ARTIGO – Nossa gente desmilinguida. Por Marli Gonçalves

 

Pois é, assim anda nossa brava gente brasileira, desmilinguidos, desmontados, desfeitos, ombros caídos. Meu irmão outro dia me chamou a atenção para isso, e passei a reparar nas ruas que ele tem razão: aumenta exponencialmente o número de pessoas andando cabisbaixas, inertes, desmontadas, desalinhadas

 E cabisbaixos estão não é só porque estão com suas caras atoladas nos celulares, talvez até justamente procurando neles, desesperadamente, alguma coisa mais animadora do que a realidade – algum filminho divertido, meme,  sacanagem, uma briguinha no grupo da família, se aquela mensagem corajosa para alguém foi visualizada, e, se correspondida, afinal tenha sido respondida.

Está difícil encontrar pessoas altivas, empinadas, retas, “colocadas”, como se diz numa gíria muito particular. Que olhe nos olhos; sustente, com segurança.

Mas, também, como ficar seguro de si em um momento como esses, cheio de dificuldades econômicas e surpresas chocantes, como as das plaquinhas de preço dos alimentos nas feiras e supermercados?

Momento em que decretos insanos podem decretar é o fim de suas atividades, de seus sonhos? Como podem se sentir os milhares de pesquisadores que tiveram suas bolsas e pesquisas canceladas essa semana? Vi alguns chorando diante dos repórteres que os entrevistaram – e eles pesquisavam e mantinham projetos que poderiam significar o a melhoria de nosso futuro nas mais diversas áreas do conhecimento.

Ah, estão fazendo economia? Um amigo mais sem papas na língua rebate: “com o nosso traseiro!” Os pesquisadores que acompanhei informavam sobre a penúria de se manter com bolsas de mil, mil e quinhentos reais.

Cortem logo suas cabeças! Estamos perdendo com muita celeridade a inteligência do país. A calma. O bom senso. A esperança. Não, não é de hoje, mas o desmonte acelerado e sem nexo que ocorre nos últimos meses não tem qualquer paralelo, porque nos parece baseado apenas numa ignorância atroz do que constrói uma nação.

Não é mera questão ideológica, que seria até mais fácil de ser compreendida, combatida ou mesmo aceita. Apenas ignorância, a representação do retrato de um homem (muito) comum, rude, ultrapassado, com valores estranhos que desrespeitam diariamente mulheres, negros, pobres, lgbts, e aos ricos, os estrangeiros, os religiosos de outros credos que não os deles. Desrespeitam os direitos humanos, individuais e privados.

Se antes o país estava dividido em dois, agora está esfacelado, contaminado por informações falsas, incentivo à violência e à discórdia, nas mãos de alucinados que se apresentam como ideólogos, nas mãos desequilibradas que fazem cálculos matemáticos – e errados – com bombons, mostram cicatrizes e expõem seus traumas de pais problemáticos, goiabeiras, como se fôssemos os culpados por seus flagelos. E como se também não os tivéssemos, não os sofrêssemos aos montes.

Como manter a coluna ereta e o coração tranquilo em um cenário desses?

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Marli Gonçalves, jornalista – Eles se desnudaram diante de nós muito mais rápido do que poderíamos imaginar.

 marligo@uol.com.br / marli@brickmann.com.br

 Brasil, 2019

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ATENÇÃO! CHAMADO! Para as ruas!!! SEGUNDA FEIRA, DIA 19, 18 HORAS, SP, LARGO DA BATATA

passeata passeata passeataO Vem Pra Rua faz sua primeira saída pelo impeachment, nesta segunda-feira, dia 19, em São Paulo, a partir das 18h.

A manifestação, que pedirá a Eduardo Cunha que encaminhe o pedido de impeachment da presidente Dilma ao Congresso, ocorrerá num formato diferente das outras já realizadas pelo Vem Pra Rua. EU PROTESTO

Todos que clamamos por um país mais justo, mais ético e sem corrupção vamos com tudo para as ruas novamente. Não aceitaremos as negociatas, os conchavos à revelia do povo nem os atropelos às instituições democráticas brasileiras!

Não admitimos uma presidente que comete crimes de responsabilidade, ninguém está acima da lei. Não mais aceitaremos uma presidente que finge que governa, enquanto distribui cargos e faz negociatas e acertos para se manter no poder a qualquer custo.

Reiteramos: o impeachment é instrumento legítimo e democrático para tirar do poder uma presidente que cometeu crimes descritos e comprovados nos documentos dos técnicos do TCU, entre outros.  Passeatas com problemas de som...

 

Vamos para a rua, ao lado de outros movimentos, mostrar nossa indignação e a força do povo! 

O Vem Pra Rua sugere que todos usem verde e amarelo, levem suas bandeiras e apitos, chamem os amigos e se juntem aos brasileiros que não aceitam o que está acontecendo no país.

fonte: assessoria de imprensa do Vem pra Rua

Concentração no Largo da Batata

Segunda-feira, dia 19/10, às 18h.