#ADEHOJE – SEMANA DE TUDO. PARADO. TENSO. CONFUSO

#ADEHOJE – SEMANA DE TUDO. PARADO. TENSO. CONFUSO

 

SÓ UM MINUTO – Semana será curta em dias, mas longa em possíveis emoções. No Congresso, as decisões referentes à discussão da Reforma da Previdência que estão empacadas e parece que empacadas permanecerão. Depois da canelada de Bolsonaro em cima da Petrobras – e é bom lembrar que deu prejuízo de 32 bilhões à marca em apenas um dia os técnicos vão tentar abrir aquela cabeça para que entenda que os preços dos combustíveis são baseados nos preços internacionais, que vivemos hoje em um mundo totalmente globalizado. Enfim, que a presidência não é a Casa da Mãe Joana com seus três filhos. Agora está se metendo com o Ibama, e acaba defendendo madeireiros da extração ilegal!

Já são 11 mortos e 14 desaparecidos na queda dos dois prédios no Rio de Janeiro. Quando nos entregarão a cabeça dos chefes das milícias responsáveis pelos desastres e por muito mais?

ARTIGO – Calamidade. Por Marli Gonçalves

caldoINJUSTIÇA, INJUSTIÇA! Também quero poder decretar estado de calamidade particular. Existe? Pedir por aí um dinheirinho para pagar umas contas, poder honrar as dívidas no banco, me embelezar e ainda sobrar algum para eu receber bem uns amigos, com certo conforto, e eles já estão chegando… medical_16

 

Por que eles podem e a gente não? Virou tudo mesmo uma casa da Mãe Joana, né? Não vai parar. A capacidade nacional de nos surpreenderem diariamente não se esgota, embora nos deem imenso desgosto. Expõem, sim, mas o esgoto das veias políticas que drenam o desenvolvimento de um tudo que queremos, de um lema que seria, creio, só mais ou menos assim: cresça e deixe crescer.

Mas não. Agora essa última novidade. Que vergonha. Além de arrasar o país com medidas alucinadas, foram lá fora e gastaram uns tubos, buscar um evento do porte das Olimpíadas, e para acontecer logo depois de uma Copa que foi totalmente esquecível, deprimente mesmo. A vantagem que Maria levaria, ou que possivelmente Maria levaria (vai levar?), seria mostrar mais o país, atrair investimentos, gente, turismo, que falassem de nós.

E dar o que falar é nossa especialidade. Conseguimos, sim, que falassem de nós – e muito – até antes de começar o tal grande evento e sua tocha andante: estupro coletivo, tiroteios, balas perdidas, briga de facções, ciclovias de geleia, resgastes cinematográficos, piratas, zikas & Cia, caxumba, gripe. Falta só invasão de ETs. Mais: corrupas de todas as cores e tamanhos, dois governos, líderes de cabelos tingidos de asas da graúna e outros com esposas que arregalam tanto os olhos para grifes que os olhos ficaram assim – arregalados de vez.

Aí um governador (provisório, diga-se de passagem) acorda de manhã, abre a janela, olha para o Cristo Redentor e é iluminado pela ideia de decretar calamidade pública, assim sem mais nem menos, vapt-vupt. Teve preguiça de pensar em outro nome, vai calamidade pública mesmo, que é bem intenso, dramático, deve ter pensado. Imagine vocês se ele ia notar que há um protocolo internacional e que calamidade pública se decreta em casos de desastres, em geral naturais, de muito grande porte. É mais que Estado de Emergência – é desastre de nível 4, gigante.formatura

Devia ao menos ter pensado outro nome, para carioca gostar, com algum “S” ou algum “R” para musicar na fala. Mas não. Calamidade pública. Sem “s”. Sem “r”. Podia ter decretado: “sujou geral”, “parada sinistra”, “orçamento bolado”, “acabou o Caô”, “ajuda aí mermão”.

É ou não é loucura? É tipo jogar a toalha, desencanar, entregar o jogo, sair andando e dando de ombros, abrir a porta do avião e jogar o pacote, roleta russa, ligar o foderaiser no máximo. Do céu choverá os recursos que disfarçarão a má gestão de tudo o que fizeram até agora, durante um tempo até com guardanapos de linho na cabeça e sorrisos bêbados para selfies mundo afora.

Entendo que muitos de nós, eu inclusa, temos passado por dias meio assim, com nossa calamidade particular de cada dia. Vontade de fazer picadinho de boletos, fritar tarifas e impostos numa panelinha, botar uma gravação debochada para atender aos cobradores. Decretar falência, bolso furado, mandar tudo pro ar!

Mas temos nomes a zelar, uma tal reputação que precisamos respeitar, e uma cidadania a considerar.

Eles não têm nada disso.slide_268882_1863925_free

Marli Gonçalves, jornalista – Adoro o Rio por muitos motivos. Um deles é que fui feita lá.

São Paulo, metade de 2016

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