ARTIGO – O jogo continua. Por Marli Gonçalves

 

A escalada de absurdos parece que ainda não foi suficiente para que todos pudéssemos garantir uma final legal da partida de 2019 e um Ano Novo com esperanças renovadas neste bonito número 2020. Só não digo que os dias passam iguais, porque a cada momento eles parecem ainda mais surreais, esquisitos e contraditórios, e quando esperávamos avançar, lá estamos nós às voltas com o passado.

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Chegou no final do ano e ainda está lá. E muitos dos que me leem entenderão a surpresa porque, inclusive, nem achávamos que seria tão ruim assim; só que foi ainda pior do que as previsões, coisa de louco esse time todo, e que se mantém com apenas uma pequena parte de jogadores em forma. Os outros só deformam, chutando bola plana, pisando no tomate e arremessando abobrinhas.

Mas a torcida anda adormecida, maioria acha que o técnico da Seleção faz coisas erradas, e fica só comentando, fazendo chistes, memes, tretando lá nas redes sociais, como se brincadeira engraçada apenas fosse; não tenta invadir nem protestar à beira do campo. O medo estampa mais camisas do que o verde e amarelo. Tudo bem que – admitamos, entretanto – nosso banco de reservas nunca esteve tão desfalcado: só gente rodada, contundida, fichada, processada, desprezada, malpassada ou queimada de vez.

Há outra parte da torcida que é igual que nem. Diminuiu também, não é mais nem tão expressiva numericamente, mas está aí e não pode ser desprezada porque é insistente e está sempre querendo fechar o tempo e ser torcida única no jogo. Por eles não haveria nem time adversário.

Olho o horizonte: intuo que as coisas vão se acelerar na próxima rodada porque há muita gente atenta em campos das redondezas e adversários bastante perigosos dispostos inclusive a mudar de time rapidamente a um leve aceno do juiz, ops, ex-juiz, ele próprio índio sem apito.

Os movimentos já são visíveis. Um dos principais também se dá na área de economia, um outro planeta, que entra no jogo com chuteiras completamente diferentes – aparentam ser de outra galáxia, e que seus ouvidos não ouvem as barbaridades do chefe. Participam de um campeonato particular que se for analisado prova que o tal técnico é, ele sim, amador. Amador, malcriado e sempre metido em confusões, grosserias, manchetes, polêmicas, caneladas, sempre procurando e conseguindo fazer gol contra.

Esses são diferentões que parecem acreditar serem independentes e que se sustentarão por mais tempo, o necessário para fazerem seus nomes conhecidos para jogarem-se em novas aventuras eleitorais, como se Fernandos Henriques fossem. Perigosos com suas medidas, andam aos pulinhos, com milésimos e décimos de percentuais que operam pra cima e para baixo como grandes e confusas vitórias.

O Brasileirão 2020 terá partidas e partidos interessantes, inclusive em campos externos da política internacional onde estamos de mal a pior, em penalizado descrédito. As tevês transmitirão tudo, ao vivo mais uma vez, com direitos aos replays nos noticiários e comentários que tentarão nos explicar se foi ou não falta, quem passou a perna em quem, puxou camisa, fez jogada perigosa, bateu com a mão em forma de arminha, pediu cartão vermelho, que ainda tem essa.

No país do futebol, esse jogo continua. Adivinhem quem sempre ficará de escanteio. Torcendo para que a partida não seja prorrogada por mais um arrastado ano.

Ah, já ia esquecendo, as partidas continuarão apenas com a seleção masculina; a feminina ainda não tem apoio nem patrocínio dessa Federação.

Feliz Natal!

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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ARTIGO – Novo mundo, novas leis. E o pau vai quebrar. Por Marli Gonçalves

Já era muito mais do que hora de mudar o Código Penal Brasileiro, esse idosinho de 1940, de outra época, outros costumes, outro país, outro mundo. Certo? Certo. Mas, como se diz, a jurupoca vai piar, o pau vai quebrar e muita água ainda vai rolar por baixo e por cima das pontes, quebradas, viadutos, igrejas, grupos de pressão e tudo o mais que vai tentar meter o bedelho, melar, azedar e controlar.

Zazueira, Zazueira… Ela vem chegando, e feliz vou esperando, a espera é difícil, mas eu espero sonhando… Zazueira…

Vai rolar cotovelada e pescoção pra tudo quanto é lado a partir de agora. Vai, não. Já começaram a voar pedras, sapatos, impropérios e muita bobagem sendo dita desde que, nessa semana, foi entregue no Senado a nova proposta de reforma do Código Penal. Dona Reforma vem chegando, com suas 480 háginas. Muitas, páginas e páginas, porque isso não tem jeito: adoramos administrar, legislar e mandar sobre tudo e todos especificamente e, ao mesmo tempo, deixando brechas, para uma tal margem de manobra, um tal jeitinho. Pior, nela – pra desespero social – ainda não pensaram em incluir leis básicas tipo “é proibido homem carregar bolsa da mulher em público”(pena: libertação do indivíduo, retenção da bolsa e multa para a mulher), “ninguém pode, em sã consciência, ficar mais de dois dias sem lavar o cabelo”(pena leve: trabalhos voluntários), etc e tal, que já sei que você deve estar pensando alguma que incluiria também.

A reforma que agora espera pela aprovação pela Subcomissão de Crimes e Penas para começar a tramitar e existir, de verdade, vai passar muito pano para manga, bate-boca, contenda, disputa, luta, discussão, debate, peleja, contestação e controvérsia, o que vai atrasar ainda mais mudanças significativas esperadas pela sociedade civil. Pelo menos a sociedade pensante.

É preciso. Porque ela nasceu mesmo meio tortinha, precisando de uns apliques, emendas e substitutivos. Já estamos vendo as pedras das igrejas e dogmas jogadas, especialmente contra as leis que pretendem rever fatos cada vez mais comuns aos nosso cotidiano: versam sobre sexo, homossexualidade e homofobia, eutanásia, ortotanásia, direito à vida e aborto, drogas e legalização, jogos e liberação, crimes econômicos e até sobre crueldade contra os animais. Um monte de coisas passará a ser punida mais duramente, como bêbados assassinando no trânsito, por exemplo. Mas também tem bullying, que não sei como vai ser encarado junto das criancinhas se socializando e refletindo a exata sociedade bruta de seu ao redor.

Até os índios, antes tratados apenas como incapazes, esquecidos, poderão passar a ser mais gente, mais integrados. Ficará assim: se o índio praticar um fato considerado como crime na sociedade não índia, mas se estiver de acordo com os costumes, crenças e tradições de seu povo, não poderá mais ser punido. Mas terá a pena diminuída, se, em razão desses seus costumes, o índio tiver mais dificuldade de agir de acordo com os valores e normas da sociedade não índia. Tipo assim.

Durante sete meses, gente muito séria se debruçou sobre essa reforma, capitaneados pelo respeitado Ministro, hoje presidente do Superior Tribunal de Justiça, STJ, Gilson Dipp. Quinze deles foram até o final, sendo que entre estes há apenas duas mulheres, a procuradora Luiza Eluf e Juliana Garcia Belloque, defensora pública, o que já mostrará uma balança meio desengonçada para o lado feminino e nossas prerrogativas.

Só que tem muita gente que parou no tempo. Que, se possível fosse, andava para trás, e não seria para rejuvenescer, não. Tem horror à mudança. Que pensa que qualquer liberação trará efeitos catastróficos e que o mundo irá virar ao contrário, ter uma hecatombe, ficar quadrado e de cabeça para baixo, caso ocorra. Que ninguém vai mais nascer se o aborto for liberado. Que todo mundo vai enrolar um charutão de marijuana com página de Bíblia e sair por aí, cantando reggae, molengão, ou que os canteiros das ruas serão substituídos por plantações, onde haverá colheita fácil. Que menores de idade serão içadas para a prostituição (como se acaso hoje houvesse alguma ação efetiva contra a famigerada prostituição infantil), e os doentes que estiverem em estado terminal, e não quiserem paliativos, serão muitos, aos milhares. Pensam também que milhares de mulheres alugarão, com plaquinhas, seus úteros, anunciados em jornais, especialmente os voltados aos gays. Que a família será destruída por algum tipo de devassidão que se alastrará.

Menos, menos. Muita gente colaborou nessa produção. Os juristas pediram palpites ao respeitável público e dizem que receberam mais de três mil sugestões, que eu bem queria ver a lista completa de sandices e curiosidades que devem ter chegado, com abaixo-assinados e tudo.

que anda mesmo me preocupando e vai acabar me fazendo ler as tais 480 páginas é que parece que tem umas incrustações esquisitas na Dona Reforma, ali pelo meio de tantos artigos e parágrafos, o que no país do “O rei sou Eu”, na cabeça de algum atormentado, é coisa que pode vir a ser usada contra minha categoria profissional, contra a comunicação e o jornalismo. Aí já me invoquei. Precisamos estar sempre atentos e fortes, de guarda, pela nossa soberania. Pela nossa liberdade.

Principalmente unidos pela aplicação de bom senso. Às vezes não adianta fazer plástica total, mas usar bons produtos que acabem com as rugas que o tempo já fez nesse nosso velho amigo Código Penal, sempre usando sua experiência e vivência.

No fim, vou mesmo torcer para que o casamento entre a Dona Reforma e o Senhor Código Penal seja feliz para sempre. No civil e no religioso.

São Paulo, onde a jurupoca já está piando, 2012 Marli Gonçalves é jornalistaA propósito, jurupoca, jiripoca ou jerepoca é um peixe que pia. Parece passarinho que bebe de outras águas.

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Dilma faz cara feia para repórter. Ai, que medo. Mas veja por causa do quê.

Da coluna Lauro Jardim –

Dilma fechou a cara

A cena deu-se agora há pouco na garagem do prédio onde está se realizando a reunião do diretório nacional do PT. Dilma Rousseff desceu do carro sorridente, conversando ciom assessores. Um único e solitário repórter, que a esperava na garagem, abordou-a:

– Bom dia, presidente, a senhora convidou de fato o ministro Mantega para continuar no cargo?

Dilma não respondeu. Apenas fechou a cara, balbuciou palavras ininteligíveis e seguiu em frente.

Por Lauro Jardim

http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/

 

 

Gabeira: um parlamentar que fará falta. Muita falta. Mas está cheio de planos. Veja o que ele escreveu, para o país

Uma nova etapa no Brasil

(do site oficial www.gabeira.com.br)

foto oficial -  site campanha gabeira 43

Com o debate de ontem, na TV Globo, acabou a campanha presidencial. Foi mais longa do que pensávamos. No meu caso particular, com a difícil campanha de governo, já ansiava por um curto descanso e a retomada dos trabalhos parlamentares, com o objetivo de encerrar o mandato, recolhendo arquivos, transmitindo projetos e até experiência, se algum eleito precisar dela.

É um momento de profunda reorganização. Praticamente uma nova vida terá ser inventada, embora baseada nas aptidões do passado. Nosso site deverá retornar ao ar, com sua nova forma, na semana que vem.

Não será ainda uma forma definitiva. Mas aquela que vai nos manter em contato com vocês, nesse período de transição. Os meses de novembro e dezembro serão usados para amadurecimento dos projetos que temos para 2011. Em janeiro, então, começaremos oficialmente uma nova fase, sem mandato político, combinando a contribuição com o país com a luta pela sobrevivência.

Assim que os projetos forem postos em prática, vamos informar aos que acompanham nossa trajetória. Uma característica da nova fase, que passa também pelo jornalismo, é a tentativa de entender e transmitir a realidade. Algo um pouco diferente da ação exclusivamente política, onde ao invés de nos concentrarmos no entendimento das coisas como elas são, privilegiamos o discurso sobre como as coisas deveriam ser, Há uma diferença entre o repórter e o político, entre aquele que se dispõe a ser testemunha e o que se dispõe a ser ator.

Há vida fora de Brasília, há vida fora do poder. Nesses 50 anos de atividade pública, creio que só pertenci a um governo durante seis meses, no principio de 2003. Sempre fui oposição e nem sempre tive mandato político. Quando entrar 2011, grande parte da transição já terá sido feita e saudaremos o novo ano como o mais produtivo da última década, uma vez que os grandes problemas do país estarão em jogo e tratá-los na sociedade pode ser tão ou mais útil ao Brasil do que reduzi-los a um debate parlamentar.

Domingo é de dia de eleições. Mantive minha coerência na campanha ao governo do estado, apoiei no segundo turno a força política nacional que me apoiou no Rio. Para quem, como eu, não acredita apenas em pesquisas, resta esperar o resultado amanhã à noite. Em qualquer hipótese, a transição para uma nova vida é irresistível.

Até segunda, com as novas idéias para o ano que vem.

clique aqui para nos ver sendo jogados

Para fechar o dia: sensacional. Enquanto Marilyn Monroe cantava para o presidente Kennedy, Lula tem Ideli Salvatti…

AUGUSTO NUNES, COMO SEMPRE, IMPERDÍVEL!SENSACIONAL!

História em Imagens

Ideli é a Marylin Monroe do Lula

Em 19 de maio de 1962, o ator Peter Lawford, casado com uma das irmãs do presidente John Fitzgerald Kennedy, resolveu melhorar a noite do 45° aniversário do cunhado com uma surpresa admirável: convidou a amiga Marilyn Monroe para cantar o Happy Birthday na festa em Nova York. Sozinha no palco do Madison Square Garden, com a silhueta deslumbrante realçada pelo vestido cor da pele enfeitado de contas que parecia costurado ao corpo, a estrela ronronou uma sensualíssima reinterpretação da mais conhecida e insossa letra musical da história. “Depois de ouvir uma voz tão suave e encantadora, já posso deixar a política”, derreteu-se Kennedy.

Em 27 de outubro de 2010, a companheira Ideli Salvatti, senadora em fim de carreira, resolveu piorar o dia do aniversário do presidente Lula com uma festa-surpresa. E convidou-se para puxar o Parabéns a Você no interior de Santa Catarina. Num palanque em Itajaí, trajando um vestido branco e um casaco vermelho que lembrava a versão pré-candidatura de Dilma Rousseff, de óculos, Ideli assassinou a música aos berros, acompanhada pela banda da cidade. Terminada a performance, o presidente nem se lembrou de agradecer à intérprete. Agarrou o microfone e homenageou o aniversariante: “Olha o Lulinha aí, minha gente!”

Em 1999, num leilão em Nova York, o vestido usado por Marilyn foi arrematado por US$ 1,267 milhão. Quanto custará em 2029 o modelito de Ideli?