#ADEHOJE – UM ANO E NÃO FALTOU ASSUNTO. FAZ-NOS RIR

#ADEHOJE – UM ANO E NÃO FALTOU ASSUNTO. FAZ-NOS RIR

 

SÓ UM MINUTO – Na segunda-feira seguinte à eleição de Jair Bolsonaro comecei o #ADEHOJE. Sabendo, há muitos anos, inicialmente de seu despreparo, aliado à incapacidade e inconsistência, além das ideias reacionárias com alguma dose de sociopatia, era evidente que teríamos fatos todos os dias para comentar. Mas juro que não pensei que seriam tantos e tão graves e tão vergonhosos. Acreditava que uma equipe poderia romper isso, impondo a ele uma visão de Estado.
Vejo que estava errada e o último exemplo foi mais um ponto nessa loucura: ele, retratado como um leão atacado por hienas. Em um vídeo só, destratou e atacou todos os poderes, inclusive a imprensa. Todas as instituições e movimentos, inclusive o feminista. Não adiantou ele estar fora, viajando atrás de acordos comerciais inclusive importantes. Ele não para. Os Filhos do Capitão não param. Agora, ainda por cima, também atacou mais uma vez as mulheres ao falar do encontro com o príncipe saudita Mohammed bin Salman, o sanguinário, acusado do assassinato do jornalista Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul no ano passado. Ousou dizer: “Todo mundo gostaria de passar a tarde com um príncipe. Principalmente vocês, mulheres”
Não, presidente, gostaríamos não. Com esse, não. Já basta a violência que sofremos aqui no Brasil. O senhor apenas nos faz rir, aí, realmente, como hienas. Sem mais.
Vejam uma das coisas mais absurdas que já foram criadas por esse “desgoverno”:

Agenda para quem pode. Amanhã, 8 de março, tem Marcha das Vadias 2014 em SP. Acabo de pegar esse post!

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Atenção, atenção mulherada! Amanhã, 8 de março, a Marcha das Vadias de SP estará nas ruas para marcar mais um ano de luta. O ato deste 8 de março de 2014 é uma realização conjunta de vários coletivos feministas e outros movimentos sociais, além de partido políticos. A concentração será no vão do MASP a partir das 9h. Se você ainda não tem uma turma definida, vem marchar com a gente!!!!! Procure pela faixa Marcha das Vadias que estará estendida ao lado do pilar esquerdo, no fundo do MASP (olhando de frente pro vão) a partir das 8h. A partir das 10h, sairemos todxs em marcha! A rua é nossa!!!!!

Mais informações:

https://www.facebook.com/MarchaDasVadiasSP

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JÁ LEU MEU ARTIGO DESTE ANOS SOBRE A DATA? AQUI

 

ARTIGO – Nem toda a nudez será castigada. Por Marli Gonçalves

Pronto, agora melou. Virou moda. Vira e mexe agora, em todo o mundo, alguém arria as calças, levanta a blusa, mostra os peitos, põe a própria na janela. Não é uma nova forma de protesto, mas está sendo atualizada, com mulheres lindas e loiras que se jogam no chão e esperneiam quando a polícia chega e as arrasta, gerando invariáveis fotos para manchetes

Os protestos ficaram mais bonitos em todo o mundo. O problema vai ser quando banalizar a forma, ou formato, o que aqui no Brasil acontece muito mais rápido do que em qualquer outro lugar. Não faz um mês apareceu uma ativista em verde e amarelo, a Sara Winter, como ela própria se batizou. Apareceu, viajou para a Ucrânia e foi aceita – é, isso mesmo, tem de passar por uma espécie de vestibular com prova oral e prova prática, de capacidade de aguentar o tranco – no mais novo grupo feminista da praça internacional, o Fêmen. Aquele, das moças bonitas, guirlanda de flores nos cabelos, seios fartos e pele alva pintada com os dizeres dos protestos, grupo que foi aparecendo aqui, ali, e daqui a pouco vai abrir franquias em todo o planeta. Logo no primeiro protesto lá fora, Sara foi parar na cadeia, gritando que era estrangeira, e brasileira. Nem sei como não levou umas bolachas a mais justamente por isso.

Aqui, Sara foi imediatamente paparicada pela imprensa, como uma ET que desce à Terra. Parecia que finalmente nascia uma heroína, um protótipo de Macunaíma. Mas como protesto não é coisa de se fazer sozinha sempre, Sara já andava arregimentando novas “membras” para a organização feminista, que proclama um feminismo diferente. E começou a testá-las, também nas ruas. Apareceram na Avenida Paulista contra proibição de partos em casa. Apareceram contra a opressão. E, pelo que parece, podem aparecer a qualquer momento contra qualquer coisa que não precise exatamente explicar muito. Ótimo.
Tudo ia indo muito bem até que essa semana a polícia resolveu catá-las, depois que ela e outras abnegadas em teste foram parar na frente do Consulado russo em São Paulo, pedindo a libertação, lá na Rússia, das três integrantes do Pussy Riot, banda encarcerada (que pegou dois anos de pena) porque andou, digamos, falando da mãe do presidente Putin. E dentro de uma igreja.

Pareceu um soluço. Do dia para a noite nossa heroína foi revelada de outra forma: teria pensamentos de extrema-direita, fascistas, e uma de suas tatuagens, a cruz de ferro, seria símbolo nazista. Descobriram também que ela criticou, deu um pau na Marcha das Vadias o ano passado – justamente também uma forma de usar a nudez para protestar pelo respeito pela mulher. Percebi um tom de muxoxo até quando contam que ela é do interior paulista, de São Carlos. Enfim, Sara agora samba para se explicar. Já assumiu ter sido prostituta e falou algo bem sério, mas para o qual já não vi ninguém dar real atenção: teria sido ela própria vítima de violência por parte do ex-marido.

Mas aí já se precisaria falar sério e sabe como é…

Foi uma das ascensões e quedas mais rápidas que vi. A cara do nosso país. Uma terra de vestais, moralistas, puros, tímidos, religiosos, pudicos, corpos cobertos. Onde a nudez está para onde se olha, mas só é vista como natural em dias de Carnaval – e nem isso mais, ultimamente, com a massificação dos desfiles e ocultação das genitálias. Um país onde o naturismo ainda não é bem aceito, e nem legalizadas as regiões onde pode ser praticado. Onde se escandaliza com pouco e fecha-se os olhos para o horror e a barbárie. Onde moças de mini-saia ( ou abajures, como chamávamos) hoje sorriem e dão entrevista, felizes em serem chamadas de periguetes, porque tem uma na novela em cartaz, sentindo-se as maiores inovadoras da paróquia dançando o funk chão-chão-chão. Tem até concurso para ver quem é a mais periguete, se é que isso pode um dia dizer algo. A verdade é que mudam o nome das coisas e o país vai ficando mais e mais careta.

Lembro de há alguns anos ter ficado impressionada com a pequena quantidade de pessoas dispostas a participar que apareceram no Parque Ibirapuera, para o ensaio do fotógrafo americano Spencer Tunick, especialista em fazer arte com corpos naturais em pelo. Só apareceram no máximo umas mil e quinhentas. Recordo que fiquei pasma ainda quando, em seguida, Tunick foi, acho que para o Chile, onde com temperaturas abaixo de zero reuniu mais de três mil pessoas.

Hoje, anos depois, penso que seria até menor o número que toparia. Estamos ficando muito chatos e perigosamente carolas.

Me preocupo muito com essas coisas porque essa questão envolve vários temas que me são caros e que estão sendo totalmente folclorizados, como o próprio naturismo, o terrível uso e manipulação religiosa, a nudez como forma de protesto e , também, como o feminismo, pelo qual tanto nos esfalfamos para o reconhecimento. Vange Leonel, cantora, escritora e ativista gay, fez uma proposta no Twitter que achei interessante: que se pense em instituir o ensino da luta feminista nas escolas.

Como aqui até o passado é incerto… Seria bom, antes que como alguém também já disse, como tudo no Brasil, o tema seja esculachado. Vire piada.

São Paulo, como eram gostosos os meus brasileiros, 2012
2012

Marli Gonçalves é jornalistaGostei dos bombeiros espanhóis que arriaram as calças e mostraram as derrières para protestar contra as medidas econômicas de austeridade. Por aqui logo pode aparecer a versão masculina do Fêmen: o Movimento Sêmen, com os homens protestando por serem usados como objetos.

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