rompantes de alegria com a tal Seleção Canarinho. Mas futebol não dá pão, só circo.

São Paulo, 2017, levantando o tapete. A mesa já está posta.

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@MarliGo