#ADEHOJE – O PRESIDENTE NO HOSPITAL. E O RENAN, JÁ FOI PUNIDO?

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#ADEHOJE – O PRESIDENTE NO HOSPITAL.

E O RENAN, JÁ FOI PUNIDO?

 

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Só um minuto – Ele vai ficar bem. Acredito mesmo nisso. Mas precisavam ter feito tanta papagaiada de “eu sou macho”, “cavalão”, Senhor Presidente? Que história é essa de instalar gabinete em hospital? Quem faz operação nunca sabe o que vai dar, até a alta, e até depois dela. Agora, fica mais tempo e enche a todos de dúvida. Ninguém tira mais de 30 centímetros do intestino e sai por aí pulando em dez dias. A imprensa continua ali só esperando as informações prontas, de folguinha. Não é assim, turma! Reportariem!

Ah, e o Renan Calheiros, já foi punido? Ainda não???. Não vai ficar por isso o que ele fez com a jornalista Dora Kramer. Não pode ficar. Oposição: vocês estão vivos?

 

#ADEHOJE- SÓ UM MINUTO – LAMA, LÁGRIMAS, LEIS. LUTA.

#ADEHOJE- SÓ UM MINUTO – LAMA, LÁGRIMAS, LEIS. LUTA.

 

SÓ UM MINUTO – Segue a tristeza, o dramas, o acompanhamento dramático das histórias que envolvem a morte de centenas de pessoas no rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais. Hoje prenderam engenheiros e responsáveis pelo atestado anterior que estava “tudo bem” com a barragem. Sinto cheiro de peixes pequenos pegos na rede. Acho ainda muito cruel falarem em sobreviventes, dentro do que sabemos, e do que nos mostram diariamente as cenas de horror. Palmas para o trabalho hercúleo das equipes de salvamento.

Bolsonaro segue na UTI após mais de sete horas de cirurgia para a retirada da bolsa de colostomia. O porta-voz, Otávio Rego Barros, estreou ontem. Adoraria não estar de má vontade com ele, mas achei desastrosa sua fala sobre a obra de arte dos cirurgiões, entre outros detalhes. Fora, também, ter “combinado” que Bolsonaro reassumirá o governo amanhã, quarta, de manhã. Até cirurgias bem menores exigem mais expectativa… Vamos acompanhando.

#ADEHOJE, #ADODIA – TRISTEZAS E INSEGURANÇAS

#ADEHOJE, #ADODIA – TRISTEZAS E INSEGURANÇAS

SÓ UM MINUTO – Que momento triste! Com a gente pode até opinar? Não há qualquer graça ou humor nos fatos que presenciamos. Apenas angústia, tristeza e a verificação de como o país está, infelizmente, em frangalhos e tão frágil. No momento em que gravo já passam de mais de 6 horas a cirurgia de Jair Bolsonaro para a retirada da bolsa de colostomia, no Hospital Albert Einstein. Os médicos haviam dito que em três horas, tudo ficaria bem. Estou bem cansada de tantas mentiras. Tomara que não haja intercorrências. Quanto a Brumadinho, parecemos caipiras esperando os gringos virem ajudar, como se fosse possível resgatar os mais de 300 desaparecidos atolados em 15, 20 metros de lama tóxica. Que os fantasmas puxem os pés deles, dos culpados. Eternamente.

ARTIGO – Nossas intimidades mudando de nome, por Marli Gonçalves

Antes a gente dizia: “Quer aparecer? Amarra uma melancia no pescoço!” E dava risada com a ideia improvável de ver essa cena. Hoje, ao contrário, há controvérsias. O cara pode seguir o conselho. E coitadas das frutas, hortaliças e legumes! Agora entraram definitivamente no descritivo de partes do corpo humano. Não bastassem as mulheres fruta, melancia, pera, morango, homem berinjela, essa semana apareceu a mulher couve-flor, ou melhor, a mulher com uma couve-flor. Ops, mais: a mulher ex-couve-flor.

Eu já estava cansada, era tarde, quando fui dar uma espiadinha no Twitter, ver o que rolava, quais eram os assuntos do dia. Ao ver nos trending topics, (termos mais comentados) o nome da Geisy Arruda, a rosácea loirosa sempre em busca de retorno à fama, que lhe é sempre efêmera porque bate mais a cabeça do que a usa, e ir saber do que se tratava, fiquei meio em choque com a insanidade humana. Dei de cara com uma foto dela, deitada, toda estropiada, cara remendada, olho inchado. Acompanhava uma entrevista na qual o QI de sempre-viva amarela anunciava ter feito de uma vez só várias plásticas, inclusive uma íntima. Mas logo definiu o termo “cirurgia íntima”. Informava exatamente que tinha operado a vagina porque esta parecia uma couve-flor, ela a achava feia, emboladinha. Que os lábios eram todos grandes, muito volumosos, e por isso até pedia para que seus parceiros não olhassem. Socorro!

Nem preciso dizer o nível dos comentários gaiatos que se espalharam, dos quais me absterei. Mas não posso deixar de pensar que o conceito de intimidade mudou completamente. Terá ela combinado com o médico que a operou que daria uma declaração dessas, “todo mundo” ia comentar e ela pagaria assim as tais cirurgias que duraram sete horas – verdadeira imolação; quase mutilação?

Se for, não há mais limites mesmo.

Mas boba eu, né? Já faz tempo que ninguém precisa mais da melancia para aparecer. Basta se deixar fotografar assim como quem não quer nada. Viu as fotos da tal Nana Gouveia posando de bonita no meio da catástrofe nos Estados Unidos? Pode-se também soltar a voz sem pensar. Distrair-se sem calcinhas.

Ou aparecer como Lady Gaga que, depois de ver que nem tinha tanto brasileiro otário para comprar ingresso para o show megalomaníaco dela, chegou aqui que só faltou, sei lá, dar no meio da rua, num lance e golpe de marketing surpreendente. Chegou dando tchauzinho. Foi pro hotel e começou a tuitar que nem louca. Botou faixa I Love na fachada. Apareceu de topless coberta só com uma toalha. Deu mais tchauzinhos para os coitados que estavam lá embaixo. Jogou lanche daquela rede americana pela sacada. Pôs peruca cor de rosa. Subiu no salto plataforma. E, claro, foi para a favela ver os pobres. Jogou bola. Tô dizendo: faltou dar; inclusive uma de Madona, sua rival, e arrumar um namorado brasileiro instantâneo. Um Maomé podia ele se chamar, talvez, para ser irritante com o Jesus que a outra usou e jogou por aí.

Mudaram também o sentido de exótico.

As tais redes sociais que se expandem a cada dia devem ser culpadas. Só podem ser. Tem gente que precisa tanto dar satisfação do que faz, que passa o dia dizendo “vou até ali…”, volto tal hora, comi isso aqui ( e taca foto do sanduíche horroroso,porque comida tem que ter fotografia especial para ser atrativa), meu cachorro piscou, meu cachorro dormiu. Já vi caso de gente xingando a mãe, postando documentos jurídicos, juro! Isso sem contar na manipulação de relacionamentos. Eu te excluo se rompo com você, para você saber, para sofrer – me explicaram como funciona.

Lembrei-me de uma professora, Claudia, que amava muito, do primeiro ano da faculdade de comunicação, e que dava aula de Teoria da Informação. Como se fosse hoje, recordei da aula sobre espaços íntimos e o comportamento humano. Os espaços sociais. Entendi ali os comportamentos dentro de um elevador, quando a gente não sabe para onde olha, o que faz, quando está com mais alguém estranho. Esse é o espaço íntimo, do grudado, até uns 15 centímetros, nossa couraça, que a gente fecha e só deixa entrar quem quer, se possível for escolher. Dos 15 cm a 1m20 é o espaço pessoal, pode ter toque, avaliação física, uma conversa mais particular. O espaço social vai de cerca de 1m20 a 3m60, para interações com mais pessoas ou palestras. Já o espaço público, distância de 3m60 ou mais de nosso corpo, serve para reuniões com estranhos ou mesmo para fazer discursos. A gente aqui e a plateia lá.

Essas novas subsubcelebridades estão subvertendo a coisa e o que é pior, isso está pegando. Basta correr os olhos nos portais. Ver os motivos dados aos papparazzis, esse pega para capar e fotografar. O importante é ser notado.

Nessa mesma semana, por outro lado, foi aprovado um projeto importante de punição para crimes cibernéticos, garantindo a inviolabilidade de certos meios e penalizando quem se enfia em espaços íntimos – digamos, não liberados. Condena quem calunia e difama por meios eletrônicos, quem invade sistemas, seja para o crime, com uso de senhas, seja para o roubo de informações, como foi o caso das fotos da atriz Carolina Dieckmann, que inclusive dá nome à lei, que só andou porque ela gritou mais alto. Repercutiu.

Pensando bem, quem sabe essa lei também não possa nos proteger – a nós todos – de informações e imagens como essa da couve-flor?

Senão, teremos de nos mobilizar rapidamente para incluir uma emenda garantindo a nossa sanidade diante da loucura. Loucura que fez virar fichinha o girassol da lapela do Falcão, as roupas e a buzina do Chacrinha, as perucas da Elke Maravilha.

Esse povo novo quer que a gente saiba coisas muito internas deles, até se usam ou já usaram, como virgindade leiloada em praça pública. Internas até demais.

São Paulo, sacolão, 2012

Marli Gonçalves é jornalista Descobriu que tem um site – http://desciclopedia.org/wiki/Deslistas:Nomes_populares_para_a_vagina– que listou quatro mil nomes para o órgão sexual feminino, do qual muitas das próprias tem vergonha e, pasmem, muitas nunca nem olharam para a sua própria. Nem para compará-las a qualquer hortifruti.

noticiário GEISY ARRUDA, AQUI

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ATENÇÃO: Por favor, ao reproduzir esse texto, não deixe de citar os e-mails de contato, e os sites onde são publicados originalmente http://www.brickmann.com.br e no https://marligo.wordpress.com

Até vulcão espoca

Clique que ele sobe

Marli Gonçalves       Um amigo punk tentava se encaixar em um vestido de paetês rosa, rabo-de-peixe. No outro dia era eu quem visitava os cachorros do Eduardo Suplicy, e o que é pior: lembro que ele morava na Avenida Brigadeiro Luis Antonio, número tal. Impressionante como esse número se destacou na história que criei enquanto dormia. No meu sonho ele tinha até uma mulher legal. E uns cinco cachorrinhos daqueles peludinhos de bigode, que ambos usavam como escovão, para lustrar e brilhar uma escada de madeira do sobrado. Aí todo mundo foi despejado e foi morar no canteiro central da Avenida Brasil, aqui em São Paulo. Que tal?

     Meu amigo Heitor Werneck se encaixou no vestido rosa Geisy numa outra noite, do mesmo dia em que meu irmão recordava, com sua visão de criança, a saia rabo-de-peixe em que a mamãe, ainda bem jovem, se aventurou e manteve no armário daqueles anos 50. Nunca saiu do armário. A tal saia. Ele lembrou também de como as saias plissadas tinham aquelas pregas passadas exaustivamente, uma a uma. Ela sempre teve essa mania de ter coisas lindas, modernas, arrojadas, de bom gosto, que comprava a bom preço, como boa canceriana. Mas não as usava – sempre mineira, maneira, espartana, recatada. Mamãe gostava de olhar para as suas coisas, meio egoísta e, ao mesmo tempo, previdente. “Teve tempo que só tive uma blusa que lavava de noite para secar e usar de dia”, justificava. Muitas foram compradas para, ou apenas, pensando em mim, que até hoje herdo peças geniais. Dela, herdei também o olhar sobre coisas especiais. Mas não herdei o recato, muito menos a mania de guardar tudo virgem. Compro e uso. Às vezes até na mesma hora. Adoro bater uma roupa.

     Mas, voltando à medida dos sonhos noturnos, coloridos e reveladores, já não é tudo tão doido nem delirante. Nesta mesma semana passada, na realidade terrena, teve vulcão na Islândia gerando uma nuvem de letrinhas e perigos – o local da geleira chama Eyjafjallajokull – que parou a Europa; enchentes encharcaram o nosso Nordeste; mais terremotos e tremores atingindo a China, o Tibete. Fora as ondas altas havaianas nos beira-mar e calçadões brasileiros. Lula posando de líder internacional moderador e Dilma/Serra/ Mahmoud Ahmadinejad sorrindo muito. Mais aviões emborcados, carros e homens-bomba, Chávez desparafusado, e eleições indiretas na Capital Federal. Sem falar na batina justíssima da Igreja tentando cuspir em tudo quanto é prato. Quem diria?

     Tem gente que não pode tomar café que não dorme à noite. Eu tomo para dormir, com um bom leite quente. Nada de comida pesada. Tudo isso só não resolve quando assisto ao jornal na tevê antes de deitar. Já despertei estremecida pelo olhar duro e reprovador do Willian Waack e às vezes entro em surto ao recordar a roupa da Christiane Pelajo. Quando de dia me contam alguma coisa forte, aquilo fica na minha cabeça e às vezes vira sonho; às vezes, pesadelo! Livrei-me outro dia, nem sei como, da cena que o satélite mostrou, de nuvens de morcegos de um lugar aí, que aos milhões se alimentam de outra nuvem, de mariposas, aos bilhões. Uns ao encontro da vida; outros, da morte.

 Mas meus horizontes continuam limitados e tenho visto o mundo muito pelo computador, neste período de rescaldo da cirurgia e esperando a alta médica prometida para os 45 do segundo tempo. Isso faz com que tudo seja muito misturado, e de noite se transforme em sonhos, histórias inteiras para contar no café-da-manhã, divertindo-me, antes que a memória desanuvie e apague. Só os mais fortes ficam. E você há de admitir que Suplicy escovando o chão com cachorro e um punk vestido de rabo de peixe rosa são imagens que pertencem a essa categoria inesquecível.

Acho que falo de noite, além de certo ronquinho, meu ronronar particular. Há manhãs em que acordo com a clara sensação de ter ido bem longe, ter vivido toda outra história, em outro mundo, tempo, espaço e perspectiva. Esse é mais um mistério nosso, um campo só nosso, íntimo, que ninguém ousa ou pode prender nem matar ou torturar. Está dentro da nossa cacholinha, o lugar mais seguro do mundo.

Nos sonhos, podemos. Somos fortes e capazes. Se treinados, acabamos até os entendendo e usando como premonição, destrinchando seus significados e indicações. Neles, os vulcões podem ser tão inofensivos quanto os dragões, e os líderes mais inteligentes, pacíficos. E até bonitos.

São Paulo, abril fechou.  

 

 

  •       Marli Gonçalves, jornalista. Preocupada com a pasmaceira que se instala. Preocupada com a Copa do Mundo, na África, com a África, que já dá prejuízo. Preocupada com as mães, e com as noivas, que têm perdido seus filhos e seus pares. Preocupada com a Abolição ainda não resolvida. Com a sobrevivência. Ainda bem que nos sonhos as perninhas funcionam. E eu corro dos problemas. Gente pode ferver igual água na panela. Acredite.

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Esses dias misturei muitas imagens, sons e cores nos meus sonhos. Não é para menos: a gente passa o dia recebendo informações de tudo quanto é lado e de noite, enquanto dormimos, embaralhamos tudo. Todos nós somos mesmo muito criativos.