ARTIGO – Me abana? Por Marli Gonçalves

graphics-fan-964637Esta semana arrasei. Cada dia da semana postei no Facebook uma foto “selfie”, posando com um dos leques de minha modestinha coleção. Tão modesta que já mostrei toda ela, em poucos dias. Foi um sucesso, com um monte de “curti”, fiufiu, elogios. Já estou até pensando o que vou aprontar agora, mas o problema é que não gosto muito de usar roupa; sangue de índio. Uma parte do corpo por dia? Posso mostrar? E se me censuram? O negócio está preto, não pode facilitargraphics-fan-122807

Está tudo muito seco, opressivo, quente, e a gente precisa de um ventinho. Então eu me abano com os meus leques mesmo, que ventilador e ar condicionado gastam energia e energia é dinheiro. O calor de um verão não aproveitado, no entanto, frita os miolos, tira forças e até pensar fica difícil, imaginem escrever. Mas estou apenas disfarçando para entrar no assunto que quero expor, sério, uma vez que não sei receita de bolo: a censura que nos ronda, sopra um hálito quente aqui, ali. Na nossa nuca. Como diz um amigo, um dia censuraram X e eu não fiz nada; no outro, Y e eu não fiz nada; depois fui eu e eu não tinha a quem recorrer, parafraseando Martin Niemöller.

Todo santo dia ficamos sabendo de alguém punido e banido pelos controladores das redes sociais. Essa semana foi o genial fotógrafo Gal Oppido a vítima. A conta dele no Instagram, com milhares de seguidores e onde ele diariamente posta verdadeiras obras de arte, fez puff! Sumiu, sem explicações. Provavelmente, desconfio, por causa de “alguém” (covardes nunca se apresentam) não gostou de algum pedaço de pele negra que viu de um dançarino maravilhoso que ele coincidentemente fotografava para um trabalho especial dele. A gritaria foi geral e a conta voltou.

graphics-fan-141829Só que não é só na rede que a tesourinha anda cortando, editando. Não é que o Ministério alterou a classificação do pueril Confissões de Adolescente de 12 para 14 anos? Não é que esses pastores políticos de quinta categoria toda hora vociferam contra alguma charge, piada, filme, cena de tevê, e ameaçando jogar hordas moralistas babando em cima de nossas canelas?

Sou do tempo da ditadura. Cresci sob sua égide, sem poder ler o que queria nem falar tudo o que pensava, nem fazer o que queria. Cresci aprendendo a olhar para os lados, sabendo que tudo estava sendo registrado, mesmo que mal e porcamente, tanto que hoje os arquivos desapareceram, por aqueles homens que nos cercavam, sempre em seus ternos baratos, listrados, óculos escuros, e que mais pareciam bandidos que tiras. Com 15 anos um dia vi um ônibus chegando e levando embora quase uma centena de amigos roqueiros presos. Lembro apenas de ter agradecido a Deus esses minutos que me atrasei – eles ainda teriam de me explicar, menor de idade que era. E já bastava o corre-corre: um deles estava com uns 50 ácidos e não teve dúvida: jogou na boca dos amigos o mais rápido que pode. O resultado foi certamente uma das prisões mais engraçadas daqueles tempos negros, já que todos começaram a “viajar” ao mesmo tempo. Apenas um jornal fez esse registro – a foto desse bando de malucos – imagem que guardo na memória – esse lugar ainda indevassável, nosso mais valioso cofre.graphics-fan-886453

“Eles”, os inimigos, também tentavam outros disfarces: casais namorando no muro, mendigos, sempre perto das janelas para gravar as conversas. Mas, enfim, ainda disfarçavam.

Agora não. O tiro é direto. Cortam – às vezes a gente nem fica sabendo, porque o que os olhos não veem o coração não sente. O que pretendem?

Teimam em nos ensinar. Querem voltar as nossas cabeças para que vejamos apenas um lado, que ainda explicam, como se fôssemos todos uns imbecis de marca maior como se falava antigamente. Lembram aquelas cenas de filmes “eróticos” que o cara falta arrancar a cabeça da mulher, empurrando, para obrigá-la ao sexo oral.Creature_on_fan

O jornalismo, pobre jornalismo, editorializado. Para um lado, para outro. As cenas do cinema nacional, o que um crítico apontou outro dia, são chatas porque são expressas- ele andou até ali, viu? Pegou o copo. Bebeu. Caiu. Era veneno (e faltam mostrar aquele caveirinha com os ossos cruzados para terem certeza se você entendeu). Criam assim gerações de autômatos, preguiçosos, jovens de olhar vazio, como alguns que tenho encontrado. Como os que estão nas ruas sem saber para o quê.

Deixem-nos em paz. Deixem-nos pensar, formar opinião. Sem cabresto. Estamos em outros tempos e devíamos estar construindo uma moral, sim, mas mais aberta e condizente.

Deixem os pensamentos serem ventilados. Com eles não dá para usar leques.

São Paulo, fevereiro 2014, e peitos e bundas aflorarão logo mais de todos os cantos. Fan-03-june

Marli Gonçalves é jornalista Vou posar só de leque. Acho chique demais. Já aprendi a abri-los como o fazem as espanholas, com aquele barulhinho. E vou torcer para que as tevês contratem moças para cameraman. Aí talvez a gente possa ver que nas escolas de samba também passam corpos masculinos dignos de escultura. Isto é: se elas não forem censuradas, claro! graphics-fan-915599

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Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

Domingos Pellegrini faz bela constatação. Chama de “Procuramos Esconder” o tal instituto daquela outra, insuportável, que juntou artistas pela censura. #desgosto

nota de Lauro Jardim- coluna radar – veja online

Leminski libertário

Leminkski: família quer censurar

Censura de família

Depois de receber um não da família de Paulo Leminski à publicação do seu Passeando por Paulo Leminski (O Bandido que Sabia Latim, de Toninho Vaz, também foi vetado), e disponibilizar o livro na internet, Domingos Pellegrini, dono de dois prêmios Jabuti, tem uma sugestão:

– O Procure Saber deveria se chamar “Procuramos Esconder”. Leminski tinha um espírito libertário. Ele seria a favor da liberdade às biografias e contra uma biografia que o mostrasse muito certinho.

Por Lauro Jardim

Caetano! Gil! Milton! Vê se cai logo a ficha! Voltem para a razão! Olhem com quem estão “andando”

MEU CEREBRO SAIU ANDANDOCongresso

A “bancada” do Procure Saber

Caetano e Gil: ao lado de Feliciano e Maluf

Caetano e Gil: ao lado de Feliciano e Maluf

O Procure Saber, grupo de músicos que defende a censura prévia de biografias não-autorizadas, tem pelo menos 71 deputados que concordam com suas teses.

Este é o número de parlamentares que protocolou em abril um recurso paralisando a tramitação do projeto de lei 393/2011. A proposta altera o Código Civil e garante o fim da censura às biografias.

Eis alguns exemplos de quem está ao lado de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque & Cia no Câmara: Anthony Garotinho, Jair Bolsonaro, Marco Feliciano, Paulo Maluf e Tiririca.

FONTE > – COLUNA RADAR – VEJA ONLINE – Por Lauro Jardim

worm-3_e0já leu meu artigo sobre esse assunto?

está aqui: VIDAS MOLHADAS

Manifesto da filha de Adoniran Barbosa, Maria Helena, a favor das biografias livres

Fonte: Facebook de Maria Helena RR de Sousa
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Sou filha de Adoniran Barbosa, compositor paulista. Há 8 biografias dele na praça e um belo livro que homenageia São Paulo e ele.graphics-books-132317Não sei se esses livros ainda são encontrados ou se estão fora de catálogo. Sei que conversei, sim, com alguns dos editores e escritores, respondi perguntas e emprestei ou cedi fotografias.

Mas nunca dei pitaco sobre textos. Nunca. Nem tinha que dar.

Concordo inteiramente com o Alceu Valença.

Não é possível que depois de tentar arrebentar com os músicos deste Brasil que se diz tão musical, ainda venha o mesmo grupelho tentar arrebentar com nossos escritores.

Temos Leis. E boas leis. Basta ficar atento e reagir se houver abusos e calúnias.

Eu estou com vergonha, por exemplo, pelo Chico Buarque. Decepção e vergonha. Ele quer biografias previamente censuradas! Pode dar qualquer outro nome, mas é isso que serão.

Será que ele não vê que isso é muito pior? Que dará margem que o leitor imagine o diabo? Em vez de se valer de uma biografia séria, as pessoas passarão a acreditar e repetir o que ouvirem de taxistas, garçons, porteiros, seguranças, etc. etc.

E a memória oral, por ser mais apimentada, é a que vai ficar valendo…

#contra a censura.”Eu gosto de vagina”: essa camiseta faria sucesso aqui. Mas proibiram a garota de usar, nos EUA.

Garota bissexual é impedida de assistir aula por usar camiseta “eu gosto de vagina” nos EUA

FONTE: Do UOL, em São Paulo
  • Reprodução/New York Daily News

  • Garota bissexual é proibida de assistir aula por usar camiseta "eu gosto de vagina"Garota bissexual é proibida de assistir aula por usar camiseta “eu gosto de vagina”

A estudante bissexual Brianna Demato foi impedida de assistir aulas na última terça-feira (2) por usar uma camiseta em que estava escrito “eu gosto de vaginas”. Os funcionários da escola Newton High School, em Nova York, teriam considerado a camiseta “muito distrativa”.

As informações são do jornal norte-americano New York Daily News. A jovem de 15 anos considera que seu direito de expressão foi violado pela escola. “É hipocrisia”, disse Brianna ao New York Daily News “Eles usam a palavra durante a aula. Por que eu não posso usá-la em uma camiseta?”

A jovem diz já ter usado a mesma camiseta outras vezes na escola e essa foi a primeira vez que houve problemas. Ela disse ter sido vista por um funcionário durante o horário de almoço no refeitório e foi pedido para que ela trocasse de camiseta ou fosse embora.

A mãe da garota, Cathy Demato, disse ao jornal Daily News que o ato foi discriminatório. “Ela não está machucando ninguém”, disse, “Ela pode usar a camiseta que quiser.”

Para o departamento de Educação municipal, o tipo de linguagem usado na camiseta é inapropriado para o ambiente escolar e pode causar conflitos

#contra a censura. Alguém pode explicar uma decisão judicial dessas?

Censura prévia

A censura no palanque: o TRE proibiu candidatos a vereador pelo DEM de Salvador de citar o mensalão e elogiar o ministro Joaquim Barbosa.

fonte: coluna claudio humberto

País de gente atrasada, de direita e de esquerda. Agora é a Claudia Costin que quer se meter na novela! #CENSURANÃOCENSURANÃOCENSURANÃO. Aguinaldinho, responda a ela com aquela sua verve de sempre.

Recebi essa informação via e-mail de um daqueles petistas bem chatos, bem ranzinzas, bem pentelhos. Pois vou dizer que o cara mandou, provocando que agora queria ver quem que ia falar contra a “venerada” Cláudia Costin.
NÃO QUERO NEM SABER! EU VOU FALAR SIM,porque considero um abuso e um absurdo essa intromissão de governos em obras fictícias, sejam novelas, da Globo ou do raio que o parta.
 

Donas Iriny, Costin, Aparecidinha e qualquer outra Alaninha da vida: vão procurar o que fazer, de útil. Aproveitem e levem junto pastores, Alckmin, Chalitinhas e etc…

 
( INFORMAÇÕES DO JORNAL EXTRA)
 
Cláudia Costin é Secretária municipal de Educação da prefeitura do Rio de Janeiro (gestão peemedebista do prefeito Eduardo Paes), e manifestou protestos contra a falta de responsabilidade social da TV Globo.

A novela Fina Estampa escolheu uma música para cena de baile funk cuja letra estimula jovens a não estudar.

A personagem Solange (Carol Macedo) rebola no baile funk e canta a música “Dez no popozão”, cuja letra é esta:

… Eu odeio redação / mas requebro até o chão / Não sou boa no estudo / levo zero em quase tudo / Reprovada no provão / tirei dez no popozão / Meu diploma é de funkeira / vem comigo meu irmão / Põe a mão no popozão / e requebra até o chão. 

Como se não bastasse a letra desestimulando o estudo, a “obra prima” de Agnaldo Silva exibiu a personagem em uniforme oficial das escolas da Prefeitura do Rio, na primeira vez em que apareceu cantando a música. E sem autorização da prefeitura.

Costin criticou:

“No momento em que toda a sociedade realiza um esforço conjunto para melhorar a educação pública no Rio e em todo o país, a Secretaria Municipal de Educação considera lamentáveis as imagens exibidas em Fina Estampa em que Solange enfatiza, em seus diálogos, o descompromisso com a educação e preconiza o fracasso escolar. As imagens acabam estigmatizando a educação pública, uma vez que a personagem, em uma das cenas, utilizou, sem autorização, o uniforme oficial das escolas da Prefeitura do Rio”.

Cláudia Costin ocupou diversos cargos em administrações e ONG’s tucanas. Foi até ministra da Administração no governo FHC, e secretária estadual de cultura no governo Alckmin (2003-2005).

(Informações do Jornal Extra)

ARTIGO – O que as mulheres querem mesmo.

                                                                                                                                              Marli Gonçalves  O que as mulheres querem mesmo é sossego, respeito e seriedade. As mulheres querem ter garantida a sua dignidade e igualdade de direitos. As mulheres querem que todas as mulheres possam usufruir das suas garantias de cidadãs. As mulheres têm voz própria e não querem governos usando seu nome nem metendo o bedelho em bobagens, com tantas coisas importantes a ser vistas e transformadas. Somos mulheres, de calcinha e sutiã, sim.

As mulheres querem mesmo é o fim da violência contra todas as mulheres. Aliás, contra todos os seres vivos. Não querem mais ouvir falar em mulheres espancadas e mortas por seus companheiros. Não querem mais saber de crianças, meninos e meninas, presas em celas, abusadas, vilipendiadas sob os olhares cúmplices de quem deveria guardá-las. As mulheres querem mesmo é poder dispor de seu próprio corpo, ter liberdade de escolha, e não serem obrigadas a submeterem-se a condições degradantes para poderem viver e criar seus filhos e filhas, fazendo-se muitas vezes de prostitutas, mas sem pagamento que não um mero prato de comida e um teto.

As mulheres têm muitas coisas para querer, para lutar, para transformar e melhorar. Mas nenhuma delas é contra calcinhas e sutiãs. Muito menos contra propagandas de tevê que vendem essas lindas peças de baixo, de que todas gostam e usam mesmo, inclusive para seduzir. Qual o problema? Vai encarar?

Pois essa semana teve gente falando em nosso santo nome com o propósito de censurar – censurar, sim, que esse é o nome da coisa – uma propaganda feita por uma marca de lingerie, no corpo de uma brasileira, um das mais belas, conhecida e consagrada mundialmente. Que vergonha que dá na gente!

Aí a gente descobre que entre os mais de 40 departamentos de governo tem uma tal SPM, Secretaria de Políticas para a Mulher, comandada por Iriny Lopes, com status de ministra e que é a cara, versão mal humorada, do cartunista Laerte quando este está travestido na melhor forma. Segundo a tal burocrata, houve meia dúzia de reclamações “de indignação” a respeito dos anúncios da marca que agora com tino comercial alerta aplaude com palminhas toda a polêmica e deve estar implorando para que o Conselho de Regulamentação Publicitária passe bastante tempo analisando o fato. Vai vender que nem água.

A argumentação? Do site oficial governamentoso: “A propaganda promove o reforço do esteriótipo (sic) equivocado da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora os grande (sic) avanços que temos alcançado para desconstruir práticas e pensamentos sexistas. Também apresenta conteúdo discriminatório contra a mulher, infringindo os arts. 1° e 5° da Constituição Federal”.

Podiam ao menos tentar falar linguagem de gente. Objeto sexual do marido? Os grande avanços? Desconstruir práticas e pensamentos sexistas? Conteúdo discriminatório?

Vamos por partes, Frankenstein!As peitudas loiras vendendo cerveja – pode? A própria Gisele Bündchen limpando o chão, de Amélia, na propaganda da Net – pode? As mulheres seminuas e prontas para tudo vendendo carros – pode? As coitadas que aparecem em propagandas de remédios e do próprio governo podem dizer que o mundo é lindo? E se essa mesma campanha fosse estrelada, por exemplo, por uma roliça? Tipo a Claudia Jimenez, fazendo uma caricata dona-de-casa?

Ora, cubram vocês suas vergonhas. Nem me venham com esquerdices-direitices de ocasião que andamos sem paciência para elas. Tenho quase certeza de que nem a presidente Dilma, que pode ser tudo, menos burra, concorda com a tal Iriny & Cia, nem quero imaginar as “malas” e pochetes que trabalham nesta tal secretaria.

Sou feminista, com muito orgulho, e sou uma das que não estão gostando nada de ver gente achando que essa bobagem – de pedir a retirada do comercial – é obra de feministas. Temos mais o que fazer. Não achincalhem a luta da mulher, que a gente ainda tem muito a conquistar, a mudar, a transformar. Desde adolescente milito pelas causas da mulher, pela informação correta, pela aplicação dos seus direitos. Sei o muito que perdi e o pouco que ganhei, mas mantive coerência, que começa pela absoluta defesa da liberdade de expressão. Sei bem o que é ofensa à mulher: vejo todos os dias, para todos os lados onde olho. Mas a turma da tal Secretaria da Dona Iriny parece que só assiste à tevê, sentadinha no sofá, e na hora da novela repetida que passa durante o horário de expediente.

Liberdade para as calcinhas e sutiãs! Liberdade para as mulheres usarem as mais bonitas, rendadas e bem sensuais, na hora de dizer umas verdades aos seus maridos, mesmo que elas sejam fatos como estourou o cartão de crédito, bateu o carro de novo e que a mãe delas vem chegando. Se assim o macho não reagir, se essa for a forma, tudo bem. Porque se ela for esperar essa gente de governo para defendê-la…

Essa gente tem muita garganta, mas pouca ação. Quando a gente precisa mesmo, sempre chegam atrasados, quando já estamos mortas ou espancadas.

País rico é país sem esse povo que acha que sabe o que é bom, e quer impor por decreto. Nós, Mulheres, somos como cavalos livres. E vamos corcovear muito antes de cair nesse laço.

São Paulo, São Paulo, calcinha preta, com lacinhos, 2011 (*) Marli Gonçalves é jornalista. Nesta semana, pelo menos, o bom senso do conselho de propaganda liberou os graciosos pôneis malditos da propaganda de carro. Acredita que tentaram tirá-los do ar porque poderiam interferir na fantasia das crianças? Censores malditos!

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trilha musical, de sacanagem:

Paulo César de Araújo, autor da biografia censurada de Roberto Carlos, escreve, especial para a ABRAJI. Censura não, não e não.

POR BIOGRAFIAS LIVRES

A ABRAJI é a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, que reúne alguns dos principais repórteres e jornalistas do país. Nós fazemos parte.

O artigo do Paulo César foi feito especial para a entidade, nesse momento que o assunto está à tona. Por biografias livres!

Você pode acessar a página para saber mais: www.abraji.org.br

Aberração Jurídica

Paulo César de Araújo, especial para a Abraji

A censura de livros é uma triste tradição no Brasil. Desde o período da colonização isso acontece com maior ou menor intensidade e sob diversos pretextos. Atualmente prevalece aquilo que muitos apropriadamente chamam de “censura togada”. Ou seja, o cerceamento da liberdade de expressão é praticado por integrantes do poder judiciário em atendimento aos reclames de personalidades melindrosas ou de seus familiares. E o principal alvo tem sido o gênero biográfico ou de reportagem. Os exemplos são vários. 

Em 2005, um juiz de Goiânia determinou a busca e apreensão do livro Na Toca dos Leões, de Fernando Morais, por suposta ofensa ao deputado Ronaldo Caiado. O juiz também proibiu o escritor de dar declarações públicas sobre o trecho do livro referente ao deputado. Anos antes, a biografia que Ruy Castro escreveu sobre Garrincha [Estrela Solitária] foi proibida a pedido das filhas do jogador. Mais recentemente as filhas de Guimarães Rosa também conseguiram retirar de circulação uma biografia do pai escrita por Alaor Barbosa. Da mesma forma as sobrinhas de Noel Rosa foram aos tribunais para impedir a reedição de Noel Rosa: uma biografia, de João Máximo e Carlos Didier. E como é por demais sabido, o livro Roberto Carlos em detalhes, de minha autoria, também está proibido depois de processo movido pelo cantor. 

Por mais que certa retórica jurídica queira negar, isto é censura sim, e com conseq uências danosas para a sociedade. O espantoso é que vivemos sob a égide da Constituição-cidadã de 1988, que em seu artigo 5º, parágrafo IX, diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. Mas o parágrafo X deste mesmo artigo também diz que “são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito à indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação”. Observe-se que esses direitos – o da informação e o da intimidade – têm o mesmo peso na Constituição, um não se sobrepõe ao outro e, em principio, deveriam conviver. E ali não se fala em “proibição” e sim em possível “indenização”. 

Ocorre que houve um retrocesso com o novo Código Civil, sancionado pelo presidente FHC em janeiro de 2002 – portanto, 14 anos depois de promulgada a Constituição. Ao tratar do direito da personalidade o Código Civil deu um peso maior à proteção da imagem e da privacidade em detrimento do direito de informação. Em seu artigo 20 está escrito que: “Salvo se autorizadas (…) a divulgação de escritos, a transmissão da palavra, ou a publicação, a exposição ou a utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas (…) se lhe atingirem a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se destinarem a fins comerciais”. Este artigo rompeu aquele equilíbrio que há entre os incisos IX e X do artigo 5º da Constituição. E com isto se tornou m ais fácil “proibir” o que a Constituição diz ser “livre”. A rigor, o Código Civil é lei ordinária e não poderia prevalecer sobre uma lei maior, a Carta Magna. Mas na prática os juízes têm recorrido a este artigo 20 para justificar seus atos censórios. 

 Foi o que fez, por exemplo, Maurício Chaves de Souza Lima, juiz da 20º Vara Civil do Rio, ao conceder liminar que proibiu a biografia Roberto Carlos em Detalhes. Em sua sentença ele afirmou que “o art. 20 do Código Civil é claro ao afirmar que a publicação de obra concernente a fatos da intimidade da pessoa deve ser precedida da sua autorização, podendo, na sua falta, ser proibida”. Foi também evocando este mesmo artigo 20 que o juiz criminal Tércio Pires, de São Paulo, considerou grave a publicação da biografia não autorizada de Roberto Carlos e ameaçou fechar a Editora Planeta na audiência de conciliação, em abril de 2007. Sentindo-se coagida, a editora decidiu fazer um acordo com o cantor, me deixando abandonado. Resultado: o livro foi proibido, 11 mil exemplares do estoque foram apreendidos, e outros tantos, recolhidos das livrarias e entregues a Roberto Carlos para serem destruídos. 

Este é um cenário de violência cultural incompatível com um país sob vigência do Estado democrático de Direito. Por tudo isso, é urgente e necessário que seja aprovado pelo Congresso o projeto de lei que altera o artigo 20 do Código Civil. Pela proposta apresentada em 2008 pelo então deputado Antonio Palocci – e agora reapresentada pela deputada Manuela D`Ávila –, fica “livre a divulgação da imagem e de informações biográficas sobre pessoas de notoriedade pública ou cuja trajetória pessoal ou profissional tenha dimensão pública ou esteja inserida em acontecimentos de interesse da coletividade”.

Esta alteração da lei não traz nada de inovador ou revolucionário. Apenas corrige uma aberração jurídica. Não se trata de querer abolir o direito à privacidade, garantido pela Constituição, mas permitir à sociedade brasileira condições de compatibilizar a garantia dos direitos individuais com a ordem democrática. Hoje é o meu livro, ontem foi o de Ruy Castro e o de Fernando Morais. Qual será a próxima biografia censurada? Se a lei não mudar, poderá ter fim no Brasil um gênero literário que, desde Plutarco, na Grécia, tem contribuído para o estudo e a grandeza das sociedades.

  •  PAULO CESAR DE ARAÚJO é historiador e jornalista, autor de Eu não sou cachorro, não – música popular cafona e ditadura militar (Record, 2002) e da biografia Roberto Carlos em Detalhes (Planeta, 2006). 

 

O politica e chatamente correto agora invocou com os urubuzinhos do Nuno Ramos…É que não viram a Cloaca

bandeira branca, amor…

ESSE MUNDO ESTÁ FICANDO MUUUUUIIIITO CHATO! DEIXA OS URUBUZINHOS CURTIREM SÃO PAULO, UM MONTE DE GENTE LOUCA, BONITA, DIFERENTE…UMA TEMPORADA AQUI VAI FAZER BEM PARA ELES.

DO G1 – www.g1.com.br

Obra de arte que mantém urubus em cativeiro na Bienal irrita internautas

Abaixo-assinado que circula na internet pede proibição à obra de Nuno Ramos.
Artista garante que animais ‘estão acostumados’ e não sofrerão maus tratos

Diego Assis Do G1, em São Paulo

Urubus confinados na instalação 'Bandeira branca', de Nuno Ramos, montanda no prédio da Bienal de SPUrubus confinados na instalação ‘Bandeira branca’,
de Nuno Ramos, montanda no prédio da Bienal de
São Paulo (Foto: Daigo Oliva/G1)

Primeiro, o ataque aos presidentes. Depois, a propaganda para a candidata. Agora, o bem-estar dos urubus. Mal abriu suas portas ao público – o que só ocorre neste sábado (25) -, a 29ª Bienal de São Paulo já acumula polêmicas. A controvérsia da vez recai sobre uma obra que mantém três urubus vivos dentro de um viveiro no vão central do prédio da Bienal.

Idealizada pelo artista plástico paulistano Nuno Ramos, a instalação batizada de “Bandeira branca” é composta por três grandes esculturas em formas geométricas, que lembram grandes túmulos. As peças são cercadas por uma tela de proteção que acompanha, de alto a baixo, a rampa e as curvas do prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer. No alto de cada uma delas, há poleiros que se parecem com chaminés, de onde as aves raramente saem e onde devem permanecer até 12 de dezembro.

O confinamento em nome da arte vem irritando internautas e grupos de defensores dos animais que, desde a noite de terça-feira – quando a Bienal abriu pela primeira vez para convidados – lançaram um abaixo-assinado contra a presença da obra na exposição.

“Exijimos que o ‘expositor’ da Bienal do Ibirapuera, cujo ‘trabalho’ envolve maus tratos com aves vivas – urubus, mais especificamente, protegidas por leis brasileiras, – seja impedido de praticar crime ambiental dentro destas instalações e que as aves das quais ele se utiliza sejam encaminhadas a entidades de proteção animal, para recuperação”, diz um trecho do texto do abaixo-assinado, dirigido ao Ministério Público de São Paulo.

Até a conclusão desta reportagem, a carta de repúdio, que estava sendo divulgada em redes sociais como Twitter e Facebook, continha mais de 1.400 assinaturas.

“Isso é democracia, e a gente tem de lidar com todas as opiniões e visões. Mas a primeira coisa que se tem de fazer antes de criticar é ver a obra, não acreditar em boatos”, defendeu Nuno Ramos, em entrevista por telefone ao G1. “Antes de a obra estrear já havia uma quantidade de informação maluca na internet, fazendo confusões e sugerindo que eu ia matar os animais de inanição, como fez um outro artista latino-americano recentemente.”

  •  

'Quando estava projetando a obra, pensei muito nesse vão, que é um dos momentos mais bonitos da nossa arquitetura. E, apesar de mimetizar as formas desse vão, minha obra também contrasta com ele, deixando mais explícita a volumetria daquele lugar. Não é só o meu trabalho, mas a relação dele com o prédio que conta', explica Ramos. Visão de cima da obra ‘Bandeira branca’, que mantém urubus confinados em um viveiro no vão central da Bienal. ‘Quando pensei na ocupação desse espaço vertical, pensei em aves. E os urubus têm essa carga intensa, essa relação entre morte e vida que tem a ver com o trabalho’, explica Ramos. Para o artista, sua obra valoriza o projeto de Niemeyer, que considera ‘um dos momentos mais bonitos da nossa arquitetura’. ‘Apesar de mimetizar as formas desse vão, minha obra também contrasta com ele, deixando mais explícita a volumetria daquele lugar. Não é só o meu trabalho, mas a relação dele com o prédio que conta’, explica. (Foto: Daigo Oliva/G1)

Segundo Ramos, tudo está sendo feito “dentro da legislação”. “É importante deixar claro que não tiramos os animais da natureza. Os urubus pertencem ao Parque dos Falcões [em Sergipe], onde vivem em cativeiro. Só tirei de uma gaiola e pus em outra 30 vezes maior”, defende o autor da obra. “Trouxe para São Paulo a mesma pessoa que trata deles lá [no Parque dos Falcões], e ele está aqui o tempo todo. O veterinário também veio com eles, ficou quatro dias para adaptação e foi embora. Mas ao menor sinal [de problema], a gente vai atuar.”

Bem à vontade
Quanto ao possível estresse que as aves possam sofrer por conta das luzes artificiais e do ruído vindo dos visitantes, da própria obra (que inclui alto-falantes que tocam trechos das canções “Bandeira branca”, “Carcará” e “Acalanto”) e de outros trabalhos sonoros instalados na Bienal, o artista diz que os urubus não se incomodarão. “Eles parecem até mais calmos que os visitantes”, ironiza. “A luz desliga às sete horas, e a exposição fica fechada 14 horas por dia.”

Ramos lembra ainda que as aves são as mesmas que expôs em 2008, em uma instalação semelhante montada no Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília. “Elas estão acostumadas com o público. Já participaram de uma exposição minha em Brasília e, segundo um tratador que ficava lá, chegaram até a acasalar dentro da obra.”

Em nota divulgada à imprensa, os organizadores da 29ª Bienal confirmaram que “o autor da obra possui todas as licenças exigidas pelos órgãos de preservação ambiental para o uso desses animais” e ressaltaram “que a independência curatorial e a liberdade de criação, dentro dos contornos estabelecidos pela lei, são valores fundamentais da entidade”.