ARTIGO – Nada está normal, por Marli Gonçalves

AVIÕESme012Nada. Nadica. Absolutamente nada. Não é só aqui, não. É como se estivéssemos, terráqueos, em suspensão, pendurados pelos mamilos em ganchos, ou inertes, flutuando em gravidade zero. Parece que está todo o mundo esperando uma decisão, todos cheios de incertezas, e de toda ordem. Parece quando esperávamos que alguém ligasse no fixo e íamos toda hora ver se o telefone estava funcionando, se dava linha, se estava no gancho.

O inverno nem bem chegou e já há verdadeira queima de estoque de coisas do próprio. Nunca vi assim, todo mundo ao mesmo tempo fazendo liquidação, sale, oferta, off, desconto progressivo, ou até preço único, tudo por tal, por tanto, o que me cheira a um grande mistério. Se tudo podia ser vendido a esse preço, por que não o foi antes? Ou, quem chegar primeiro, com dinheiro, e entender melhor de negócios, rapa os produtos que realmente estarão mais baratos? Mas, enfim, tudo na bacia das almas, e se nem o tal Eike tem mais dinheiro, imagina a situação. Economia em frangalhos e a maldita voltando, infiltrada, remarcando com aquele barulho de maquininha de supermercado.scrub

É risco de rico. Coisas, pessoas e fortunas derretendo mais do que a calota polar em tempos de aquecimento global. Reputações que eram já eram, e as que já eram ruins pioram ainda mais. Se havia índice de confiança o ponteiro está no vermelho, junto com as contas a pagar. Na verdade verdadeira daqui a pouco vai estar todo mundo fazendo workshop com os índios para aprender como – quando ainda índios – eles vivem com tão poucos itens, parece que 80, ouvi certa vez. Vou gostar muito de ver mais gente de tanga.

deskNada está normal e não me venha dizer que exagero. Estar normal seria tão tranquilo como quando as mocinhas casadoiras completavam esse curso, o Normal, no Brasil. Antes, dava para ser freira. Ou normalista. Fora disso a mulher já era vista como revolucionária ou coisa pior. Estar normal é não ter muitos abalos, aquela vidinha pacata seguindo seu curso, uma certa rotina, monotonia. Qual o quê! Faz tempo que isso não rola. Montanha russa. Bicho da seda. Trem fantasma.

De um mês para cá, especialmente, quem pode se dizer “normal”? Vai pegar uma estrada? E se ela estiver bloqueada? Ah, marcou um compromisso ali naquela avenida famosa de sua cidade? Já consultou a agenda de manifestações do dia? Só essa semana, aqui em São Paulo, onde as coisas até que estão, digamos, mais tranquilas, teve um dia em que a Avenida Paulista registrou três passeatas, protestos ou assemelhados de uma vez só. No dia seguinte, do que contei daqui, foi fechada cinco vezes, dos dois lados da pista, por tudo quanto é motivo, juntando um, dois, ou 50 gatos-pingados, que agora cada grupinho quer carregar seu cartaz objetivamente. A coisa está até engraçada. “Foi a passeata que menos barulho fez!” – ouvi de um brincalhão quando este soube que um dos protestos era dos deficientes auditivos. Abafa o caso.1spy

Negócios? Todo mundo com medo. Futuro, planejamento, previsão? Tudo no espaço. Se for falar modernês, nas nuvens.

Noticiário? Bomba, bomba,bomba. Em algum lugar elas pipocam, letais e não-letais, com gases ou sem gases. Em Campinas, no país da piada pronta, querem pintar os manifestantes de rosa para identificá-los. Quando você pensa que está entendendo uma coisa, ela já é outra. Nem dá mais para se indignar direito: matam friamente uma criança atrás da outra; sacaneiam animais; nos golpeiam e debocham de nós. Insistem em nos jogar uns contra os outros.

work3Socorro! O piloto sumiu! Baratas tontas, parece que inalaram spray de pimenta jalapeno ou só o inseticida, puro. Anuncia uma coisa, fazem outra, depois dizem que não anunciaram não. Você que estava “viajando”; era só uma “alternativa”. Vai ser isso. Não! Vai ser aquilo! E se tentássemos isso? Vamos nos reunir para discutir, mas não vai dar tempo de fazer agora porque ficamos muito tempo reunidos. Meu sábio pai, que já viveu quase um século e viu vários momentos desses, acompanha o noticiário político como se fosse um jogo, e xinga o juiz, os bandeirinhas e os jogadores em campo. Aquilo até parece que lhe dá mais vigor. Pelo menos ele vem atualizando de forma impressionante os xingamentos que resmunga. Piiiiiiiiiii!

18Estamos apreensivos, com palpitações. Os mais jovens palpitam e são apreendidos. Se tem revolução lá fora, lá longe, acompanhamos como se fosse aqui, porque rebate na área. Nada mais é muito natural, e isso além de silicones e outras mágicas. A onda é alta e estamos surfando na crista dela, com um mar revolto.

Puxa, como gostaria de escrever sobre a poesia, a beleza do voo dos pássaros, mas quando olho e vejo aviões eles acabam é me lembrando que quem hoje voa por nossa conta já tentou cortar as nossas asas. Muito triste tudo isso. Muito triste.

O Estado está estarrecido, de mão dada com a Nação. O estado é de atenção.

São Paulo, diariamente, 2013 p55Marli Gonçalves é jornalista– Não me admira que eu tenha ido parar no hospital com um tilt que até hoje não entendi de onde veio, e achando que estava mesmo morrendo. Nada está normal. Mas, enfim, estou aqui ainda, o que deve estar querendo dizer alguma coisa. Ou não. ********************************************************************
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Tenho um blog, Marli Gonçalves, divertido e informante ao mesmo tempo, no https://marligo.wordpress.com. Estou no Facebook. E no Twitter @Marligo

Seção “Perguntas que não calam”. Onde andará Emir Sader? Ah ! e a lista de intelectuais?

ESSA PERGUNTINHA BÁSICA É DA COLUNA DO LAURO JARDIM

Onde está Emir Sader?

Emir Sader sumiu. Desde que foi cotado para o Ministério da Cultura, parou de dar declarações. Na semana passada, sequer apareceu no Teatro Municipal (RJ) para ser diplomado como segundo suplente de Lindberg Farias.

A propósito, Emir Sader até hoje não divulgou o nome dos 10 000 artistas que supostamente declararam apoio a Dilma Rousseff durante a campanha.

Por Lauro Jardim

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

Glorinha Kalil dando dicas de como se portar (ou melhor, ver a roupa) diante das novas poderosas do Planalto.

Minha querida amiga Vange Leonel ( que gosta da Tia Dilma e das outras ) já rebateu no Twitter… (@vleonel)
 
Eu, que não gosto, digo: Essa mania de etiquetar mulher não está com nada!!!! MENAS, MENAS

Ministras

Dilma Rousseff e as ministras já confirmadas no cargo: Miriam Belchior (Planejamento), Ideli Salvatti (Pesca), Maria do Rosário (Secretaria dos Direitos Humanos) e Helena Chagas (Secretaria da Comunicação Social)

A MATÉRIA DA kalil:

Alô, Chics!

do iG – http://chic.ig.com.br/alo-chics/post/aviso-a-imprensa-masculina-empresarios-politicos-em-geral

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Aviso à imprensa masculina, empresários, políticos em geral

 Caros amigos,

Eis que, pela primeira vez, vocês vão estar diante de uma mulher indiscutivelmente superior na escala hierárquica. Dado este fato, é bom que conheçam alguns códigos que podem facilitar a convivência com este ser superior de quem vocês dependerão para o sucesso de suas vidas profissionais e econômicas.

Mulheres emitem sinais muito evidentes de humor e de expectativas de tratamento que deveriam ser observados por todos os homens do mundo, caso dessem alguma importância a um bom relacionamento entre os sexos. Agora, gostem ou não da ideia, os homens mais importantes e influentes do país vão ser obrigados a fazê-lo, já que uma delas se tornou chefe de seus destinos financeiros (que é o que os interessa).

Sinais básicos a serem atentamente observados, assim que a Presidente ou suas ministras (também superiores a vocês) adentrarem qualquer recinto:

a – terninho e cabelo bem penteado: humor estável, dia tranquilo.
b – terninho e cabelo murcho: humor de cão. Tentem remarcar o compromisso para outro dia.
c – cabelo esquisito: não cheguem muito perto, não peçam nada, não falem demais, não olhem muito para ela. Bad hair day é sinal inequívoco de tormenta à vista. 
d – tailleur e cabelo bom: dia aberto para pedidos. Tudo que se refere a educação, saúde e cultura será bem acolhido. Dia de expediente longo.
e – vestido: com certeza o melhor dia para delegações estrangeiras fazerem suas visitas, assim como banqueiros e pessoas ligadas a grandes negócios.
f – unhas descascando: quem quer que tenha audiência deve ser rápido. A manicure deve estar na antessala e elas, ao contrário de políticos, detestam esquentar cadeiras de espera.
g – cores escuras: perigo à vista. Ou é sinal de que a balança acusou aumento, o que inviabiliza qualquer expectativa de afabilidade, ou significa que o dia vai ser de muitos despachos e vai terminar tarde.
c – cores claras: balança sob controle, humor melhor e uma certa dispersão. Bom dia para visitas surpresa em escolas ou creches, ou para ambientalistas e comitivas de artesãos apresentarem seus projetos.

Poderíamos dar mais dicas, mas acreditamos que para os primeiros meses de governo a severa atenção por parte dos homens às relacionadas acima já será suficiente.

É bom saber que esse código básico de sinais se aplica a qualquer mulher. Se os homens aprenderem a usá-los bem e estenderem seu uso ao âmbito doméstico as mulheres vão ficar devendo este favor à nossa Presidente.

O rodapé ataca de doutor.

Lição de casa

Embora tenha defendido tese de doutorado sexta-feira, não há registro da produção acadêmica de Aloizio Mercadante na Plataforma Lattes, referência no meio universitário. O futuro ministro da Ciência e Tecnologia prometeu providenciar um currículo hoje.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2012201001.htm

Escute só. Para entender o Brasil…Ah, eu posso falar! (sou Gonçalves na vida)

NOTA DA COLUNA DO AZIZ AHMED DO JORNAL DO COMMERCIO, RJ:

A guru da presidenta

A supereconomista luso-brasileira Maria da Conceição Tavares está para Dilma Rousseff como Delfim Netto está para Lula.

É a conselheira-mor para assuntos econômicos.