ARTIGO – Sexo com todas as letras. Por Marli Gonçalves

É um mundo todo colorido, chega a ser extravagante. Tem linguagem própria e até uma entonação especial, em som de vozes às vezes fanhosas que podemos reconhecer rapidamente, embora ultimamente algumas moças fitness também estejam falando no mesmo tom, sei lá se por hormônios ou anabolizantes. É um mundo que sempre existiu, mas estava escondido, e agora quer se mostrar com todas as suas letras, dúvidas, anseios.

Não sei se percebeu, mas os simpatizantes andaram sendo atirados para fora do trem das letrinhas que compõem o movimento pela diversidade sexual. O S sumiu da forma que ainda é a mais conhecida, LGBT. Mas agora tem mais completa, decore: LGBTQIA+.

É tanta variação de identidade sexual possível de existir que andaram decidindo que pode ser tudo isso, mais um asterisco, ou um sinal de +. Senão ficariam discutindo mais e aí não teriam nem tempo para o prazer. Até acabar de falar as letras, a outra pessoa dormiria.

Esse + representa qualquer outra forma que ainda possa, sei lá, surgir dia desses, e não qualificada em LGBTQIA. Tentando traduzir: lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros, queers, intersexuais e os assexuados. Mas você pode encontrar referências com todas essas, e ainda com mais letras T, dois Ts; pode encontrar também com o P de poliamor, ou C, de curioso. Pode até encontrar um vagão duplo: LGBTTQQIAAP (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, transexuais, queers, questionadores, intersexuais, assexuais ou aliados – simpatizantes – e pansexuais). Qualquer maneira de amor valerá. Amor que agora ousa falar seu nome, com todas as letras.

O importante é que a diversidade sexual realmente tem agora presença e visibilidade proporcional ao aumento da população mundial, à globalização e às inúmeras formas de comunicação e informação que se espalham. A questão está sendo politizada, e a luta por liberdade e direitos civis se ampliou ao se juntar todas essas letras de todas as formas de se viver o próprio corpo e o amor.

Mas ninguém está inventando a roda. Nem o fogo. Apenas aparecendo – mais maquiado, operado, assistido, modificado, aceito, mais abertamente fora de armários, seja qual for o seu tamanho. Abriram-se as portas. Há muita gente inclusive tirando uma boa lasquinha nessa assimilação. Comercialmente está uma festa: é cerveja, aplicativo de transporte, propaganda de cosméticos. Pena que não dão dinheiro para a causa geral, apenas para as estrelas contratadas. Daniela Mercury é uma que fatura muito bem com a sua opção. As outras cantoras da MPB me parecem mais verdadeiras. Enfim…

Para vocês terem ideia do tamanho que a coisa tomou, a Parada Gay de São Paulo é um dos maiores eventos turísticos do país. Calcula-se em 45 milhões de reais o valor que injeta na cidade, e com seus turistas gastando, em média, cada um, R$ 1.500,00. É dinheiro!

Mas o investimento que oficialmente chegou aos realizadores não passou de um milhão e meio. Sei disso porque o organizador cultural este ano foi um grande e querido amigo, Heitor Werneck. Há meses o estou acompanhando; ele se consumindo para trazer coisas boas para a festa, representativas e com caráter social. Por exemplo, o grupo de 50 travestis que tirou da Cracolândia, dando casa e comida e um bom papel para elas ensaiarem um show para a Avenida Paulista. Isso poucos veem e dão valor.

Ainda esses dias assisti, e me emocionei muito, à pré-estreia de Divinas Divas, o documentário dirigido pela atriz Leandra Leal, que revive os áureos tempos do Teatro Rival no Rio de Janeiro e a primeira geração de artistas travestis do Brasil.

Rogéria, Valéria, Jane Di Castro, Camille K, Fujica de Holliday, Eloína, Marquesa e Brigitte de Búzios formaram, na década de 1970, o grupo que testemunhou o auge da Cinelândia e brilhou nos palcos internacionais, especialmente de Paris. Hoje, todas com mais, bem mais de 70, contaram muito do que foram obrigadas a passar, no país em plena ditadura. Ficou claro que para sobreviverem àquela época tiveram de passar a quilômetros da política e da realidade que abatia o país. Recomendo o filme a todos, que talvez dessa lista só conheçam a Rogéria. Cada uma delas tem uma história, trilhou um caminho, nos fazem pensar, e muito, no quão bobagem e perda de tempo é e sempre será o preconceito.

Eu sempre as adorei, desde menina. Sempre fui fascinada por artistas travestis e vedetes que, inclusive, têm tudo a ver entre si. Sempre fiquei maravilhada com o brilho de suas roupas e acessórios, por seu apego às divas, às grandes estrelas de cinema; sempre me encantei pelo seu despojamento, pela nudez tranquila, pelo sucesso que faziam nos palcos com seu talento. Pelos amores que conquistaram mundo afora, algumas até a condessas chegaram, seus amantes milionários. E por tudo que as vi ultrapassarem: agressões, prisões, porradas, mortes.

Foram pioneiros. Era tempo de mais glamour no melhor sentido da palavra. Meio perdido hoje, com todo mundo se enfeitando para participar da Parada com os repetitivos produtos chineses da Rua 25 de Março reproduzindo o arco-íris, a grande imagem que se sobrepõe a todas as letrinhas.

Não tem mais volta, os armários se abriram. É hora de todos aceitarem, dizerem não à homofobia, ajudarem a garantir a todos os direitos de todos. Entender que muitas são suas formas, seus desejos, a conformidade de seus corpos. O que querem mostrar com orgulho, na Parada e em todos os dias de todos os anos, com seus trejeitos e expressões, com saúde, longe da violência que nos tem a todos como alvos.

BANDEIRA

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20170607_194808Marli Gonçalves, jornalista – Uma das coisas que viveu para ver acontecer. Abriram-se as cortinas. Pela janela entrou ar fresco.

São Paulo, semana da Parada de todas as letras, 2017

 

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ARTIGO – Quente ou frio? Por Marli Gonçalves

tumblr_o2tf6vpDpe1rjatglo1_r1_500Quando eu era menina, mas se bobear ainda gosto, jogava muito “quente ou frio? “- para qualquer coisa. Você tentava adivinhar algo, ou encontrar um objeto escondido, e se fosse chegando perto, a coisa ia esquentando, pegando fogo… Se distanciasse, ia ficando frio, gelado, glacial! E caíamos na risada. Como é bom cairmos na risada, coisa que há tempos não conseguimos fazer sem culpa. E você, o que acha? Está quente ou frio? Sempre dependerá da pergunta. Do momento. Do que estaremos falando.

Frio! Obviamente me lembrei disso por causa do frio congelante que nesses dias anda batendo aqui pelo Sudeste, Sul, intenso e deslocado de sua estação que ainda aterrissará em breve em nossos ossos, e que se isso tudo já for ela mandando recado antes de chegar vai ser mesmo de doer. Há décadas não aparecia assim, tão real.

Quente! Pleno inverno, mas os próximos três meses serão é ainda bem quentes por aqui com tantas informações surgindo, fatos se sucedendo, artimanhas sendo tecidas em gabinetes e pequenas conspirações orquestradas aqui e ali entre instâncias. Quem consegue dizer o que será, será? Frio!

Quente! Se a gente se afasta do panorama todo, tenta uma visão mais global, vê que parece que estão sacudindo fortemente a bolinha Terra. Se alguma coisa já estava fora da ordem, agora elas estão é totalmente bagunçadas. O clima é só detalhe. Imigrantes gelando nos campos e mares, a candidata norte-americana apelando até para ETs. E a loucura, a ignomínia, o preconceito, o fascismo e seus extremos, outras margens que ainda insistimos em não ver por distantes estarem e alegando outras culturas.

A política e a religião andando juntas estão pondo (de novo) as manguinhas de fora. A política a religião e o comportamento, então, se misturam e espirra sangue fresco, jovem, em todos nós. Malucos solitários exercitando seus poderes e forças, senhores das armas. O terror deixando o suspense no ar, seu cheiro de enxofre e morte como possibilidade de explodir a cada segundo, em qualquer lugar, trazendo dor e a imolação de inocentes. Tudo muito intenso, tanto quando o quente e o frio. Não pode ser banal; nosso coração não pode achar que é isso e acabou – o ódio se alastra, ultrapassa fronteiras. Cada vez mais rapidamente.

Fria. Quando a política é a própria religião, vai virando adoração de ídolos, catequização. Se apega a um dos lados com crença fervorosa, desconhecendo evidências e fatos num fanatismo cego, embandeirado com centrais e camisetas uniformizadas, massinhas. Vozinhas discordantes berrando aqui, ali, abaixando as calças, gritando palavras de ordem sobre resistência, e ainda totalmente alheias à realidade ao redor, o que realmente mais surpreende é que parece que ainda não entenderam o que houve, onde bateram a cabeça. De outro, os símbolos do atraso da mesma forma tentando se adiantar com suas ideias sempre burras e grosseiras. Precisamos sair dessa fria.

A temperatura nos faz lembrar que nunca estamos contentes se é quente ou frio, se é pouco ou muito, ou porque não queremos nada em demasia, ou porque estaremos sempre reclamando e pondo defeitos. É da nossa natureza. Deixar ventando constante um calorzinho soprando na nuca de quem está com a caneta na mão.

Isso é bom. Mas está quente ou frio? Frio. É a tal friaca, a palavra da semana.

“Seja quente ou seja frio. Não seja morno, que eu te vomito”.(Apocalipse 3:15-16)

torcida brasielria frio

Marli Gonçalves, jornalista – Parece distante encontrar o quente que procuramos.

São, São Paulo, 2016

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Bom Dia, Brasil Brucutu. A cada hora, violência contra gays; uma em cada três mulheres sofre violência vinda do marido

Dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência
Gay Pride em arco-íris

Gay Pride em arco-íris

Gay Pride em arco-íris

A cada hora, um gay sofre violência Nos últimos quatro anos, o número de denúncias ligadas à homofobia
cresceu 460% no Brasil. Em 2014, até outubro, foram 6.500 denúncias

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Uma em cada 3 mulheres sofre violência do marido

Dados foram divulgados hoje pela OMS

ARTIGO – Serão os deuses candidatos? Por Marli Gonçalves*

Boy_PrayingTentei ficar por aqui quietinha, quietinha, esperando setembro passar. Mas estou vendo ataques tão sórdidos, tão desleais, pagos a soldo, sem propósito, maledicentes e mentirosos que não vejo restar outra alternativa aos que pelo menos tentam ser do bem. É preciso rejeitá-los sem dó sob o custo de sairmos dessa campanha num país ainda mais lastimável, terra arrasada. E Deus não vai ter nada a ver com issoImagen-animada-Adan-y-Eva-02

Nunca pensei que fosse ver de novo quão desesperadora a situação de uns e o medo de outros em perder a boquinha – ou tentar ganhá-la – como nessa eleição para a Presidência da República, principalmente nos últimos dias. Vinha vindo tudo calminho, educado até, com alguma cortesia entre os três primeiros colocados. Aí caiu o avião que imediatamente de alguma forma já mudou o país. Ascendeu Marina Silva como um foguete, e embora ela seja lenta, em poucos dias uma nova campanha entrou no ar. Imediatamente chegou junto o lado mais escuro e obscuro da força. Não é mais competição; virou guerra. E muito suja.

Adam-Eve-Snake-64548A frágil Marina, que nem é tão frágil assim pelo que vemos, já que responde com firmeza e determinação, agora é a única a quem cobram para ter tudo pronto, apresentar solução até para bicho de pé. Tudo o que diz tem de fazer muito sentido, ser basicamente um plano com começo, meio e fim. Perceberam? Não faz um mês que entrou – antes era apenas uma vice, e os vices são vices, estava abrigada numa sigla para não ficar com a sua rede no sereno – e agora até um ministério já estão chutando para ela. Se fala disso, copiou. Se muda uma vírgula, é porque voltou atrás. Se a amiga é rica, problema. Se trabalhou e ganhou, problema. Se não trabalhasse ia viver de quê? Do fundo partidário que não seria, já que todos os obstáculos, pedras, tachinhas e barreiras impediram a criação de seu partido.

29Só acho engraçado cobrarem tanta coerência e significado das promessas só da parte dela, quando, por exemplo, são famosos os discursos sem pé nem cabeça da Dilma, a candidata e a presidente, o que é pior, uma vez que faz isso há 4 anos todos os dias. Basta que a deixem falar de improviso, sem ler o papelzinho. Depois é só tentar espremer as palavras ao vento que profere com seu ar mandão, e enfim dar muita risada. O mineirinho também não fica atrás. Fala em reformar isso, aquilo, tudo por cima, tudo geral. Ninguém nos fala ao coração, do nosso dia a dia, do Futuro, de como poderemos acompanhar as mudanças, a tecnologia, os novos desafios do comportamento.

Agora, ainda por cima, enquanto nós, mortais, tentamos manter nossas cabeças fora d água num país parado, inquieto, recessivo, passaram a apelar para Deus! Apelar para a religião, como se o Estado laico não fosse uma de nossas maiores preciosidades a preservar, garantia que devemos defender com unhas e dentes e pontapés, já que é com isso mesmo que combateremos inclusive esses pastores e emissários reacionários, atrasados, essa gente que tenta nos atazanar se imiscuindo na nossa sagrada vida privada.  Fora que ninguém precisa de autorização para ser gay, que eu saiba, pelo menos. Vão lamber sabão para ver se faz bolhas!

462285583l8teEscrevo essa defesa por mim, não entendam como posição política. Só me respondam. Durante muito tempo, por exemplo, consultei o I-Ching, e foi bom. Quem de vocês aí do outro lado deixou de dar uma espiadinha no horóscopo do jornal, não se interessou por aquela vidente que joga um tarô fenomenal, foi ver aquele babalorixá dos búzios, não levantou as mãos e os olhos para o céu agradecendo ao invisível? Quem não pulou sete ondinhas, fez sinal do padre, promessa? Quem, espírita, não recorreu a alguns dos ensinamentos psicografados pelos mestres ? Ou a aqueles livrinhos Minutos de Sabedoria, aos calendários Seicho-No-Ie, aos livros de Paulo Coelho ( agora chutei o pau da barraca) ou mesmo aos biscoitinhos chineses da sorte ou ao papagaio do realejo? Digam: qual é o problema da Marina dizer que consulta a Bíblia? Vocês acham mesmo que, caso eleita, ela vá tomar as decisões só abrindo o livrão, fechada no banheiro? Se nem o pessoal da esquerda abre mais O Capital, ou o Livro Vermelho do Mao-Tsé Tung! Do lado da Marina, do Aécio, da Dilma, do Eduardo Jorge, de todos, igual com a gente, estão pessoas com todos os tipos de crença. Bom respeitá-las. Se não fizerem mal a ninguém, a nós também não farão, a não ser que atiremos pedras.graphics-monks-288666

Façam-me o favor. Todos os candidatos têm gente legal ao lado, para buscar formar uma equipe. Não são monolitos, ditadores que imporão usos e costumes – isso era lá na ditadura, e nela, para ela, não tinha eleição. Era só porrada, ordem; não queremos mais isso. Queremos discutir usos e costumes, mas a sério. O direito ao aborto, a legalização das drogas, a utilização das redentoras células-tronco, mudanças no Código Penal. Queremos ciência, filosofia, pesquisa, tecnologia acessível. Ir às estrelas se nos for possível.

A gente não quer só comida. A vida é maior que a economia, que agora volta a frequentar as colunas de jornais como há tempos atrás, de forma pesada e quando invadia todos os cadernos. A vida é maior do que as elucubrações que vêm gastando páginas e páginas, canetas, batucadas nas pretinhas, para analisar os ditos e não ditos. Contradições, turma, todos nós temos, basta abrir o baú, inclusive o de alguns analistas que já acharam “outras” coisas tempos atrás, gente séria. Só não revirem – nem abram – os baús dos que atacam de forma tão sórdida como nos últimos dias. Deles, só cairão moedas, traições e um enorme apego à boquinha, ao bico onde mamam.

JesusFlipsTableDa Bíblia eu aqui só sei, confesso, que é um livro grande que nunca li. Mas desde pequena uma delas, bem bonita, que vinha com a Enciclopédia Barsa, lembram?, ficava aberta na sala da casa de meus pais. Uma vez perguntei a minha mãe o porque, se era só um enfeite já que ninguém nunca foi muito católico por lá. Ao que ela respondeu, rápida: “Não, filha, dá sorte!”.

Vou confiar nisso.

São Paulo, 2014 Marli Gonçalves é jornalista – Ainda não decidiu em quem vai votar. Mas do jeito que estão atacando a Marina Silva, vou fazer igual ao que ouvi de um amigo: “Daqui a pouco, de tanto tentarem destruí-la, vão me forçar a gostar dela”.

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0021

Desse jeito fica difícil respeitar alguns pastores. Querem discriminar? Pois bem. Vamos provocar.

ShadowBalletInfluência evangélica

Cabral: votação adiada

Cabral: votação adiada

Os evangélicos tiveram grande influência ontem no adiamento da votação do projeto de lei na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro que prevê multa aos estabelecimentos comerciais que discriminarem gays. A proposta foi enviada para o Legislativo por Sérgio Cabral.

O pastor Abner Ferreira, até agora o maior apoio evangélico para 2014 conseguido por Luiz Fernando Pezão, disparou telefonemas para deputados pedindo o adiamento da votação.  Os pastores Edino Fonseca e Samuel Malafaia também atuaram fortemente contra o projeto.

Com 117 emendas, o projeto de Cabral foi retirado de pauta.

FONTE: COLUNA LAURO JARDIM – RADAR – VEJAONLINE

Por Lauro Jardim

Olhem que governo moderno…Com coragem e cara de pau de tirar esse vídeo da campanha de Carnaval pelo uso de camisinhas.

ESPERO QUE A BOA SURPRESA QUE FOI O NOME E AS FALAS DA NOVA MINSITRA DE POLÍTICAS PAR A MULHER NÃO SEJA MAIS UM TRAQUE.
o TAL MINISTRO DA SAÚDE É.

O Ministério da Saúde determinou ao Programa de Aids, da própria pasta, que retirasse da internet o vídeo institucional com filme com cenas de uma relação homossexual entre dois homens, que seria exibida para a campanha do Carnaval. Nas imagens, dois rapazes são apresentados numa boate, trocam carícias e são alertados por uma fada a usarem preservativo.

Aguinaldo Silva questionado por gay que não gosta do personagem – gay – da novela. Uma coisa meio pesada, abordagem esquisita.

ELES ESQUECEM QUE AGUINALDO SILVA FOI UM DOS PRIMEIROS ATIVISTAS GAYS DESTE PAÍS E PRECISA SER RESPEITADO POR ISSO

O Aguinaldo Silva postou no site dele.

Veja como pode haver preconceito entre nós mesmos. Entre as mulheres, Entre os gays. Entre os negros.

Com razão ele não gostou nada disso. Reclamou também no Twitter

http://www.aguinaldosilvadigital.com.br/2010/

 

ELES QUEREM DOMINAR O MUNDO!

 

Estou na praia. Saio pra caminhar na única hora em que acho que vou ter sossego (não digo qual). Já estou nos 3200 metros quando um cidadão de boné passa de bicicleta e me aponta com o dedo num gesto de recriminação. Fico na minha, finjo que nem é comigo. Mas ele pedala mais cem metros, dá meia volta e vem em minha direção. Aí vem bomba, penso, e não dá outra. O cidadão emparelha sua bike comigo e, com uma voz ligeiramente fanha, pergunta:

“Você não tem vergonha?”

“De quê?” – eu lhe devolvo a pergunta. E ele:

“De botar na televisão um gay escroto feito esse tal de Crodoaldo. Por que você faz isso?”

“Porque eu quero, ora bolas!” – É a minha resposta com a qual espero encerrar o papo, mas cometo um ledo engano… Pois o cidadão dá início à sua réplica:

“Nós gays não somos pintosos daquele jeito, somos pessoas normais, que queremos viver vidas comuns, casar e ter filhos”.

“Uns com os outros?” – eu pergunto, e ele parte pra cima:

“você não passa de um cínico! Um cara que escreve novelas, ainda mais um homossexual – como você diz que é, mas eu não acredito -, tem que dar um bom exemplo às novas gerações de gays!”

“Novas gerações de quantos anos?” – eu insisto, já sentindo que, a caminhar em ritmo acelerado e a falar ao mesmo tempo, me começa a faltar o fôlego.

“Os adolescentes – ele diz – os jovens que não sabem pra onde vão e precisam ser orientados.”

“Mas não por mim!” – eu o advirto. “E pra onde irão eles terão que descobrir por si mesmos, como acontece com todo mundo, inclusive os heteros!”

“Você não sabe o que é o homossexualismo!” – ele proclama. E eu lhe digo que isso é a mais profunda verdade: eu não sei, mesmo depois de mais de sessenta anos a praticá-lo. Pois nessas seis décadas e picos at work eu nunca encontrei um homossexual que fosse igual ao outro, o que me impede de fazer como ele e reunir todos numa assim chamada “classe”.

A essa altura eu já estava nos 4200 metros, e o meu sonho de consumo que era caminhar sete puxados quilômetros e depois voltar pra casa e tomar um relaxante banho de espuma fora, com licença da má palavra, pro caralho…

E tudo isso por causa de um viado politicamente correto, ou seja: a contradição em forma de ciclista!

Que, aliás, continuava ali, a pedalar do meu lado enquanto despejava sobre mim sua peroração de bicha que se quer decente:

“Mostre que tem um mínimo de respeito pela classe” – ele dizia enquanto eu tentava, mesmo sem fôlego, apressar o passo. “Faça pelo menos com que no final da novela aquela médica (Renata Sorrah) e sua paciente (Júlia Lemertz) tenham um caso e possam criar o filho!”

“E se nascer uma abóbora?” – eu arrisco. E ele: “você enfia no @*!”

“E quanto ao Crô, o que eu faço com ele?” – provoco.

“Faz aquele puto morrer atropelado e se joga na frente do carro junto com ele, seu viado” – ele diz.

E sai a pedalar furioso.

Já pensaram no dia em que essa “classe” de bichas normais dominar o mundo?!

Mesmo antes que isso aconteça eu não saio mais pra caminhar no calçadão, qualquer que seja a hora…Pois da próxima vez ele pode estar armado!