ARTIGO – Mulheres, Uni-vos! Por Marli Gonçalves

Mas que seja para sempre, união além eleições, além luta contra o inominável abominável, contra os paspaqueras que pululam para nos destratar. Temos tantas coisas para lutar juntas e conseguir sucesso, oxalá ainda neste século, que nossas mãos dadas poderão realmente tornar esse mundo melhor. Fico orgulhosa de ver as novas gerações chegando com garra. Ou melhor, garras, afiadas, e coloridas com todos os matizes

turma de mulheresturma de mulheres

 

Mulher é tudo de bom. Mulher está na moda. Vamos aproveitar! Que foi assim, com perseverança, que o movimento feminista dos Anos 70 conseguiu tantas vitórias que talvez muitas e muitos de vocês que estão chegando agora não saibam o quanto tudo era ainda muito pior. Mulher não trabalhava fora, não tinha direitos reconhecidos, não tinha liberdade de escolha. Não tinha a quem recorrer. Mulheres não gostavam de trabalhar com outras mulheres, não se respeitavam entre si, era difícil juntar-se em grupos. Foi uma batalha danada, gente!

Vejo agora o reflorescimento vital de um novo movimento. Chamemos, sim, de feminismo, porque o é, embora ainda muitas teimem em não admitir, uma vez que tanto foi feito – e ainda tentam, mas não vai adiantar nada – para denegrir a palavra da qual devemos nos orgulhar. Feminismo. Agora é mais ainda, Feminismo 3.0, porque estamos mais adiante em nossas conquistas. O movimento hoje incorpora tranquilamente a sexualidade, o prazer. Prevê o combate ao racismo, à violência, à desigualdade, ao não pode isso, não pode aquilo.

Podemos tudo. E, juntas, poderemos mais.

Junte-se a todas as mulheres do mundo!

Bata no peito, empine os seios, com orgulho. Incrível que o mais novo motor tenha sido, pelo menos por esses dias, juntarmo-nos contra aquele ser que pretende ser presidente de nossa República. Pelo menos para alguma coisa boa servirá sua presença no cenário. Mesmo que ele – infelizmente, tudo é possível – consiga o seu intento, já é claro o suficiente que enfrentará uma mobilização muito especial, linda, ruidosa, cheia de vontade. Forte. As mulheres.

Que sejam de todas as classes. Que sejam de todos os credos, raças, posições políticas. As questões femininas são muito claras, devem sempre ter visibilidade dentro do cenário nacional; aconteça o que houver. Temos de ampliar, aumentar, agregar, conquistar – inclusive as desgarradas que ainda não perceberam a total dimensão que os novos fatos poderão tomar.

Em poucos dias formou-se um Grupo no Facebook – Mulheres Unidas CONTRA Bolsonaro, ao qual se agregou imediatamente mais de um milhão de mulheres, já prontas a ir às ruas. As hashtags só se avolumam. A geral é #EleNao.

mulheres, salvems nosso Estado!Mas quero dizer que é mais do que contra Ele. É a favor de tantas coisas que precisamos mudar, conquistar, conseguir visibilidade e respeito: Saúde, Educação, Trabalho, Direitos, dar um basta ao assassinato diário de mulheres apenas porque são mulheres.

Imploro que se mantenham unidas, ao contrário do país conflagrado e dividido. Que não seja para beneficiar um ou outro partido ou candidato. A maioria – repare – ainda são homens. O poder ainda é de maioria masculina; daí glorificarmos com razão muitas que estão ali no meio, levantando a voz. Que a união se mantenha além das Eleições – acreditem: vamos precisar disso, repito, haja o que houver.

Não se incomodem (!) com desaforos. Sim, sempre foi assim. Para nos combater nos xingam de um tudo. Falam até de nossas axilas! Se temos pelos aqui, lá, é um problema nosso. Se depilamos, se usamos calcinha ou não, se somos novas, velhas, gordas, magras, feias, belas, se umas amam outras, se queremos ou não casar e ter filhos é um problema nosso. Só nosso. De cada uma de nós. O corpo é nosso. E só quem é mulher sabe onde o sapato, sapatão, alto, baixo, rasteirinha, chinelo, chinelinho, aperta. Não é coisa para virem ordenar, nem com religião, muito menos com política e abuso de poder, mesmo inclusive que a tentativa venha de outra mulher que tente ter autoridade para tal. Nossas avós e mães já comeram o pão que o homem amassou, e agora é novo tempo, mesmo que muitas delas não entendam ainda quais foram as suas frustrações.

Salvem suas filhas desse tempo de horror, quando para onde a gente olha novamente está encontrando uma patente, coronel disso, general daquilo, olhos e caras duras, para os quais não bateremos nunca continência. Apenas, claro, se desejarmos, se quisermos. Hoje podemos também sermos militares, usarmos as roupas verdes e camufladas. Mandar e comandar.

Queremos é escolher. As lutas femininas começam, entendam todos, definitivamente, por uma palavra só: Liberdade. Essa é a palavra de ordem que nos manterá unidas cada dia mais.

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Marli Gonçalves, jornalista – Como disse, mulher está na moda, e já vemos até o marketing dando uma abusada nisso. Mas que essa moda não passe mais, nunca mais acabe. A propósito, em breve terei novidades para contar, e para as quais conto com vocês,  mulheres e homens de bem.

marligo@uol.com.br e marli@brickmann.com.br

Beijo com marca de batom, 2018

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ARTIGO – 60, por hora, na vida. Por Marli Gonçalves

Acordei e era idosa. Sentei na cama, movi os braços, as pernas. Corri para o espelho. Chequei se continuava tudo ali no lugar, forcei um pensamento mais arrojado e tudo bem, valeu, pelo menos a meu ver, ele surgiu coerente e livre. Ufa! Tudo bem, tudo legal. Na noite anterior, coisa de um minuto para outro eu tinha pulado de fase no jogo da vida, chegando à casinha 60, aquela na qual é preciso parar um pouco, pensar e esperar quais serão as próximas jogadas.

Tudo igual. Que bom. Agora ganhei um epíteto a mais: idosa. Se provocar, tem mais: sexagenária; sessentona – palavra que pesa um pouco nas costas, principalmente as femininas. Os sessentões parecem mais galãs. As sessentonas, quando citadas, dão a entender que são espevitadas e pouco virtuosas. Usada como adjetivo aponta ironia com a informação que dará em seguida “Sessentona isso, sessentona aquilo, sessentona apresenta namorado trinta anos anos mais novo”…

Tem o coroa também, meio gíria antiga, que um dia alguém me explica. É usado para definir qualquer pessoa que seja mais velha do que quem a declama. “É uma coroa enxuta”, uma frase, por exemplo.

Engraçado, ainda bem que me preparei antes, buscando não ter muita ansiedade, meditando bastante e observando como pode funcionar para mim e para os outros. Do meu canto, me observo e observo. Consigo agora até tocar no assunto por aqui.

O redondo 60 é número bonito, sonoro, imponente e importante. Deve ter algo a mais para oferecer. Tanto que horas têm 60 minutos e os minutos, 60 segundos. Dizem que 60 era o número mais admirado pelos babilônios, que dividiam o círculo em 60 partes, e que foi assim a base na qual estabeleceram o calendário, e calcularam os tais 60 minutos da hora e 60 segundos do minuto. Achavam o número harmônico. Tem o número. 60. A palavra. Sessenta. Sixty, que tem som sexy. Soixante, em francês. Perde um “s” em espanhol, vira sesenta.

Dizem que não pareço que tenho sessenta; tem quem ache que eu não devia nem falar, mas nunca menti. Acho legal. Então até já me organizei para tirar a tal documentação que comprove onde eu precisar que agora, de um dia para o outro, ganhei uns direitos, uns descontos, mereço um outro tipo de tolerância obrigatória e até umas leis de proteção, o tal estatuto. Um lugar diferente nas filas. Vou procurar direitinho o que mais posso ter de vantagem. Porque as desvantagens já conheço e estou vendo não é de hoje nessa sociedade que pouco valoriza a experiência, e nos torna invisíveis.

Estamos aí com força total. Como o tempo passa. Outro dia eu tinha nascido, no outro cresci, fui adolescente e sempre mulher. Nenhuma das fases tão marcada a ferro e fogo como esta. O que foi bom porque carreguei e mantenho as outras partes: ainda sou criança, adolescente, adulta, vivi e agora – como determinam – sou idosa, essa fase marcada com um círculo em volta. Tô brincando com isso com meus amigos e amigas. Ouvi muitas gargalhadas e, dos que já passaram dos 70 e quase já chegam ao 80, ouço dizem: esse é um novo começo. E é neles que me fio. Afinal, quando nasci eles já eram até maiores de idade.

Adoro saber do ano de 1958, e me vejo como um acontecimento igual a muitos daquele tempo onde tudo parecia abrir um novo caminho para o país, para as ideias, arejando ideais, e com grande criatividade artística. Creio que foi um ano bem alto astral. Mais alguns anos que se seguiram também, até que apagaram a luz por 21 anos.

60 anos depois, cá estamos nós, e esse ano agora caminha carrancudo. Valeu a pena? Olho para trás e me preocupo muito é se vou ter energia e vontade de novamente lutar enfileirada para que não consigam fazer desandar de novo o tempo que conquistamos e que se perde. Combater chatos e caretas, e outros tantos que pensam torto, e querem regredir ainda mais.

Uma preguiça imensa aparece do nada. E sei que é uma sensação que invade muitos de nós, hoje idosos, e alguns ainda mais idosos –  que não deve demorar a surgir classificação posterior, já que estamos vivendo mais. Os idosos e os mais idosos, todos por aí com muita energia, superando a garotada que parece já ter nascido cansada e isolada em suas redes sociais.

Temos visto terríveis casos de suicídios, de pessoas famosas que aparentavam ser totalmente realizadas. Penso que talvez elas tenham querido apenas congelar o tempo. Porque sempre há o medo, muito medo,  do que virá.

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 Marli Gonçalves, jornalista – Tá bom, admito, esperei 48 horas para só depois escrever tudo isso. Queria ter certeza do que é que podia ter mudado de um dia para o outro.

São Paulo, junho de 2018

                                               marli@brickmann.com.br e marligo@uol.com.br

 

 

 

 

 

 

ARTIGO – Gata borralheira. Por Marli Gonçalves

workingTentando fugir, como se diz, que nem o diabo da cruz, do tema Olimpíadas que já entra por todos os nossos poros, conto uma história feminina que estou vendo muito por aítumblr_mbqsz9psHj1r5kjl1o1_500

Pense em um nome bonito para dar ao nosso personagem. Pode até ser Ella, que é – sabia? – o verdadeiro nome daquela linda, a personagem das histórias, da memória, que nos lembra das muitas desditas antes da sorte, essa que chega só depois de perder um pé do sapato, depois de encontrar um príncipe, detonar as invejosas. O nome, explico pelas cinzas do borralho; o gata não sei de onde veio.

Assim vamos nós, cobertas de cinzas, o tempo inteiro varrendo a poeira que, teimosa, gruda em tudo, invencível, sempre lá depositada, passe o dedo. Os cabelos, compridos estão porque cortá-los está na hora da morte e é preciso economizar. A proposta é aderir à moda, insistir que tudo é melhor naturalmente belo, e que o quente mesmo é viver uma vida totalmente sustentável, e que seria ótimo se fosse alguém ajudando a sustentar. Plantar o que come, usar ervas naturais, e máscaras de pepino. No máximo um esfoliante de mel misturado com açúcar. Vida sem sal.

Sim, reciclando tudo, buscando em fundos de gavetas e armários, adaptando – pensa como pode ser lindo um vestido todo feito de retalhos, recortes dos bons tecidos de outrora, patchwork. Criatividade!- Esta é a tua hora. Reaproveitamento, uma coisa virando outra. Sustentabilidade: repita sempre.

Os sapatos têm solados gastos. Há mais vantagem em comprar novos, nas sales, offs, queimas totais, bacia das almas, do que remendá-los. Melhor sonhar com o sapato de cristal que, pensando bem, se vendido poderia dar uma boa grana. Se existisse, mesmo que apenas um pé, diríamos que é um Swarovski, único, importado, e que vale mais do que os de solados vermelhos mostrados alegremente em fotos de revista. Daria para tirar o pé da lama.

Na cozinha, o mais alto conceito gastronômico em voga: a redução. Se bem que não é só na cozinha que a tal redução está bombando, toda contraditória. Reduz-se tudo, a paciência, o uso da energia, da água, daqui a pouco até o ar estará mais escasso. Reduzem-se as compras no supermercado; reduz-se até o próprio supermercado. Melhor ir naqueles que têm marcas próprias e muita simplicidade. Menos marcas, pensa o quanto é melhor: menos aporrinhação na hora de decidir a compra, digamos assim.

Simplificando a vida. Ninguém precisa de mais nada. A mulher moderna, como dizem sem corar, é considerada não só pela sua beleza, não é mesmo? É reconhecida por sua inteligência e habilidades, respeitada. Não precisa se preocupar com sua segurança, e seus direitos, ora, seus direitos. Vamos pensar nos deveres, que são muitos e ocupam seu tempo, Cinderelas modernas. Pega a bolsinha e põe debaixo do braço, vamos bater a real pro povo desse reino. Não é por menos o recorde de vendas de antidepressivos, tranquilizantes e vitaminas.

Parece até fábula: uma de nós concorre ao governo do país mais poderoso do mundo; torceremos por ela, mas eles estão chegando atrasados. No Brasil elegemos antes – não deu certo, foi despedida, mas chegamos antes e acreditamos até que a nossa mulher seria legal, mas ela foi só mais do mesmo, aliás, muito mais do mesmo. Na maior cidade do nosso país, agora, algumas disputam seu controle, para voltarem onde até já mandaram. Somos mais da metade dos eleitores, temos o poder de decidir disputas dentro dessa enorme confusão que se tornaram os gêneros, os tipos e as mudanças paradoxalmente obrigatórias nesses tempos de crise.

O show das poderosas vai começar. Tomara que pelo menos elas percebam as gatas borralheiras que precisarão conquistar, de verdade.

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Marli Gonçalves, jornalista – Aspectos autobiográficos? Pode ser.

São Paulo, saltos triplos sem vara, 2016

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ARTIGO – Você grita ou engole? Por Marli Gonçalves

BanditTambém poderia chamar algo como “Histórias e as normas internas”. Vocês também devem passar – ou passarão – por situações como essas, literalmente inacreditáveis e constrangedoras. Todos os dias ouço relatos parecidos. Eu grito, e alto, mas já estou cansada de tanto pelejar sozinha. E você? Engole? Sabia que uma tal “norma interna”, baixada por algum chispito do poder, faz com que essa gente se sobreponha às leis federais? Pois é.

Primeira segunda-feira do ano. Vou ao Banco do Brasil arrastando meu pai de 96 anos para revalidar a senha do INSS, dar prova de vida, e poder receber o salário mínimo que o humilha mensalmente, já que trabalhou dos 9 aos 90 anos. Levo-o à agência mais próxima, na avenida Nove de Julho, em São Paulo, e já preparada para uma guerra que, mal sabia eu, não seria a que enfrentaria e que relato a seguir, indignada. Aliás, toda a cena deste relato é acompanhada por dois seguranças olhando torto. O que fazem: olham torto e põem a mão na algibeira, como ameaça.

A tal agência do tal Banco do Brasil fica numa casa de três andares dos Jardins e não tem elevador, num bairro onde predominantemente vivem idosos, bem idosos mesmo. Para chegar ao caixa é necessário subir dois grandes lances de escada. O drama geral já começa na porta giratória – grossa, pesada, descalibrada, praticamente empurra a pessoa quando gira, principalmente os mais velhos. Entrei atrás de meu pai, segurando bem a porta para que ele tivesse tempo de dar os passos. É uma coisa inacreditável, gente!

hommes021Todo ano a situação se repete. Claro que ninguém nem é doido de sugerir que o meu pai suba – já chego preparada para reagir. Mas tem gente lá que, ou vai sozinho, ou é tão simples que não tem a menor ideia dos direitos que tem. Vou descrever o horror do que vi nesse dia: uma senhora muito velha e muito alquebrada e com muita dificuldade de locomoção, já descendo com todas as dificuldades do mundo esse lances da escada, e ninguém nem perto para auxiliar. Ela estava acompanhada de uma outra senhora bem simples, certamente sua cuidadora. Não sei ficar quieta e estrilei gostoso com os gerentes que confortavelmente se instalam no térreo, e que parecem mais um grupo de autistas do que de profissionais.

mz_08_10035659100Foi aí começou o meu drama: os caras não gostaram nada de eu ter chamado a atenção para o problema e o meu pai não estava com o RG original, tinha sumido. O que eu levei, no entanto, por favor, anotem: cópia autenticada do RG, o próprio pai, ao vivo e em cores, a certidão de nascimento dele, original, CIC e carta de motorista (que, no tempo dele, ainda não tinha foto). A cópia autenticada, inclusive, integrava um documento jurídico, inventário, totalmente legal, página por página. Fora isso eu estava com todos os meus documentos originais onde consta a filiação – e o nome completo do pai.

Acreditem: não aceitaram, impondo um constrangimento e humilhação indescritíveis ao meu pai e a mim. Ou seja, no fundo nos acusavam de estar tentando roubar ou enganar um banco, como se eu tivesse pego um velhinho qualquer no meio da rua. Meus nervos não são de aço e o forrobodó correu solto. Nessa hora, meu lado negro da força se manifesta e ele é muito feio. Normas, normas internas, ouvi.

Perguntei várias vezes onde estavam descritas. Nada. Enfim, no outro dia achei o RG e garbosos fomos lá esfregar na cara desses pequenos e podres poderes.18

Claro que busquei a Ouvidoria do banco. Na segunda, Dia de Reis, não tinha ninguém. Na terça consegui registrar a reclamação (número 29267474). Já recebi dois telefonemas que me fizeram contar toda a história de novo. Para, enfim, me darem – não por escrito – a resposta oficial do tal Banco do Brasil: normas internas.

São maiores que as leis do país onde documentos autenticados valem como originais.

Ah, você quer outra história? Pois bem: há dois meses acionei a Claro para mudança de planos porque a conta estava abusiva. Cortei isso, aquilo. Mês seguinte a conta tinha triplicado! Foram horas para corrigir o erro deles. Agora, segundo mês , quase tenho um ataque ao abrir a conta: 800 reais e lá vai pedrada. Tudo errado. Liguei, pronta a levar mais algumas horas e qual não foi minha surpresa? A atendente pediu um tempinho e retornou dizendo que já ia “estar mandando” a nova fatura para meu email: 211 reais. Ei, peraí, mas e o que aconteceu? Resposta: “Ah, houve um problema e vários clientes tiveram cobrados todos os seus procedimentos isoladamente”.

“Ah, e não podem avisar?”, “Ah, e não tem pedido de desculpas?”, “Ah, porque estamos tão desprotegidos cada vez mais, minha gente?”

Então, se você é um dos babacas que confiam em débito automático, fique esperto! Você certamente está sendo roubado nesse país onde é mais fácil ser ladrão do que honesto. Por isso, também, entre outras, andam fazendo tanta questão de só mandar as contas por e-mail ou que vocêzinho pegue na internet. Eles economizam. Você? Ah! Quem é você?

Grita ou engole?

Foram essas duas as minhas histórias de hoje. A da NET nem vou contar para não me estressar ainda mais lembrando. Mas tenho certeza de que você também deve ter algumas saborosas. Teve de lidar com atendentes ignorantes terceirizados, com o descaso, com o “sistema” e, agora, com mais um monstro: as normas internas do banquinho. Esse é o Brasil que estamos construindo. Não é BB. É BBB, Burocrático, Burro e Baleado.

São Paulo, o centro disso tudo. Imagine em outro lugar. Imagina na Copa. E nas Olimpíadas. 2014

Marli Gonçalves é jornalista – Para registro: atrás da Câmara Municipal de São Paulo, centro da cidade, tem uma praça, que se chama Vladimir Herzog, inaugurada com pompa, e pelo menos deveria estar sob os cuidados de alguém. Cena normal além de roubos: criancinhas pentelhas jogando bombas; Sim, bombas bem fortes e barulhentas, em cima das pessoas. Na direção do rosto. E aí? Aí nada. Capaz até de ser preso, mas você, se catar um coisico ruim desses para dar uns coquinhos.

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marligo@uol.com.br

Os direitos que temos em casas noturnas. Recebi esse material da assessoria e achei legal.Trouxe para vocês saberem e se protegerem

CONHEÇA SEUS DIREITOS NAS CASAS NOTURNAS

Animados com a badalação proporcionada pelas casas noturnas, os
frequentadores, na maioria das vezes, não se atentam às condições impostas
pelos proprietários e acabam se deparando com normas abusivas, como a
cobrança de uma multa altíssima ao consumidor que teve sua comanda
extraviada ou roubada.

“Neste caso, o abuso é claro, pois contraria totalmente o Código de Defesa
do Consumidor. O fato de ter perdido uma comanda de consumo não significa
que o consumidor deva arcar com um valor, muitas vezes absurdo, mas
principalmente que não foi consumido por ele. Infelizmente, muitos
consumidores acabam se sujeitando a isso por desconhecerem seus direitos. E
pior, muitas casas noturnas praticam verdadeiras atrocidades contra o
consumidor nessa situação, chegando a detê-lo no estabelecimento ou mesmo
praticando contra ele agressões físicas ou verbais, o que é inadmissível”,
afirma a Dra. Gisele Friso Gaspar, advogada e consultora jurídica na
G.Friso Consultoria Jurídica, especializada em Direito do Consumidor e
Direito Eletrônico.

Baseada no Procon-RJ e no IDEC (Instituto de Defesa do Consumidor), a
advogada lista algumas dicas que os consumidores devem saber antes de cair
nas ciladas da noite. Confira!

– Em qualquer estabelecimento, o pagamento de qualquer percentual sobre o
valor consumido, a título de “taxa de serviço”, é opcional e a imposição de
seu pagamento configura prática abusiva. Esse valor, se houver, deverá ser
destacado, descrito separadamente do valor consumido, havendo o valor total
com e sem a “taxa”, podendo o consumidor, inclusive, efetuar o pagamento de
valor inferior ao percentual estabelecido, caso assim deseje.

– A cobrança do “couvert artístico” sobre apresentações ao vivo é legítima
se o cliente for informado no exato momento que entrar no local.

– A cobrança de consumação mínima, como forma de entrada em algum
estabelecimento, também é considerada medida abusiva. Porém, em muitos
casos o valor é relativamente baixo, não caracterizando propriamente uma
vantagem indevida ao estabelecimento, pois o consumidor, de qualquer forma,
acabará consumindo o valor total.

– O pagamento de gorjeta não é obrigatório, sendo mera liberalidade do
consumidor o seu pagamento. Caso o consumidor concorde em pagar, os valores
devem ser incluídos na nota fiscal.

– Em caso de perda da comanda, o consumidor não deve ser responsabilizado.
A cobrança de multa pela perda é ilícita e, portanto, não obrigatória ao
consumidor. O controle do consumo é responsabilidade do estabelecimento,
não podendo esse encargo ser transferido ao consumidor. Se o
estabelecimento não investe em um sistema de controle eficiente, não pode
responsabilizar o consumidor. Há, inclusive, meios de se vincular o número
do cartão de consumo ao nome do consumidor, sendo simples, via sistema,
levantar o valor consumidor em caso de perda do cartão.

 Caso o consumidor sofra constrangimento, exposição ao ridículo ou ameaça, ele poderá ingressar em juízo e pedir indenização por danos morais, além de
recebimento em dobro do valor que eventualmente tenha sido pago
indevidamente.

Sobre a G.Friso Consultoria Jurídica
A G.Friso Consultoria Jurídica é especializada nas áreas de Direito do
Consumidor e Direito Eletrônico, oferecendo suporte e soluções a pessoas
físicas e jurídicas. À frente da Consultoria está a Dra. Gisele Friso
Gaspar, advogada especializada em Direito do Consumidor. É professora
convidada da ESA – Escola Superior de Advocacia da Ordem dos Advogados do
Brasil.

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ARTIGO – Tá na hora, tá na hora!

                                                                                                                                         Marli Gonçalves     É a vida, é bonita. Eu também fico com a pureza da resposta das crianças, como Gonzaguinha cantou. Por mim não teria crescido e tenho dúvidas se, na verdade, não morrerei criança, Plunct Plact Zum

Estou mesmo adorando ver nesses tempos de internet todo mundo virando um pouco mais criança na frente da tela. Se você frequenta alguma rede social deve ter notado que nesses últimos dias grande parte das fotos das pessoas sumiu, dando lugar a figurinhas divertidas e coloridas das memórias de infância de cada um. Tem marmanjo que virou Garibaldo, Tintim, Hommer Simpson e as mulheres viraram fadas e princesas, embora algumas tenham escolhido bruxas como a Madame Min, ou a Maga Patalójika, apropriada para ser a ministra Iriny Patológica, isso sim.

Corri para mudar também. Virei Luluzinha no Twitter e a minha predileta Ariel, a pequena sereia, no Facebook. Na brincadeira também vale usar um avatar (como se chama essa coisa) com uma foto sua, meiga, de quando era criança, gugudadá.

Mas é brincadeira séria, embora nem todo mundo saiba. É forma de se manifestar, parte de uma campanha virtual contra a violência infantil, que aproveita a data que está aí, 12 de outubro. Datinha, aliás, engraçada: vale por três ou mais. É feriado por causa de Nossa Senhora Aparecida, a Padroeira do Brasil. Poderia ser folga também, mas não é, por causa do Descobrimento da América. E tem também o tal Dia da Criança, mas essa data foi inventada só para vender. Primeiro, por um deputado nos anos 20; depois ressuscitada nos anos 60 para vender produtos Johnson & Johnson, brinquedos Estrela e bebês rosáceos, branquinhos e gordinhos.

Se o Brasil fosse um país sério – calma…Não é! – a data ganharia a partir deste ano mais uma boa lembrança. Seria o dia em que milhões e milhões de brasileiros em todo o país sairam às ruas marchando céleres e serelepes contra a corrupção, em um protesto que há dias vem circulando com chamadas pela rede. Mas por que eu tenho dúvidas se isso ocorrerá? Talvez por já não ser mais criança e nem acreditar em Papai Noel. Talvez porque conheça a malemolência de nossa gente, que já viu situação muito pior ainda do que está e fica, e não fez nada – durante bons 20 anos – digamos, tão volumoso a ponto de virar marca. Que me lembro, as últimas das melhorzinhas foram os encontros pelas Diretas-Já! Cobri o movimento, lembro bem, e tinha um tom festivo, no melhor sentido, o de felicidade, as pessoas se davam as mãos em uma única direção. Depois disso só vi grandes ajuntamentos nas paradas gays e religiosas.

As pessoas, como as crianças, precisam brincar, se divertir, ver o lúdico da vida. E esta manifestação que está convocada agora, ao contrário, está chata, mal humorada, cinza, sem cara, sem lenço e sem documento. Ela realmente seria um sucesso se cada um dos bilhões de e-mails passados e repassados ao ponto se materializasse de verdade em gente nas ruas. Mas, amigos, é dia santo, feriado, meio da semana, faz calor, o tempo está seco, não sabemos se pode levar o cachorro, se a polícia vai bater, se vai ter corrupto infiltrado, se põe boné ou não, se levo vassoura ou rodo, se vai ter jogo do timão ou dos timinhos, o que vai passar na televisão na sessão da tarde (o protesto será às três da tarde), onde almoçar, etc.

Estamos muito esquisitos. E, como crianças, inclusive, treinando bullyng na escolinha, grudando chicletes nos cabelos uns dos outros, pondo cascas de banana no caminho. Eu digo que você é feio. Alguém responde mais feio é você que não está falando do tempo do FHC. Eu digo que o governo está extrapolando. Outro pentelhinho vem falar sobre o fim dos miseráveis (onde?onde?). Eu digo que você gosta de lua e estrela; você diz que sou tucano, canarinho, periquito.

Estamos um país tutelado como uma criança. A verdade é que estamos todos nos tratando uns aos outros como crianças e isso está escorrendo para a política. Temos uma mamãezona rigorosa no poder, saindo para trabalhar, enquanto papai bonzinho Lula vai viajar. Temos uns primos que metem a mão na cumbuca e uns tiozinhos da hora. Temos umas senhoras de Santana – com a diferença que parece que estas de hoje estudaram um pouquinho – se metendo até na programação de tevê, em prol da “defesa da dignidade”, o novo nome do que elas acham que é moral ou bons costumes.

Nosso vocabulário também está ficando tatibitati, pobre, com poucos termos. Estamos sempre indignados. É indignado isso. Indignado aquilo. Quantas vezes você ouviu essa palavra nos últimos dias?

Diga se não seríamos mais felizes se voltássemos de verdade à infância, mesmo que por momentos, junto com as imagens que trocamos nos perfis das redes sociais. Diga se não conseguiríamos maior repercussão. Não precisaria muito, apenas o espírito da coisa. Ou você vai dizer que nunca foi Frajola atrás do Piu-piu, ou não conhece nenhuma Alice, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, Luluzinha, Mafalda, Mágico de Oz, Batman, Superman, Simpson, Teletubbie, Bolinha, Peninha, Donald, Patinhas, Margarida, Metralhas, Zorro, Barbie, Cascão, Cebolinha, Monica, Emilia, Narizinho, Pateta, Professor Ludovico, Popeye, Olivia?…

Já pensou todos na mesma história? O Plunct Plact Zum, pode partir sem problema algum.

São Paulo, era uma vez um reino encantado, 2011(*) Marli Gonçalves é jornalista. Aprendeu a brincar sozinha, construindo os brinquedos que não podia comprar, lendo HQ e assistindo a desenhos animados. Ainda se diverte muito com tudo isso. Só acha que tem é muita gente brincando com os sentimentos dos outros, e isso dá vontade enorme de abrir o berreiro.

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No Twitter, esperando você: “www.twitter.com/MarliGo

TRILHA SONORA:

Justiça seja feita. Essa nota abaixo, exclusiva, furo, foi publicada na terça-feira na coluna do Carlinhos Brickmann. Ontem, quinta, foi manchete de tudo quanto é lugar. Derrubou o delegado. E cadê o crédito do Carlinhos, turma?

Insegurança pública

Cena ocorrida nesta segunda em São José dos Campos, SP: o delegado do 6º DP, Francisco Marino, em excelente forma física, estacionou o carro na vaga de deficientes, em frente ao Fórum. O advogado Anatoly Magalhães, que só se locomove em cadeira de rodas e ficou sem vaga, protestou. O delegado cobriu o advogado deficiente físico de coronhadas. O Boletim de Ocorrência foi lavrado no 1º Distrito Policial da cidade.

E o pessoal que vigia o Fórum, deixou tudo acontecer sem problemas? “

NOTA PUBLICADA NA QUARTA-FEIRA, 19,  EM VÁRIOS JORNAIS DO PAIS, ENTRE ELES,O DIÁRIO DO GRANDE ABC E O CORREIO POPULAR, DE CAMPINAS.

ENVIADA NA TERÇA, 18, AO MAILING ESPECIAL DA B&A, COM MAIS DE TRÊS MIL NOMES. QUEM LEU, SABE DO QUE ESTOU FALANDO, PORQUE JÁ DEU PARABÉNS.

Fora que também foi publicado na terça-feira no site de nosso escritório, da BRICKMANN & ASSOCIADOS COMUNICAÇÃO

COMO O CARLINHOS BRICKMANN ESCREVE NO OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA ( coluna CIRCO DA NOTÍCIA), MAS COSTUMA SER DISCRETO COM RELAÇÃO A SI MESMO, NÃO VAI VAI ESCREVER SOBRE ESSA INJUSTIÇA CONTRA ELE PRÓPRIO.

MAS EU VOU. ALIÁS, JÁ ESCREVI! AQUI. AGORA. ( e ainda é capaz de dizerem que é bajulação…conheço minha troupe)