Esquina da Farme de Amoedo, com Visconde de Pirajá. Repressão marca encontro frustrado com o tráfico no Alemão. E o mundo levanta a poeira com os documentos do Wikileaks. Leia o Gabeira de hoje

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Gatos e ratos desmarcam encontro à moda carioca

 Vazamentos e traficantes

Fernando Gabeira

 

Dois temas, dois vazamentos, merecem ser comentados hoje. O primeiro, é o vazamento de documentos diplomáticos dos EUA, através da organização Wikileaks. Sobrou para quase todo governante do mundo a revelação de seus segredos, ou pelo menos a revelação de como a diplomacia americana os trata, nos relatórios reservados.

Interessante para o observador da política externa constatar esses sobressaltos. Na verdade, a primeira grande mudança foi o surgimento de emissoras de televisão como a CNN, acompanhada da BBC e Al Jazeera. Todas com muita ênfase nos acontecimentos do mundo, acabaram obrigando os diplomatas a saírem das sombras para os holofotes. Agora com a sucessão de vazamentos do Wikileaks, uma organização que se dedica a isto, pelo menos  já não há tantos segredos como antes. O único problema é que os vazadores terão de enfrentar os mesmos métodos que estão utilizando e a fúria de governos poderosos pode destruí-los. Pelo menos há muita promessa de repressão no ar.

O outro vazamento que intriga as pessoas é a fuga dos traficantes no Complexo do Alemão. Fala-se que utilizaram as escavações e galerias feitas pelo PAC. Duvido, mas creio que elas não servissem a este objetivo. Só estudando o terreno com cuidado.

Minha hipótese é a de que os traficantes fugiram no mesmo embalo que tomaram ao escapar da Vila Cruzeiro. Naquela noite, o cerco ainda não estava feito. O Exército decidiu colaborar no dia seguinte. Mesmo depois do cerco feito, é possível, mas improvável, que as fugas tenham acontecido. Improvável porque as pessoas arriscam muito; possível porque os cercos mais perfeitos contêm dois anéis e isto demanda muito mais gente do que a utilizada.

Agora que aconteceu a tomada do Alemão, vamos enfrentar o plenário com muito mais força, pedindo melhorias para a policia, isto é recolocando o debate da PEC300.

O Exército deve ficar seis meses no Alemão, assim como está há muito tempo em Cité Soleil e Bel-Air, comunidades haitianas. Daqui a pouco, vamos compreender aqui, o que já se compreendeu lá: será preciso substituir, gradativamente, as tropas por grupos especializados em engenharia e outras atividades socialmente importantes.

Temos uma grande vantagem sobre o Haiti. Lá é difícil encontrar equipamentos e matéria prima. Aqui temos uma retaguarda ideal.

Para não deixar traficantes fugirem, na próxima, o governo já conta com o apoio antecipado das Forças Armadas. Agora é desejar que a Conferencia do Clima em Cancún também dê um passo adiante: os debates estão se dando num país onde o tráfico de drogas chegou a um nível de violência mais trágico ainda do que a queima de carros.

FONTE: www.gabeira.com.br