#ADEHOJE – VEIAS PULSANTES E CORTANTES DA AMÉRICA LATINA

#ADEHOJE – VEIAS PULSANTES E CORTANTES DA AMÉRICA LATINA

 

SÓ UM MINUTO – Creio que, assim como eu, estamos todos muito preocupados com tudo o que acontece à nossa volta. Pior, estamos todos muito confusos sobre a constitucionalidade e legalidade das coisas. Digo isso, não só, claro, por causa da Bolívia, da renúncia de Evo Morales. Mas pelo somatório das coisas em toda a região. No Brasil, a libertação de Lula acirrou novamente ânimos que estavam, mal ou bem, sendo acalmados. Nas ruas, pessoas desinformadas pedem o fim do STF, protestam sem bem entender as coisas.

As falas de todos os lados não estão sendo para aplacar as diferenças, mas para acentuá-las. Qualquer posicionamento é visto sob o ângulo de direções que não explicam as coisas. A economia – que se abala com qualquer fato nacional e internacional – bambeia. Na área de comportamento, a violência grassa em estádios, na polícia, dentro das casas com os feminicídios em destaque.

Vivemos mesmo momentos difíceis, muito difíceis.

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#ADEHOJE – CULTURA NO TURISMO? E OUTRAS BARBARIDADES

#ADEHOJE – CULTURA NO TURISMO? E OUTRAS BARBARIDADES

 

SÓ UM MINUTO – Ô, gente, desculpe, mas tenho de repetir que mais ou menos eu sabia que todo dia teria, mas não achei que seria tanto. Vejam só essa última: Bolsonaro manda a Cultura par ao Ministério do Turismo, e ainda pretende por um pastor da linha RR Soares para dirigir. Não tem nem o que comentar, de tão absurdo. Mas a Cultura também não estava bem lá no reacionário Ministério da Cidadania de Osmar Terra. Escuta essa: só hoje tem notícias de três feminicídios ou tentativas de feminicídio, bárbaras, terríveis com fogo, faca. Ontem o Senado aprovou projeto que torna o feminicídio imprescritível e inafiançável. Tomara que seja aprovado logo! Enquanto isso, uma juíza de quinta, Adriana Gatto Martins Bonemer, ousa dar uma sentença acusando o feminismo de “colaborar para a degradação moral que vivemos”, citando “a obra” de outra reacionária, aquela deputada que não quero nem falar o nome, que posa com armas, camiseta de bolsonara e sustenta que alunos sejam dedo-duros.

Barbaridades de nosso tempo…

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ARTIGO – Sombras sobre nós. Por Marli Gonçalves

É uma névoa densa, cinza, triste, que vai se encorpando, tampando a luz, puxando rapidamente mais uma noite e a escuridão de ideias, criatividade, avanços. Ela não vem só da queimada de nossas florestas e campos, mas de uma tentativa de, mais uma vez, buscarem regrar e direcionar atos, visões, fatos, para apenas um ângulo onde o mundo é dominado, atrasado, censurado, muito triste…

Afasta de nós tudo isso, por favor. A quem apelar a não ser à uma mínima consciência de que a realidade é muito mais forte? Que mesmo os que ainda resistem a entender o que se passa, e que não é proibindo que se resolvem as coisas, sejam mais rápidos e percebam que isso não vai dar certo se continuarem nessa toada, porque também serão eles os prejudicados.

Já escrevi sobre os pequenos poderes, mas agora, vendo a cara e a alegria do tal coronel Wolney Dias à frente de um grupo de comandados de avental entrando na Bienal do Livro do Rio de Janeiro para recolher histórias em quadrinhos e livros a mando do prefeito Marcelo Crivella me assustei mais ainda. E logo vieram à tona imagens de tempos tenebrosos, peruas Veraneio misteriosas, com agentes de óculos escuros e ternos xadrezes, que nos espionavam nas esquinas a mando de alguém de cima.

É uma escadinha que só desce. Um presidente falastrão e com problemas sexuais abre a fila e quer proibir cartilhas e que sejam dadas educação e explicações sobre sexo para crianças e adolescentes. Logo seguido por um governador que se diz todo moderno e que manda recolher cartilhas que citavam a questão de gênero. Logo atrás um prefeito, religioso, sabe-se lá como eleito em uma cidade como o Rio de janeiro – nem me peçam detalhes que vocês já sabem o que gostaria de lembrar a todos – que invoca com um cartaz de um desenho de história em quadrinhos, repito, um desenho! Nele, no desenho, dois homens, adolescentes, de uma história de super-heróis da clássica e conceituada Marvel, se beijam. Em seguida, chega o tal coronel… e daqui a pouco o guarda da esquina vai querer recolher seu guarda-chuva cor de rosa porque crê que não é cor de homem.

Não é possível que uma parcela da sociedade ainda teime em não perceber que o que é importante mesmo – inclusive se haverá um guarda lá na esquina se você realmente precisar – está sendo deixado de lado. Não entenda que não é por causa de uma história em quadrinhos que uma criança ou adolescente “vira” gay. E que, ao contrário, é fundamental, justamente para evitar abusos, que as crianças tenham informações gerais sobre sexo, especialmente e porque é sabido que os pais têm grande dificuldade de lidar com isso, falar sobre isso. Vai lá verificar se estão preocupados com o número de estupros e abusos de crianças, com a gravidez de adolescentes, com a prostituição infantil nas áreas de turismo, com tantas coisas que são realidade e não desenhos de histórias em quadrinhos.

Santa Hipocrisia! –  Diria o Batman atual, e que completa agora 80 anos sofrendo bullying por conta de sua parceria com Robin. Até precisaram, tempos atrás, inventar uma Mulher Gato para ver se ele desencantava, mas…penso que também ele não era o gênero preferido daquela libertária, esperta e sensual heroína.

Enfim, não é só a censura que está trazendo essa densa névoa sobre nós. É cada ataque às instituições civis, o palavreado descontrolado para cima de importantes parceiros internacionais, a falta de respeito com as mulheres, as decisões de cortes em bolsas de estudo e pesquisas, o aparelhamento militar sobre a cultura, as ameaças feitas, com raiva e com olhar ejetado, para cima da Constituição.

A lista é enorme, e o que vemos se despedaçar cada vez mais rápido diante de nós é a esperança que no fundo foi quem o elegeu e a todos os outros dessa estranha cadeia de poder.

Pior é que, justamente sentindo isso, que os olhos de mais e mais pessoas começam a se abrir, que eles puxam mais forte a tal cortina de fumaça, a neblina, as sombras.

Faça-se a luz. Deixem o Sol da liberdade, em raios fúlgidos brilhar no céu da Pátria nesse instante, de um povo heroico, o brado retumbante.
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(FOTO GAL OPPIDO)

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

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#ADEHOJE – – O MUNDO OLHANDO DE ESGUEIRA PARA O BRASIL

#ADEHOJE – – – O MUNDO OLHANDO DE ESGUEIRA PARA O BRASIL

 

SÓ UM MINUTO – Os olhos queimam, anda difícil de respirar, o céu do dia virou noite em São Paulo, a água da chuva preta, preta. E eles negam. As lojas fecham, ninguém tem dinheiro para nada. E eles dizem que está tudo bem. Agora, o homem que nos desgoverna tem coragem de acusar as Ongs pelas queimadas que há tanto tempo denunciamos. A ignorância não tem limites. Gente que não entende nada, patavinas, é posta em locais chave, inclusive na área de educação. A cultura, coitada, também atacada…

Até quando? Parece que amanhã, sexta, tem manifestação pe4la Amazônia. Concentração no Masp, seis da tarde. Confirmem

#ADEHOJE – GRANDES PERDAS DE NÓS TODOS. EXIGIMOS RESPEITO

#ADEHOJE – GRANDES PERDAS DE NÓS TODOS. EXIGIMOS RESPEITO

SÓ UM MINUTO – Semana esquisita, como têm sido nossas semanas. Nesta, a perda de grandes nomes da música, Beth Carvalho, e do Teatro, Antunes Filho. E a bobageira das redes sociais continua solta, com críticas absurdas até aos sentimentos que temos com relação aos grandes mestres. É um tal de criticar o pensamento político, de desmerecer os grandes feitos, de tentar exterminar a cultura e a educação de nosso povo. O que está acontecendo? Temos de deter esse avanço da ignorância, de qualquer forma.

Na Venezuela, ampliam-se as dúvidas de como será o desfecho da queda de Maduro. Cinco mortos nas manifestações dessa semana.

 

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

#ADEHOJE – CULTURA, ATENÇÃO.

 

SÓ UM MINUTO – ALIÁS, ATENÇÃO, EDUCAÇÃO E CULTURA, NA VIDA E NAS INSTITUIÇÕES, NO BRASIL. A Rouanet vai perder o nome, virando só Lei de Incentivo à Cultura, se é que isso ainda pode ser considerado um incentivo. O Valor máximo por projeto cairá de R$ 60 milhões para R$ 1 milhão; lote de ingressos gratuitos aumentará e preço do ‘ingresso social’ será menor. Fora isso, esses dias o presidente da Agência Nacional do Cinema (Ancine) Christian de Castro recomendou a suspensão de repasses de verbas para séries e filmes, inclusive aqueles já em produção, o que interfere diretamente todo o setor de audiovisual nacional.

Os parlamentares, aliás, estão preparando uma CPI de Crimes Cibernéticos, entrando junto com o STF na defesa das instituições que vêm sendo esculachadas especialmente nas redes sociais, além das ameaças – para eles haveria no Brasil um ataque planejado e sistemático às instituições, que precisaria ser investigado e contido.

ARTIGO – Papai faria 100 anos. Por Marli Gonçalves

Parece título de Gabriel Garcia Márquez, mas na verdade é porque andei lembrando que o meu pai completaria 100 anos nessa próxima semana. Chegou só aos 98, cansado da vida que viu.  Um Século, e a sensação que agora estamos voltando, mas a um tempo errado

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Que século foi esse! Visto 100 anos para trás poderia parecer que o mundo ali entraria apenas em desenvolvimento e progresso, com a arte imperando, invenções importantes, um ciclo de glórias, inovações. Em paz, depois da tristeza da Primeira Guerra Mundial que atingiu em cheio a Europa, e que buscava renascer de suas cinzas. Os “Loucos Anos 20” eram vividos com alegria, com importantes transformações de costumes, e a vida parecia ter adquirido novos sentidos. Os Estados Unidos tornara-se uma das maiores potências e era também centro de irradiação de novidades em todos os setores.

O cinema florescia, a música – o jazz e o blues envolviam a exuberante vida noturna, a moda libertava mais o corpo da mulher, que deixava de ser mera coadjuvante. Já votava, se fazia presente e atuante nos acontecimentos, na opinião, na literatura, na pintura. Espetáculos, movimentos como o Surrealismo, o Dadaísmo, na moda, Coco Chanel. Foi a era das inovações tecnológicas, da eletricidade, da modernização das fábricas, do rádio e do início do cinema falado, entre tantas outras descobertas e avanços.

No Brasil, os reflexos são simbolizados na Semana de Arte Moderna, embora sempre seja a política um fator de atraso, e aqui não foi diferente. Mas havia a reação, as pessoas estavam felizes e parecia que um mundo novo chegaria, com igualdade, deixando pra trás a crueldade.

Triste sina. Com a quebra da Bolsa de Nova York, a 24 de outubro de 1929, deu-se a Grande Depressão e uma nuvem carregada pairou, finalizando o período dos sonhos. De lá para cá, outros vieram, foram, vieram, insistiram.

Mas as promessas de que os horrores das guerras não se repetiriam, que o desenvolvimento acabaria com a fome e com a miséria, que a ciência triunfaria, que os homens e mulheres se respeitariam, tantas promessas… vêm ficando pelo caminho. Que cessariam as perseguições por etnias, credos, raças, gêneros, que direitos civis e humanos seriam respeitados, quantas promessas! Estamos no espaço, mas destruindo a Terra que habitamos.

Tudo isso e muito mais passa diante de meus olhos quando lembro de meu pai, com quem convivi bem de perto nos últimos anos de sua vida. Hoje vejo por que ele era tão cético – já tinha vivido quase um século para saber, ter certeza, que os “papagaios de botina”, só assim se referia aos políticos e líderes, não têm palavra e pouco pensam no bem-estar geral. Com sua pouca cultura, mas muita vivência, acompanhou as ondas do tempo que chegou aos nossos dias.

Tristeza de ver o país disputado por toscos, de esquerda, centro e direita, que nos deixaram completamente sem opções em todas as esferas. Angústia de assistir ao desfile de falsos e hipócritas buscando manipular a opinião pública com moralismos, como se ela própria não pudesse ver e sentir com clareza o ambiente em que vive, não tivesse discernimento nem carregasse de memória a enorme lista do que precisa realmente de atenção e de construção.

Estamos voltando, regredindo, e diretamente ao que de pior houve nesses últimos cem anos.

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 – Marli Gonçalves, jornalista – Como gostaria agora de ver os nossos Anos 20 com outro ângulo, para querer viver até os 100 e poder contar novas histórias de outras gerações.

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Brasil 2019, limiar

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