ARTIGO – Banhos. Por Marli Gonçalves

 

Mesmo que não exatamente de água tomamos banhos todos os dias, sejam de espirros de água fria em nossos desejos, jatos quentes das decisões que tomam por nós, ou que por nós precisam ser tomadas. Duchas geladas em muitas esperanças que acabam varridas. Mas também tem os bons banhos, e os que podemos preparar para esquecer tudo isso

Nada como um bom banho para esfriar a cabeça. Os últimos dias têm sido verdadeiramente horríveis de acompanhar e digo isso olhando para todo o planeta e para o microcosmo mais próximo; nosso país, nosso Estado, nossa cidade, meu bairro, minha vida, e isso não é slogan governamental da área de habitação. Tudo isso esquenta a cabeça, estressa, dá fios brancos nos cabelos, angústias. Pela profissão, no meu caso, não posso desligar os comandos, me abster de saber, acompanhar e, claro, me preocupar muito com a ignorância que avança de forma tão célere entre aqueles que apenas ouvem o galo cantar por aí e acreditam que já é amanhecer; e esse galo ou mente total, ou cacareja só pedaços das histórias que alardeia, seja de direita, esquerda, esteja no telhado ou em cima do muro. Temo sempre é a ameaça do anoitecer, se é que me compreendem.

E em um desses dias de apreensão tive necessidade de me esquecer mais um tempo debaixo do chuveiro, como se aquele ambiente isolado fosse o único que pudesse me resguardar de todo o resto. Nada que prendesse, nua, sem censura. Só o barulho da água, não querendo sair dali nunca mais, me peguei brincando de desenhar no embaçado do box, desejando apenas pensar que trocaria aquele momento por outro, mas que seria muito parecido. No caso, dentro de uma banheira, objeto de desejo sempre. Ai, meu sais! Olhos os potes e penso que não há como usá-los em chuveiros. Continuo desenhando no vidro do box, corações imaginários que ali abrem janelas para o mundo externo.

Banhos, quantas formas, sorte de quem tem um canto, um tempo, uma maneira para ele, seja uma vez ao dia, sejam os especiais. De balde, bacia, rio, lago, cachoeira, riacho, mar, piscina, frio, quente, morno. De gato.  Ainda tem o de assento…

banhando-seDe Lua, de Sol, ouro, Sete Ervas, rosas, lavanda, alfazema, de cheiro. Sal grosso do pescoço para baixo. Turco, vapor bem quente, seguido do choque gelado, ou o grego, com aromas de chocolate e café. O japonês, do ofurô, que acalenta sonhos.

Os banhos podem ter muitos sentidos, além de limpeza corporal. Individuais ou coletivos. Pode purificar, como nas religiões, algumas com batismo feito com o mergulho do batismo nos braços de um pastor, a criança batizada na pia da igreja, ou aquele bem louco, junto a outras milhares de pessoas como nos rios da Índia. Com roupa, sem roupa, pouca roupa. Mas sempre pode ser muito bom, por isso, inclusive, quem já ficou internado em hospitais sabe que dele ali não se foge pela manhã. Banho de leito, como chamam as enfermeiras que em geral atacam, sem dó, em duplas, logo após o café da manhã.

Tá bom. Cozinhei vocês em banho-maria até agora. Mas foi para suavizar.

Está tudo muito chato. É que é tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo, que quando a gente acaba de formar opinião sobre uma, é atropelado por alguma outra informação, notícia, desastre, tragédia, ameaça. Desairosas, cabulosas, cheias de barbaridades, como as falas, ideias e ações propostas pelo presidente nesse governo sinuoso, destrambelhado, e ainda tem os que agem em nome do pai. Ou teimosas, como as de uma estranha oposição que, dirigindo-se apenas aos seus iguais não consegue conquistas, adesões, novos líderes. Vindas da Justiça que brinca com os homens em seus vaivéns.

Só abrindo a torneira. E deixando tudo fluir pelo ralo se, repito, me entendem. E a vontade de mandar um monte de gente ir tomar banho, uma delicada forma de sai-pra-lá, que eu vou passar?banho

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – DESMONTES E O MONTE DE LEIS PRO VENTO

#ADEHOJE – DESMONTES E O MONTE DE LEIS PRO VENTO

 

SÓ UM MINUTO – Um monte de leis, sobre tudo e todos, mas quem é que vai aplicar, fiscalizar? O mundo caindo e o prefeito Bruno Covas sancionando leis perfumadas. Fora obras desnecessárias, como a do Anhangabaú. Agora proíbe que se fume em parques municipais. Parece brincadeira. Andou falando também que pretende multar quem atira bitucas na rua. Ah!!! Ok, que lindo! Então, vamos arrumar quem fiscalize as vagas de idoso, que canso de denunciar uso indevido. Quem vai multar quem mata árvores jogando lixo em sua base? Ah, temos muitas coisas para corrigir. Podiam começar pelos fios caídos – os malditos fios…

Já não basta Bolsonaro desmontando o país? Querem incentivar a deduragem, ainda por cima.

O desemprego cai, porque ninguém mais pode ficar esperando que cais ado céu e sai para a atividade informal, esta, que aumenta a olhos vistos, todo mundo pondo literalmente a mão na massa. Ah, são 12 milhões e 600 mil pessoas por aí procurando vagas, emprego, uma luz.

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#ADEHOJE – É A ECONOMIA, AMORES…E A CORDA BAMBA DA LAVA JATO

#ADEHOJE – É A ECONOMIA, AMORES…E A CORDA BAMBA DA LAVA JATO

 

SÓ UM MINUTO – PIB: Economia brasileira cresce 0,4% no 2º trimestre e escapa da recessão O desempenho da economia no segundo trimestre foi puxado, principalmente, pelos ganhos da indústria (0,7%) e dos serviços (0,3%). Já a agropecuária caiu 0,4%…

A Lava jato está na corda bamba, se equilibrando entre as denúncias vindas dos vazamentos divulgados pela Intercept e as recentes decisões do STF em alguns processos, que puxam a corda para que outros processados anulem vária sentenças. 32 delas envolvem 143 condenados. A coisa está pegando fogo. O engraçado está no Lula defendendo algumas coisas da Lava Jato, como um santinho.

O momento é delicado. Vai haver troca de comando na Procuradoria Geral da República, coma substituição de Raquel Dodge. E Bolsonaro está querendo indicar um ser, digamos, contraditório e possivelmente bastante parcial… ultracatólico, conservador e discreto, dizem…

29 DE AGOSTO, hoje, dia da visibilidade lésbica.
 

 

 

 

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#ADEHOJE – SARAMPO VOLTA. MINISTRO ESTRESSA.

#ADEHOJE – SARAMPO VOLTA. MINISTRO ESTRESSA.

 

SÓ UM MINUTO– Foi tão grande a pressão contra o Ricardo Salles, Ministro do Meio Ambiente nesses últimos dias que o bichinho foi parar na UTI! Já saiu, mas também já arrumou desculpasse quiser se mandar pela porta do governo que já se abre e por onde se mandam os que não querem que sobre para eles os problemas que se avolumam. E em todas as áreas.

O ministro da Tecnologia, o astronauta Marcos Pontes declarou que implorou por verbas para Paulo Guedes, o mandachuva da economia… e nada! Ele diz que só tem verbas para pagar aos pesquisadores até o próximo sábado.

Gente, tínhamos erradicado várias doenças. E com essa bobageira contra as vacinas elas voltam! Morreu, depois de 22 anos sem registro, o primeiro, um homem, por sarampo. Vejam que até a raiva anda dando sinais por aí. E muita gente babando, especialmente de ignorância.

#ADEHOJE — BOLSONARO DESCE A LADEIRA

#ADEHOJE — BOLSONARO DESCE A LADEIRA

 

SÓ UM MINUTO – Pesquisa CNT/MDA. Avaliação negativa do governo Bolsonaro cresce e é de 39,5. A reprovação ao desempenho pessoal de Bolsonaro também cresceu no período e 53,7% em agosto, ante 28,2% em fevereiro, de acordo com o levantamento. Já a taxa de aprovação do mandatário passou de 57,5% para 41%. A amostra indica ainda que 29,4% consideram o governo ótimo ou bom e 29,1%, regular. Não souberam ou não responderam 2% dos entrevistados….

72,7% dos entrevistados declararam considerar a postura de Bolsonaro inadequada. Já 21,8% responderam o contrário, enquanto 5,5% não emitiram opinião.

#ADEHOJE – UM TERÇO DE BRUCUTUS NO PAÍS

#ADEHOJE – UM TERÇO DE BRUCUTUS NO PAÍS

 

Só um minuto – Depois de dias de um ataque de declarações estapafúrdias do homem que nos desgoverna, vamos começando outra semana, agora com a volta dos trabalhos nos Parlamentos e no Judiciário e nas escolas… Eles param, nós continuamos sempre. Matérias hoje mostram o óbvio, 1/3 dos brasileiros pensa igual ao presidente, dessa forma tosca, em relação ao meio ambiente, direitos humanos, tudo o que nos é tão caro. Esse um terço será sempre o que ele guardará sob a asa que esperamos não se espalhe. Ao contrário, diminua a cada dia, o que de alguma forma já estamos vendo, porque bom senso não faz mal e precisamos que o país seja melhor.

O SÉRIO DESMATAMENTO QUE PRETENDEM ENCOBRIR TRAZ NOVOS CAPÍTULOS. Agora querem por um militar no Inpe e mudar a forma de monitoramento.

Trump, depois de dois ataques em apenas um fim de semana, com dezenas de mortos e feridos, reage. Promete pena de morte! Como se quem atira estivesse preocupado com isso.

ARTIGO – A torto e a direita. Por Marli Gonçalves

 

A boca abre e dela só saem impropérios, ataques, frases incompletas, palavras comidas, plurais despedaçados, uma visão de mundo desconectada. Os olhos – ah, os olhos! – o olhar seco, não direto, dispersivo, escorregadio, a testa comprimida. Como se não tivesse compromisso com nada, ninguém, responsabilidade. Como se tudo fosse uma grande brincadeira. E não é.

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A torto e a direito, direita, como se não houvesse amanhã, ontem, o presente. Se ninguém pergunta, ele responde, fala o que estava querendo falar, se é que se pode chamar de falar. Se perguntam ou pedem explicações, ele fecha a cara, interrompe a conversa, depois ataca quem perguntou. Se ninguém lhe dá atenção, sem problemas, ou ele ou seus filhos escrevem tuites atrapalhados, ou mesmo gravam os tais “lives” toscos, ao lado de uma entusiasmada tradutora de libras e agora sempre com um ministro vítima ao lado, que deve acenar a cabeça positivamente de dez em dez segundos.

O grande Ruy Castro propôs em sua crônica que a gente pode imaginar que se ele já faz tudo isso em público que imaginássemos em seu trono particular.

Só a ideia já dá para ter pesadelos seguidos por um mês. Eu já imaginei ele lá, sentado, com um espelho na frente, puxando o topete liso recém cortado e cultivado cuidadosamente (conte quantos barbeiros já o viram sentados em suas cadeiras desde que o rompante eleitoral ocorreu), ensaiando qual será a barbaridade que dirá ou fará no decorrer do dia. Adora “causar”; digo até que se daria bem no meio que parece detestar, LGBT, o povo que também adora causar, mas que antes de tudo o detesta com todas as forças.

No começo, era o folclore. O amadorismo em um cargo tão importante, já que nada de importante havia em seu currículo de dezenas de anos pela política, sempre muito ali por baixo do clero uns três palmos. Depois, o júbilo pela derrota do dragão PT, a sobrevivência à facada, a formação do governo que incluiu de cara o Posto Ipiranga, o Super Homem juiz, o astronauta. Nossa!, boquiabertos, começamos então a ver chegar os outros, a mulher que veste rosa, o diplomata que de diplomata mesmo não tem nada e que fala em soquinhos uma língua muito estranha, parece que aprendida lá fora com um guru, siderado, astrólogo que diz conhecer aspectos planetários e que a Terra é plana.

Mas ainda pensando nele no tal trono particular, veio a ideia de que a porta está aberta e ali entram os Filhos do Capitão, as caricaturas saídas dos quadrinhos de terror. Então, ensaiam. Papai isso, papai aquilo, papai me dá, papai deixa eu. Papai, essa imprensa está me tratando mal; papai, quero ir pros Estados Unidos.  A primeira dama? Onde anda? O que faz? Quem lhe dá alguma atenção? Aliás, como é mesmo o nome dela? Sumida.

Mulher não dá palpite. Ministros, por ele, em todos os Poderes, esses deveriam ser todos terrivelmente evangélicos sabe-se lá para o quê. Tá oquei?

Tinha um vice que falava, mas anda quieto, calado. Tem até gente boa por ali, mas que parece tentar trabalhar por fora para não se queimar.

Obviamente também temos muitos generais aflitos. Pelo menos deveriam estar.

Mas está acabando a brincadeira e o nosso humor esgota. A coisa está tomando volume, ficando muito mais séria. As declarações já não são só as inofensivas, bobas, desembestadas. As afirmações, como a última, a torto e direito como sempre, de que é direita e assim fará enviesando tudo para esse lado, requer atenção.

Dizem que faz tudo isso só para juntar sua turma dos 30% que ainda lhe resta. Dai a gente pergunta se esses 30% não pensam, não entendem, só surgem para atacar, não compreendem nossas aflições nem argumentos e informações, por onde andam os 70% restantes? O que fazem? Quando se reunirão? Como se organizarão?

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FOTO: Gal Oppido

MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano- Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. Lançamento oficial 20 de agosto, terça-feira, a partir das 19 horas na Livraria da Vila, Alameda Lorena, São Paulo, SP. Já à venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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