ARTIGO – Conte até mil. Por Marli Gonçalves

gorrila_counter1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9,10…, 2013, 2014… Vamos lá. Respire fundo. Achei louvável a campanha “Conte até dez” – a raiva passa, a vida fica – lançada para tentar diminuir os crimes cometidos por impulso. A gente já passa a vida contando alguma coisa, o que que custa contar até dez antes de matar alguém? countdown1_e0

Há uma mania de campanhas institucionais rolando por aí, para a alegria das agências, especialmente as que atendem governos. Tem de todos, mas o federal está demais da conta. Já vi campanha de futebol, já ouvi gente querendo matar é o Milton Gonçalves por causa daquela que ele faz, da Saúde, que fala que está tudo uma beleza. Tem uma, inacreditável, sobre a força da mulher- acho que por causa da presidente finalmente “descobriram” as capacidades da mulher. Mas logo agora, quando está havendo muita perplexidade e controvérsia a respeito da capacidade da própria? Tirem as mulheres disso…

Não. Aquela do Tony Ramos vendendo bifes e carnes vermelhas não é do governo não. Um dos donos quer ser. Ainda não é.

stopwatch_e0Enfim, voltando à nova campanha contra a violência gratuita, achei uma coisa preocupante: há um estudo dizendo que contar até dez só piora a raiva! “Faz com que a pessoa se concentre mais ainda no fato, daí a reação negativa”. Eles propõem apenas que, no caso de precisar, se mude de assunto, busque outra coisa: “o ideal é mudar o foco e imaginar-se em outro lugar ou deixar os pensamentos soltos”, alegaram os pesquisadores.

Num esforço para colaborar com a calma humana, o que está bem difícil dada a quantidade de energúmenos à solta, trapalhadas a granel, roubos à luz do dia e distúrbios comportamentais ainda não diagnosticados com os quais temos de lidar, proponho que pensemos em quanta coisa contamos. Fora contar com Deus, claro.Gifs%20Animados%20Relojes%20(3)

Contamos dinheiro e trocados na carteira, que contamos que ninguém roube. Contamos o tempo, horas, minutos segundos, e contamos as pintas no nosso corpo à medida que ele passa. Contamos os fios brancos que nos aparecem na cabeça, sempre pulando, salientes. Contamos os dias que faltam para o aniversário, férias, menstruação, para ver quem ama.

Contamos lorotas. Quem conta um conto aumenta um ponto. Assim, contamos com os amigos para ouvi-las sem deboche. E eles são raros, se contam em uma mão.

Contamos agora de forma diferente outros amigos, seguidores, quantos curti em cada postagem que contamos que alguém leia.

Contamos as colheres de sopa e outras medidas para as receitas que tentamos fazer. Para depois contar as calorias e os quilos que ganhamos ou perdemos. Contamos com o ovo da galinha, com a sorte, e com os números negativos da economia que estão fazendo com que tudo agora seja mais contado. Comedido. Para que não sejam incontáveis as contas que temos a pagar.

Animated%20Gif%20Counter%20(11)Contamos piadas para disfarçar ou depois que não contamos quantas taças de vinho, quantos copos de cerveja tomamos. Contamos mentiras que contamos sejam aceitas como verdades.

Fazemos contagem regressiva. E podemos pegar a mania de contar coisas – pode até virar aquele transtorno, obsessivo compulsivo. TOC.

Contamos os toques quando escrevemos. Conheço um jornalista que costuma dizer quantos milhares de caracteres já escreveu sobre determinado assunto, e são sempre muitos, porque ele não conta com nenhum controle quando escreve.

Contamos positivo, negativo. Às vezes por brincadeira; outras por distração. Quem aí não conta os degraus enquanto desce ou sobe?

Aquela escritora lá não contou quantos tons de cinza? Sabem que outro dia vi uma entrevista que me provou que tudo bem, conte quanto quiser, que ninguém confere mesmo. A moça escreveu “Cem homens em um ano”, mas parou no 34º.

Será que dá para reclamar no Procon? Antes que eu conte até dez.

São Paulo, conte comigo, 2013Marli Gonçalves é jornalista– Além de tudo anda contando quantas coisas agora viraram apenas letrinhas, uma nova língua de siglas usadas principalmente em repartições. Prefere as letras das placas dos carros, que sempre podem formar alguma expressão, em um divertimento gratuito, que acalma tanto quanto contar até 10.

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ARTIGO – Salve-se quem puder!Por Marli Gonçalves

98x98_63fms_raio_190v8kDeseducação, deselegância, pouco caso, grosserias e mentiras ditas e repetidas como mantras, acompanhadas de imagens publicitárias, incentivos ao confronto como turbas enfurecidas. Será a água que bebemos, o ar que respiramos? Ou é apenas o chão que pisamos, território nacional?bateau003

Corre na internet uma velha piada, a de que as grávidas e os velhos devem dar sono porque basta que se aproximem para que todas as pessoas apareçam dormindo nos ônibus e transportes coletivos. Todos os dias surgem nas redes sociais postagens muito reais e verdadeiras, várias documentadas com fotos, com exemplos espantados de enfrentamentos ou de situações verdadeiramente primitivas, e totalmente deselegantes, como diria a Annenberg. Problema é que elas estão se avolumando de forma assustadora, em todos os níveis, e nós não podemos continuar considerando normal essa situação, porque já seria uma derrota geral.

Surgem imagens de carros parados em vagas exclusivas e seus donos jovens e fagueiros ou pomposas senhoras ligando os seus foderaizers particulares, dando de ombro, vários até bem ameaçadores. Surgem murmúrios, reclamações e constatações sobre pequenos encontros e esbarrões, e de tanto ouvi-los, chego à conclusão que infelizmente houve uma morte terrível e não anunciada: as desculpas, o pedido de desculpas. E sinto ainda informar que se encontram em estado grave as expressões “com licença”, “obrigado”, “por favor”.

dfjc24adComo ninguém – eu disse ninguém – pode me chamar de careta, reacionária ou outros adjetivinhos em voga na boca da turba louca, me divirto muito, porque escrevo mesmo: estamos andando para trás, estamos regredindo, perdendo o sentido do social, que não é só o que os tais últimos dez anos de poder político apregoam. Social é convivência, cidadania, solidariedade, e não é bem o que a gente vê sendo incentivado, muito menos naquele Brasil engraçado ( que desconheço, assim como várias pessoas que consultei) que mostraram na tevê no horário político do PT essa semana. Como tão bem descreveu um amigo, ao ver a imagem do mapa do Brasil subindo, em relevo, da Terra, saindo para a órbita celestial, decolando, conforme diz o narrador: “Decolou mesmo. Está indo para o espaço!”

trem fantasmaPensando no assunto, do ponto de vista social, não político, percebi que apareceu uma nova e devastadora cultura, à qual chamarei provisoriamente de cultura BBB, reality show. Aquele bando de brucutus e brucutuas sem cérebro, querendo vencer a qualquer custo e ganhar uns trocados e alguns segundos de fama, moralistas, muitos homofóbicos, fazendo fofocas e intrigas, estabelecendo padrões angustiantes, tanto estéticos como morais. Nem a nudez mais é pura como devia ser. Nos vestiários femininos e masculinos de academias assistimos às mais novas acrobacias, de dar inveja aos contorcionistas! Outro dia me contaram rindo muito uma cena de um cara que, de tanto medo de ser, digamos, “comido com os olhos”, se entortou todo para botar uma cueca mais rápido que a luz, depois de tirar aquela bermuda justinha que os lutadores usam nos treinos. E olha que estou falando de jovens, ok? Não há mais flor da pele, apenas nervos aparentes.

Falo de uma guerra urbana na qual vemos todos os dias nos noticiários os resultados e eles são a cada dia mais cruéis. Bicicletas esmagadas, bebês esmagados, mulheres esmagadas, animais esmagados. Não tem dia não tem noite não tem calmaria. Não tem lugar. Aumentam assassinatos, estupros, professores espancando alunos e vice-versa. Não tem idade, só brutalidade.

Tente sair com o espírito leve, solto, tralalá,tralálá. Só com sangue de barata conseguirá voltar para casa sem ter se irritado, sem ter sido maltratado, ou literalmente pisado pelos transeuntes que agora andam só de cabeça baixa teclando alucinados seus celulares e dando encontrões por aí.

Tente passar sozinho por um grupinho de celerados iguais, com seus risinhos irônicos e comentários entre dentes. Tente esperar que lhe deem passagem voluntariamente.

Pior, quando o caso requer, tente procurar autoridades para ajudar.

Viraremos todos mosqueteiros ao contrário. Ou empunhando espadas por aí.

São Paulo, SOS, 2013 MEDITATIONMarli Gonçalves é jornalista– Tem horas que busca a calma lá nos fundinhos. Da alma.

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ARTIGO – BUM! MEDO, por Marli Gonçalves

boom-bam-powA gente já anda ressabiada com tanta coisa, e agora essa. Explosões, estouros e petardos. Qualquer traque, estrondo ou barulho mais forte a vontade que dá já é a de sair correndo, ou se encolher, coisa que, aliás, estamos fazendo a cada dia mais: nos encolhendo à nossa insignificância. E tem tanta coisa que explode sem nem fazer barulho…370_4c5a176c3033e

Caramba, que cena de guerra foi pouco para descrever o estrago da linha de chegada da maratona de Boston. Bastaram dois irmãos alucinados de boné na cabeça e cara comum, duas mochilas, duas panelas de pressão, pregos e alguns detalhes para parar a respiração do mundo inteiro. Uma faísca, em outro lugar, quase implode uma cidade. É o horror, o terror, que nos descobre a bunda, por mais que tentemos nos esconder. Mas não há o que fazer, a não ser viver.

Ando cismando muito, buscando entender nossos novos tempos, mas parece impossível porque não há mais qualquer lógica. Se ocupássemos as ruas, usando-as, e não mais nos fechando em shoppings e condomínios, se fizéssemos sempre movimento, dia e noite, nos encontraríamos mais, estaríamos mais fortes?

12_boomMas os bueiros explodem no nosso caminho; os botijões de gás mandam aos ares portas, portões e janelas. E motos e carros com escapamento aberto nos torturam com explosões de estourar tímpanos, arregalar os olhos, disparar o coração. Qual é a graça que há em atormentar as pessoas assim?

Fossem só as grandes explosões nossos tormentos! Fossem só onomatopéias – Boom!Bum! Buum! Cabrum! – e fossem só as explosões ouvidas as que nos afligem. Não, até nosso humor explode com o noticiário e inação das autoridades. Nosso saco estoura de tanto guardar e aguardar as promessas que teimamos em acreditar que serão levadas, no mínimo, a sério.

O mundo anda cheio de estampidos, explosões, estouros e arrebentações nos tornando medrosos e nervosos, muito nervosos, tensos até a medula. São jovens ainda com espinhas espoucando no rosto alguns dos nossos algozes, muitos nascidos da falta de cuidados pura e simplesmente ou do estouro de camisinhas, e que reproduzem comportamentos – já não se emocionam mais.

Explodem, muitas vezes até sem deixar rastros, pedra sobre pedra, amores, amizades, famílias. Muitas vezes porque verdadeiras bombas chegam para infernizar, e informações podem ser sim explosivas, mesmo que não necessariamente jornalísticas. Bomba!Bomba!Bomba! – anunciamos ironicamente antes de fazermos grandes revelações.hDB17D416

Estoura a bolsa da mulher que corre para a maternidade rezando por ser atendida. E que continuarão rezando para que seus filhos completem suas vidas ano após ano, e que ela possa comemorar esses aniversários entre muitos balões coloridos, aqueles poucos que estouram e ainda nos fazem rir.

Estoura a Bolsa de Valores quando pressente algum movimento dos grandes batedores de carteira, dos investidores que negociam com a nossa sorte.

Estoura nossa paciência, a conta no banco, explodem as rugas e estrias em nossos corpos. Agora, temos que correr, e muito, porque lá vem outro estouro por aí, e que pode implodir muitos sonhos: a inflação.

Ficamos sentados como bolhas, não sobre um, mas sobre vários barris de pólvora.

São Paulo, pavios curtos, 2013

Marli Gonçalves é jornalista– Conseguiu estourar a tela do celular na correria do dia a dia, e o tendão do pé nos buracos da vida.

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ARTIGO – DANCINHA DO TOMATE, POR MARLI GONÇALVES

0001Vou é inventar uma dancinha já já. Preciso ficar famosa. Aliás, precisamos. Mas o problema é que sempre é necessário fazer um vídeo, publicar no YouTube, cair na rede e rezar. Esperar “bombar”, uma coisa que ninguém sabe exatamente como ocorre, como é que algo se torna viral, e como se ganha algum com isso tudo – só o sucesso assim, seco, não vale. Vamos precisar marcar uma data, convocar um povo, irmos à praça pública, pensar no figurino, descolar uns brindes, umas gostosas… Quem topa? rocket group nd_070 nd_073

Sou brasileira, portanto… É. Não desisto nunca. Mas não é só isso. Temos ginga, não? Somos um povo simpático, receptivo, criativo, espirituoso, rebolativo, e que sempre dá um jeitinho de passar um dia após o outro, deixar para depois até que o depois nos atropele e não preste socorro. Mas tudo bem. Otimismo! Somos maravilhosos, umas pitanguinhas.

Assim, resolvi pensar numa coreografia especial e peço a ajuda de todos. Imaginei começar algo bem para “cima”. Mãos ao alto, para lembrar como é legal ninguém mais conseguir sair tranquilo nem até ali. Elas, as mãos, ficam um bom tempo no alto, porque a gente vai fazer igual na política, e dividir nossos grupos em dois: Nós e Eles – chamemos assim. As mãos só se abaixarão quando o outro grupo recuar. E assim por diante.

54yhPor sua vez, até que se afastem, os movimentos de mão desse grupo Eles serão bang-bang, simulando um bang-bang, com uma arminha de brinquedo, um explosivo, um rojão. É muito importante o uso das mãos nesse grupo que ataca. As mãos afanam, afagam, e tem uma líder que faz coraçãozinho toda hora com elas.

Os passos: o grupo Nós fica um bom tempo literalmente pisando no tomate – obrigatoriamente teremos de usar tomates cinematográficos porque o verdadeiro, vocês sabem, está pela hora da morte. Para entender esse passo, lembrem do Luis Vieira, do Luiz Gonzaga, daquele passinho miudinho, xaxado, atrás do tomate que foge, como se alguém o puxasse com uma cordinha, já que não dá para comprar nem ele. Sentiu o balanço? Mãos para o alto, mãos para trás.ShadowBallet

Detalhe: as mulheres desse grupo Nós terão de manter as pernas bem fechadas, enquanto o grupo Eles simulará chegar em uma van de vidros escuros. Mas aí tem de ter também alguma estrangeira, porque parece que só assim as brasileiras chamam a atenção – precisam cantar em outra língua. Só assim terão atenção, pacificadas.

O resultado final vai ficar uma coisa bem mistureba, tipo Village People, YCMA, lembram? Polícia, índio, operário, agricultor, etc. Mas a gente vai poder inovar mais – somos muito mais diversificados. Podemos ter, por exemplo, uma fila de pastores. Outra de estudantes gritando em vão. Empregadas libertadas do terrível jugo escravocrata. Políticos com olhos e ouvidos tapados. E pisa no tomate! Sem esquecer o batuque.

omar_scratching_md_whtPodemos também pensar em homenagear outras dancinhas famosas na nossa coreografia: a da banana, que parecemos ver todo dia, aqueles movimentos de braços. Aqui, ó! A dancinha Thriller, do Michael Jackson – as ruas já têm dezenas de mortos-vivos, precisaremos só chamá-los para engrossar nossa coreografia, o passo já conhecem. Bem, o movimento Harlem Shake já está embutido, porque mais do que estamos sendo sacudidos, difícil. Só não pode esquecer o sorriso no rosto. O Gangnam Style eu já acho que usaremos apenas um pouco só do nome do autor coreano. Faremos o Psiu! Calado! Não reclame. Há um monte de gente que saiu da linha da miséria, todo mundo pensa no seu conforto, está tudo a mil maravilhas. Daí diminuírem preços de um lado e aumentarem de outro, para dar um balanço especial. Como as ondas do mar.

Nós e Eles: vai ter uma hora que todos dançaremos juntos. Juntinhos, agarradinhos, para “sensualizar”. Pode haver inserção de takes, “A luz dessa cidade sou eu”, com Daniela Mercury e outras bandas. De um lado. De outro, sertanejos e Calypsos, Joelmas e Chimbinhos, Hudsons…stripy

Ainda não cheguei à conclusão sobre qual ritmo geral vai predominar, mas isso não terá tanta importância, se raps, hips ou hops. Talvez saia uma geleia igual no jazz.

Vocês estão aí rindo? Não estão me levando a sério? Pois saibam que, se fizermos tudo direitinho temos grandes chances de acabar com uma guerra anunciada. É. Ou vocês acham que o ditadorzinho da Coreia do Norte, o Kim Jong-un, não vai querer correr para cá, para pisar no tomate também?

Vamos lá! Até o chão, chão, chão. Ai se eu te pego!

São Paulo, delirante, 2013minisport01412kmMarli Gonçalves é jornalista– Andam me cobrando mais otimismo. Tá aí. Topa um ensaio geral? É devagar! É devagar! É devagar, é devagar, devagarinho… Devagarinho.

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ARTIGO – Tapa na cara, por Marli Gonçalves

agmisc7Que semana, que dias horrorosos, quanta tristeza, lamento, dor, vergonha. Ainda olhamos no espelho as nossas faces rubras de tantos os tapas na cara que levamos, tantas as bordoadas. Nem sendo religioso e virando o outro lado do rosto. Já viraram por nós e o espancaram também

Corrupção, pouco caso, impunidade, leis não cumpridas, falta de ordem, de fiscalização, distribuição de propinas, cegueira generalizada, bandidos elegendo bandidos, fortes esmagando vozes, volta triunfante dos enxotados. Aqueles corpos estendidos no chão, queimados sem vela, envenenados em meio à alegria, e a simples menção da cena das centenas de celulares tocando em seus bolsos, procurados que eram naquela madrugada por quem pressentia que não mais os veria ou ouviria, não são coisa para se esquecer. E , assim como os sobreviventes e os feridos que ainda conseguirem escapar, lembrarão da terrível noite de Santa Maria para sempre, o resto de seus dias – inclusive porque certamente ainda sofrerão suas consequências – nós também não devíamos esquecer.

Mas esquecemos sempre, e sempre, como se nunca aprendêssemos nem com os nossos erros nem com os erros dos outros. Chega o Carnaval no país do próprio. Salões inseguros novamente estarão cheios de palhaços e colombinas com dedinhos para cima jogando álcool para dentro de si próprios, insanos, dormentes, banalizados e totalmente bananizados.

A serpentina, o confete, a música das bandas e trios elétricos, as piadas sem graça das musiquinhas axé-quentes-sensualizantes já transborda no país que esquece. Esquece de si. De seu papel, de suas possibilidades grandiosas de futuro. Tudo para viver um momento, um papel reles, pequenino, momentâneo, que acreditam histórico e infindável, com parceiros mal escolhidos, mal ajambrados. Com as névoas da propaganda maciça.

Não, não queremos luto eterno. Nem somos oposição por prazer. Queremos apenas que sirva para algo a alegria apagada daqueles cérebros que jamais veremos frutificar; assim como queremos, tinhosos que somos, que os feitos e a luta das milhares de pessoas perseguidas ou mortas lutando pela liberdade e democracia tenham valido.

agmisc4Mas na mesma semana recebemos mais outros muitos tapas na cara. Murros. Descobrimos estupefatos que sempre pisamos todos em solos inseguros quando o pó da estrada baixa, após os cavaleiros passarem em garbo buscando culpados, tomando providências, batendo os cascos. Descobrimos, ainda, todos, que o idealismo morreu – vigoram agora os interesses, a divisão, a discórdia, as mentiras, e a desgraça de uma classe média que ainda ousa pensar, tentar reagir, se organizar, mas que dispõe de canetas apenas para abaixo-assinados ou para mostrar a boa marca em eventos sociais. Corajosa, mas apenas atrás da tela de um computador, de um pseudônimo; preguiçosa e egoísta demais para ir às ruas bater bumbo.

graphics-fighting-756075Isso é para a gente deixar de ser bobo, inocente, acreditar em pasteis de vento, que comemos ainda lambendo o leite derramado. Se festejamos alguma vitória, percebemos logo como elas eram apenas miragens no deserto ético. Ainda por cima, todos os dias ouvimos quietos que tripudiem em cima do pouco que achávamos ter conquistado, e eles o fazem de forma bruta, deselegante, terrivelmente avassaladora inclusive em nossas relações sociais – se não pensa como eles inimigo é. Criam exércitos de zumbis, usam robôs eletrônicos, amealham a ignorância, semeiam a discórdia, implodem ou manipulam os fatos, e quanto mais velhos vão ficando mais distantes estarão do que chamo de atingir o bom senso, como diria Tim Maia em seu Universo Racional. São guerrilhas desinteligentes e obtusas.

Não consigo ver passar esse rio em nossas vidas sem me chatear. Não tenho mais preferência de margem para pescar – nem direita, nem esquerda. Até porque não há nada mais antigo e burro do que definir o mundo assim de forma tão maniqueísta. Prefiro apenas navegar com meu barquinho.

agstickfigures2Já pensei diferente, não esqueço não – e a margem esquerda sempre foi a minha predileta, porque tudo o que eu queria e almejava para mim e para o meu país estava lá.

Agora não está mais, quase nada de bom está ali – até ao contrário, infelizmente.

Do meu morrinho de observação vejo reunidas ali só umas pessoas muito chatas e transformadas, além de um monte de piranhas famintas pelo poder, dinheiro e alguma carne nova para triturar.agstickfigures1

São Paulo, 2013, o ano que começou com o ferro e o fogoMarli Gonçalves é jornalista– Anda difícil escrever, ser voz ou dar voz à razão. Agora, ainda por cima, andam querendo destruir e desacreditar a imprensa. Não conseguirão. A gente sempre vai usar o jornal para embrulhar o peixe, incluindo essas piranhas que ora ocupam a margem esquerda. Nossos cães ainda ladrarão muito e farão xixi em cima das fotos deles, sempre flagrados em suas falcatruas.

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ARTIGO – São, São Paulo, quanta dor, por Marli Gonçalves

MEDOMãos ao alto! São Paulo faz aniversário e, se bobear, roubam até o bolo e usam a cereja para balear alguém. Precisamos parar para falar disso, dessa violência insana que inunda a cidade mais do que as enchentes, buscar algumas soluções antes que seja tarde demais e a gente nem consiga mais atravessar a Avenida São João com nossa deselegância discreta. Só com armaduras e lanças

Stop! Pare, agora! Senhor juiz! Todo dia, todo santo dia, estamos vendo, ouvindo, sabendo ou sentindo na pele alguma violência desmedida, que não pode mais ser explicada só por diferenças sociais, patatipatatá, blábláblá-blábláblá, patéticas e emboladas teses teóricas. Bala para todos os lados, tiros para todos os cantos, gente e ratos saindo de bueiros, maltrapilhos de marca. Já não só roubam ou assaltam mais – estão deixando suas marcas de Zorro, como que contando crimes para um curriculum que entregam para as facções. Quanto mais malvados, mais respeitados no mundo do crime que ganha espaço em cima do nosso mundo.sample_bstard

Fora a loucura generalizada, passional, irracional, estressada e violenta.

Não é por menos que uma semana antes de seu aniversário São Paulo conheça uma pesquisa onde mais da metade dos entrevistados diga que está querendo dar no pé; e 91% (91%!) relatem a sensação de insegurança. Ela, a insegurança; ele, o medo. O ar que respiramos está ofegante; nossos olhos esbugalhados.

Pouco importa, ao que parece, não reagir. Pouco importa não dar sorte ao azar, e as pessoas já estão deixando de sair à noite. Estamos falando de uma violência geral, sem eira nem beira, e nem só vinda de criminosos contumazes. Não reaja a provocações, olhares feios, empurrões. Não reclame dos serviços, do troco, não pise no pé de ninguém, não soluce, não tropece. Não cobre seus direitos. Abaixe os olhos, fique calmo, não faça movimentos bruscos. Não solte pum. Não deixe facas por perto.

A cidade de 11 milhões de habitantes, rica, rica, está sitiada. Do que adianta termos – veja só, alguns números – 38% das 100 maiores empresas privadas de capital nacional, 63% dos grupos internacionais instalados no Brasil, 17 dos 20 maiores bancos, 8 das 10 maiores corretoras de valores, 31 das 50 maiores seguradoras, aproximadamente 100 das 200 empresas de tecnologias?

hx0t43cdDo que adianta termos – se não podemos mais nem comer em paz, sem sermos arrastados – 12.500 restaurantes, 52 tipos de cozinhas, 15 mil bares, 3.200 padarias, 500 churrascarias, 250 restaurantes japoneses, 1.500 pizzarias? (1 milhão de pizzas por dia, 720 por minuto). 160 teatros, 110 museus, 40 centros culturais, 64 parques e áreas verdes, 240 mil lojas, 79 shoppings? Tudo é grande, numeroso, espetaculoso, portentoso.

E perigoso! Daí, talvez, São Paulo ter duas mil opções de delivery! Os dados são da SPTuris, a empresa estatal de turismo.

Há muitos anos assisti a um filme com o Kurt Russell (hoje passa toda hora na tevê), o Fuga de Los Angeles, que mostrava um mundo totalmente degenerado. Fui relembrar – aliás, lembrei dele porque precisei ir ao centro da cidade essa semana e senti o que é insegurança total; atarracada com a bolsa, apavorada a cada criança por perto – e parecem todas muito “manos”, com bonés iguais, linguagem igual, olhar agressivo igual, atitude suspeita igual. Fiquei chocada com a atualidade dos fatos do filme, de 1996, categoria ficção científica, vejam só: os fatos se passavam em 2013, como John Carpenter imaginava que seria o ano que já chegou.

É mais que violência, 10 minutos de crimes no Jornal Nacional, caras de espanto, e choros sobre sangue derramado. É mais do que esperar do governador zonzo alguma atitude, já que os policiais também vêm revidando com a morte.

É cultura que está se criando. A do pouco importa, a vida sem valor. Não é mais a lei do mais forte: é a lei do mais armado.justice_14

É política. Se continuar assim haverá uma tomada de poder, de espaços – são os novos e terríveis guerrilheiros urbanos, sem pai, nem mãe, e sem ideologia; será o fracasso total das leis, o pega para capar,o vire-se como puder.

Seria bom se aproveitássemos essa data querida para uma reflexão. E que comece pelo passado.

Onde erramos?

São Paulo, 459º ano, 2013 dragonbdayMarli Gonçalves é jornalista– Do tempo que valores não eram carregados em carro-forte. E quando Tom Zé achava que eles se agrediam cortesmente.

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Jornalismo, Profissão Perigo. Aqui também.

Brasil é o 3º no ranking da América Latina de jornalistas assassinados

jornalismo no Brasil
jornalismo no Brasil

O Brasil é o terceiro país da América Latina onde mais jornalistas foram assassinados em 2011. Segundo ranking elaborado pela Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), 4 das 24 mortes de profissionais de comunicação registradas foram no Brasil, que fica atrás apenas do México (7 mortes) e de Honduras (5). Também estão no ranking Peru (3), Colômbia (1), El Salvador (1), Guatemala (1), Paraguai (1) e República Dominicana (1). Os quatro jornalistas brasileiros citados pela SIP são Luciano Leitão Pedrosa (morto em Pernambuco, em abril), Valério Nascimento (Rio, em maio), Edinaldo Filgueira (Rio Grande do Norte, em junho) e Vanderlei Canuto Leandro (Amazonas, em setembro). Em novembro, também foi morto com um tiro de fuzil o cinegrafista Gelson Domingos, 46, da TV Bandeirantes, enquanto registrava uma operação policial em uma favela na zona oeste do Rio, mas seu nome não entrou na lista. De acordo com a entidade, o número mostra um perigoso avanço do crime organizado no Brasil, em muitos casos em conluio com funcionários corruptos da administração.

fonte: coluna CH -www.claudiohumberto.com.br

ARTIGO: Os desavergonhados

                                                                                                                                                                           Marli Gonçalves  Com a permissão de vocês, daqui vou abrir fogo de vogais e consoantes contra eles, vocês bem sabem quem, todos eles, usando minha metralhadora de letras: dissimulados, desaforados, mentirosos, desonestos, safados, enganadores, hipócritas, mascarados, insolentes e indolentes, atrevidos, cínicos, asquerosos, repulsivos, desagradáveis, repelentes, torpes, repugnantes, sórdidos, descarados, vis, ordinários, tratantes, velhacos, biscas ruins, espertalhões, embusteiros, trapaceiros, impostores, caras-de-pau, enganadores, falsos, rancorosos, tenebrosos, traiçoeiros!

Pápápápápápápápá. Ratatá… Ratatá …Ratatá Ratatatatatá.

Tem mais sugestões? Deve mesmo existir mais algumas dezenas de palavras para dizer para eles todos, esses zinhos (e infelizmente, algumas zinhas) que, com suas ações e decisões, nos atingem e nos tornam tão mais infelizes e sem esperança. Nos ameaçam e reprimem. Nos dão medo e nos fazem temer por tudo, desde a ida de alguém querido até ali, a padaria, até o que será que vai sobrar da corrosão interna implantada no país. Iguais pragas daninhas florescem nas sombras, nos corredores e gabinetes, nas mansões e carros de último tipo e agora também em aviões, helicópteros, jatinhos. Só falta se articularem em balões e começarem a mandar mensagens entre si usando as pipas das crianças. Celulares atirados com arco e flecha para dentro dos presídios, ah, isso já fazem.

“Eles” são os assassinos de nossos amigos ou de amigos de nossos amigos. Eles são os que roubam e muito, inclusive do prato das crianças, da merenda, e corróem como traças os livros que deveriam ser usados para educá-los. Eles são os que deviam nos proteger – afinal, foram eles que resolveram ser policiais e sabiam que o pagamento é ruim – mas nos ameaçam, quando estão com farda, ou à paisana, quando trabalhando como seguranças ou capangas.

Eles não têm pena, ideal, não têm dó, não tem remorso ou coisa igual. Capaz de terem é inveja de quem rouba mais do que eles; são capazes é de caguetar os concorrentes para dominar o mercado da roubalheira. Eles têm família, parece. Mas agem como se não as tivessem, atuando com uma espécie de dupla personalidade, dupla moral.

Eles também são os corruptos, os vermes pegajosos que desfrutam de contratos milionários fraudados das administrações públicas deste enorme Brazilzão de Deus, tão grande e tão incontrolável, e talvez até por isso tão facilmente corroído. Só de vez em quando uma rede de arrastão, randômica, os flagra – e sempre quando eles próprios brigam entre eles ou se excedem, querendo mais, sempre mais, vampiros do sangue. Atacam a jugular da Saúde, da Educação, da Habitação, do desenvolvimento básico. Uma espécie que também é frugívora, frugal: adora laranjas, para espremer, bananas (como nós) para amassar e tomates, nos quais pisam à vontade. Os morcegos, ratos que ficam de cabeça pra baixo e só saem nas trevas, são assim.

Eles também são os enrustidos sexualmente que odeiam o que desejam e querem, e matam por isso, para ver se deixam um dia de querer e não conseguem, não dominam nem os seus próprios íntimos, seus sentimentos de culpa e seus errôneos sentimentos justiceiros. São todos os que matam, ou por falta de coragem para enfrentar, anônimos, contratam matadores, incentivam a violência, se infiltram nas mentes fracas, lideram grupos do mal.

Eles todos – esses inomináveis – já nem se preocupam mais com argumentações, explicações, nem mais tentam ou se proclamam como inocentes, já que muitos, entre os mais poderosos, temos mesmo de engolir zagalísticamente. “Fiz. E daí? É o meu poder que me dá direito e não vejo nada de mais”. “Ah, andei sim. Peguei carona, sim. Mas sabe que não sei de quem era o lindo aviãozinho que me levou? Esqueci”. “O que tem de mais a conta que cobrei?”. “Uai, só porque o cara é meu amigo não pode ganhar, sem concorrência, uma obra?”

Outro dia um lindo ingênuo me perguntou, curioso – a propósito de uma reunião partidária que tinha sido noticiada – se eu sabia como exatamente eram feitos os acordos, se eram abertos, ou seja, se eram feitos por todo o grupo, na sala. Ele queria saber se os caras fechavam a porta do banheiro antes de fazer o “número 2” que combinavam para as votações. Não respondi até agora porque ainda não parei de rir, imaginando os bandidos – bigodudos em geral, empertigados, caras de mordomo, cabelos asas da graúna ou acaju – cochichando cuidadosos nos ouvidos uns dos outros.

Taí: houve apenas as quedas de tantos números dois, que levaram só a outros afastamentos, e as histórias e sujeiras principais ficaram, estancaram esquecidas no canto.

Ou à beira do cais do porto de Santos. Em algum recôndito do Amapá; debaixo dos Lençóis maranhenses. No nosso Curupu.

São Paulo, candidatos a granel, 2011, como se já fosse 2012(*) Marli Gonçalves é jornalista. Claro que não esgotou os xingamentos-bala, mas buscou usar termos mais contidos. Como a coisa parece que só piora, melhor guardar armamento pesado, o colete de dizeres e o capacete, para os próximos protestos. Esperando a primavera brasileira, a primavera nacional.

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TUDO O QUE HAVIA A SER DITO SOBRE ESSA PESSOINHA RAFINHA

AGORA, CORRE!

APROVEITA E VAI LER O ARTIGO BÁRBARO QUE A VANGE LEONEL  ESCREVEU

NO BLOG DELA, LA NO http://vangeleonel.posterous.com/justica-rafinha-bastos-e-os-gays-das-novelas

LIBERDADE PARA VALQUÍRIA. MATOU O MARIDO QUE A MARTIRIZAVA, EM MACEIÓ. VIOLÊNCIA SILENCIOSA CONTRA A MULHER. ATÉ QUANDO?

Briga de casal: cansada de apanhar, mulher reage e mata marido

Sidney Tenório

Uma briga de casal acabou em morte, na noite desta quarta-feira (18), na favela Mundaú, no bairro do Vergel do Lago. A catadora de mariscos Valquíria da Conceição, 33, foi presa acusada de matar o próprio marido, Osnir Barreto, 35, com uma faca.

A vítima foi atingida a facadas e ainda chegou a ser socorrida para o Hospital Geral do Estado, mas não resistiu aos ferimentos e morreu no início da madrugada.

Policiais militares prenderam Valquíria da Conceição em flagrante e a conduziram para a Central de Polícia, onde ela foi autuada em flagrante pelo crime de homicídio.

Ao ser interrogada pela polícia, a mulher ainda estava transtornada com o que havia feito. Ela alegou que agiu em legítima defesa e que já estava cansada de apanhar. “Essas cicatrizes que tenho no corpo são fruto da violência que vinha sofrendo. Não aguentava mais”, ressaltou Valquíria, que estava casada com a vítima há dois anos.

Na manhã desta quinta-feira, a acusada foi transferida para a Casa de Custódia da Polícia Civil.

http://tudonahora.uol.com.br/noticia/policia/2011/05/19/141477/cansada-de-apanhar-mulher-reage-e-mata-marido

Gostei. Essa moçada está ficando mais esperta. Garota de 15 filma – e prova – que padrasto a estuprava

Enteada de 15 anos grava cenas de estupro e padrasto é preso no Rio

Vítima informou à polícia que os abusos ocorriam há 9 anos.
Ao saber do fato, mãe da jovem passou mal, segundo a delegada.

Do G1 RJ

Um homem de 70 anos foi preso, na manhã desta quarta-feira (4), na Freguesia, na Zona Oeste do Rio, suspeito de ter abusado sexualmente da enteada de 15 anos. Segundo informações da delegada Marcela Ortiz, da 41 ªDP (Tanque), onde o caso foi registrado, a vítima gravou as cenas em que teria sido estuprada pelo suspeito e levou até a delegacia na noite de terça-feira (3).

De acordo com a delegada, a jovem informou que os abusos aconteciam há 9 anos, mas nunca teve coragem de denunciar o padrasto à polícia, porque, segundo ela, era ameaçada de morte. No entanto, o namorado da jovem ficou sabendo do caso e pediu para que ela filmasse as cenas com a câmera do computador.

Ainda de acordo com a delegada, como o suspeito não foi pego em flagrante, a Justiça concedeu nesta manhã a prisão temporária dele e autorizou a busca e apreensão na casa onde ocorreu a prisão. No local, foram encontradas uma espingarda, munições e uma faca. O suspeito foi autuado por estupro de vulnerável e posse ilegal de arma e munição.

Mãe da vítima passou mal
A delegada ainda informou que a mãe da jovem passou mal na delegacia ao saber do ocorrido. “Ela disse que o marido tratava a menina como filha e nunca imaginou que isso um dia pudesse acontecer. Ela passou muito mal e teve quer ser socorrida por uma ambulância”, disse.

A mãe da vítima também foi surpreendida ao saber que os abusos ocorriam enquanto ela estava em casa. “Ele aproveitava quando a mulher estava distraída com algum serviço doméstico e molestava a menina”, concluiu a delegada Marcela Ortiz.

http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2011/05/enteada-de-15-anos-grava-cenas-de-estupro-e-padrasto-e-preso-no-rio.html

ARTIGO – Soltando as frangas

Plenos dias de uma agitação correndo solta por aí, os blocos na avenida, perfumada de xixi e suor. As fantasias mais doidas afloram. Saem cortejos de reis e rainhas banguelas e desnutridos. Tudo parece mais colorido, mais lisérgico, e é Carnaval no país do samba. Aqui, todo dia é Carnaval. Sorria, você pode estar sendo filmado. Começe a cantar, assobiar, disfarçar para ir saindo de fininho,
“ô Coisinha Tão Bonitinha Do Pai,
ô Coisinha Tão Bonitinha Do Pai”…

 
Marli Gonçalves
 
– Cachaça não é água não… Cachaça vem do alambique…

Líder do governo acha que cachaça é água e alimenta. E vai para o bar tomar champanhe que agora ele é importante. Um intelectual metido que ia e não vai mais porque andou diagnosticando a ministra que ia chefiá-lo já arrumou boquinha em outro bloco. O povo lá de cima, com caneta na mão, em um dia age como a rainha má, “Cortem as contas!”. No outro anuncia gastos e saco de bondades com o meu, o seu, o nosso. Diz que corta viagens, mas vai lá verificar a agenda de alguns destes seres – vai ficar besta de ver como somos tão representados em vários lugares deste mundão. Aproveitando os feriados, vai, já fica por ali…

– Agora vou mudar minha conduta/ Eu vou pra luta /Pois eu quero me aprumar/ Vou tratar você com força bruta/ Pra poder me reabilitar/ Pois esta vida não está sopa/ E eu pergunto com que roupa?

Viraram uma casta que de castos nada têm. Heróis enrolados em bandeirinhas ondulantes defendendo os miseráveis, sempre em nome deles, que continuam miseráveis. E apontar isso, falar umas verdades, pode até custar umas amizades, e de gente do bem, que acredita. Não admitem estarem errados.

– Acorda Maria Bonita / Levanta vai fazer o café / Que o dia já vem raiando / E a polícia já está de pé!

– Me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí!

O maluco esticado e fardado de lá, com suas medalhas brilhantes, manda bombas em cima do povo. O delirante de boina daqui de perto quer fazer mediação e propõe que Lula, o novo coach que vai derrubar grandes palestrantes de outrora, apareça na confusão. Não haverá guerra interplanetária que resistirá à crise de risos.

– Olha a cabeleira do Zezé! Será que ele é? Será que ele é?

Grande dama do sofá da televisão faz estréia de programa em gravação, mas quinze dias antes de ele ir ao ar! Mas, porque era perto do Dia da Mulher todas quiseram fazer entrevista com a presidente, mas o papagaio, a loura e as panelas com ovos chegam antes. E a própria foi descansar na Barreira do Inferno. Verdade. Não é invenção. É área militar, cheia de canhões e tanques.

– Ah! Eu tô maluca!

Comissões no Congresso Nacional têm de tudo. De Tiririca a boleiro. De mensaleiro a cara-de-pau. Delegado de partido comunista que vai virar banqueiro. Lobos e peruas. Maluf e Waldemar Costa Neto, o Boy, cuidando da reforma política!

– A bolsinha do Waldemar/ Dá pra desconfiar/A bolsinha do Waldemar Dá pra desconfiar.

– Ali, Ali, Ali, Ali-Babá, Ali, Ali, Ali, vem pra cá, Você matou quarenta ladrões/ Mas aqui tem mais milhões !

No meio do verão, tem frio e chuva. Chuva e frio, e trânsito. Que todo mundo se acotovela para sair para algum lugar e ficar parado perto daqui. Para descansar. De onde vem tanto dinheiro, que só aparece nos bolsos nos fins de semana?

– Você notou, Que eu estou tão diferente, Você notou, que eu estou tão diferente. A água lava lava lava tudo/A água só não lava/
A língua dessa gente.

No Sul, no Norte, no Nordeste, onde se olha, socorro! Violência gratuita. Loucura de hospício, descontrole, e qualquer vingança é tratada à bala. Parece que estamos é no faroeste barato. Não é jogo virtual, mas tem gente fazendo boliche de ciclistas, de foliões, pulando dos trios elétricos para a morte.

– Vem cá, seu guarda/ Bota pra fora esse moço/Que está no salão brincando/Com pó-de-mico no bolso!

Nas tais redes sociais, qualquer coisa é qualquer coisa, corre mundo, e ai de quem discorda de quem concorda. Escola de inglês explica como ganhar gringo no meio do samba. Vira apologia ao turismo sexual. Quanto às crianças obrigadas as se prostituir, a movimentação sempre cessa…

– Yes, nós temos bananas/ Bananas pra dar e vender/ Banana menina tem vitamina/ Banana engorda e faz crescer.

Estrepolias à parte, neste Brasil varonil, todo dia é mesmo dia de samba. E quem está entrando com o pandeiro somos nós.

– Chora palhaço/Chora que passa/Pimenta nos olhos dos outros, é refresco/
Acho-te uma graça.

(bis)

São Paulo, onde parece que alguém gritou Pega, ladrão!

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Marli Gonçalves é jornalista. Gosta de pensar em manchetes e de cantarolar marchinhas o ano inteiro.

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Dúvida. Juro que vi, vi sim. Na tevê. No noticiário. As pessoas saqueando a casa do cara no morro, do lado da polícia…Você viu? O que acha?

EU, PESSOALMENTE, ACHO UMA LOUCURA QUE A BARBÁRIE SEJA APOIADA EM QUALQUER PONTA DO LAÇO.

HÁ ALGUMA COISA ERRADA.

 

 NESSE MOMENTO, INCLUSIVE, ASSISTO À ENTREVISTA DO ANTROPÓLOGO LUIS FERNANDO SOARES, EX-SECRETÁRIO NACIONAL DE SEGURANÇA,  NO RODA VIVA,  E ELE ESTÁ FALANDO COM UMA SINCERIDADE ANORMAL A VERDADEIRA SITUAÇÃO.

e outra:

Juro que ouvi, ouvi, sim…quem construiu os túneis paralelos por onde os “bons meninos” fugiram foi o pessoal do PAC!

E, enquanto isso, a homofobia ataca. Ofner será processada por casal gay

Mônica Bergamo: casal de homossexuais processa doceria Ofner por homofobia

DE SÃO PAULO

Um casal de homossexuais está processando a Ofner, uma das principais redes de docerias de São Paulo, por homofobia praticada por seus funcionários. A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada na edição desta segunda-feira da Folha (a íntegra do texto está disponível para assinantes do jornal e do UOL).

Ao se abraçar, o casal teria sido repreendido por um segurança da empresa, que teria dito que ‘isso aqui é lugar de família’ e que ‘dois homens se pegando é coisa de bicha’.

O porta-voz da Ofner disse que essa não é a atitude da empresa e que a rede orienta os funcionários a não questionar qualquer comportamento dos clientes.

 http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/837718-monica-bergamo-casal-de-homossexuais-processa-doceria-ofner-por-homofobia.shtml

Se você está no Rio, fique calmo. Não alimente boatos. Nem os animais.

Desde domingo, foram incendiados pelo menos 55 veículos e confrontos entre polícia e criminosos deixaram 27 mortos.

Até o @JornalExtra está pedindo:

  • JornalExtra  – Não alimente boatos. Ajudar a evitar o pânico no Rio é ajudar o Rio

25 de novembro- Como todos os dias do ano, Dia “mais especial ainda” de luta conta a violência contra a mulher. Veja só.

 Olá a todos!

Começo com uma agenda preciosa para hoje.

Veja a programação,alguns comentários e…tem passeata. E tem show!

A mobilização acontece em frente à Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, no Pátio do Colégio, região central da cidade, a partir das 15h. Durante o ato, será entregue um documento que faz críticas às políticas estaduais de combate à violência contra a mulher, consideradas insuficientes para fazer frente à realidade.

  • O PRIMEIRO ALERTA VEIO DE UM TWITTER DA DEPUTADA LUIZA ERUNDINA –         @ erundinapsb:

erundinapsb = Vamos ajudar a divulgar! 25 de novembro, Dia Internacional de Combate à Violência contra a Mulher #FimDaViolenciaContraMulher

Depois,  recebi outra mensagem de twitter das minhas queridas Cilmara Bedaque e Vange Leonel:

  1. na_faixa – 5 de dezembro>parque do carmo>10h>show pelo fim da violência contra as mulheres>hip hop mulher+leci brandão+dominatrix c/ vange leonel 8 minutes ago via TweetDeck
  2. vleonel – aqui um aperitivo acústico com Vange Leonel & Elisa Gargiulo (Dominatrix) tocando “Mães, Irmãs & Filhas” http://youtu.be/FWD77W0hYx8! 11 minutes ago via TweetDeck

…e o nome da coisa toda, sendo amenizado…

Do Claudio Humberto

Sem chamar pelo nome

Parte da imprensa carioca denomina de “ações” os ataques criminosos à população do Rio, assim como substituiu criminalidade por “violência” e acabou com as favelas na cidade rebatizando-as de “comunidades”.

O horror estabelecido no Rio de Janeiro, a pleno vapor. Leia esse post do Gabeira, que ousou enfrentar e tentar

SAIBA MAIS sobre essa história horrorosa que aconteceu no fim de semana. E já há quem giga que o tal traficante descobriu que a mulher tinha um amante e, assim, mandou ir lá e acabar com ela e com a festa.

DO BLOG DE FERNANDO GABEIRA www.gabeira.com.br

Ataque mortal

Era uma festa na rua Cruz da Fé, bairro do Éden, em São João de Meriti . Um veículo preto parou, desceram pessoas armadas que fuzilaram os participantes. Cinco morreram, doze foram feridos e, destes, oito estão em estado grave.

É uma das maiores chacinas da nossa história. A policia acha que pode ter sido feita por bandidos do Morro do Chapadão: há suspeitas também da participação das milícias, reveladas, recentemente, pelo filme  Tropa de Elite 2.

Não tenho vontade de criticar os jornais de qualidade. Mas a estória do estudante que morreu ao bater com seu carro  mereceu mais destaque. Ela é importante para outros jovens da classe média, que  nem sempre respeitam os limites de velocidade.

Mas essa chacina que já resultou em cinco mortes e ameaça mais oito em estado gravíssimo merecia uma séria investigação da policia, acompanhada pelos deputados.

Vou acompanhá-la. Até o momento, nada soube sobre as investigações que resultaram na morte do menino Mateus, na Mangueira. Também fiz um apelo há três semanas. O problema é que 92 por cento dos assassinatos do Rio não são resolvidos. Os assassinos têm sempre 92 por cento de chance de não serem molestados.

Artigo – De listas, dietas, medidas e limites.

Marli Gonçalves

Já que os critérios estão de cabeça para baixo, e somos tão diferentes entre nós, melhor propor pontuações. Cada um faz a sua tabela particular, as suas listas de avaliação e comparação, justas às suas próprias medidas e limites. Talvez essas tabelas já tenham até entrado em vigor e a gente não sabe. Só isso poderia explicar essas coisas absurdas que estamos vendo. Claro, absurdas, quando vistas de acordo com a minha LPMML (Lista Padrão Marli de Medidas e Limites)

Não sou de dar conselhos. Ou por achar que não adianta, ou mesmo por acreditar que eles possam não ser bem entendidos e poderiam gerar confusão. Mas outro dia, numa entusiasmada conversa com uma amiga, lasquei um, por preocupação. Espontâneo. Do bem. Ainda bem que ela sabe disso. Porque depois fiquei pensando que, na verdade, eu não estava levando em consideração o padrão dela, a lista dela. E sou defensora das liberdades individuais.

Antes que o telefone não pare de tocar, mas sem citar nomes, adianto que o conselho era para que ela não misturasse amor com política. Porque já vi não dar certo, inclusive no caso desta amiga. Mas depois fiquei cismando: na verdade, ela nunca vai se interessar por alguém que não goste de política, já que esse fator na tabela dela deve valer uns 200 pontos ou mais – numa escala de 1000. O bom é que ela também pontua beleza, “gostosice”, juventude e gostar de transar nas suas decisões, o que resulta melhor.

Como geminiana, nesta vida, inúmeras vezes já reajustei a minha tabela. Houve tempo que minha atração recaía sobre quem soubesse tocar um instrumento, ou pintar um quadro bom; poderia valer centenas de pontos na minha LPMML. Se compusesse, cantasse e tocasse, então! – clímax. Se fosse um criador, valia. Em outros tempos, era a liderança o que me atraía. Mas já tive momentos que valia mais os rock n`roll, com proximidade de anarquismo, sonhadores. Em outros, quem escrevia ganhava qualquer parada, e não necessariamente eram jornalistas – tinham uma amargura, um ar ficcional, hábitos diferentes. Depois, trocados por quem gostasse muito de imagens, histórias em quadrinhos, fotografia, cinema.

Nas épocas de revolta, estrangeiros pareciam ser melhores; na ditadura, quem contra ela lutava. Cabelos limpos, cheirosos, elegância despojada, continuam valendo bem. E sempre havia e há os banidos, que não valem nada na lista: policiais de qualquer sorte, embora os rodoviários e bombeiros pudessem ser exceção para determinada atividade. Militares, não. Nada uniformizado, treinado, automático, igual. Imaginam em quantas roubadas não entrei, com esses meus critérios?

Zelar pelo nome, fazer algo pelo coletivo, humor, inteligência, senso de responsabilidade e de liberdade, companheirismo, carinho e dedicação, sem ciúmes. Esses ainda são atualmente os itens mais valiosos na minha tabela LPMML, menos nocivos, e encontráveis em pessoas mais comuns.

Assim, venho a público propor a realização de uma tabela média padrão, uma TMP, a exemplo daquela, altamente rentável, daquele médico, de dietas de pontos. Nesta poderíamos também subtrair. Assim, todo mundo valeria, vamos supor 1000 pontos para começar. Se alguma vez tiver sido violento, ameaçador, espancador, perderia de cara 2000 pontos, viraria nada. Dessa forma nos veríamos livres de ter Netinhos tentando ser senador de São Paulo. Nos veríamos livres também desses encostos tipo Dados Dolabella, o Zinho metido a galã que parece que está por aí enganando outra otária, até ser preso ou se meter numa encrenca daquelas de final triste.

Claro que vamos ter problemas para muitos plebiscitos até conseguir montar o padrão. Há quem goste de honestidade; há quem procure o contrário. Por isso pensei na tal dieta de pontos. Quer comer? Come. As calorias serão suas. Quer votar nesses trastes? Vota. Mas depois não venha reclamar, ou dizer que não sabia.

Há um formato mais simples para esse cálculo racional-emocional matemático. Mais usável no dia a dia. Pegue uma folha de papel. Risque ao meio. Do lado esquerdo, as avaliações negativas; do direito, as positivas, que precisam ser pelo menos um pouquinho maiores do que a outra. Dá para fazer isso com um monte de coisas dessa vida, não necessariamente tratando-se de amor, esse sentimento maluco que ataca quando menos se espera, sem dar tempo é de consultar nada. Não dá tempo nem de pensar, muito menos raciocinar.

Bem, devem existir outras formas. Mas agora ficarei (e você também) umas horas pensando quantos pontos valem um monte de detalhes: gostar de cachorro, gostar de gato, gostar de papagaio, gostar de crianças, gostar de ler, de falar a verdade, de te por para cima, de lavar louça, de estar ao seu lado…

São Paulo, menos 100 da poluição, menos 100 da violência, outros 100 pela sujeira…

Neste mundo onde tudo é relativo.

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Outro dia encontrou uma amiga, ansiosa. “Só você vai me dizer a verdade”, falava. Surpresa, quando ela chega perto do meu rosto, arregala o olho e pergunta: “O que tem aqui no meu olho que hoje todo mundo está olhando dentro dele?”. Não havia nada. Ela é que naquele dia tinha encontrado um número maior de pessoas que olham nos olhos, de forma límpida. Já reparou como estão ficando raras?

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Talvez você não tenha visto. Repare que o debate online está quente. Enquanto o santo José de Alencar e o Lula apoiam o Netinho, ainda tem gente que pensa. Aproveite e veja como ficou o rosto da esposa dessezinho que quer ser senador de São Paulo

Fórum dos leitores do Estadão  de ontem ( 14-09) (ONLINE e não impresso)

FORA, ESPANCADOR!

Netinho é candidato a senador. Ele espancou a própria mulher. Como é que pode São Paulo ter um candidato a senador covarde? Ele não tem moral para nos representar no Senado. Fora, Netinho! Fora, espancador de mulher!

Ana Maria Gmachl amaeleitora@hotmail.com
São Paulo

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PATRIMÔNIO DO NETINHO

Fiquei impressionado com a falta de capacidade do Netinho em construir um patrim�?nio sólido! Quer dizer que até agora em sua vida ele tem menos de R$ 200 mil em bens declarados? Ou utilizou laranjas na compra de bens? Mas ele não precisa se preocupar, afinal, o Lula confia nele e o apoia porque ele é gente como a gente! (Me exclua dessa, eu não sou assim…)
Sinceramente

Marcus Coltro marcuscoltro@hotmail.com
São Paulo

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HOMEM DO POVO

O presidente Lulla, por um aliado, continua nos seus delírios: “Fiquei contente que o Netinho se candidatou a senador, ele é um homem do povo…” Vi a declaração do seu patrimônio, é de R$ 120 milhões, dez vezes mais que o da Marta, 15/20 vezes maior que o dos outros candidatos. Do povo ele não tem mais nada e, pior, continua semianalfabeto, sem conteúdo – nada fará pelo Brasil.

Celso de Carvalho Mello celsosaopauloadv@uol.com.br
São Paulo

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SÃO PAULO NO SENADO

O que não tem jeito já está solucionado, portanto, voto útil para senador, sem mais! Ou somos pragmáticos nesta hora ou vamos permitir que a dupla debochada e espancador representem São Paulo no Senado. Acorda, paulistada!

Mara Montezuma Assaf montezuma.fassa@gmail.com
São Paulo

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ENGANADORES

São Paulo não é representado no Senado. Um é fabricante de dossiês, o outro, defensor de bandidos, até dormiu em cadeia, e o último, pai de policial enroscado com a Justiça. Os candidatos líderes nas pesquisas não ficam atrás, uma destruiu a cidade de São Paulo e o outro tem como hobby espancar mulheres. Todos da estirpe de Lula.

José Francisco Peres França josefranciscof@uol.com.br
Espírito Santo do Pinhal

______________________

NÃO SOMOS CARNEIROS!

LARANJA MECÂNICA

Lula apoia quem espanca a própria mulher e quem gosta de apedrejar mulher até a morte.
Lula apoia ex-presidente expulso que sequestrou dinheiro e poupança de brasileiros.
Lula apoia ex-governador que acaba de ser preso por roubar o seu Estado.
Lula apoia cocaleiro boliviano, aloprado trambiqueiro e ditador sanguinário.
Lula apoia e é apoiado pelo que há de pior na espécie humana e, como já não podia
apoiar a si próprio, inventou uma laranja mecânica.

Stanislaw Cordeiro ratles2@hotmail.com
São Paulo

Veja de novo como ficou a esposa do Netinho, depois de um bate-boca. E assista o vídeo da turma do samba para o…Quércia! Nem eles querem o Netinho.

Galera do samba está contra Netinho

Por Luis Gustavo Chapchap

http://inblogs.com.br/news/politicanews/galera-do-samba-esta-contra-netinho

Netinho de Paula alardeia por aí que a “turma do gueto” como ele chama está com ele. Acontece que isso não é verdade. Boca Nervosa, uma das vozes mais famosas do samba paulista, declara seu apoio a Orestes Quércia. Boca Nervosa inclusive foi quem lançou Netinho na cena do samba. Conforme mostra o vídeo abaixo publicado originalmente na Rede Social Unidos por São Paulo.

Netinho tem uma vida controversa, já agrediu a esposa, pouco fez como vereador e atualmente esconde patrimônio.

Não se discute a sua atuação como artista, mas alguém que vai representar o mais rico Estado da Federação deve ter controle emocional.

Perceba que clicando aqui que a atuação dele é pequena em projetos de pouca relevância.

( Dica da Dani Nusbaum )

Patrulhinha Urbana: Conto com a ajuda de todos. Vamos fazer a Esquina da Patrulhinha.

Vou começar com algumas fotos.

ABRO AGORA UMA NOVA SEÇÃO NA NOSSA CASA DA MÃE JOANA. ENTRE, COLABORE!

Patrulhinha Urbana

Vamos reclamar e fotografar, sempre que puder, essas insanidades urbanas.

Se é para ser proibido, há de haver fiscalização! Senão  a gente se sente meio otário.

Se puder, lembre de mandar para mim os registros, com os detalhes, ok?

Começo aqui por São Paulo, que é minha “roça”.

CARRO SE EQUILIBRA NAS RUAS, TOTALMENTE IRREGULAR

Olha se não parece o carro do Gordo e o Magro depois de passar naquele cruzamento. Olha a insegurança desse veículo!Esse carro meio que cai não cai , todo apagado, à noite na rua...e, olhem só, que feio! Essa linda faixa está lá na Avenida 9 de Julho, com Rua Honduras, Praça das Guianas, área "nobre" da cidade.Toma, acarajé!Faixa horrivel na nove de julho

 e, para completar a estréia de Patrulhinha Urbana…

OLHA O ESTADO DA PLACA NA TEODORO SAMPAIO!

Placa de sinalização - Teodoro Sampaio, entre a Alves Guimarães e a Cristiano Viana. O ônibus arrancou? O monstro da avenida?

 

Treinamento cidadão. Aqui você vota, opina, discute, escolhe e protesta. Atividades boas, já!

http://www.liberdadeparasakineh.com.br/

VÁ LOGO! Assine a petição pedindo a libertação de Sakineh!

 

 

VOTE NA PERERECA FLAUTINHA PARA BICHO DE SÃO PAULO.

Ampla plataforma eleitoral

http://biodiversidade.prefeitura.sp.gov.br/FormsPublic/home.aspx

PELO TWITTER VOCÊ JÁ PODE EXERCITAR SEU VOTO. DÁ UMA OLHADA:

http://tvoto.virtualnet.com.br/votar?from=41845425

E, FINALMENTE, APÓIE A NOSSA CAUSA.

RECLAME. ARGUMENTE. PEÇA QUE MUDEM. FORA LOGOTIPO HORROROSO!

PERGUNTA NOSSA:

O que você achou do logotipo que inventaram para a Copa do Mundo no Brasil, em 2014?

  • Pavoroso, um horror dos horrores, de dar vergonha.
  • É erótico
  • Lembra alguma coisa parecida com um bolo de fubá
  • Ué, e já está pronto? Pensei que aquilo era o rascunho
  • Devíamos mandar pintar nas paredes das casas do Paulo Coelho, Ivete, Hans Donner e seja quem mais que o escolheu

Artigo – Os cães ladram, as caravanas passam, e as mulheres morrem.

Marli Gonçalves

Em silêncio ou algazarra, as caravanas passam. Um dia, passam. Foi dramático o momento lamento oco das vuvuzelas tristes, substituindo a rápida toada verde e amarela que ameaçava decolar, mesmo com tudo o que dizia “não, não vá, não vai dar” . Nossos cãezinhos sofreram à toa, em pânico com os estrondos. Nossas mulheres continuaram morrendo horrendamente matadas por homens e paixões, algozes. Como o futebol.

O goleiro pode ter matado a mesma dona da trave aberta de onde saiu um gol-menino, seu. A jovem advogada perdeu a vida à beira de uma represa. A adolescente emerge decomposta das águas que há dias acabava com as esperanças. Elas somem de seus caminhos cotidianos para morrer, em emboscadas. Outras, com histórias menos vistosas, foram encontradas aos pedaços, em malas, em valas. E amanhã tem mais. Se for bonita, comoção maior. Deveria ter sido feito isso, aquilo, um monte de coisas. Morreram porque um dia amaram, e deixaram de amar, ou se libertaram dessas paixões que de tão doentias quase matavam. Suas vidas esmiuçadas agora parecem querer mostrar apenas que elas é que procuravam isso.

Mas essas coisas todas, que não deveriam acontecer, existem. E só porque há leis para nos proteger que não são jamais cumpridas, nem o básico. Às vezes até por serem impossíveis – bonitas no papel, com seus capítulos e parágrafos recheados, mas inexequíveis. Falsa sensação essa a de dormir pensando que te deram algo, que todos se vangloriaram, assinaram leis, posaram para fotos, deram entrevistas. Cada vez menos se acredita, ou melhor, nós, mulheres, Marias, da Penha, da Lapa, do Grajaú, de Copacabana, cada vez acreditamos menos em proteção. Reclamar para quem? Para o bispo? De qual igreja? De qual jogo? Quando? Como fantasminha de novela? Quando já não adianta mais nada, já era? Mórrrreu…

Acabo de ler que “em dez anos, dez mulheres foram assassinadas por dia no Brasil. Entre 1997 e 2007, 41.532 mulheres morreram vítimas de homicídio – índice de 4,2 assassinadas por 100 mil habitantes”. Índice acima de qualquer padrão, se é que haveria um, a não ser o da desfaçatez e loucura humana – uns subjugando outros. Isso é grave, e o problema da violência doméstica deveria estar em destaque, na boca de quem diz defender a mulher. Mas sempre a preferência é o blábláblá executivo que, de tão geral não faz sentido, ou, de tão específico, só pode estar privilegiando alguém. Nem o boi consegue dormir mais.

Onde estão os Poderes?

Há a lei, legislada, e há o juiz, como o de uma partida de futebol, e como tantos os que vimos em campo, muitos vacilando. Ele precisa ver – se ligar, apitar, gritar, dar um piti para parar o lance e cobrar a falta. Nossa Justiça precisa ter menos ouvidos moucos. Deveria. Inquéritos mal concluídos, investigações desastrosas ou sensacionalistas, falta de preparo dos investigadores, falta de equipamentos modernos de detecção. E chega um caso atrás do outro. Os grotões do país. A descultura nacional que proporciona e aceita a descompostura masculina como sinal de testosterona.

Você sabe que é uma urgência, porque está na sua pele, em tons roxos. Eles protelam. Se não podem, se ninguém pode dar a proteção necessária, que digam logo: Te vira, dá no pé! Some, senão você pode virar croquete. Antes que qualquer bandeirinha possa levantar a mão. Compre uma arma. Não saia sem o celular, e o GPS, e sem dizer e registrar onde foi. Contrate um segurança.

Melhor: compre um cachorro. Melhor do que esperar gente. Olha essa que foi notícia esta semana – Shirley é uma cachorra, daquelas com rabo e tudo, de verdade, que apenas lambe a menina e salva sua vida. Uma labradora que sabe detectar quando ficam críticos os índices de glicose do sangue, por seu complexo faro. A cachorra sente e começa a lamber a amiga, suas mãos, suas pernas, seus braços. Ela tem de ser rápida no chamar a atenção de todos, são segundos antes que a garota desfaleça. Shirley é uma cachorra treinada, pouquíssimas existem no mundo fazendo essa experiência. Deveriam estar sendo treinados aos milhares para combater a maldita praga da diabetes.

E aí, meninas, o que acham? Poderíamos chegar a uma sofisticação parecida e treinarmos cachorros para que, com seus faros, eles, lindinhos, pudessem nos ajudar a identificar e afastar homens escrotos de nossas vidas! Esses parasitas também devem emitir cheiros diferentes em certas horas de pensamentos maus. Horríveis devem ser esses odores, não perceptíveis pelo nariz de mulheres, especialmente se apaixonadas, especialmente se com filhos, ou se ainda tão jovens que pouco treinadas a identificá-los.

Os cachorros farejam, protegem e fazem muito mais companhia. Saberão lhe confiar mais do seu amor incondicional, mesmo até que você nem os ame tanto. Eles têm sentidos desenvolvidos e mais sensíveis que os nossos. Por isso sofrem tanto mais com o barulho, tanto medo tiveram dos rojões e das vuvuzelas ácidas que descompassaram seus corações recentemente, quando devem ter tentado entrar embaixo de todas as saias, pedindo socorro, sem vergonha de nos parecer frágeis.

Os homens não sabem fazer isso: pedir socorro. Por isso tentam ou matam.

Nós sabemos. Principalmente se for para se defender, ladre, grite. Defenda sua vida. Saia desse mato sem cachorro.

São Paulo, segunda metade, 2010.

Marli Gonçalves, jornalista. Já passou por muito disso tudo uma vez, há muito tempo marcado na pele, salva pela arte instantânea do malabarismo, e por amigos fiéis pra cachorro. As coisas já deviam ter melhorado.
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