#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

#ADEHOJE – Bem pior que uma decepção

SÓ UM MINUTO – Bem pior que uma decepção. Vou usar o título do editorial do Estadão de hoje, porque ele é perfeito ao se tratar do governo que nos governa. Mas o editorial trata só das questões econômicas, as que não entendo bem. Mas entendo de comportamento, educação, saúde, segurança pública, e tenho posição firme com relação a esses temas. Não é coisa de direita ou esquerda. É coisa de respeito com a população. Destruir (mais ainda) a Educação, cortando verbas e fazendo trapalhadas, liberar armas, inclusive para crianças e adolescentes, cancelar radares nas nossas estradas perigosas para agradar caminhoneiros, deixar que esse debate imbecil entre ele, os filhos, os militares prossiga, as falas preconceituosas, decretos autoritários, vaivéns… Muita coisa. Enfim, eu não tinha dúvidas, mas sei que quem nele votou depositava esperanças, e eu estou vendo muitas dessas pessoas inclusive até sendo atingidas pelos raios desencontrados que saem daquela cabeça

ARTIGO – Aconteceu. Virou manchete. Você tem de saber. Por Marli Gonçalves

De repente, apareceu um público que quer viver em um mundo sem saber, sem ser informado, ou pior, se informando apenas pelo ralo da história. Brigam com os fatos. Em mais de 40 anos de jornalista, não lembro de ter assistido a tantas dificuldades e ataques à profissão, alguns muito violentos, e a grande maioria apenas de uma ignorância que traz ainda mais preocupação, inclusive com a segurança física.

Coitado do mensageiro. Está sobrando sopapos para ele, o que traz as notícias que o mundo fabrica e que, especialmente aqui no Brasil, têm sido mesmo lamentáveis. Nós, jornalistas, sentimos muito. Adoraríamos, de verdade, diariamente informar que está tudo bem, só dar boas novas, falar sobre o crescimento econômico, equidade social, as vitórias e conquistas nacionais, sobre decisões governamentais ponderadas vindas de todas as esferas, reproduzir frases e pensamentos positivos dos governantes. Mas não são essas as notícias do momento, e não adianta fechar os olhos agora.

Algumas informações que transmitimos, até conseguimos compreender, parecem mesmo inacreditáveis. Sim, estamos falando de política, essa coisa sempre muito pesada e cheia de meandros que quem acompanha desde sempre nem mais se surpreende, porque sabe que nela tudo é possível. Mas que a política está exagerando na produção desse possível, está. Em embates infantis, na pequenez dos pensamentos, no amadorismo dos atos, na produção de capítulos vergonhosos que estamos tendo de escrever e descrever, e que se diga a verdade, com destaque nos últimos anos e meses.

Só que agora apareceu uma categoria de pessoas – vejam bem que apenas reparo nesse aparecimento, isso sim é novidade – que não querem saber. Negam. Ficam bravos. Pra que contar que o miliciano era vizinho do presidente?  Porque era. Para que escrever isso? Por que comentar aquilo?

Querem selecionar ao bel prazer as notícias, o que em linguagem usual chama-se censura. Querem explicar que não foi bem assim o que ele disse, sendo que tudo está gravado. A verdade e só o que acham, e acham sem qualquer liame com a realidade, como se vivessem em outro mundo. Os caras fazem as bobagens e a imprensa é que é culpada, xingada, martelada.  Se procriaram nas últimas eleições, alimentados pelas Fake News, pelo whatsapp, pelo rancor, por um sectarismo muito louco que abriu espaço dentro da democracia.

Argumentação? Nenhuma. Pior, muitos, não dá para revidar porque é gente “amiga”. Outro dia, por exemplo, para se contrapor aos protestos contra a ordem de comemorar o golpe de 64, uma escreveu que “não dissemos nada contra quando foi comemorada a Revolução Russa…”

Oi?

Há outras versões engraçadas. Começam com as frases “Ninguém está falando…” (e na verdade, não se fala em outra coisa, e pela grande imprensa, que dizem que não leem, que é lixo), “Isso é perseguição…” (sendo que o “perseguido” foi quem produziu o fato da notícia), “Querem que em três meses…” (sim, porque nos três meses ocorreram só trapalhadas, públicas). Nessa toada não deixarão nunca a alma de Celso Daniel descansar, e ficam só batendo nas teclas P e T, e usando palavras que parecem espantalhos – esquerdalha, petralha, entre outras impublicáveis. Uma cruzada que inventaram para si. O que é deles; o resto seria do tal PT, coitado, que a cada dia aparece mais apagado e combalido, sem capacidade de reação, até porque não tem mesmo, aos atos praticados.  Denunciados, inclusive, por quem? Pela imprensa! Vivemos para ver até o Estadão ser chamado de …comunista!

Não é por menos que há uma crise sem precedentes em toda a imprensa, que se esfacela a olhos vistos, sem compreender o que ocorre no país onde ter opinião é crime.  Colunistas são trocados como roupas nos varais em prol de obterem uma diversidade que seja aceita, o que é praticamente impossível. E cada vez mais os portais privilegiam o que lhes dá milhares de cliques, contando quem se separou, quem está transando com quem, quem cortou o cabelo, emagreceu, engordou, usa biquini branco ou tem estrias.

Pior: fofocas que, antes, a imprensa até tinha de ir atrás para saber, fotografar. Agora não. As notícias chegam andando sozinhas, entram nas redações, gratuitas, diretamente dos noticiados. Isso dá Ibope. E nesse Ibope todos acreditam.

JORNALISTAS

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Marli Gonçalves – jornalista – Defende a informação ampla, geral e irrestrita.

marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

Brasil, abril

 

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Ricardo Setti e as tatuagens de Graça Foster! Três estrelas, duas já pintadas em vermelho, tipo promessa…O perfil, quem fez, foi o grande jornalista Lourival Santanna

Gold-moving-animated-gif-stars-falling-in-skyBruxas pop starE não é que Graça Foster tem estrelas tatuadas no braço?

Fonte: blog de Ricardo Setti – Veja online

(Ilustração: tattoocreatives.com)

“Graça [Foster, ex-presidente da Petrobras] tem três grandes estrelas do PT tatuadas no antebraço esquerdo. À medida que foi conquistando coisas na vida, foi pintando as estrelas de vermelho. Poucas pessoas ao seu redor já viram essas estrelas, normalmente cobertas pela manga da camisa. Ao menos duas já foram coloridas. Não se sabe que tipo de promessa elas simbolizam.”

Essa é uma das várias informações muito interessantes sobre a ex-todo-poderosa executiva — outra é que ela, antes de ocupar o cargo, chegava a sair em várias escolas de samba na mesma noite, durante os desfiles no Rio –, publicadas em perfil realizado em dezembro no Estadão pelo excelente jornalista Lourival Sant’Anna.

perfil realizado em dezembro no Estadão pelo excelente jornalista Lourival Sant’Anna.

Caros senhores do PT, tirem as mãos/olhos e processos de cima da Adriana Vandoni. Vai piorar para vocês. ESTAMOS LIGADOS.

Cammy-hdstanceCriticou o partido

PT processa blogueira e pede R$ 50 mil por danos morais

Blogueiro criticou negócio que envolve a Petrobras na compra da refinaria de Pasadena (EUA)

spingifO PT entrou com ação contra a economista e blogueira Adriana Vandoni, de Cuiabá (MT). O PT quer R$ 50 mil a título de danos morais por causa de um comentário de Adriana Vandoni, transmitido pela TV Pantanal, no dia 20 de março passado. Ela critica o negócio que envolve a Petrobras na compra da refinaria de Pasadena (EUA) e diz: “Para com esse negócio de roubar xampu, de roubar pinga, nada, forma uma quadrilha, junta seus amigos, filiem-se ao PT e roubem, mas roubem muito.”

A ação do PT foi revelada pelo Folhamax, site de Cuiabá. A reportagem, assinada pelo jornalista Rafael Costa, é intitulada “PT nacional processa blogueira que acusa sigla de proteger bandidos”.

O processo contra Adriana Vandoni foi distribuído para a 7.ª Vara Cível de Cuiabá. O juiz Yale Sabo Mendes determinou que a assessoria jurídica do PT anexe aos autos do processo o estatuto do partido e a ata na qual comprova que Rui Falcão é presidente nacional da sigla.

Filiada ao PDT, Adriana Vandoni é candidata a deputada estadual nas eleições de outubro. Seu blog, Prosa & Política, é muito acessado e bastante polêmico, sobretudo pelas críticas pesadas ao PT.

Em seu comentário, que provocou a ira do PT, a economista falou da compra da refinaria de Pasadena, após denúncia divulgada pelo jornal “O Estado de S. Paulo” – negócio que provocou prejuízo de US$ 1,18 bilhão ao Tesouro. “Roube bilhões e bilhões de dólares e depois na hora que te pegarem fale que você não sabia”, diz Adriana Vandoni.

Na petição inicial, divulgada pelo site Folhamax, o diretório nacional do PT alega que Adriana Vandoni extrapolou o direito fundamental garantido na Constituição de livre opinião e expressão. “Nos dizeres da ré, filie-se ao PT e pratique crime, pois sob o amparo da instituição política, não há o que temer. Tais dizeres não apenas extrapolam o cunho informativo ou opinativo da notícia, ao contrário, visam desqualificar a pessoa jurídica perante a sociedade, ofendendo uma das balizas mais importantes de toda e qualquer pessoa, seja física ou jurídica, sua dignidade.”

O PT repudia o trecho da manifestação de Adriana Vandoni em que ela diz que a filiação ao PT garante proteção em ilícitos penais. “A ilação, a acusação, desrespeita o Partido dos Trabalhadores que busca, como todos os demais partidos políticos, atrair mais pessoas para a agremiação política, aumentando a participação política da sociedade e elevando o nível da discussão política. Portanto, a acusação fere frontalmente o cerne do partido político, sua capacidade de mobilizar o cidadão para a discussão e evolução política e da sociedade.”

Além da transmissão na TV Pantanal, o comentário de Adriana foi disponibilizado no site You Tube e conta com 90.457 visualizações.(Fausto Macedo/AE)

Artigo do Gabeira no Estadão de hoje…Sobre o Cachoeira

Vapor de Cachoeira não navega mais

por Fernando Gabeira – http://www.gabeira.com.br/wordpress/2012/04/9165/

Ilustração: Cadu Tavares

O vapor de Cachoeira do verso de Caetano Veloso é uma lembrança nostálgica de um navio que ligava Salvador ao Recôncavo Baiano. Lançado em 1819, um grande feito para a época, o vapor de Cachoeira não volta nunca mais. Já o de Carlinhos Cachoeira apenas sofreu uma avaria. Pode voltar em forma de submarino ou qualquer embarcação anfíbia.

O vapor de Cachoeira tinha muitos dos defeitos e mais poder que alguns partidos políticos. Tinha bancada parlamentar, acesso e contatos no governo, preenchia cargos e influenciava a promoção de coronéis da Polícia Militar. Os fragmentos de gravações indicam também que Cachoeira tinha algo mais do que os partidos pequenos: um esquema de informação próprio que vazava escândalos para a imprensa, com a esperança de moldar imagens na opinião pública.

Pode-se argumentar que, ao contrário dos partidos, Carlos Cachoeira não tinha um programa. Não havia nada escrito porque não precisava. Programas, dizia o velho Brizola, também podem ser comprados. Cachoeira nunca se interessou em comprar um. Mas é exatamente a prática cotidiana no vácuo de propostas políticas reais que torna o partido de Cachoeira um novo tipo de ator no cenário nacional. A forma como articulou a bancada de Goiás, suprapartidariamente, é inédita. O projeto de regulamentação da loteria que lhe interessava partiu de um senador, foi relatado por um deputado e ainda dependeria da supervisão de Demóstenes Torres.

Num único momento parlamentar, senti a bancada goiana atuar em conjunto. Foi para derrubar um projeto de Eduardo Jorge e meu que proibia o amianto no Brasil. Era um movimento contrário ao que penso, mas não posso negar seu caráter democrático nem a preocupação legítima com os interesses de seus eleitores. Goiás tem mina de amianto em Minaçu e os deputados temiam o desemprego e o declínio econômico na cidade.

Não se conhece, fora de Goiás, a extensão da influência de Cachoeira. A verdade é que nenhum órgão de imprensa foi lá conversar com as pessoas, sentir a atmosfera, indagar sobre as forças típicas do Estado. Confesso que tenho mais perguntas que respostas. Um esquema tão intrincado e complexo merece um estudo maior, que só a íntegra das gravações pode esclarecer – ou, ao menos, indicar pistas.

E o Demóstenes, hein? É a pergunta que todos fazem na rua, resignados com o peso do argumento de que todos os políticos são iguais, até mesmo os que incluem a dimensão ética em sua atuação parlamentar. O desgaste que ele produziu na oposição é arrasador. Não se limita ao célebre “são todos iguais”. Avança para outra constatação mais perigosa: se os críticos são como Demóstenes, toda a roubalheira denunciada por eles não passa de maquinação. A sincera constatação popular “são todos iguais” torna-se um dínamo para múltiplas conclusões políticas. A mais esperta delas é: logo, são todos inocentes.

Depois de tudo o que Demóstenes fez, a partir do fragmentos ouvidos, eram inevitáveis as mais variadas repercussões no cotidiano político, em ano de eleição.

O esquema, no conjunto, precisa ser conhecido e pode ser iluminado por uma CPI. Carlos Cachoeira tinha influência nos governos de Goiás e de Brasília, detinha um poder regional. Era bem mais que um bicheiro. Apresentá-lo assim, desde o início, não combinava com o tipo clássico consagrado pela ficção: camisa aberta no peito, colar de ouro, mulatas deslumbrantes, amor à sua escola de samba. Cachoeira, além dos negócios legais, já usava a internet como ferramenta. Organizava loterias federais, disputava a bilhetagem eletrônica no transporte coletivo e mantinha um site de jogos, hospedado na Irlanda.

Ele usa muito melhor os instrumentos do seu tempo do que os bicheiros tradicionais, com seus anotadores sentados em caixotes, esperando a chegada da polícia em nova campanha contra o jogo do bicho, dessas que sempre morrem na próxima esquina, ou na próxima manchete. Os bicheiros sempre desconfiaram da legalização porque tinham medo da pesada concorrência que as novas circunstâncias trariam.

Empresário da era eletrônica, Cachoeira tinha um partido sem programa e decidiu legalizar seu negócio de forma que bicheiros tradicionais nem sequer sonhavam: escrevendo a lei, mobilizando a sua bancada, cuidando da tramitação, dos detalhes formais, garantindo a supremacia no futuro.

Cachoeira tem negócios clandestinos e legais. A maneira como se organizou para tocá-los é típica do pragmatismo de muitos partidos políticos: buscar a proximidade com o governo. Sua proposta era deslocar Demóstenes para o PMDB e aproximá-lo do Planalto. Houve algumas conversas sobre isso nas eleições de 2010. Para Demóstenes seria a morte política por incoerência, talvez mais suave que o atropelamento súbito pelos fatos.

Apesar de sua prisão e da desgraça de Demóstenes, Cachoeira continuou desdobrando a tática de aproximação. Tanto ele como Demóstenes escolheram advogados que, além de sua competência, são amigos íntimos do governo. Uma escolha desse tipo nunca é só técnica. É também política. Representa uma bandeira branca de quem não busca conflitos e anseia por uma saída controlada para um escândalo que ameaça governos do PSDB e do PT.

Leis são como salsichas, é melhor não ver como são feitas. Essa célebre frase atribuída a Bismarck é uma constante na crítica aos Parlamentos. Em caso de um escândalo de intoxicação alimentar, é importante saber como foram feitas. Se Carlinhos Cachoeira foi capaz de criar suas leis, aprovando-as no âmbito estadual e levando-as à esfera nacional, o que não podem outros grupos poderosos e articulados?

Essa vulnerabilidade da democracia, de um modo geral, se torna uma inquietação alarmante no caso singular do Brasil. O momento aponta para a desaparição dos partidos programáticos e abre o caminho para os núcleos de todo tipo, principalmente o partido de tirar partido.

 

Publicado no jornal Estado de São Paulo 13/04/2012

De Juiz de Fora, para o mundo. Gabeira, também de Juiz de Fora, conta um pouco das lembranças que tem de Itamar. Vale a pena.

ADEUS A ITAMAR FRANCO

por Fernando Gabeira, do blog no Estadão:

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Morreu Itamar Franco. Foi um grande político de Minas . Como Presidente da República cumpriu seu papel e levou o Brasil à segunda eleição direta para presidente com muita dignidade.

Eu conheci na nossa cidade, Juiz de Fora. Andávamos na rua Halfeld, onde se fazia o footing dominical. Itamar era um jovem engenheiro e, aos poucos, foi crescendo no cenário político.

Um dos lideres populares de Juiz de Fora era também dirigente sindical. Chamava-se Clodismith Riani e foi preso pelo governo militar.

Com a saída de Riani, Itamar ocupou o espaço de uma liderança de oposição. Riani era do PTB e creio que foi com esse sigla que Itamar ganhou a primeira eleição para prefeito.

Tive a oportunidade de reencontrá-lo às vésperas da queda de Collor. Ele se hospedou no Sheraton, no Rio, e não falava com jornalistas. Fui recebido com a ressalva de que não daria entrevista.

Parecia um pouco perplexo. Eu dizia que ele seria o próximo presidente, que Collor não aguentaria mais um mês. Parte de sua discreção era característica do cargo de vice.Além disso ,vinha da política mineira e era um pouco tímido .

Sua performance como senador sempre foi muito boa, sobretudo comandando a comissão que discutiu a energia nuclear no Brasil.

Voltei a encontrá-lo na convenção do PPS, quando já era candidato a senador por Minas. Foi sua última vitória eleitoral.

Itamar foi um homem de bem, cercado de pessoas corretas e fieis, alguns conhecidos desde minha juventude, como Ruth Hargreaves e seu primo Henrique, que se tornou Chefe da Casa Civil.

Na sua presidência, com Fernando Henrique na direção da economia, foi criado o Plano Real que estabilizou o pais, preparando-o para os grandes avanços das duas últimas décadas.

Uma grande perda, sobretudo para um Senado decadente e submisso como o de hoje. Às vezes, o critiquei quando exercia a presidência. Depois de tudo que aconteceu nos últimos anos,reconheço que seus erros foram secundários e o Brasil ainda precisava muito de gente como ele

STF DECIDE: PODE MARCHAR, SIM. LEIA POST DO GABEIRA SOBRE ISSO TUDO, E MUITO MAIS

Maconha, uma decisão previsível

por Fernando Gabeira(16.junho.2011 09:22:54)

  • A decisão do Supremo Tribunal Federal de liberar a realização da manifestações pela legalização da maconha não me surpreendeu. O fato de ter sido unânime acentua a facilidade da previsão.

Todas as leis devem ser cumpridas. Mas nenhuma delas vem com uma blindagem contra a discussão.Por meios legais, é possível discordar de uma lei e modificá-la.

Num artigo que escrevi para o Estado de São Paulo, na véspera da marcha da maconha, defendia a tese de que isso era um problema relativamente simples para a democracia brasileira.
Bastava, disse nas últimas linhas, combinar com a polícia, isto é acertar itinerário e hora para não prejudicar o complexo trânsito metropolitano.

A tese da liberdade de expressão deve ser estendida nas manifestações às pessoas que exaltam a maconha? Talvez, a partir de agora, isso não seja fator de punição.

A liberdade, se assim for interpretada, traz alguns perigos políticos. É inteligente exaltar a maconha numa demonstração pela legalidade do consumo? Se isso se torna o tom dominante numa manifestação, milhares de pessoas que não fumam, não gostam, mas ainda assim são pela legalização ficarão marginalizadas. Podem achar que o tema é de exclusividade dos usuários e, por suas razões, não querem ser confundidas.

As pessoas que vêem na legalização uma possível saída para um complexo problema social querem mais do que tiveram até agora. Querem saber como seria o processo, quais os modelos internacionais que foram estudados e até que ponto podem ser aplicados aqui. Isto é: que condições são necessárias reunir para dar um passo novo na política de drogas?

O Supremo rejeitou o cultivo doméstico. Também não é permitido no Brasil, como é na Califórnia e alguns outros estados americanos, o uso para fins medicinais.

Quando escrevi o artigo para o Estadão, tudo parecia tão simples que não imaginava uma sessão do Supremo para avaliar o tema. Mas como o Parlamento evita os temas perigosos, atualmente todas as expectativas se concentram no outro lado da Praça dos Três Poderes

DO BLOG DO GABEIRA, NO ESTADÃO: http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

BOMBEIROS – RJ. Post do site do Gabeira, que acompanha desde sempre o movimento. Informe-se de como vai a coisa. E não vai bem.

Bombeiros têm primeira vitória, mas ainda falta o salário

por Fernando Gabeira -09.junho.2011 

    A decisão do governador Sérgio Cabral de criar uma Secretaria de Defesa Civil é a primeira vitória dos bombeiros e todos aqueles que se preocupam com uma resposta aos desastres naturais.

Como se sabe, para escapar da pressão dos médicos no serviço público, o governador Cabral utilizou um grande numero de oficiais do Corpo de Bombeiros na Saúde, pois militarizando o trabalho conseguia mais disciplina.
Saúde e defesa civil se fundiram, com prejuízo da segunda que cresce de importância num mundo atingido por desastres naturais e ameaça de aquecimento .
Mas a adesão a uma tese de autonomia e singularidade da defesa civil defendida pela oposição, na campanha eleitoral, não resolve o problema, pois o aumento prometido de 5,58% não atende às reinvidicações dos bombeiros, unidos agora aos soldados da PM e aos funcionários da Policia Civil.

Querem um piso de R$2.900 para todas as categorias. É uma concessão dentro da própria ideia da PEC-300. No texto aprovado em 2010, o piso salarial era de R$3,5 mil para soldados e R$7 mil para oficiais.
Não posso deixar de me alegrar com a separação entre saúda e defesa civil, ambas importantes e autônomas. Mas temo pelo êxito nas negociações salariais. Vai ser preciso lugar muito.

O governador Cabral foi muito arrogante com os bombeiros. Ele já tem uma tendência à arrogância e apoiado por Lula e pela Globo sente-se o dono do mundo .
De fato, são dois aliados importantes tanto no campo da política como no das comunicações. No entanto, a arrogância pode solapar até os mais poderosos.

Os gregos diziam que a punição que os deuses reservam para a soberba é a cegueira.Pode também ser entendido de forma simbólica porque a soberba é em si uma forma de cegueira.

Foi dado um passo, mas no domingo a população vai mostrar ao governador Cabral como leva a sério a remuneração de bombeiros e policiais. Gostaria de ver bombeiros e policiais triunfando ali onde mais sentem o desprezo do governo: o salário com que se compra o pão de cada dia.

PS: A manutenção dos 439 bombeiros é tão insensata aos olhos da população que Cabral acabará cedendo nesse ponto. Ele tem seus marqueteiros,tipo de gente com utilidade para político que não anda na rua.

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Quer saber do Peru? Dá uma olhada nesses links da TV Estadão. Gabeira está cobrindo esta estranha eleição…entre a cruz e a caldeirinha, Humalla X K. Fujimori

>>>>http://tv.estadao.com.br/videos,FERNANDO-GABEIRA-VAI-ACOMPANHAR-AS-ELEICOES-PERUANAS,139626,259,0.htm

http://tv.estadao.com.br/app/estadao/tvestadao/player/player.swf

Uma análise da votação do Código Florestal, de quem entende do riscado: Fernando Gabeira

A novela do Código Florestal

por Fernando Gabeira – DE HOJE, do blog no ESTADÃO

Código ou incêndio florestal? A votação do texto esta semana tornou-se muito áspera, considerando a complexidade do tema.
Muita gente, vendo de longe, imagina que as dificuldades estão apenas num embate entre ambientalistas e ruralistas.
O governo perdeu o controle de sua base e foi obrigado a adiar a votação. Portanto, o problema existe também entre governo e base aliada.
Mas o que me parece mais interessante, não foi levantado com destaque. Um dos países com mais recursos naturais no mundo, o Brasil é muito complexo para ser resolvido pela burocracia política em Brasília.
Se tivessemos feito um zoneamento ecológico e econômico do país, não precisávamos ficar discutindo se as terras teriam de ter 80 ou por cento de reserva legal. Cada área, de acordo com o estudo específico de suas condições, teria o espaço exato para sua proteção.

Da mesma maneira, no caso dos rios, é difícil determinar uma regra para todo o Brasil. Criamos, através de três leis, uma legislação moderna para os recursos hídricos. Ela prevê a criação de Comitês de Bacia, um instrumento democrático de gestão, que poderia determinar a situação das margens do rio sob seu controle.

Visão da Mata Atlântica, em Itatiaia, RJ.(foto FG)

 Não posso dizer que o caminho de votação do Código no Congresso esteja errado. Ele precisa ser definido lá. Mas o quadro legal em que se faz a escolha é abstrato, impreciso. O ecologista saca um número mais alto, o ruralista um número mais baixo. E fica parecendo que esse é o melhor debate.

A novela vai continuar e o provável resultado será a insatisfação das partes. Elas precisavam incorporar procedimentos científicos em suas decisões. Se duvidam dos cientistas, que, às vezes, também discordam entre si, poderiam pelo estabelecer um padrão: quando houver consenso científico, estaremos juntos, quando não houver, resolvemos a questão na luta política.

Liberdade para Wei-Wei. Loucura chinesa o obriga a dizer que lê…revistas pornográficas! Texto do Gabeira

Como no tempo de Stalin

Fernando Gabeira ( do blog no Estadão)

  • A imprensa chinesa começou sua campanha para condenar o artista plástico Ai WeiWei, preso no momento em que se preparava para uma de suas viagens ao exterior.
    A tática é parecida com a estalinista. Segundo as noticiais oficiais, Ai WeiWei estaria começando a confessar os seus crimes, inclusive a leitura de revistas pornográficas.
WeiWei antes da prisão, numa pose para o New York Times
A presidente Dilma Roussef fez ontem na China um discurso sobre direitos humanos e democracia no Brasil. O comunicado conjunto dos dois países fala em entendimentos para avançar nesse campo.
Quem pode acreditar nisso? O Museu Guggenheim já iniciou uma coleta de assinaturas pedindo a libertação de WeiWei. Sugeri que a Bienal de São Paulo também fizesse algo do gênero.
As reportagens do New York Times, após a prisão, descreviam WeiWei como um intelectual brilhante a atualizado. Não creio que seja necessário basear o pedido de libertação no seu talento. Embora ache que os motivos da prisão possam estar ligados a isto. Um talento exuberante constrange a burocracia partidária que depende da mediocridade para sobreviver.

Gabeira adianta um pouco mais do que saberemos amanhã. E cita as dificuldades que teve na Câmara ao tratar de assuntos “correlatos”

Os negócios da família Kadafi

por Fernando Gabeira – DO BLOG NO ESTADÃO –http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Graças aos vazamentos do Wikileaks, os jornais devem estar apresentando , amanhã, grandes histórias sobre a Famiglia Kadafi. Seus filhos recebem dinheiro da companhia de petróleo estatal e tinham até a franquia da Coca Cola.

 Seif, o filho intelectual de Kadafi.

Uma excentricidade: um deles pagou US$1 milhão para a cantora Mariah Carey interpretar quatro músicas num show no Caribe. Há histórias de espancamentos das mulheres e outras aventuras de bilionários que se sentem impunes em seus países.

Duvido que as empresas brasileiras instaladas na Líbia ignorassem a ação da família Kadafi. Seid Al Islam, um dos filhos, tem um jornal e é  o mais intelectualizado. Cursou a London School of Eeconomics e escreveu vários papers. Nem por isso deixa de defender seus interesses familiares contra o povo da Líbia. O filho Muatassim seria o mais barra pesada e pediu US 1,2 milhão para organizar uma milícia para a companhia estatal de petróleo e rivalizar com irmão Khamis que controla a força especial do governo.

O motivo que levou Mariah Carey a aceitar a oferta do filho de Kadafi é o mesmo que nos leva a vender blindados para o ditador: é preciso abrir empregos, melhorar o nível de vida.

Por essas razões que o Wikileaks expoê na  Líbia e que são comuns em alguns paises africanos, é que não me foi possível avançar com o projeto que determina limites éticos para a atuação das empresas brasileiras no exterior. O que é isso, criar obstáculos, no momento em que estamos ganhando dinheiro?

Ainda teremos muito que discutir nessa história da Líbia.

A diplomacia do Bunga-Bunga: Berlusconi-Kadafi

Apoiado, Gabeira! Cadê os protestos do nosso governo? Estão esperando o quê? Mubarak? Jornalistas brasileiros estão com problemas sérios no Egito

E ainda tem o pessoal da Folha de S. Paulo, que também teve o quarto invadido…Veja o protesto de Gabeira no blog dele, lá no Estadão. Pertinente. E acompanhado da ação. Chamar  o “Patriota”

A hora dos jornalistas

por Fernando Gabeira

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

  •  O ataque aos jornalistas atingiu os jornalistas brasileiros, Coiban Costa, da Rádio nacional e Gilvan Rocha, da TV Brasil. Antes, Jamil Chade, do Estadão, e Fernando Duarte do Globo já haviam reportado a invasão dos seus quartos no Ramses Hilton, inclusive com busca de equipamentos e fotos.

O hotel cancelou a reserva dos jornalistas para depois de sexta-feira, numa tentativa de afastá-los. Jornalistas da Al Jazeera e do New York Times, BBC e El País já anunciaram também que foram vitimas de violência.

Não acontece com os brasileiros. Mas há uma diferença importante. No caso dos jornalistas americanos, através do porta-voz da Casa Branca, Robert White, o governo protestou.

Jornalistas como funcionários da ONU, militantes de direitos humanos, todos os estrangeiros que testemunham as manifestações no Egito estão sendo molestados pela polícia e seus capangas à paisana.

Há dois caminhos para mobilizar o governo brasileiro. O primeiro deles é a provocação direta dos repórteres que cobrem o Itamaraty: como é qe o Brasil vê essas agressões, o que tem a dizer a Mubarak sobre elas? O outro caminho, mais tortuoso, tento eu:  acionar  deputados para que  falem com Patriota.

De qualquer maneira, o governo brasileiro não pode silenciar diante da agressão aos jornalistas e deveria orientar a Embaixada a prestar socorro aos jornalistas presos, espancados e a todos os brasileiros em dificuldade no Egito.

Dica do Gabeira, no blog dele lá no Estadão. New York Times publica um pouco de como foi a negociação com Wikileaks e Julian Assange. E o babado é forte.

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/

Wikileaks, a história por dentro

por Fernando Gabeira

27.janeiro.2011 23:50:34

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Imperdível para quem estuda o jornalismo no século XXI o longo texto do New York Times contando os bastidores das negociações do jornal no episódio do Wikileaks. O texto é assinado pelo editor executivo Bill Keller e surge num momento em que os vazamentos prejudicam o próprio processo de paz no Oriente Médio. Refiro-me as notîcias sobre possíveis concessões dos líderes palestinos. A matéria é uma longa defesa da participação do New York Times na história dos vazamentos e uma clara preocupação em manter distância da fonte, Julian Assange.

A história contada pelo New York Times começa com uma chamada telefônica do editor do Guardian. O Times teria uma forma segura de comunicação –  pergunta o jornalista ingês. Resposta negativa. Não havia nada além das ligações ordinárias. Mesmo assim a conversa foi feita: havia uma grande quantidade de material que o Wilileaks queria divulgar e o Guardian estava procurando parceiros.

O New York Times enviou a Londres um homem de seu escritório de Washington que conhecia documentos militares e ele examinou durante dias o material. Eram verdadeiros. Começou aí a preparação dos artigos sobre a guerra, principalmente  Afeganistão.

Tanto no material da guerra como nos telegramas dipomáticos, o jornal procura se distanciar do Weakleaks, afirmando que editou tudo com muito cuidado para não expor operações de inteligência, para oferecer alvos aos terroristas e, no caso de diálogo com diplomatas, não expor a vida de oposicionistas em países ditatoriais.

A história conta todos os choques entre o jornal e Julian Assange, inclusive como ele reagiu furioso à publicação de seu perfil. Assenge, afirma Keller, nem é um associado nem um colaborador: apenas uma fonte  com suas impurezas. Adiante, Assange é descrito como um personagem de Stieg Larsson, o escritor best-seller sueco que mistura contracultura, hackers, conspirações de alto nível e sexo.

O primeiro contato com Assange, feito em Londres por Eric Schmitts, que foi estudar o material, descreve Assange como um homem com cheiro de quem não toma banho há dias. O Wikileaks exigiu dos jornais um embargo, algo bastante comum na distribuição de documentos. Embargo, nesses casos, marca uma data em que a publicação pode ser feita. O que dá mais tempo para estudos e apurações.

Toda a descrição do New York Times está voltada para sua própria defesa. Os cuidados em cada material, a lembrança dos repórteres do jornal assassinados em missão, o curso da narrativa indicam que receberam muitas e pesadas críticas. O jornal procura se distanciar um pouco até dos próprios associados na empreitada, como o Guardian, que tem uma posição mais à esquerda.

O relato, apesar de seu tamanho, deve estar circulando em português nos jornais do fim de semana. Vale a pena conferir ou então esperar a publicação de  Segredos Abertos: Wikileaks, Guerra e Diplomacia Americanas . É a cobertura completa e atualizada do New York Times que será oferecida em forma de e-book.

Não creio que, apesar das minúcias, o relato do New York Times vai convencer de que fizeram a coisa certa porque o tema dividiu muito. Na verdade são poucos os jornalistas no mundo que diante de uma oferta como a do Guardian- 500 mil documentos secretos – diriam não, obrigado.

Olha aí. Precisamos pensar mais longe. Sobre segurança cibernética, lá do blog do Gabeira no Estadão

http://blogs.estadao.com.br/fernando-gabeira/2011/

 

 

 

 

Hackers,sinal amarelo no Planalto

 por Fernando Gabeira

 02.janeiro.2011

O site do Planalto foi atacado por hackers e ficou, por algumas horas, fora do ar. Embora de natureza diferente dos vazamentos do Wikileaks , o episódio coloca, de novo, o problema da segurança da informação. Já existe uma iniciativa do governo para elaborar uma criptografia brasileira e vários cientistas nacionais que moram em outros países colaboram. O Brasil inclusive já realizou algumas reuniões com vizinhos sul-americanos para debater o problema. Para a criptografia, há uma dotação de $7 milhões via Finep, mas sinceramente, na minha visao de leigo, parece pequena pequena , se comparado com os investimentos do grupo de países em que nos encontramos: os chamados emergentes. A Rússia já foi acusada de paralisar computadores da Estônia, embora não se tivesse comprovado a autoria do bloqueio.Por via das duvidas fizemos com os russos um tratado de não agressão e cooperação mutua na rede. Foi assinado durante a visita de Lula a Moscou. Prevê troca de informações, treinamentos de defesa e simulações de guerra cibernética. Não se sabe ainda o que rendeu, se é que vai render.O ataque ao site do Planalto é, contudo, dificil de ser evitado. A mesma tática foi usada contra o Visa, por exemplo. Consiste em tensionar o site com milhares de acessos e chama-se DDoS na linguagem da rede. Mas o fato é que, em pesquisa recente ,envolvendo 14 paises,o Brasil se colocou muito mal , aparecendo como que menos atualiza suas defesas contra ataques cibernéticos. Porisso, a paralisação de ontem merece um sinal amarelo.

Ele voltou. Para o Jornalismo. Gabeira, no Estadão e outras estações!

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,‘a-tradicao-e-estar-onde-as-coisas-acontecem,655490,0.htm

DO ESTADÃO – ‘A tradição é estar onde as coisas acontecem’

Dezesseis anos depois de ter trocado a redação pela política, Gabeira volta à ativa como colaborador do ‘Estado’

Fernando Paulino Neto / RIO

Aos 70 anos e sem exercer o jornalismo há 16, desde que se elegeu pela primeira vez deputado federal, Fernando Gabeira planeja reinventar a vida e avançar como jornalista. Em seus planos está a colaboração para o Estado, onde estreia em janeiro como articulista da página 2, blogueiro do estadão.com.br e repórter especial multimídia do jornal. Nas reportagens especiais, fará texto e contribuições em áudio para a Rádio Eldorado e para a TV Estadão.

Na última vez em que fez uma cobertura internacional, a guerra da Iugoslávia, Gabeira utilizou o telex para enviar suas matérias. Hoje, acredita que a evolução tecnológica é importantíssima. Não só por permitir a utilização de diversas mídias em uma mesma reportagem, mas pela possibilidade de “sobrevivência sem papel e tinta”, com o advento do iPad.

Gabeira se propõe a fazer uma “quarentena” de temas mais próximos ao que abordou em recentes campanhas políticas. O objetivo é dissociar a imagem de político do jornalista. Pretende abordar principalmente assuntos como meio ambiente – em especial as enchentes -, Olimpíada, América Latina e questão nacional, “que, por enquanto, fica entre parênteses”.

Sua volta à redação traz com ele o espírito de repórter de prontidão. “Eu não sou jornalista de sentar e fazer só comentários. Minha tradição é de ir onde as coisas acontecem. Esse jornalismo que gosto de fazer se rege pelas mesmas leis que Gentil Cardoso determinou para o futebol: ‘Quem se desloca, recebe’. Você tem de estar lá.”

O que o sr. espera encontrar de diferente? As novas mídias são um desafio?

Os instrumentos à disposição hoje são muito maiores e mais perfeitos do que no passado. Significa que você tem mais tempo para fazer o trabalho e aperfeiçoá-lo. Agora descobriram uma nova bactéria que pode sobreviver sem o fósforo. Pode ser que o iPad seja uma nova vida para nós e possamos sobreviver sem o papel e a tinta. O processo de evolução está em curso. Isso é o mais importante que existe. Você tem também uma mudança no leitor, que passou a ser um usuário e um produtor, interagindo com o material. Mas, na verdade, são os jornais que gastam quase 30% de seu orçamento checando as notícias.

Qual seria o espectro da cobertura do Rio?

Existe uma curiosidade muito grande sobre o Rio no cenário internacional, o que já existia, mas foi estimulado pela Olimpíada e pela Copa do Mundo. Existe uma interrogação. O Rio tem condições de realizar bem uma Olimpíada? E, é claro, dentro dessa grande pergunta, a questão da segurança está envolvida. As UPPs foram construídas inicialmente como uma tentativa de criar um cinturão de paz em torno das áreas mais usadas pela Olimpíada.

O debate é se a segurança é para a Olimpíada ou para o Estado no conjunto. O cobertor não vai ficar curto?

No Alemão (conjunto de favelas na zona norte do Rio), o governo foi impelido a mudar de estratégia e antecipar a invasão. A presença do Exército, como Força de Paz, não há dúvida que estendeu o cobertor um pouco. Por que fugiram os traficantes do Alemão? Por que fizeram um cerco à Vila Cruzeiro e eles fugiram para o Alemão. E não havia cerco no Alemão. Ali era preciso no mínimo uns 2,5 mil homens para fazer frente aos 600 homens armados no Alemão. O cálculo é sempre de quatro para um. É uma tarefa para o Exército chinês. Precisamos contratar 7 mil policiais por ano para atender a essa demanda, sem contar os que são expulsos por mau comportamento. Nós estamos em duas comunidades no Haiti e isso já nos custa quase cinco vezes o gasto de segurança do Rio. Além disso, aqui no Rio foi um caminho invertido. Você fez obras infraestruturais e sociais onde o tráfico dominava, como Manguinhos, Alemão e Rocinha. O PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) começou de uma forma estranha. Ninguém escreveu ainda a história de como foi possível o PAC no Alemão. Embora eu tenha absoluta certeza de que a polícia tem gravações telefônicas e depoimentos que possam reconstituir essa história. Evidentemente que isso não vai aparecer, até porque o WikiLeaks não está interessado.

O sr. se preocupa com o problema das enchentes. O que mudou desde o ano passado?

Não mudou nem a organização da Defesa Civil. Nós temos uma série de dificuldades. A Defesa Civil não está estruturada como deveria, os bairros não estão se organizando para essa contingência. É preciso saber onde estão os barcos, onde está a lista das pessoas que não podem se mover. Uma série de providências que no Caribe, com os furacões, eles já estão acostumados. Aqui as enchentes parecem que acontecem de vez em quando. Então acontece o que eu vi no ano passado. Estavam construindo casas para pessoas que tiveram casas destruídas por enchentes no passado, mas os atuais flagelados as ocuparam. A leva de flagelados já era outra.

Como vai ser o governo Dilma em sua opinião?

Estou esperando algumas contradições internas na estrutura do próprio governo Dilma. Mais contradições entre os partidos que compõem a aliança do que contradições entre oposição e governo. Mas esse tipo de contradição vai resultar é em denúncia específica. Devo ficar um pouco à margem disso.

Como o sr. vê a questão do controle social da mídia?

Eu sempre tive uma posição contrária à expressão ‘controle da mídia’. Muitas vezes o que está por baixo da expressão ‘controle social’ é o controle de algumas entidades aparelhadas pelo partido do governo. Eu vejo com muita suspeição. Acho que a imprensa tem de ser deixada livre e trabalhar com todas as possibilidades. É claro que uma regulamentação do setor do ponto de vista de ajustar o papel das teles, o papel das telefônicas, é viável e possível. Mas não nenhum tipo de controle.

Que momento é hoje o da América Latina?

America Latina não é uma coisa única. Eu gostaria de fazer uma passagem pelos países que estão experimentando esse novo tipo de política, como a Bolívia, o Equador, a Venezuela e, parcialmente, a Argentina, para ver o que está se passando, qual o mecanismo dessa democracia plebiscitária. Os caminhos da Venezuela começam a ser bastante complicados. É um momento histórico interessante. Não com uma visão apologética, mas porque acho que vai haver problemas.

A voz do bom senso que deixa o Parlamento. Gabeira fala sobre a manobra que aumentou o salário “deles”, ferrando com o nosso país em escalas

DO SITE www.gabeira.com.br

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Aumento no apagar das luzes

 

Foto de Dida Sampaio/AE

Os deputados, contra apenas 35 votos, conseguiram aumentar seus salários para R$26,7 mil mensais. Tudo isso foi feito com cuidado. Cuidado para escolher a hora, a hora do almoço, quando a maioria dos jornalistas estava ausente; cuidado para escolher o método, um grande aumento provoca uma grande pancada contrária e é só.

O cuidado maior foi na escolha do mês e do dia. Foi no 13 de dezembro de 1968 que os militares assinaram o AI-5. A época é boa porque, de um modo geral, não há repercussão negativa que sobreviva ao espírito de Natal. Os deputados que votaram o aumento sabem bem que vão ser criticados , intensamente, mas sabem também que tudo é esquecido, quando os sinos bimbalham.

Tentei fazer uma intervenção e o presidente Inocêncio de Oliveira acabou encerrando a sessão, antes que pudesse falar. Não acredito que qualquer tipo de discurso pudesse mudar a situação. Os deputados fazem parte de um mundo especial, onde não ecoam, em certos momentos, nossas advertências sobre o abismo que estão criando entre o Congresso e o país real.

Na medida em que o trabalho parlamentar vai se tornando desinteressante, reduzido a carimbar medidas provisórias, o horizonte que buscam é o de maior consumo pessoal, mais conforto. A hipótese de recuperar a importância diante do poder executivo, de inaugurar um processo de discussões interessante para o futuro do país, tudo isso é deixado de lado. Querem apenas garantir seu conforto pessoal e pronto. Foram todos reduzidos a isto. A sociedade vai responder com indiferença. Em muitos lugares do mundo, como na Itália ontem, outros caminhos são preferidos, como as grandes manifestações de rua, inclusive choques com a polícia.

Por falar em polícia: os soldados da PM estão morrendo por um salário pouco maior que R$900 mensais e recebem apenas, nessa fase, elogios da televisão. Aumento mesmo, inclusive o previsto na PEC 300, não saiu. Tanta rapidez em corrigir o próprio salário, tanta dificuldade em aprovar o salário dos outros. Os deputados brasileiros, em sua maioria, são um tipo especial de seres humanos. Resta apenas desejar que a humanidade não se resuma a esse tipo de gente.

COMENTÁRIOS:

Esse arrazoado do Fernando Gabeira deveria ser enquadrado, guardado ou exposto em praça pública. É ma foto do que aconteceu. E uma previsão do que acontecerá.

Que vergonha.

E que pena que perdemos um parlamentar desse nível. Em compensação ganharemos de novo o jornalista, que começa a escrever e trabalhar para o Estadão e outros já agora no começo do ano de 2011.

Nós vamos sentir muita falta do Fernando Gabeira no Parlamento, ah, vamos sim! Leia o artigo no qual ele começa a se despedir de Brasília

Última semana em Brasília

Parto para aquela que é, objetivamente, minha última semana como deputado, depois de 16 anos. É uma semana difícil porque muitos problemas delicados serão colocados em pauta, exatamente porque são delicados: o ano está acabando e todos os desgastes podem ser absorvidos com mais leveza.

Menciono apenas dois: aumento de salário de deputados e legalização dos bingos. Sou contra o aumento de salários pois acho que é acompanhado de boas condições de trabalho: pagamento de despesas parlamentares, cota de telefone, gabinete etc.

Alguns deputados vão me acusar de hipocrisia. Pois bem, minha tese é de que o problema não é o salário e sim de ter um trabalho interessante. A monotonia e irrelevância do trabalho parlamentar acabam criando necessidades artificiais. Estou tranqüilo porque vou trabalhar muito na iniciativa privada e ganhar menos que um deputado. Logo, é razoável que expresse minha posição, apesar das agressões que se seguem em casos como esse.

A outra questão é o bingo. Sempre fui favorável à legalização. Mas da maneira que está sendo feita, pode não representar um controle efetivo do estado e cobranças reais de impostos. Os deputados não podem ser convencidos a votar na legalização, através de métodos heterodoxos. O que esses métodos significam é um sinal de que tudo pode ser feito, desde que se achem os protetores certos.

Todos esses temas tratados com rapidez serão reavaliados adiante. Votarei contra aumento de salário e contra legalização de bingos, esta por causa das circunstâncias. Depois dessa semana, vou preparar uma memória do tempo de Congresso a ser publicada pela revista Piauí. Terei uma participação no jornal Estado de São Paulo, algo que deve ser anunciado no domingo.

Através dessas mudanças, será mais fácil encontrar comentários locais no site www.gabeira.com.br. Os nacionais e internacionais devem se deslocar para um blog no portal do Estadão.

Ficaremos sem ele no Congresso, mas o teremos de volta no jornalismo

Mostrei para vocês? Matéria do Estadão de ontem

FOTO CATHERINE KRULIK
No trabalho de 13 anos, registros como esse aqui... Os morcegos

Um carnaval de imagens

Fotógrafa franco-espanhola publica livro com 13 anos de pesquisa sobre o carnaval brasileiro

25 de novembro de 2010 | Marcelo Hargreaves – Estadão.com.br

O Brasil apaixonou a fotógrafa Catherine Krulik, nascida em Paris e que morou boa parte da vida na Espanha. Formou-se em Londres, onde teve contato com a comunidade brasileira e aprendeu português. Três anos depois de sua primeira visita, decidiu morar no País. Em 1995, foi conhecer Ouro Preto, por coincidência, durante o carnaval. Este contato foi a raiz de um trabalho de pesquisa de 13 anos que virou o livro Carnavais do Brasil, que tem lançamento nesta quinta, na Livraria da Vila dos Jardins, em São Paulo.

Divulgação

Divulgação

Catherine Krulik viveu na França, Espanha, Reino Unido e, desde 92, no Brasil

O livro traz uma seleção de 150 fotos de Catherine com textos da jornalista Marli Gonçalves e, que foi traduzido para inglês e francês. A seleção das imagens coube a também fotógrafa e designer gráfica Maristela Colucci. Ela tinha à disposição um universo de cerca de 8 mil imagens. Segundo Catherine, havia 240 imagens separadas para o trabalho, mas foi necessário reduzir ainda mais este número por causa do texto que as contextualiza.

A fotógrafa apresenta imagens tanto do carnaval de rua, como das manifestações mais organizadas em Recife/Olinda, Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo, São Luís. Ao contrário de boa parte dos trabalhos a respeito do carnaval, Catherine escolheu ir a fundo, visitar desde os eventos mais famosos até manifestações culturais de raiz popular, sem o glamour, mas com originalidade, como os maracatus da Zona da Mata de Pernambuco. “Vi gente muito humilde que se dedica com muita dedicação a produzir as roupas para o desfile, uma experiência muito forte”, disse.

Na opinião dela, o carnaval de rua pernambucano é o mais “autêntico”. O de São Luís se parece bastante, embora de menor proporção. Ela confessa que, no folclore maranhense o que mais a chamou atenção foi a festa do boi, realizada na cidade no meio do ano. O ultimo que ela conheceu foi o da cidade em que mora, São Paulo. Apesar de ter ido à avenida, o que mais a chamou atenção foi o carnabike, que é um bloco de rua.

Catherine contou que sua experiência mais forte foi em Salvador. ‘Cheguei lá quase um mês antes para preparar tudo’, lembra. O que mais a impressionou foram os desfiles dos blocos afros como o Filhos de Gandhi, Filhas de Oxum, entre outros. Quanto aos trios elétricos, o volume de gente a deixou assustada. “Era tanta gente que tive de andar com seguranças”, observa.

Apesar do apreço que ela desenvolveu pelas manifestações espontâneas, ela não desmerece o tipo de carnaval que se associou ao Brasil. “Quando via pela TV, não me chamava atenção, mas quando fui a primeira vez à avenida, no Rio, em 1998, fiquei encantada com aquele trabalho, que é, sem dúvida, o maior espetáculo da terra”, lembra a fotógrafa. Com as fotos que fez naquele carnaval, ela foi à França e ganhou o Euro Press Award.

“Quando ouço europeus dizendo que acham os brasileiros preguiçosos, respondo que gostaria de ver cada um deles ter capacidade para organizar um desfile de escola de samba”,diverte-se Catherine.Agora sem a obrigação de fotografar, ela planeja desfilar em uma escola no carnaval de 2011. A franco-espanhola fotógrafa já é tão brasileira que confessou: “Torço pela Mangueira.”