#ADEHOJE – UM TERÇO DE BRUCUTUS NO PAÍS

#ADEHOJE – UM TERÇO DE BRUCUTUS NO PAÍS

 

Só um minuto – Depois de dias de um ataque de declarações estapafúrdias do homem que nos desgoverna, vamos começando outra semana, agora com a volta dos trabalhos nos Parlamentos e no Judiciário e nas escolas… Eles param, nós continuamos sempre. Matérias hoje mostram o óbvio, 1/3 dos brasileiros pensa igual ao presidente, dessa forma tosca, em relação ao meio ambiente, direitos humanos, tudo o que nos é tão caro. Esse um terço será sempre o que ele guardará sob a asa que esperamos não se espalhe. Ao contrário, diminua a cada dia, o que de alguma forma já estamos vendo, porque bom senso não faz mal e precisamos que o país seja melhor.

O SÉRIO DESMATAMENTO QUE PRETENDEM ENCOBRIR TRAZ NOVOS CAPÍTULOS. Agora querem por um militar no Inpe e mudar a forma de monitoramento.

Trump, depois de dois ataques em apenas um fim de semana, com dezenas de mortos e feridos, reage. Promete pena de morte! Como se quem atira estivesse preocupado com isso.

ARTIGO – Padecer no Paraíso. Por Marli Gonçalves

 

O que isso quer dizer exatamente, se é bom ou ruim demais, só o sabem as cinco letras que choram, e provavelmente de raiva quando elas pensam em dar boas chineladas, com vontade de falar umas verdades

Lá vêm, aliás já estão em todos os locais e em todas as formas com os apelos de compre aqui, dê isso, ela vai adorar aquilo, ofertas que nada têm de ofertas. Referências à bondade, beleza, candura, entrega, amor incondicional, quanta alegria e felicidade! Só padece quem não tem? Só padece quem já perdeu a sua? É para quem não quis ser mãe cortar os pulsos?

Ano após ano, essas datas estabelecidas para render homenagens e que viraram grandes momentos comerciais servem muito para a gente ter ideia de como anda a nossa sociedade. Algumas dessas datas avançam pouco, ano a ano tão iguais, tão integradas e indiscutíveis que é o caso de alertar para que paremos um pouco para pensar que raio de paraíso é esse, além da adocicada palavra.

As mães estão felizes? Cada vez que ouço, por exemplo, a quantas desanda a educação no país, ou  mesmo fico sabendo quanto está custando a mensalidade de uma escola privada, de uma universidade, ou mesmo o preço de um livro, eu, que não tenho filhos, me solidarizo com as mães do mundo real. Sempre acho que aí tem o mundo real, verdadeiro, dia a dia brabo e complexo, inseguro; e o outro, da fantasia, da propaganda enganosa, das crianças embonecadas, das celebridades que tornam seus partos e filhos bem tratados em filtros de luz nas fotos e patrocínios, e que ninguém mais nem fala que é para a poupança, pro futurinho.

O que todos eles vão ser quando crescerem? Nada saberão sobre o pensamento, sobre a filosofia, a história, o pensamento? Saberão fazer as contas, ler e entender sobre o que tanto falamos? Voarão em foguetes? Passearão por outros planetas? Descobrirão curas para doenças hoje letais? Saberão a importância da liberdade? Terão aprendido a respeitar as mulheres, a igualdade? Ou terão sido engolidos pelos dispositivos digitais com os quais convivem desde tão cedo? Terão de passar pelo que estamos passando? Conseguirão usar a roupa que estamos usando?

As coisas em volta vêm mudando com extraordinária rapidez. Mas o ser humano ainda é frágil e ao mesmo tempo insano. Em um país que não respeita o mínimo da dignidade e de suas próprias leis, os fundamentais direitos sociais e reprodutivos que deveriam dar condições de decisão às mulheres sobre o que querem mesmo e, se querem, se terão condições de ter e criar seus filhos é cruel mostrar a elas só o lado paraíso – é clamar pelo seu padecimento.

Não para de crescer o número de adolescentes grávidas principalmente nas classes mais baixas e que talvez vejam nisso apenas a beleza de poder afinal ter uma boneca, de carne e osso, e ainda a possibilidade de criar uma família, saindo da sua, desistindo da sua. Como falar em controle da natalidade no país do Bolsa Família, que renega a educação sexual, que fecha os olhos para a realidade do monumental número de abortos ainda clandestinos, que não oferece qualquer salvaguarda a essas pessoas invisíveis? Que não sente os nove meses, nem enxerga o inferno da depressão pós-parto?

Como as mães lidarão com a visível revolução de costumes, de gêneros, as novas e variadas formas de amor? Dizem que seus corações aceitam tudo, perdoam tudo, que defendem seus filhos como as leoas, mas lembro que estas contam com o apoio de outras leoas, e ainda não é muito clara a solidariedade entre as mulheres.

Dia das Mães deveria ser momento de ampla reflexão sobre a condição da mulher, mas não se vê nessa época serem feitas pesquisas sobre o que realmente acontece, como se sentem, suas angústias, a visão do mundo que vislumbram. Esse seria o grande presente: uma radiografia do que é ser mãe hoje no Brasil, no Sudeste, Sul, Centro-Oeste, Norte e Nordeste. Perceber que a Mamma África vive entre nós.

——————————gravida anda

Marli Gonçalves – jornalista

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Maio de 2019

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#ADEHOJE, #ADODIA – DIREITOS HUMANOS: O GRANDE MOTE E PREOCUPAÇÃO EM 2019

#ADEHOJE, #ADODIA – DIREITOS HUMANOS: O GRANDE MOTE E PREOCUPAÇÃO EM 2019

MULHERES: ABUSOS DE JOÃO DE DEUS, MORTES VIOLENTAS, DESRESPEITO… A gente tem de cuidar de tanta coisa nessa sociedade que vivemos! Homofobia, misoginia, preconceito racial, social, abusos de toda sorte. A preocupação com os Direitos Humanos será um grande mote em 2019. Terminamos mal o ano, com mulheres mortas a machadadas, atiradas de sacadas, perseguidas, aprisionadas, vivendo e convivendo com o medo. Por outro lado, um novo governo que arrepia quando comenta esses fatos, que demonstra pouco apreço às conquistas nessa área e que, ao que parece, será combatido com muita força nesse campo, por quem é do bem. Para quem lê as mensagens deles: presta atenção em cada palavra. São ameaçadoras à liberdade individual. Para eles, família é só o que conseguem tradicionalmente ver.

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#ADEHOJE, #ADODIA – A PASTORA DAMARES E O MINISTÉRIO DOS “ENJEITADOS”

#ADEHOJE, #ADODIA – A PASTORA DAMARES E O MINISTÉRIO DOS “ENJEITADOS”

A PASTORA DAMARES ALVES, DA IGREJA DO EVANGELHO QUADRANGULAR, INDICADA PARA MINISTRA DA PASTA DOS “ENJEITADOS”, DAS MINORIAS, DAS “OVELHAS DESGARRADAS”. A GENTE QUER SER OTIMISTA, MAS FICA DIFÍCIL COM ALGUMAS DECISÕES. AGORA O NOVO GOVERNO DO PRESIDENTE ELEITO JAIR BOLSONARO FAZ UMA GELEIA, UM BOLOLÔ GERAL, JOGA TUDO QUE ELE – OU NÃO GOSTA MUITO OU DESCONFIA – PARA UM CANTINHO, PARA DEBAIXO DO TAPETE DA RELIGIÃO. E CRIA O TAL MINISTÉRIO DA MULHER, FAMÍLIA E DIREITOS HUMANOS. PERAÍ, QUE NÃO ACABOU! BOTOU A FUNAI – FUNDAÇÃO NACIONAL DO ÍNDIO, RESPONSÁVEL PELAS POLÍTICAS INDIGENISTAS – NO MESMO FORROBODÓ. NÃO SEI NEM COMO NÃO BOTARAM TAMBÉM OS NEGROS. A NOVA MINISTRA A PARTIR DE 1º DE JANEIRO JÁ FALOU A QUE VEIO: CONTRA O ABORTO, NÃO CONSIDERA A QUESTÃO COMO SAÚDE PÚBLICA; DECLAROU QUE “ÍNDIO É GENTE” (!!!), QUE ENTENDE DELES PORQUE ADOTOU UMA CRIANÇA INDÍGENA, ENTRE OUTRAS DECLARAÇÕES DE DEIXAR O CABELO BEM EM PÉ. QUEM JÁ A ACOMPANHA, JÁ OUVIU SEUS DISCURSOS EM PALESTRAS E PÚLPITOS DEVE ESTAR COMO EU: SOBRESSALTADO E EM ESTADO DE ATENÇÃO. ISSO PORQUE AINDA A GENTE ESTÁ VENDO O QUE PENSA SOBRE OS LGBTS.

 

#ADEHOJE, #ADODIA – VERMELHO LIVRE. A COR! SÓ ELA.

#ADEHOJE, #ADODIA – VERMELHO LIVRE. A COR! SÓ ELA.

EPAHEI, YANSÃ! QUE HOJE EM SEU DIA CREIO QUE A GENTE POSSA USAR VERMELHO SEM SER XINGADO, CHAMADO DE COMUNISTA, ETC… HOJE É DIA DA RAINHA DOS RAIOS, TROVÕES, FOGO. ENERGIA QUE PRECISAMOS PARA AGUENTAR OUVIR FALAR QUE AINDA NÃO SABEM SE VAI TER PASTA DE DIREITOS HUMANOS NO NOVO GOVERNO; QUE A FUNAI VAI PARA O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA? O QUE ÍNDIO TEM A VER COM AGRICULTURA? VIROU PLANTA? OS 15 PROMETIDOS MINISTÉRIOS, ENXUGAMENTOS, JÁ VIRARAM 22, E ENTRE BOAS ESCOLHAS QUE ADMITO, ESTÁ HAVENDO OUTRAS QUE PELO AMOR DE DEUS! PASTORA EVANGÉLICA PARA CUIDAR DAS QUESTÕES FEMININAS? HOJE TAMBÉM TEM O SÉTIMO JULGAMENTO DE PEDIDO DA DEFESA DE LULA PARA LIBERTAR O EX-PRESIDENTE. CREIO QUE MAIS UMA VEZ NÃO VAI DAR EM NADA, ATÉ PORQUE O ARGUMENTO BATE NO FATO DE QUE O EX-JUIZ SERGIO MORO QUE O CONDENOU AGORA IRÁ PARA O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA. ENQUANTO ISSO, A COR VERMELHA – INCLUSIVE AGORA MUITO VIGENTE NESSA ÉPOCA DE NATAL – AH, ESSA PODE SER LIVRE, NÃO?

#ADEHOJE, #ADODIA – UM OI E UMAS PALAVRAS POR UM DIA LEVE

#ADEHOJE, #ADODIA – UM OI E UMAS PALAVRAS POR UM DIA LEVE

Hoje não estou a fim de falar tão sério, vamos que vamos tentando conseguir uma semana mais leve. Só aproveito para pedir mais atenção a uns temas que estão sendo relegados de forma esquisita: minorias, comportamento, e especialmente a mulher…Tem pastora rondando nossa área

 

ARTIGO – Calada, ou coisas que é melhor não dizer do lado de fora. Por Marli Gonçalves

dctalking_e0O que eu digo, escrevo. O que eu escrevo, penso. Mas tem muita coisa acontecendo que é melhor fazer igual a aquele personagem antigo, fechando um zíper imaginário na boca: Calada! Cara de nuvem. Sem opinião. Entre dentes. Só no pensamento. Uma espécie de censurazinha particular, do bem

mouth-closed1_50a54948ddf2b31d5e00300dAté você aí, leitor, sei que já me conhece um pouco. Quem me conhece pessoalmente também sabe que sempre primei pela espontaneidade e por escrever justamente o que me passa pela cabeça, muitas vezes até pondo em discussão um tema, conversando com quem me contata, o que me dá imenso prazer. Mas ultimamente está tão esquisito tudo que, muitas vezes, em determinados assuntos e acontecimentos, tenho falado o que penso, mas não escrevo, e só declaro a real para quem é de extrema confiança. Coisas que não dá para dizer do lado de fora da porta. Entendem? Tem acontecido muito e isso chamou minha própria atenção.

Preguiça. Não quero e não tô querendo arrumar briga, ou perder tempo discutindo com quem não quer pensar. Opinião própria e fora do lugar comum. Alguma amoralidade mais explícita.Não quero perder o amigo, nem faria diferença realmente o que digo ou deixo de dizer. Não ganho nada com isso. Que vantagem Maria levaria? Ou: está tão forte o cerco, principalmente sobre assuntos da Política, que pode até ser muito perigoso expressar algumas opiniões aqui do lado de fora. E isso é muito grave, atentem bem. Autocensura às vezes é mais grave do que a censura imposta. Acendeu meu alarme. A luzinha amarela.mouth-shut

Claro que por causa desse meu silêncio a Terra não vai deixar de girar. Mas faz um mal danado engolir certas coisas, porque estas podem virar sapos coaxantes e grilos falantes na nossa cabeça. É o famoso “se eu não fui, acho que deveria ter ido”. Ou “eu devia ter falado”. Repetindo: nada tão grave ou que faça que eu não cumpra o juramento feito como jornalista, de denunciar desmandos, apontar e reagir à injustiça, não calar diante de poderosos. Falo de algo mais sutil, o pensamento, a opinião pessoal – esse nosso único espaço pessoal e livre até que alguém invente um aparelho ou “aplicativo” que leia o que se passa na nossa cabeça. Até agora não existe, mas não vai demorar alguém criar.

Há no momento, visivelmente, uma epidemia de pensamento manada. Aonde a vaca vai, o boi vai atrás, diria meu pai. Todo mundo deve pensar naquela direção, se for “vermelho”; e, na outra, se for “azul”. Temo que as tais redes sociais estejam por trás dessa epidemia. Você quase se vê obrigado a “curtir” umas sandices que os amigos escrevem, para não perdê-los. Também tem de estar up-to-date dos assuntos eleitos do momento, mesmo achando bobagens inacreditáveis. Não pode chamar de burro quem acredita em cada uma muito pior que lobisomem e mula sem cabeça. Tô fora!

psychedelic_lips_gif_by_stevethejerk-d3akou9Sabe um campo em que estou vendo as coisas degringolarem? O de Direitos Humanos. Para mim, inalienáveis. Mas tem por aí um pessoal louco para, digamos, abrir determinadas exceções. O outro é o das manifestações – tem quem esteja adorando a atuação da polícia, que vem praticamente cercando e cerceando qualquer grupo de mais de quatro pessoas que se junte com uma bandeirinha, além de estarem gostando de dar uns cascudos em jornalistas. Acho tão temerário apoiar o que pode te apunhalar lá na frente…

Escreveu não leu, o pau comeu. Boca fechada não entra mosquito.vampire_mouth

Até acredito que vai ter quem entenda sobre o que falo aqui. Minha antena captou que não sou só eu que estou preocupada e observando esse comportamento. A indústria do entretenimento já sacou isso e vem produzindo muita coisa a partir dessas quatro paredes que podem até ter ouvidos, mas não podem falar. Repare.

Só que aí entra um personagem: o analista, o psiquiatra, o psicanalista, ou o psicólogo. O número de programas que está no ar usando esse recurso é maior do que os textos de ficção odiosos, ou aqueles roteiros mal amanhados e pobres, que costumam usar sonhos. Uma série de coisas acontece, e no fim – rárá!– o personagem estava só dormindo. Era um sonho. Agora não: é “análise”.

labios06Observe. Até programas de humor – o de Natalia Klein, e o da Tatá Werneck, entre eles – vem usando o recurso “divã”. Há ainda uma série bem densa no ar, e que faz o maior sucesso, a Sessão de Terapia.

Será que é preciso mesmo um divã para que possamos falar o que pensamos realmente, os nossos problemas, o que temos de mais individual?

Sempre quis ter um divã. Mas para me deitar nele, como uma Cleópatra. Para pensar, mesmo, prefiro o chuveiro, já que não tenho uma linda banheira.

São Paulo, 2013

Marli Gonçalves é jornalista – Cansada de ver o mundo se fechando em copas. E de prefeito poste e ministros malas. #prontofalei

VACA

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