ARTIGO – Amigo não é para ser oculto. Por Marli Gonçalves

O que é amizade nesses tempos atuais? Nas redes sociais, temos e chamamos de amigos pessoas que nem conhecemos, pior, muitas que jamais conheceremos. Fazemos e desfazemos esses laços apenas com um clique, sem dor. Agora é hora do tal amigo secreto, quando pessoas que se odeiam se sorteiam e pensam seriamente em dar presentes mortais

Fico imaginando umas caixas maravilhosas embaladas com laços e contendo aranhas e serpentes peçonhentas, venenos, mágoas, respostas não dadas durante todo o ano. Ou presentes escolhidos entre os piores, coisas sem uso, presentes ganhos e guardados para serem repassados para a frente na primeira oportunidade. Imaginem esse ano, com a crise de grana e com a cisão política que se estabeleceu entre nós e que deve estar sendo usada justamente para romper relações distanciadas e já estremecidas por outros motivos. Como chamar de amigos? Como deverá estar sendo o tal amigo secreto deste ano, nas firmas e famílias? Desde criança considero o Natal como uma das datas do ano onde as pessoas mais falseiam umas com as outras.

Como considero amizade de verdade algo raro e sagrado, estranho o nome dado à essa tradição que para mim tem a melhor definição de nascimento não na Grécia, ou num sei aonde, mas realmente no mundo, durante a Depressão de 1929. Ninguém tinha dinheiro ou condições para presentear todos – melhor sortear, dividir essa lista – para mim, veio mesmo daí. Não que seja má ideia, mas que é momento saia justa, ah, isso é. Amigo secreto, oculto, invisível.

Adoro também o “tabelamento” de preços de presente adotado. A quantas anda esse ano? 50 reais? 100 reais? Precisa de nota fiscal para quem quiser trocar o bagulho? “Achei que era sua cara…” – uma das maiores ofensas.

Com as mudanças econômicas ocorridas, desemprego absurdo, home office, trabalho esporádico, empreendedorismo individual devem estar sendo bem poucas pessoas que ainda manterão a tal tradição de, rezando, sortear o nome de alguém, e, rezando, esperar que alguém de bom gosto e posses sorteie o seu. Vivemos cada vez mais isolados.

Sou pessoa de muitos amigos. Sou pessoa de pouquíssimos amigos.

 Ambas as afirmações são absolutamente verdadeiras. Mas a segunda trata mais da vida real e considero amigo coisa para se guardar do lado esquerdo do peito, no cérebro, na vida. Estejam eles perto ou longe, em outro continente, como é o caso de uma família de amigos que se mudou para Madri, e porque esse país não dá lugar a gente boa.

Amigos. Sempre. Vivos ou mortos, sempre inesquecíveis. Dos quais os melhores presentes serão sempre as lembranças de momentos vividos juntos. Ou objetos que significam algo que só os dois lados compreenderão, porque é amigo com amigo, cada um com outro, exclusivo; grupos de amigos é outra coisa, há de convir.

ariel com o linguado amigoPensei nisso de forma especial porque lembrei do que considero uma grande coincidência. Tive um “Melhor Amigo”, que perdi em 1993. Dele, de quem lembro diariamente, guardo os anjos que tanto adorava e o hábito de jamais deixar de ter flores em casa, assim como a sua generosidade e caráter. Ele era nascido a 12 de dezembro, Sagitário, por acaso, signo complementar ao meu, Gêmeos. Hoje, tenho como um grande amigo uma outra pessoa de outro lugar, outras histórias e uma compreensão mútua absurda, só possível numa relação sincera e verdadeira. Nascido em 12 de dezembro, também. Significa? Coincidência? Pode ser.

Com esse texto pensei em ser presente de aniversário para ele, que mora longe, uma boa lembrança, e o que posso dar no momento. Acabei pensando que amigo mesmo, para assim ser chamado mesmo, não pode ser oculto, secreto, tem de ser declarado.

Aliás, quantos amores garantiríamos que seriam, depois do fim, nossos amigos eternos quando passadas as relações e que hoje, eles sim, viraram apenas pó, invisíveis, ocultos e esquecidos; em muitos casos, inclusive, inimigos?

Amigos,amigos. Viva o dia do Amigo

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Site Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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JOÃO GILBERTO CANTOU SÓ PARA MIM

 JOÃO GILBERTO CANTOU SÓ PARA MIM

MARLI GONÇALVES

… Como se fosse hoje, lembro bem da única coisa que achei esquisita. Coca-Cola. Ele pegava a Coca-Cola, a garrafa, e esquentava na torneira de água quente. Por sua voz, seu bem mais precioso. A voz. A nossa voz. O Brasil. A Aquarela do Brasil. Guardo essa noite na caixa mágica da vida. Foi a noite que João cantou só para mim…

No carro, quase seis da tarde, distraída, ligo o rádio, na Eldorado, e ouço a locutora anunciar mudança na programação, e que daqui ali a minutos seria apresentado um “programa especial Gilberto Gil, em homenagem a ele que nos deixou hoje”. Foram suas palavras.

Fiquei com a boca amarga. Tive de parar. Imediatamente procurei o celular e fui ver o que havia acontecido. E havia acontecido que quem tinha morrido era João Gilberto, era ele quem havia nos deixado. Mas por minutos sofri por um, por dois, ambos amigos, ambos queridos, e um deles está ai, está bem, Giló. Passei a sofrer pela perda do outro, que se foi. Minutos depois, muitos para mim uma eternidade, a locutora volta, pede desculpas pelo que chamou de “gafe”. “O programa especial será para João Gilberto”, anunciou, como se seu erro tivesse sido pequeno.

Eu não perdoei o sofrimento que ela me deu, mesmo que por minutos, que já sofri por um, e que era o outro. Eu achei que eu – e quem mais a ouvia naquele minuto – merecia um pedido de desculpas muito mais incisivo.

Eu conheci o geminiano João Gilberto. Convivi vários dias com ele. Até intimamente, devo dizer.

Eu conheci o mestre. Conto que um dia, em um desses dias que estivemos juntos, eu ouvi esse mestre da voz que acaricia cantar só para mim; e ele naquele momento, muitos anos atrás, 85, 86, procurava o tom em que cantaria Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa, que pensava em gravar de forma especial.

“…Se o senhor não “tá” lembrado/ Dá licença de “contá”/Que aqui onde agora está
Este edifício “arto”/Era uma casa “véia”/Um palacete assobradado
Foi aquí, seu moço, que eu, Mato Grosso e o Joca/ “Construímo” nossa maloca
Mas, um dia, “nóis” nem pode se “alembrá”
Veio os “home” co’as “ferramenta”
O dono “mandô derrubá”…”

Tinha gostado muito da experiência de gravar “Me Chama”, do Lobão. Queria diversificar seu repertório.

“…Chove lá fora e aqui, faz tanto frio / Me dá vontade de saber/Aonde está você
Me telefona/Me chama, me chama, me chama. Nem sempre se vê
Lágrimas no escuro, lágrimas no escuro/ Lágrimas, cadê você
Tá tudo cinza sem você/ Tá tão vazio…”

Estávamos nessa noite no Hotel Maksoud Plaza. O jantar era especial, o chef de cozinha – que comandava o Cuisine du Soleil que, quem lembra, claro, não esquece, fez um jantar exclusivo para o João; para nós, e que levou pessoalmente ao quarto, onde ficou ainda um bom tempo conversando, contando de novos pratos e acontecimentos para o João. Se não me falha a memória tantos anos depois, o chef era da terra de João, Juazeiro, na Bahia. Ou de alguma cidade ali por perto. Matavam saudades e lembranças. Ali ele era o João. Simplesmente, João.

João Gilberto era exclusivo.

Quem disse que ele não falava com ninguém? Quanto mitos João Gilberto criou nessa vida que acabou nesse sábado, 6 de julho de 2019!

Como se fosse hoje, lembro bem da única coisa que achei esquisita. Coca-Cola. Ele pegava a Coca-Cola, a garrafa, e esquentava na torneira de água quente. Por sua voz, seu bem mais precioso.

A voz. A nossa voz. O Brasil. A Aquarela do Brasil.

Guardo essa noite na caixa mágica da vida. Foi a noite que João cantou só para mim.

Eu conheci João Gilberto. E ele era demais.

O João que conheci não era rabugento; era alegre, divertido, doido, na varanda olhava em direção às torres da Avenida Paulista e gostava de ver as aves noturnas, os morcegos, todos os que volitam em volta delas e que se vê da janela dos hotéis em noites limpas. Apontava, acompanhava os voleios nas luzes da cidade. Dizia que eram poemas.

Na época, como produtora cultural – a minha empresa chamava Chega de Férias! – organizamos e apresentamos dois shows com o João. Foi assim que o conheci.

Um, solo, na barca, o Latitude, – vocês lembram daquela construção em forma de barco, enorme, estacionado, que havia na avenida 23 de Maio, aquela casa de shows? Pois ali ele cantou lindamente, só ele, o banquinho, o violão.

Dias depois ele faria um outro show único no Palácio das Convenções do Anhembi. Ele, e orquestra. Completa, precisa.

Quem viu, quem esteve lá, em alguma dessas duas noites, nunca deve ter esquecido porque foram mesmo momentos formidáveis. O APCA (o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte) daquele ano foi dele, destes shows, dessas apresentações que fez em São Paulo depois de um longo tempo.

Trabalhar com o João era emoção, tensão. Ele já havia criado problemas antes, poderia não vir na última hora, diziam. Os jornais não acreditavam que ele cumpriria e apareceria para os shows. Tanto quanto Tim Maia, também tinha a fama de às vezes “não querer ir” se invocasse com algo.

Ele brigava porque era perfeccionista, e o microfone, o ar condicionado, o retorno, o palco, a luz, o banquinho, o violão, a afinação, nada lhe escapava – tinha de estar tudo perfeito.

E estando perfeito, ele cantava. Perfeitamente. Com seu repertório sempre perfeito. E seu humor ficava perfeito também.

João, João, lembro do pacote, um embrulho de folha de papel de jornal que trazia e quando abria, desenrolava, surgiam aqueles lindos “camarões” verdes, naturais, erva pura, nunca soube onde arranjava. Ele gostava de pegar por punhados. Na época fumava. Não sei por quanto tempo cultivou esse hábito ainda depois desses anos.

João, João, lembro de estar com ele em um outro hotel ali da Rua Carlos Sampaio – na época recém inaugurado – onde o hospedamos nesses dias pré esses dois shows e ensaios em São Paulo. Bravo, fazia que não, mas não gostava dessa fama, ficava bravo, não gostava dessas lendas que em volta dele se criavam. Odiava ler na imprensa que não viria, quando já estava aqui.

Pois veio, e nunca mais que eu soubesse deixou de ir a qualquer show marcado nos anos seguintes. Encrencou muito, reclamou, mas nunca mais faltou, pelo menos que eu soubesse, e também porque sempre foram raras suas apresentações ao vivo. Dessa temporada que fizemos, ele pediu, queria ficar mais. Descansou mais dois dias no hotel, mas quieto, sozinho. Não queria ver ninguém.

Seu desejo atendido. Nem o pessoal da arrumação ele aceitava que entrasse no quarto até que fosse embora para o Rio de Janeiro. A curiosidade foi o rastro que deixou quando partiu. Os pratos de comida? Guardava todos dentro das gavetas, das cômodas, dos armários da suíte.

João, João sempre pôde tudo.

Produzia outras lendas, ria das que criou, as que sempre acreditaram, como a do gato que se jogou da janela, que jurava ter sido mentira. E aprontava outras, e passou a vida fazendo isso, até essa sua morte. Pouco sabemos exatamente do João desses últimos anos, dessa família onde se meteu, desses problemas financeiros, das dívidas, dos processos, dos aluguéis, das gravadoras.

Sabíamos dele sempre por alguém, pensa, nunca por ele. Na minha cabeça, quem o cercava nesses últimos anos o manteve fechado, isolado, quase em cárcere. Doente, talvez de tristeza, inclusive com os rumos do Brasil que tanto cantou, que tanto esse baiano amava. Tudo bem, talvez esteja exagerando, mas é assim que sinto que não foram nada bons seus últimos dias, seus últimos tempos.

João, que baque saber que se foi. Sento e escrevo à memória do João que conheci, da música que ouvi, do carinho que recebi. O João que passou pela minha vida.

O João que a gente ouve desde tanto tempo e que vai sempre continuar ouvindo, ali, baixinho, cantando suave, com uma bossa que sempre será nova, sempre será só sua.

Chega a saudade.

Não fotografei você. Lembro também que não gostava, nem que fosse de Rolleiflex. Fica na minha memória. Registrado. No meu coração.

Em meus ouvidos…

“… Se você disser que eu desafino amor
Saiba que isso em mim provoca imensa dor
Só privilegiados têm ouvido igual ao seu
Eu possuo apenas o que Deus me deu…”

6 DE JULHO DE 2019

#ADEHOJE, #ADODIA – VERMELHO LIVRE. A COR! SÓ ELA.

#ADEHOJE, #ADODIA – VERMELHO LIVRE. A COR! SÓ ELA.

EPAHEI, YANSÃ! QUE HOJE EM SEU DIA CREIO QUE A GENTE POSSA USAR VERMELHO SEM SER XINGADO, CHAMADO DE COMUNISTA, ETC… HOJE É DIA DA RAINHA DOS RAIOS, TROVÕES, FOGO. ENERGIA QUE PRECISAMOS PARA AGUENTAR OUVIR FALAR QUE AINDA NÃO SABEM SE VAI TER PASTA DE DIREITOS HUMANOS NO NOVO GOVERNO; QUE A FUNAI VAI PARA O MINISTÉRIO DA AGRICULTURA? O QUE ÍNDIO TEM A VER COM AGRICULTURA? VIROU PLANTA? OS 15 PROMETIDOS MINISTÉRIOS, ENXUGAMENTOS, JÁ VIRARAM 22, E ENTRE BOAS ESCOLHAS QUE ADMITO, ESTÁ HAVENDO OUTRAS QUE PELO AMOR DE DEUS! PASTORA EVANGÉLICA PARA CUIDAR DAS QUESTÕES FEMININAS? HOJE TAMBÉM TEM O SÉTIMO JULGAMENTO DE PEDIDO DA DEFESA DE LULA PARA LIBERTAR O EX-PRESIDENTE. CREIO QUE MAIS UMA VEZ NÃO VAI DAR EM NADA, ATÉ PORQUE O ARGUMENTO BATE NO FATO DE QUE O EX-JUIZ SERGIO MORO QUE O CONDENOU AGORA IRÁ PARA O MINISTÉRIO DA JUSTIÇA E SEGURANÇA PÚBLICA. ENQUANTO ISSO, A COR VERMELHA – INCLUSIVE AGORA MUITO VIGENTE NESSA ÉPOCA DE NATAL – AH, ESSA PODE SER LIVRE, NÃO?

#ADEHOJE, #ADODIA – BRASIL, PAÍS DE TODAS AS RAÇAS. PAZ. POR ZUMBI DOS PALMARES

#ADEHOJE, #ADODIA – BRASIL, PAÍS DE TODAS AS RAÇAS. PAZ. POR ZUMBI DOS PALMARES

A CONVERSA HOJE SÓ PODERIA SER PELO DIA NACIONAL DA CONSCIÊNCIA NEGRA, EM HOMENAGEM A ZUMBI DOS PALMARES, MORTO EM 1695. PARA LEMBRAR DESSA CONSCIÊNCIA DE QUE SOMOS TODOS NEGROS, DE TODAS AS RAÇAS E QUE PRECISAMOS CONVIVER EM PAZ NESSE BRASIL TÃO DIVERSO. DIA DE REFLETIR SOBRE QUEM SOMOS E QUEM QUEREMOS SER. CONTRA O RACISMO. PELA PAZ.

ARTIGO – Religiosamente… Por Marli Gonçalves

Estou aqui. Assim vão indo as semanas. A 51, boa ideia, Natal. Na 52, acabou. Chegamos agora à antepenúltima, à quinquagésima deste ano esquisito demais da conta. Não que os últimos também não tenham sido, e bastante, mas esse nos mostrou claramente o limbo e a enorme mediocridade que enfrentamos, e o que nos deixa rezando para todos os santos ou energias para que tudo consiga um bom termo

Não sou muito boa nesse negócio de religião. Dizem que você tem de ter uma, mas eu capto várias, seja para sobreviver e me resguardar, seja para entender os desígnios que nos são impostos diariamente ou ainda as linhas do destino, como se traçam. Como se embaraçam também.

Mas, religiosamente, semana após semana estou aqui escrevendo, pondo no papel meus sentimentos mais verdadeiros, me expondo até um pouco demais nesse mundo cheio de divisões em duas partes, e que na maioria das vezes não me encaixo em nenhuma delas.

Esse ano mais uma vez escrevi sobre tudo. Não foi por falta de querer, mas não pude escapar da política nacional, essa que nos envenena os poros, e que permeia tudo com suas consequências tão fortes em nossas vidas. Que afeta nossos bolsos, nossos planos, nossos sonhos.

Tentei, vocês sabem, sempre dar algum toque bem humorado, uma ironia aqui, outra ali que escorrega enquanto a gente batuca as teclinhas. Houve semanas em que isso foi muito difícil, como as quando acompanhei os últimos dias do meu pai em um hospital, e quando contei com a companhia e a solidariedade de meus leitores com os quais compartilhei emoções – e fiquei muito mais forte e muito menos sozinha por isso.

No ano, em cada uma de suas semanas, como faço desde 2008, religiosamente, repito, acompanhei cada fato que se podia destacar no momento, temas que me deram vontade de escrever, fatos que fizeram nossos dias do ano, muitos aos quais, provavelmente, teremos de voltar no ano que vem, como a violência geral, a violência contra as mulheres, a violência dos debates de poder.

No radar, também os meus temas preferidos: liberdade, jornalismo, contra a censura, feminismo, sexualidade, direitos, a observação de para onde se descaminha a humanidade e a luta pela vontade de ter um país melhor, sem tanta hipocrisia.

Toda hora acabamos, eu e os que assim como eu têm brio na cara, coragem e a honra de ter os seus pensamentos e opiniões seguidos publicamente, de nos insurgir contra quem quer acabar com nossos direitos individuais, com a liberdade, com a sexualidade, com o inabalável e expressivo crescimento da força da mulher, ou tentando impor a censura e implodir de vez com a imprensa.

Com os artigos publicados em todo o país, de Norte a Sul, um monte de cantinhos a que jamais antes imaginaria chegar, cada leitor me motiva a mesma coisa: viver. Mesmo sob tantos trancos e barrancos. Falo “meus leitores” com gosto, porque tenho alguns invejáveis, seja por seus poderes e importância, por sua inteligência, ou pela clareza com que debatem comigo, mesmo quando não concordam com algumas posições, digamos, mais libertárias.

Enfrento, claro, muitas fúrias e xingamentos. Mas recebo muito mais forças, elogios, opiniões solidárias e agradecidas, respostas e confidências às quais agradeço diariamente a confiança que me é depositada, e que tento honrar em resposta às dezenas de mensagens que recebo toda semana.

Assim, religiosamente, com fé, mãos juntas, chamando todas as forças do Universo, quero desejar a todos vocês um fim de ano verdadeiramente sensacional e cheio de amor e paz. Fico aqui de plantão, alerta, como uma soldadinha, se necessário for, para preservar esse seu direito inabalável de ser feliz.

 Marli Gonçalves, jornalista – Isso é que é presente. Estar presente.

SP, véspera, Natal, 2017

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ARTIGO – Buuuú! Nossos dias assombrados. Por Marli Gonçalves

Andamos escabreados normalmente. Se fôssemos crianças pediríamos até para dormir com uma luz acesa no quarto, com medo de tantas assombrações rondando nossa paz. Esta semana teremos como afugentar, pelo menos as assombrações, de formas mais divertidas, e aproveitar para lembrar tantos que amamos e que já se mandaram desse plano

Temos um presidente bem parecido fisicamente com um vampiro. O que já é assustador quando lembramos que sobrevivemos a todo tipo de outras assombrações, de açougueiros cruéis na ditadura ao bonequinho de palha vodu do saco roxo, entremeados com bigodes vassoura de bruxa, seguidos de topete arrepiado e das profundas olheiras do intelectual. Depois foram anos do personagem fantasiado de operário, seguido pela bruxa do vento ensacado.

Não bastou. Não basta. Estamos todos apavorados com os outros muitos seres estranhos que ainda podem surgir, levantando-se de catacumbas, saindo da tela da tevê, ressuscitando de temporadas nas masmorras de Curitiba não descritas na obra de Dalton Trevisan ou mesmo dos freezers de onde ainda pretendem se descongelar.

O que pode nos apavorar mais do que isso? Ah, tá. Rever a gravação da votação no Congresso. Ouvir os discursos de uma tal caravana trôpega que anda por aí. Sentir o cheiro do Alexandre Frota por perto, brincando de cirandinha com o japoronga do MBL e seus amiguinhos, estes sim, todos completamente censuráveis.

Não serão gatos pretos, abóboras iluminadas, criancinhas gritando e pedindo doces no Halloween que também virou acontecimento no país que gosta de importar hábitos. (Se bem que as coisas por aqui andam tão pretas, se é que me entendem, que estou vendo os comerciantes já pularem direto para o Natal para ver se conseguem desovar e vender bugigangas mais funcionais).

Ainda bem que poderemos apelar a Todos os Santos, dia 1º, livrai-nos do mal! É um dia concentrado, para santo nenhum ficar com inveja dos que têm mais seguidores ou likes.

No dia seguinte, 2, acender velas e pedir aos nossos mortos que a tudo devem assistir, lá de cima ou lá debaixo, que nos protejam desses assombrosos seres que dominam o país, mais do que vivos, vivaldinos. Vigaristas, mesmo, para usar expressão mais clara.

Conta a História que os índios astecas acreditavam que as portas do céu se abriam na noite de 31 de outubro para que os mortos se reunissem com as suas famílias durante dois dias. Daí a tradição de em alguns países fazerem festas, comidas especiais, usar roupas coloridas. Por aqui, não, a Igreja sempre recomendou constrição, pesar. Podemos imaginar até que ultimamente nossos mortos não farão a menor questão de voltar – se estão vendo “de lá” o país andar pra trás desse jeito. Tanta violência, falta de senso.

Quanto mais vivemos, mais nos parece perto a tal hora da partida, e maior é a lista de pessoas que de alguma forma amamos e que nos deixam apenas com as lembranças e, agora, também, muitos registros na internet que independem de anúncio necrológico.

É mesmo difícil se acostumar com isso. É difícil não temer a morte, a mais inevitável das verdades sem data marcada no calendário.

E como não tem jeito, o melhor é fazer como no México com suas caveirinhas multicoloridas. Chegam a fazer caveiras de açúcar onde escrevem os nomes os seus mortos. Todas as formas possíveis de lembrar com carinho de quem já foi e que talvez reencontremos algum dia, quando aqui na Terra, por sua vez, estarão festejando a nossa memória e o que fizemos.

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Marli Gonçalves, jornalistaEsse ano perdeu um de seus bens mais preciosos, o pai. E lembra todos os dias tanto dele quanto da mãe que certamente está em algum céu junto com outros amigos, todos que já eram exemplos de vida com seus ensinamentos.

SP, fim de outubro, início de novembro, 2017

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Papel de seda para fumar traz homenagem ao Glauco Villas Boas: Bem Bolado. Veja que lindo

A Bem Bolado é uma marca criativa fantástica que conheci, na mais do que criativa economia criativa. Ainda por cima é de uma amiga por quem tenho grande admiração e que há muito não via até reencontrá-la há um mês. Grande Andréa! Olha sÓ viu pedir para ela anunciar aqui, com a gente!

Beijão, Marli

___________________________________FONTE DESSE MATERIAL : ASSESSORIA DE IMPRENSA DA BEM BOLADO_________

BEM BOLADO BRASIL LANÇA LINHA DE PAPEL PARA FUMAR HOMENAGEANDO O CARTUNISTA GLAUCO VILLAS BOAS

 O cartunista que ajudou a transformar a página de quadrinhos da Folha de São Paulo num painel preciso e bem-humorado recebe homenagem da Bem Bolado Brasil.  Celebrar Glauco Villas Boas com uma linha de papéis para fumar (as populares sedas) foi a maneira que a Bem Bolado Brasil – empresa 100% brasileira de artigos para tabacaria –, “bolou” para lembrar ou apresentar o trabalho de Glauco ao seu público. Muita gente tem (re)descoberto a genialidade das crônicas desenhadas por Glauco por meio das sedas Pop. “Glauco soube criticar com inteligência e ironia questões sociais polêmicas, como sexo e drogas”, diz Thiago Alesócio-diretor da Bem Bolado.

 nova coleção das sedas Pop Linha Glauco Limitada conta com cinco tiras de personagens “glauconianos” que marcaram época, entre eles Doy Jorge & BagulhãoOzetês e Cacique Jaraguá. Cada desenho está estampado na primeira folha (de proteçãodos livretos, que já podem ser encontradas em tabacarias, headshops e nas melhores padarias e bancas de jornais. 

 Glauco publicou na Folha de São Paulo por 30 anos, a partir de 1977 (diariamente, desde 1984). Em 2007, Glauco, que liderava um centro de estudos do Santo Daime, foi assassinado por um frequentador com problemas mentais. Sua afiada verve para criticar o cotidiano verde-e-amarelo, produziu tiras que, apesar de criadas originalmente sob contextos bem diferentes do de hoje, mantêm-se espantosamente atuais.

 A BEM BOLADO BRASIL

 A Bem Bolado Brasil nasceu a partir da reunião de quatro jovens empreendedores, com a proposta de ideias inovadoras, com outro enfoque, do bem. No mercado de produtos para tabacaria, apesar do pouco tempo de estrada, a Bem Bolado já conta com mais de 30 produtos, incluindo três linhas distintas: Pop, de apelo jovem e popular; Premium, para o público mais refinado; e Brown, orgânica e dedicada ao outside lifestyle. Além disso, produz as piteiras mais vendidas do Brasil detém a significativa marca de dois livretos de seda Pop vendidos por minuto no Brasil.

Saiba mais pelo site www.bemboladobrasil.com.br 

ou @bemboladobrasil

 


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ARTIGO – Terrorismo é isso. Por Marli Gonçalves

Estou querendo esticar a palavra. Dar a ela o sentido que está aqui perto de nós, já. No Brasil não tem terremoto, não tem furacão, mas não se pode mais dizer que no Brasil não tem terrorismo. Deus, ele está diante de nós!

Ou você vai dizer que não? Imaginou a mãe, na janela, aguardando o filho de 15 anos voltar da escola, vê-lo apontar ali na esquina, já pensando no almoço que vai dar a ele e imediatamente observar que agora o menino corre? Em seguida ver o filho cambaleando e caindo morto por uma bala que atravessou seu corpo trocada por um reles celular? Isso não é terror, não? Sabe o nome da rua onde isso aconteceu? Rua Caminho da Educação. São Bernardo do Campo, SP.

Uma van escolar parada à força, duas crianças, bebês ainda, levadas por bandidos, e abandonadas mais de uma hora depois numa quebrada, como se pudessem ficar ali no porta-luvas do carro? Isso não é terror, não? E o caminhoneiro mantido refém com uma arma na cabeça, salvo apenas pelas palavras convincentes de uma mãe ao seu filho perdido, e que aconselhou-o a se entregar e liberar o motorista? O que terá ela dito? Oferecido um casaquinho?

E que dizer das crianças violentadas para toda a sua existência, e que todos os dias  sofrem, sofrem muito?

Alguém disse que nenhuma definição pode abarcar todas as variedades de terrorismo que existiram ao longo da História. Concordo. Que existem, diria. Que se multiplicam. Moldadas em várias formas, se disseminam de forma assustadora, inclusive na incompetência na condução de nações. Uma variedade muito além do que se poderia imaginar.

Já parou um pouco para pensar mais sério sobre as crescentes e fervorosas pendengas internacionais, largando um pouco de lado essa nossa mesquinha política que só gera atos e fatos vergonhosos e pobres de espírito?  Está esquisito, perigoso: vocês bem sabem  que em briga de cachorros  grandes a gente sempre sai mordido. Isso é terrorismo. Topetudo loiro briga com gordinho de olhinhos puxados. Pena que isso não seja uma colorida história em quadrinhos de nossa tenra infância. Riquinho, Bolinha, Brotoeja, Luluzinha.

Terrorismo é tocar o terror. Termo usado para designar o uso de violência, seja ela física ou psicológica, em um grupo de vítimas, mas com objetivo de afetar toda uma população e espalhar os sentimentos de pavor, medo e terror. Se não é exatamente o que estamos vivendo, me digam, terrorismo é o quê?

Olha o bombardeio. Andar pelas ruas vendo corpos caídos ou moradias de papelão que se multiplicam assustadoramente nas cidades. Reparar no descuido com que são cuidados os bens públicos. A violência no trânsito. O medo em cada passo. Notícias de repetição do mesmo todos os dias. As hordas de refugiados chegando, expulsos de suas terras, vindo buscar – e logo aqui – a esperança!

Em geral o terrorismo tradicional em suas formas pretende derrubar governos. No nosso caso são os governos que estão favorecendo atos terroristas.

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marli retratoMarli Gonçalves, jornalistaQual poderá ser o abrigo seguro de toda essa guerra?

Mundo, Brasil, São Paulo, 2017

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23 anos sem o anjo que ainda me guia na vida: EDISON DEZEN

Hoje, 25 de agosto, como todos os anos, para mim é dia de boas lembranças, de vida, de viagens, de conhecimento, mas especialmente de amor. Dia de lembrar, também, e uma tristeza imensa me invade apenas porque se o mundo fosse povoado por gente como Edison foi,  como levou sua vida, nossa, como  como toda ela seria tão bela, boa, bonita, caridosa, de paz!

Edison Dezen foi a melhor pessoa que conheci em minha vida, não sendo superado nem 23 anos após sua morte.

Hoje, coincidentemente, achei uma de sua últimas mensagens para mim, sempre acompanhada dos anjos que já o representavam aqui na Terra. Do dia do meu aniversário, no ano anterior à sua morte.

Mas onde vejo anjos – e sou guardiã de vários que o acompanhavam- me sinto beijada por ele.

Não posso deixar de mostrar a todos, com o orgulho que sempre tive de ter sido sua parceira, meu lorde Dezen.

E um pedido: por favor, proteja-me. Proteja a nossos amigos. A aura de sua energia nos alimenta.

Anjos, olhai por nós

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Anjosanjos

Marcos Faerman: No dia do Jornalista, minha homenagem ao que foi um de meus padrinhos

http://marcosfaerman.com.br/

 

A filha de Marcos Faerman há anos faz pesquisas sobre a obra do pai, um dos jornalistas mais interessantes e completos que tive a honra de conhecer e trabalhar junto desde “menina”.

Costumo dizer que devo a essa amizade e convívio  muito do que fui, sou e serei. Foi ele quem deu algumas de minhas primeiras oportunidades, tanto perto dele no Versus, quanto na Revista Singular & Plural que fizemos juntos, e, ainda, na Revista Especial e Jornal da Tarde.

Hoje foi lançado o portal com sua história. Honra que só um jornalista de seu porte pode ter.

Veja a apresentação do projeto:

Projeto de disponibilização da obra do jornalista Marcos Faerman (1943-1999)

Conheça o projeto de mapeamento, organização e digitalização da obra de um dos maiores jornalistas brasileiros do século 20.

O jornalista Marcos Faerman (Rio Pardo, 5 de abril de 1943 – São Paulo, 12 de fevereiro de 1999) é uma importante referência na história da imprensa brasileira, seja por seu trabalho como criador e editor de publicações alternativas, que resistiram à ditadura militar, ou por suas reportagens, situadas na fronteira entre a literatura e o jornalismo.

Aqui estão disponibilizados os facsímiles de cerca de 800 reportagens escritas pelo jornalista para o Jornal da Tarde, publicações da imprensa alternativa que ele criou, editou e em que escreveu, livros e programas de televisão e rádio de que participou.

Na seção textos selecionados, você encontra 20 textos que oferecem uma introdução à produção de Marcos. Entre os quais, trabalhos que ele considerava significativos em sua trajetória profissional.

Em contexto, terá acesso a trabalhos acadêmicos que abordam diferentes aspectos de sua obra, assim como a depoimentos em texto e depoimentos em vídeo de colegas e amigos.

Para realizar este projeto, contamos com o apoio do Rumos Itau Cultural 2014, Grupo O Estado de SP, Instituto Vladimir Herzog, Fundação Cásper Líbero, Fundação Padre Anchieta, Hemeroteca Mário de Andrade, Arquivo Histórico Judaico Brasileiro, assim como de muitos outros parceiros, a quem agradecemos pela colaboração.

Viva Marcos Faerman!

Marcos Faerman no JT em 1968.

 

Arqueologia de um repórter

Marcos Faerman (Rio Pardo, 5 de abril de 1943 – São Paulo, 12 de fevereiro de 1999) foi jornalista, repórter, editor, administrador cultural e professor. Viveu grande parte de sua trajetória profissional durante a ditadura militar que tomou o Brasil em 1964, e e participou, como criador, editor e repórter, de importantes publicações da imprensa alternativa, um importante espaço de resistência ao regime autoritário. Escreveu mais de 800 reportagens para o Jornal da Tarde, durante 24 anos. Tornou-se conhecido pela prática do jornalismo literário, gênero que faz uso de técnicas narrativas da ficção no relato de histórias reais.

Marcos Faerman nasceu em Rio Pardo, cidade do interior do Rio Grande do Sul. Seus pais, o comerciante Henrique Faerman e a dona de casa Helena Sandler, eram descendentes de famílias judaicas vindas da Russia para o Brasil na primeira década do século XX, em decorrência da perseguição praticada então contra os judeus.

Em 1955, a família perdeu sua residência e o armazém de Henrique num incêndio e partiu para Porto Alegre. Lá, Marcos teve contato com as ideias socialistas por meio de seu tio Carlos Scliar, muito atuante no apoio e na infraestrutura das ações do Partido Comunista no sul do Brasil, e que fornecia aos sobrinhos material do partido. Fez os estudos secundários no colégio estadual Julio de Castilhos, e tornou-se líder da juventude estudantil comunista. Escreveu jornais e aprendeu a diagramar.

Aos dezessete anos, foi contratado para trabalhar como jornalista profissional no Última Hora de Porto Alegre, após levar um manifesto estudantil para o jornal. Escreveu no Última-Hora até 1964, quando, após o golpe, ele foi fechado e substituído pelo Zero Hora. Ali, exerceu as funções de reporter, secretário de redação e criador do Caderno de Cultura.

Integrou-se ao Partido Comunista Brasileiro em 1964 e, em 1967, fez parte da direção da Dissidência Leninista do Partido Comunista Brasileiro no Rio Grande do Sul. Em 1968, participou da fundação do Partido Operário Comunista (POC), e, eleito para a sua direção nacional, foi destacado para militar em São Paulo. Por meio do jornalista Renato Pompeu, que também era um quadro do POC, entrou, no mesmo ano, para a equipe do Jornal da Tarde, em São Paulo, como redator de internacional.

Permaneceu no JT ao longo de 24 anos, trabalhando como redator, editor de Esportes, sub-editor de Internacional e co-editor do Caderno de Sábado. Foi reporter Especial por quinze anos e recebeu, entre outros, o Prêmio Esso na categoria Informação Científica por Nasceu! Exclusivo: acaba de nascer o primeiro brasileiro do parto Leboyer (04/07/1974), menção honrosa em Esportes por Os habitantes das arquibancadas (28/07/1975), Prêmio do Ministério do Trabalho por Vida e morte no porto de Santos (14/03/1978).

Durante os anos de governo do general Emilio Garrastazu Médici (1969-1974), auge da ação dos instrumentos de repressão e tortura, foi frequentemente detido para prestar depoimentos no Departamento de Ordem Política e Social (Dops). Afastou-se do Partido Operário Comunista, mas mesmo assim ficou preso por uma semana na Operação Bandeirantes (OBAN), em agosto de 1970. Após esse episódio desligou-se da militância direta, mas voltou a ser detido em 1971 e 1972, ainda por sua participação no POC.

A partir de 1970, atuou na imprensa alternativa, que fez oposição ao regime militar e discutiu temas ignorados pela grande imprensa ou proibidos pela censura, como a tortura praticada contra os presos políticos, os sucessivos cortes às liberdades individuais e os debates das correntes de esquerda. Foi, nesse ano, correspondente em São Paulo do semanário alternativo carioca O Pasquim, que enfrentou, com muito humor, a truculência dos militares e tornou-se um dos maiores fenômenos do mercado editoral brasileiro.

Participou, no fim de 1973, da criação do combativo Ex-, inspirado em publicações underground americanas e europeias, e em jornais populares brasileiros. Criou e editou por 24 edições o jornal Versus, focado em refletir sobre o passado e o presente da América Latina, com textos densos, de força narrativa e poética.

Exerceu as funções de repórter, editor de cultura e editor da Shalom, uma revista judaica editada entre meados dos anos 1970 e o início dos anos 1990. Publicou textos, reportagens e ensaios sobre temas ligados ao judaísmo, como holocausto, neonazismo, cultura e política, sempre a partir de um posicionamento pacifista e pluralista.

Em 1994, foi convidado pelo jornalista Rodolfo Konder, na época Secretário Municipal de Cultura de São Paulo, para dirigir o Departamento do Patrimônio Histórico da cidade (DPH). Lá, criou um órgão de comunicação, a revista Cidade, que discutia as concepções de preservação e de história, atualizando as questões do Departamento e promovendo o debate e a circulação de ideias.

Lecionou Jornalismo Interpretativo na Faculdade de Jornalismo Cásper Líbero, em São Paulo, de 1996 até 1999. Dirigiu, durante esse período, o jornal laboratório da faculdade, Esquinas.

Marcos Faerman faleceu em sua casa, em São Paulo, no dia 12 de fevereiro de 1999, em consequência de um ataque cardíaco fulminante, assim como seu pai, Henrique Faerman. Casou-se quatro vezes, com a psicanalista Marilsa Taffarel, com a sanitarista Maria Inês Machado, com a advogada Vânia Pereira e com a historiadora Nina Lomônaco. Deixou os filhos Júlio Faerman, do casamento com Maria Inês Machado, e Laura Faerman, do casamento com Marilsa Taffarel.

NÃO DEIXE DE CONHECER

http://marcosfaerman.com.br/

a bênção, padrinho de olhos claros!

ARTIGO – Chegou carta para você. Por Marli Gonçalves

TN_letter_stamp_812ccÉ minha, querendo desejar coisas boas, adianto logo os seus termos gerais. Pego a onda, aproveitando a época que deixa todo mundo meio mexido e mais essa moda de recuperar o hábito de escrever cartas, até na política, mesmo que com desaforos ou queixumes; ou cartões, bilhetes, inscrições de paredes, ou em postes, faixas e até no asfalto, que aqui em São Paulo é bom de andar observando até nas tampas de bueiros. Elas estão lá: frases positivas, pensamentos, arte na rua. Minha carta vai chegar por e-mail, ou você vai lê-la já publicada em algum veículo, mas isso será só um detalhe. É uma carta para você.

Pensa numa letra bem bonita, daquelas de caligrafia, de nome escrito em envelope de convite de casamento; e numa folha de fino papel de tons claros da qual exale seu aroma predileto. Não vou tentar acertar, poderia errar e não há coisa pior do que perfume que não se gosta. Você escolhe. Imagine. Decida até se o papel tem linhas. Que sua carta chegue a mais bela.
Escreverei em dourado, primeiro porque acho chique escrever em dourado. E porque pelo que estou vendo por aí, essa passagem de ano vai revigorar o dourado – ligado ao ouro e às nossas necessidades e desejos de uma graninha para pagar as contas e quem sabe sobrar algum. Pode crer: só vai dar dourado porque está todo mundo numa pinduca danada, que esse ano nos descapitalizou, para ficar mais elegante afirmar. Dourado, amarelo e o indefectível branco, aquele da paz para lá para cá, das juras em atitudes que eu pessoalmente adoraria que continuassem mesmo, depois da meia noite, pelo menos até o dia 2 de janeiro, o que dificilmente ocorrerá, como sempre. Cá entre nós: promessas de fim de ano só não são piores do que jurar regime na segunda-feira.
Com o barco desgovernado nesses mares que navegamos, ando temendo até pelas Iemanjás que serão postas no mar à meia noite, para além das sete ondinhas. Junto com ela, nos frágeis barquinhos de madeira, se além dos perfumes e flores ela tiver de levar também tantas as coisas que andamos precisando pedir. Naufrágios, na certa.
Chegou o fim de ano. Nem parece, mas chegou. Se dependesse dos enfeites nem notaríamos. Sumiram as luzinhas que tanto gosto de ver piscando nas casas, janelas. As chinesinhas ficaram largadas em caixas nos fundos dos armários. Entendo. Também não acendi as minhas, de tanto desânimo. Mas preccartaisamos reagir. Esse é um dos motivos dessa minha carta. Dizer que essa descrença geral está no deixando muito tristes, e eles não merecem nem mais as nossas mágoas. Dizer, na verdade informar, que a gente ainda vai ficar sabendo de muito mais coisas que eles todos fizeram nos verões, outonos, invernos e primaveras passadas; esse poço não tem fundo.
Tantos assuntos, e essa loucura de agora todo mundo nem ler muito mais do que 140 caracteres, ou até menos – que ficar teclando nesses aparelhinhos celulares requer habilidade e treinamento pesado. Daí tudo se abrevia, vira emoticon, mensagem cifrada. Isso me preocupa, tenho sempre de prender sua atenção, amarrá-los comigo alguns minutos. Que imagem posso usar nessa carta aqui? Um coração, um beijo? Vou deixar também para você decidir como quer na sua carta. Vai depender do que quer ouvir. Ou melhor, ler.
Puxa, pensei em usar um monte de fofices. Daquelas de amolecer coração de pedra. Mas quais? Tipo contar uma dessas heroicas histórias, ou as de superação, boas de dar exemplo. Frases construtivas, como aquelas todas óbvias que desfilam nas timelines das redes sociais, na linha “Amar é…”
Mas aí precisaria encher isso aqui de links de vídeos de cachorrinhos, gatinhos fazendo suas fofurices, ou mandar um daqueles powerpoints cheios de filosofia que até distraem, mas porque ficamos estabanados tentando apagar ou abaixar o som daquela música chata que toca logo assim que a gente abre – e no final até esquece de ver sobre o que era. Não. Não ia dar certo.
Mas posso escrever do muito que a gente ainda tem para falar um com o outro, ouvir, responder, aprender, descobrir, buscando soluções, analisando os diversos ângulos. Posso fazer minhas observações.
E é o que vou fazer. Espero que por muito tempo. Neste ano e nos próximos. Escrever. Escrever sempre que eu puder e toda semana nos artigos que encontrará, nas emoções que demonstro, coisas que eu conto, nas broncas que dou, nas ironias que uso, e até nos recados que mando e não sei se ele lê, nas declarações de entrelinhas de amor.
animated_typewriter_gifA carta de hoje eu começaria assim, primeiro com cabeçalho, que adoro desde os tempos de primário e que enfeita a entrada das cartas:
São Paulo, dezembro de 2015.
Caro leitor,
Eu me orgulho muito de saber que está aí. Muito obrigada. Até o próximo, até a próxima.
Com afeto,
Marli Gonçalves
Jornalista – O que escolheu ser, justamente para poder escrever para você. Que se multipliquem, os meus leitores.
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25 DE OUTUBRO, 14H30, PRAÇA DA SÉ. ATO EM HOMENAGEM A VLADO HERZOG – ASSASSINADO PELA DITADURA HÁ 40 ANOS – PROMETE EMOCIONAR, E MUITO

Vladimir Herzog – 40 anos

“Lembrar é preciso, Respeitar é preciso, Cantar é preciso…”
Ato Inter-religioso pela PAZ, pela VIDA e CONTRA a VIOLÊNCIA
Convite_Vladimir_Herzog_40_anos_sequencia
O evento irá homenagear o jornalista Vladimir Herzog, assassinado pela ditadura em 25 de Outubro de 1975, lembrando os 40 anos do grande Ato Inter-religioso celebrado em sua memória em 31 de Outubro do mesmo ano, conduzido por Dom Paulo Evaristo Arns, pelo rabino Henry Sobel e pelo pastor James Wright, no qual oito mil pessoas enfrentaram o medo e o cerco militar para dizer “Basta!” de viva voz. Por sua grandeza e pela imensa participação popular, esse ato constituiu a forte inflexão que deu início à derrocada da ditadura e à construção da democracia brasileira.
Iniciativa do Instituto Vladimir Herzog e da Arquidiocese de São Paulo, o Fórum Coral Paulistano com o apoio do Projeto Canta São Paulo e o Coro Luther King, sob direção artística do Maestro Martinho Lutero Galati (Maestro do Teatro Municipal de São Paulo), promoverão um ato pela Paz e pelos Direitos Humanos. Será um encontro de artistas cidadãos e de cidadãos artistas. Será um concerto feito de canções de resistência que imortalizaram personagens e fatos da História recente do Brasil e da América Latina. Será uma missa criolla, uma prece multicultural, uma oração de todos os homens e de todos os credos, numa só voz.
*Mais de 600 cantores confirmados.
Evento gratuito e aberto ao público.

Confirme sua presença e convide seus amigos e familiares no evento: https://www.facebook.com/events/1672857689658584/

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ARTIGO – A ilusionista e a corda bamba. Por Marli Gonçalves

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O pior é que essa nossa artista não é nem um pouco competente no setor e o truque se volta para a própria; quem se ilude é ela pensando que nos iludiu e que está tudo certo, arranjado, decidido, controlado, contornado. Até as ordens que dá crê estarem sendo cumpridas. Este circo está na lona.mago-e-ilusionista-imagen-animada-0009

Adivinha. Não se engana a realidade. Resultado: foi parar na corda bamba. Outra imagem seria dizer que a ilusionista está no ringue, nas cordas, onde um adversário encurrala o outro até o nocaute ou o soar salvador do fim do round. De qualquer forma, ambas as cordas tremem; uma bamba, a que pode fazer cair de lá de cima; outra, para onde está sendo levada, perdida, cercada e subjugada pelo adversário. Na verdade, um monte de adversários que brotam da terra que ela planta com total inabilidade. Parece que está mesmo todo mundo querendo desmascará-la, tirar uma casquinha, dar um sopapo, acertar alguma conta, apertar um certo pescoço, descontar alguma desfeita ou vendeta.

Era uma vez um país que vive um momento muito confuso, parece até que está em um muito longo inferno astral, aquele período amargo que antecede o aniversário – e está mesmo, já que comemora 515 aninhos agora, dia 22. Bateu um ventinho que está dissipando a areia que a ilusionista e seu grupo de mágicos jogaram nos olhos da população, que acorda num pesadelo e tanto, com a inflação latindo e correndo atrás dos calcanhares, economia parada e um mar revolto sacudindo a caravela. Uma terra na tanga com as partes à mostra, e com todas as mágicas que faz tempo estavam sendo feitas, os truques, falhando e sendo revelados a uma plateia atônita e neste momento muito brava, indócil, pedindo o dinheiro de volta.

Andamos em tempo de jogo de espelhos e ilusões, com vestidos azuis que podem ser dourados e gatos que ninguém sabe se estão subindo ou descendo a escada. Juízes com leis próprias. Panos sendo levantados e mostrando que cobriam buracos imensos, enormes labirintos de sucção de recursos públicos.

Esse é o momento do país da ilusionista. Nos centros de poder, ratos saem de caixas, em vez de coelhos saírem das cartolas. Cobras botam as manguinhas de fora, nem precisam mais de encantadores. Seus botes são precisos na direção das pombas brancas da paz e liberdade, escondidas acuadas nas mangas, com as cartas, os lenços, e suas cores de arco-íris. Tentativas brutais de retrocesso nos costumes que, ainda crianças imberbes no berçário atrasado, tentam caminhar em direção ao futuro, mas são obrigadas a tropeçar na escuridão da religião, dos dogmas, das proibições, da hipocrisia social.

Os que protestam também se dividem, como aquele serrote que corta a caixa onde a assistente esperneia. Essa assistente acorrentada nos representa – somos muitos de nós, também colados na parede, paralisados, esperando que aquelas facas que arremessam em nossa direção não nos atinjam e dependentes da presteza do atiradores escolhidos sabe-se lá de onde pela prestidigitadora chefe, e que vivem com as mãos tremendo.

2007bO ilusionismo é uma arte que deveria ser respeitada. Diferente do que poderemos classificar como compulsão – as mentiras constantes, tão constantes e tão mentiras que acabam virando a verdade para quem as cria. Assim podemos entender vários fatos recentes, tais como a conta da luz que baixou subindo, o crescimento que encolheu, as economias que gastam mais, as rigorosas investigações que não dão em nada, as ordens para não usarem mais aviões que continuam sendo usados, as críticas que na verdade eram elogios conforme se quis ouvir, os cortes que serão feitos e que cada dia os gastos aumentam. A Pátria Educadora sem escolas. A total transparência de dados que nunca podem ser vistos, como o uso de cartões, ou os contratos para construção de pontes que ligam o nada a lugar nenhum (e que, aliás, nem construídas são, apenas pagas). Exemplos não faltam.

Já que estamos nesse plano teatral e mágico, abrem-se as cortinas e entram os al(k)quimistas, aqueles que não vão racionar a água que é racionada com diversos horários, aqueles que dizem que não há greve de professores e aproveitam para pedir aos pais que não levem os filhos às escolas para que não vejam a greve que não há. Aqueles que não estão chegando, esses.

Para completar o circo, faltava – mas não falta mais – aparecer o homem barbado, o domador de pês, emes, debês e outras feras, além do pequeno aprendiz que decorou um truque de abrir ciclovias e não para de repetir o feito, apontando sua varinha de tinta vermelha para tudo quando é chão. Penso que a holografia possa ser usada no caso, criando também hordas de ciclistas.newman8_e0

Quando eu estalar o dedo, você sai desse estado hipnótico e cai na real. Combinado?

Agora, fica aí se perguntando qual seria o seu papel neste picadeiro. E essa bolinha vermelha no seu nariz?

 São Paulo, 2015hipnose
Marli Gonçalves é jornalista – – Acontece que a gente vai ter, mais cedo ou mais tarde, de trocar essa trupe. Faltam bons candidatos, gente que seja de circo, como diz aquela velha expressão popular. Equilibristas estão sobrando, porque aprendemos rápido.

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30 de Janeiro — Dia da Saudade. Que saudade de minha alegria e crença nas pessoas. Saudades do amor verdadeiro e do verdadeiro amor.

Raul canta. É melhor não listar do que mais tenho saudades, que a lista é grande.

Homenagem musical a Chico Buarque e sua “rica” (880 mil pratas!)namorada. Nota da coluna de James Akel

CHICO BUARQUE E A NAMORADA

Chico Buarque, aquele compositor que não fez mais nada de música depois que acabou o regime militar, tem uma namorada que acaba de ganhar direito de patrocínio de 800 mil reais pra fazer cd e shows.

Ah, eu nem havia contado pra vocês, mas ela canta.

Então eu vejo na tv o Chico declarando amor à candidatura de Dilma e a namorada dele recebendo direito de patrocínio do Ministério da Cultura.

Sei que ela tem bastante talento e que isto é apenas coincidência.

Mas com a falta de programas de humor na tv eu me contento em rir com notícias.

Salve Xangô, em seu dia! Fui buscar todas as informações para entender essa força. Kaô Cabecilê Xangô!

Fonte original da matéria: http://umbanda-candomble.comunidades.net/index.php?pagina=1741013030sem mudanças do original

velavermelhaonSALVE MEU PAI XANGÔ!velabrancaon

SALVE MEU PAI XANGÔ!

Xa
= Senhor, dirigente

 Angô= Raio, fogo, alma

Xangô= Senhor do Raio, Senhor das Almas ou Senhor Dirigente das Almas

São Jerônimo – Xângo Agodô = Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.

São Pedro – Xângo Agajô = Protetor das Almas que entram no céu.

São João Batista – Xangô Kaô = Protetor dos que sofrem injustiças, Senhor Chefe das Falanges do Oriente. (Ori=Cabeça) Rei da Cachoeira, Senhor da Justiça, Rei das Pedreiras, dos Raios e Trovões e das Forças da Natureza.

Talvez estejamos diante do Orixá mais cultuado e respeitado no Brasil. Isso porque foi ele o primeiro Deus Iorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras.
Xangô é um Orixá bastante popular no Brasil e às vezes confundido como um Orixá com especial ascendência sobre os demais, em termos hierárquicos. Essa confusão acontece por dois motivos: em primeiro lugar, Xangô é miticamente um rei, alguém que cuida da administração, do poder e, principalmente, da justiça – representa a autoridade constituída no panteão africano. Ao mesmo tempo, há no norte do Brasil diversos cultos que atendem pelo nome de Xangô. No Nordeste, mais especificamente em Pernambuco e Alagoas, a prática do candomblé recebeu o nome genérico de Xangô, talvez porque naquelas regiões existissem muitos filhos de Xangô entre os negros que vieram trazidos de África. Na mesma linha de uso impróprio, pode-se encontrar a expressão Xangô de Caboclo, que se refere obviamente ao que chamamos de Candomblé de Caboclo.

Xangô é pesado, íntegro, indivisível, irremovível; com tudo isso, é evidente que um certo autoritarismo faça parte da sua figura e das lendas sobre suas determinações e desígnios, coisa que não é questionada pela maior parte de seus filhos, quando inquiridos.

Suas decisões são sempre consideradas sábias, ponderadas, hábeis e corretas. Ele é o Orixá que decide sobre o bem e o mal. Ele é o Orixá do raio e do trovão.
Na África, se uma casa é atingida por um raio, o seu proprietário paga altas multas aos sacerdotes de Xangô, pois se considera que ele incorreu na cólera do Deus. Logo depois os sacerdotes vão revirar os escombros e cavar o solo em busca das pedras-de-raio formadas pelo relâmpago. Pois seu axé está concentrado genericamente nas pedras, mas, principalmente naquelas resultantes da destruição provocada pelos raios, sendo o Meteorito é seu axé máximo.

Xangô tem a fama de agir sempre com neutralidade (a não ser em contendas pessoais suas, presentes nas lendas referentes a seus envolvimentos amorosos e congêneres). Seu raio e eventual castigo são o resultado de um quase processo judicial, onde todos os prós e os contras foram pensados e pesados exaustivamente. Seu Axé, portanto está concentrado nas formações de rochas cristalinas, nos terrenos rochosos à flor da terra, nas pedreiras, nos maciços. Suas pedras são inteiras, duras de se quebrar, fixas e inabaláveis, como o próprio Orixá.

Xangô não contesta o status de Oxalá de patriarca da Umbanda, mas existe algo de comum entre ele e Zeus, o deus principal da rica mitologia grega. O símbolo do Axé de Xangô é uma espécie de machado estilizado com duas lâminas, o Oxé, que indica o poder de Xangô, corta em duas direções opostas. O administrador da justiça nunca poderia olhar apenas para um lado, defender os interesses de um mesmo ponto de vista sempre. Numa disputa, seu poder pode voltar-se contra qualquer um dos contendores, sendo essa a marca de independência e de totalidade de abrangência da justiça por ele aplicada.

Segundo Pierre Verger, esse símbolo se aproxima demais do símbolo de Zeus encontrado em Creta. Assim como Zeus, é uma divindade ligada à força e à justiça, detendo poderes sobre os raios e trovões, demonstrando nas lendas a seu respeito, uma intensa atividade amorosa.

Outra informação de Pierre Verger especifica que esse Oxé parece ser a estilização de um personagem carregando o fogo sobre a cabeça; este fogo é, ao mesmo tempo, o duplo machado, e lembra, de certa forma a cerimônia chamada ajerê, na qual os iniciados de Xangô devem carregar na cabeça uma jarra cheia de furos, dentro da qual queima um fogo vivo, demonstrando através dessa prova, que o transe não é simulado.
Xangô portanto, já é adulto o suficiente para não se empolgar pelas paixões e pelos destemperos, mas vital e capaz o suficiente para não servir apenas como consultor.

Outro dado saliente sobre a figura do senhor da justiça é seu mau relacionamento com a morte. Se Nanã é como Orixá a figura que melhor se entende e predomina sobre os espíritos de seres humanos mortos, Eguns, Xangô é que mais os detesta ou os teme. Há quem diga que, quando a morte se aproxima de um filho de Xangô, o Orixá o abandona, retirando-se de sua cabeça e de sua essência, entregando a cabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da morte destes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.

Deste tipo de afirmação discordam diversos babalorixás ligados ao seu culto, mas praticamente todos aceitam como preceito que um filho que seja um iniciado com o Orixá na cabeça, não deve entrar em cemitérios nem acompanhar a enterros.

Tudo que se refere a estudos, as demandas judiciais, ao direito, contratos, documentos trancados, pertencem a Xangô.

Xangô teria como seu ponto fraco, a sensualidade devastadora e o prazer, sendo apontado como uma figura vaidosa e de intensa atividade sexual em muitas lendas e cantigas, tendo três esposas: Obá, a mais velha e menos amada; Oxum, que era casada com Oxossi e por quem Xangô se apaixona e faz com que ela abandone Oxossi; e Iansã, que vivia com Ogum e que Xangô raptou.

No aspecto histórico Xangô teria sido o terceiro Aláàfin Oyó, filho de Oranian e Torosi, e teria reinado sobre a cidade de Oyó (Nigéria), posto que conseguiu após destronar o próprio meio-irmão Dada-Ajaká com um golpe militar. Por isso, sempre existe uma aura de seriedade e de autoridade quando alguém se refere a Xangô.

Conta a lenda que ao ser vencido por seus inimigos, refugiou-se na floresta, sempre acompanhado da fiel Iansã, enforcou-se e ela também. Seu corpo desapareceu debaixo da terra num profundo buraco, do qual saiu uma corrente de ferro – a cadeia das gerações humanas. E ele se transformou num Orixá. No seu aspecto divino, é filho de Oxalá, tendo Iemanjá como mãe.

Xangô também gera o poder da política. É monarca por natureza e chamado pelo termo obá, que significa Rei. No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral.

Xangô é a ideologia, a decisão, à vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, à vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado “sangue azul”, o poder de liderança. Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo Rei é mais importante que o medo.

Xangô é um Orixá de fogo, filho de Oxalá com Iemanjá. Diz a lenda que ele foi rei de Oyó. Rei poderoso e orgulhoso e teve que enfrentar rivalidades e até brigar com seus irmãos para manter-se no poder.

A finalidade principal desta linha é fazer caridade, implantando a justiça e os sentimentos que lhe são entregues. Sua essência é ígnea, manifesta-se nas montanhas rochosas, pedreiras e energiza a estabilidade constante vibrando na musculatura e na razão.
É cultuado nas montanhas e pedreiras e aceita como oferenda cerveja preta, vinho branco doce, melão, abacaxi, rabada de boi e é firmado com velas brancas e marrons. Simbolizado pela cor marrom e figurativamente pelo desenho de um machado com dois cortes. Irradia justiça e racionalidade, flui resignação, obediência e submissão e seu oposto é Iansã.

Xangô exerce uma influêcia muito forte em seu filho. Todos os Orixás, evidentemente, são justos e transmitem este sentimento aos seus filhos. Entretanto, em Xangô, a Justiça deixa de ser uma virtude, para passar uma obsessão, o que faz de seu filho um sofredor, principalmente porque o parâmetro da Justiça é o seu julgamento e não o da Justiça Divina, quase sempre diferente do nosso, muito terra. Esta análise é muito importante.
O filho de Xangô apresenta um tipo firme, enérgico, seguro e absolutamente austero. Sua fisionomia, mesmo a jovem, apresenta uma velhice precoce, sem lhe tirar, em absoluto, a beleza ou a alegria. Tem comportamento medido. É incapaz de dar um passo maior que a perna e todas as suas atitudes e resoluções baseiam-se na segurança e chão firme que gosta de pisar. É tímido no contato mas assume facilmente o poder do mando. É eterno conselheiro e não gosta de ser contrariado, podendo facilmente sair da serenidade para a violência, mas tudo medido, calculado e esquematizado. Acalma-se com a mesma facilidade quando sua opinião é aceita. Não guarda rancor. A discrição faz de seus vestuários um modelo tradicional.

Quando o filho de Xangô consegue equilibrar o seu senso de Justiça, transferindo o seu próprio julgamento para o Julgamento Divino, cuja sentença não nos é permitido conhecer, torna-se uma pessoa admirável. O medo de cometer injustiças muitas vezes retarda suas decisões, o que, ao contrário de lhe prejudicar, só lhe traz benefícios. O grande defeito dele é julgar os outros. Se aprender a dominar esta característica, torna-se um legítimo representante do Homem Velho, Senhor da Justiça, Rei da Pedreira. Por falar em pedreira, adora colecionar pedras.

Xangô era filho de Oranian, valoroso guerreiro, cujo corpo era branco à esquerda e preto à direita.

Xangô tinha um oxé – machado de duas lâminas; tinha também um saco de couro, pendurado no seu ombro esquerdo. Nele estavam os elementos do seu axé: aquilo que ele engolia para cuspir fogo e amedrontar seus adversários, e as pedras de raio com as quais ele destruia as casas de seus inimigos.

Assim que ficou adulto, Xangô partiu em busca de aventuras gloriosas. O primeiro lugar que Xangô visitou chamava-se Kossô. Ali chegando, todos de Kossô vieram lhe pedir clemência, gritando: “Kabiyesi Xangô, Kawo Kabiyesi Xangô Obá Kossô!” (vamos todos ver e saudar Xangô, o Rei de Kossô!).

Assim ele pôs-se à obra; realizava trabalhos úteis à comunidade e fazia as coisas com alma e dignidade. Mas esta vida calma não convinha à Xangô. Ele adorava as viagens e as aventuras. Assim, partiu novamente e chegou à cidade de Irê, onde morava Ogum.

Ogum o terrível guerreiro; Ogum o poderoso ferreiro. Ogum estava casado com Iansã, senhora dos ventos e tempestades. Ela ajudava Ogum na forja, carregando suas ferramentas e atiçando o fogo com os sopradores. Xangô gostava de ver Ogum trabalhar; vez por outra, ele olhava para Iansã. Iansã também olhava para Xangô.

Xangô era vaidoso e cuidava muito de sua aparência, a ponto de trançar seus cabelos e furar suas orelhas, onde pendurava grandes argolas de ouro. Usava braceletes e colares de contas vermelhas e brancas.

Muito impressionada pela distinção e pelo brilho de Xangô, Iansã foi-se embora com ele tornando-se sua primeira mulher.

São Jerônimo, sincretizado com Xangô no Brasil, nasceu de uma família abastada, provavelmente no ano 331, na cidade de Stridova, entre a Croácia e a Hungria.
Estudou em Roma, especializando-se na arte da oratória.

Como sua juventude fora dedicada à vida mundana, Jerônimo tardou seu batizado e, em carta ao papa, ele vislumbrou para si um batismo de fogo no qual suas máculas seriam queimadas. Após ter copiado dois livros de Santo Hilário, ele decidiu estudar teologia. Mas sua leitura favorita continuava a ser a literatura dos grandes legisladores e oradores, como Cícero.

Aos 43 anos, ele esteve muito doente e permaneceu muito tempo acamado, durante a Quaresma, jejuou e teve visões, vendo-se diante do trono do Senhor.

Resolve dedicar-se a uma vida monástica, isolando-se no deserto de Marônia, na Síria. Livros, penas e nanquim são seus companheiros.

Para combater a pensamentos impuros, pegava uma pedra e batia em seu peito, punindo-se, logo após voltava a escrever em hebraico, onde se tornou mestre nessa língua.

O sincretismo entre Xangô e São Jerônimo está no temperamento forte, crítico e na medida que ambos são conhecedores de leis e mandamentos. Xangô tem como lugar as pedreiras.

Sua imagem é representada por um ancião sentado sobre as pedras, segurando a tábua dos 10 Mandamentos e com um leão ao lado.

Xangô tem sua falange também, o mais conhecido é Xangô Kaô.

 INCORPORAÇÃO

 Na incorporação de Xangô podemos ver o médium curvado, como uma pessoa idosa e com os braços cruzados sobre o peito, batendo firmemente, assim como S. Jerônimo fazia com as pedras em seu peito para afastar os males da carne e a tentação do espírito

5b478-xangoO GRANDE AMOROSO
Xangô é um deus cotidiano e, portanto, itifálico. De início, vêmo-lo como divindade hermafrodita. Muitas efígies suas na África – imagens de madeira, tendo no alto da cabeça, destacado, o machado bifronte – mostram, também em destaque, os seios volumosos. E mesmo no Brasil, no sincretismo católico, Xangô é às vezes identificado com Santa Bárbara. Aos poucos, porém, ele vai se afirmando em sua orgulhosa virilidade. Altivo e dominador, elegante e cheio de sedução, usa cabelos encaracolados, brincos de argolas metálicas, colares e pulseiras.

Numa lenda contada por João do Rio, andava Xangô pelas aldeias, de tribo em tribo, apoderando-se das mulheres alheias. Encontrando a velha Olobá, Xangõ agarrou-a à força e depois foi com ela viver, numa cama feita de olentes folhas de manjericão. Até que, cansado da velha, Xangô fugiu. Mas Olobá pertencia à família dos orixás, era avó de Oxun. Por isso Xangô teve de enfrentar perigos incontáveis – um inimigo em cada canto, uma guerra em cada tribo, uma serpente em cada moita. Refugiou-se, por fim, no palácio da rainha Oxum, comparedes de cristal líquido e colossais repuxos de cores estranhas. Após inúmeras peripécias, Xangô consegue livrar-se dos seus inimigos e da velha Olobá.

Triunfalmente, ele se atira nos braços da rainha. “Uma nuvem gigantesca encheu os céus, as árvores partiram-se e, ao clangor dos trovões, toda a terra se embebeu sequiosa no temporal”. Do enlace de Xangô e Oxum nasce a chuva benfazeja.

 

HETEROMORFIA E SINCRETISMO

 

Xangô é identificado com São Jerônimo, o erudito doutor da Igreja latina e, excepcionalmente, com Santa Bárbara.

No cancomblé, usa saiote e calça, coroa de cobre, metal precioso em Iorubá, braceletes e colares de cauris ou búzios.

Xangô-Airá, velho e alquebrado, veste-se de branco com barras vermelhas. Não come aceite, pois tem pacto com Oxalá. Identificado com SãoPedro. Forma cada vez mais rara nos candomblés.

Xangô de Ouro, um adolescente vestido de cores variadas, é São João Menino. Não “desce” mais, porque deixaram de ser encontradas as ervas necessárias, nos ritos de iniciação, para a “entrada na cabeça” desse orixá. Um Xangô banido pela destruição ecológica.

Xangô Ogodô dança com um ochê em cada mão e o próprio nome é referência ao machado duplo, pois ogodô significa “que corta dos dois lados”.

Em Recife cultuam dois Xangôs principais: Xangô-Velho, identificado com São Jerônimo, cuja festa é a 30 de setembro, e Xangô-Moço (Ani-Xangô), sincretizado com Saõ João e celebrado a 24 de junho. Dos seus símbolos e insígnias, o machado duplo ou “muleta” e o pilão são conservados no peji, de onde podem sair em determinados rituais. Jamais é retirado, no entanto, o”corisco” ou itá ou otá (pedra-do-raio), que permanece guardado num alguidar (oberá). Xangô é tão popular em Pernambuco, que o nome passou a designar terreiros e, ainda mais extensamente, todas as seitas afro-brasileiras.

Entre as várias formas de Xangô citam Xangô Dadá, em Porto Alegre identificado com São João Batista e que no seu dia, 24 de junho, não “baixa” porque, com a queima de fogos que o festejam, ele iria incendiar o mundo.

Na realidade, Dadá é o irmão mais velho de Xangô, que abdicou em seu favor, quando de Oyá. Dadá dança coroado com o adé-de-banhami ou corão de Dadá, um capacete vermelho, todo ornamentado de cauris e de cujas bordas pendem fios também cobertos de búzios. Quando Dadá se manifesta num candomblé, logo baixo um Xangô, que tira o adé-de-banhami e coloca na própria cabeça. Após dançar algum tempo com essa coroa de Dadá, Xangô acaba por devolvê-la, num símbolo da restituição, após sete anos, do reino de Oyó, que estava em poder de Xangô.

Xangô o Zeus iorubano é conhecido também (dependendo da nação) como : Xangô (nagôs), Sobô, Sogbo (jejes), Badé, Quevioçô (fanti-ashanti), Conucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguange ou Kubuco (bantos). Ele foi marido de três iyabás que foram rios africanos: Oiá (Niger), Oxun e Obá. (segundo Pierre Fatumbi Verger) – no livro Orixás.

Sua saudação – Kaô kabiecí! – significa “Venham ver o Rei!”

Xangô dança brandindo seu machado duplo e, quando o ritmo se acelera, faz o gesto de atirar pedras-do-raio imaginárias, tiradas do labá, uma bolsa decorada que ele leva a tiracolo.

Numa festa de Xangô, por vezes, os que estão possuídos pelo Orixá ingerem pedaços de algodão embebidos em azeite-de-dendê, que se incendeia, proeza que presenciamos algumas vezes no terreiro do pai-de-santo Júlio Estaves, em Olinda,RJ (Conta Pierre Verger, no livro citado). Esse algodão incandescente – o acará – serve para provar que o Orixá está presente e, portanto, não há simulação.

 

 XANGÔ RECONDUZ OXALUFÃ AO REINO DE OXAGUIÃ

 

Mito famoso é aquele em que Oxalufã (Oxalufã, é o Oxalá velho) vai ao reino de Oyó, em visita a Xangô. Confundido com um ladrão pelos súditos do rei, Oxalá velho tem as pernas e os braços quebrados, permanecendo sete anos na prisão. Sobrevêm por isso várias desgraças, que levam Xangô a descobrir a causa e reparar a injustiça cometida. Xangô carrega Oxalufã até o seu reino de Infá, de onde partira sete anos atrás.

Esse mito etiológico explica a origem do odô e o porquê das duas cores de Xangô: além do vermelho, como senhor do fogo, recebeu também o branco, como recompensa por haver carregado Oxalufã, o Oxalá velho, orixá da alvura e da pureza.

O OBÔ – milho branco cozido, sem sal, a que algumas tribos africanas juntam limo-da-costa (ouri) – o Obô foi o prato de sustentação no banquete de Oxaguiã, festejando o regresso do seu velho pai, Oxaguiã. E é no pilão de Xangô (odô) que é triturado esse milho ritual, na cerimônia das águas de Oxalá.

 

EDUN ARÁ, A PEDRA-DO-RAIO

 

As pedras-do-raio – edun ará dos iorubanos – são fetiches de Xangô, imantados com a força da divindade.

Acredita-se que essa pedra-do-raio, também chamada pedra-de-santa-bárbara, cai do céu durante as tempestades, conduzida pelas faíscas elétricas, penetrando no chão a uma profundidade de sete braças e só subindo à superfície após sete anos.

Quem consegue encontrar uma dessas pedras terá em mãos talismã dos mais valiosos, que proporciona todas as venturas.

As pedras-do-raio são, na realidade, achados arquológicos da era neolítica – machados, martelos e fragmentos de artefatos de pedra polida, aos quais se atribuía uma origem meteorológica.

Divindade dos meteoritos, na litolatria de Xangô, observou Nina Rodrigues, “se confendem os casos de adoração dos penhacos e grandes pedras dos campos e estradas”.

 

XANGÔ, O ZEUS YORUBANO

(Nota: Série de Palestras feitas pela Astróloga Maria Luiza Andrade) 
XANGÔ é o senhor da justiça e lançador de raios e meteoritos, tal como ZEUS ou JÚPITER.

 

O símbolo a ele associado é o de dois martelos (os juizes na sociedade ocidental, também usam o martelo nas suas decisões, no tribunal), que mostram seu poder de determinar o que é certo e o que é errado e sua disposição inabalavelmente imparcial, visando, acima de tudo, a verdade. É uma figura sólida, tanto por esse papel como pelo elemento que a ele é associado: a pedra. Também a ele pertencem os raios, que, segundo as lendas, só atingem os que forem considerados por Xangô. Esta é a imagem a ele associada, onde se destacam também certa vaidade e elegância e uma grande consciência de si próprio. Seus filhos possuem a força magnética dos que sentem que têm poder sobre os outros – e geralmente alcançam o que querem.

Suas cores, no candomblé são o vermelho e o branco e seu dia a quarta-feira. O Xangô umbandista tem suas cores no marrom e amarelo-ouro, bebe cerveja preta e tem sua morada e o seu altar na rocha, de preferência onde haja também uma cachoeira.

Na astrologia, Xangô tem relação com o elemento FOGO ou com planetas e Casas desse elemento – Marte e Júpiter e o Sol e Casas I (Marte/Áries), Casa V (Sol-Leão) e Casa IX (Júpiter-Sagitário).

XANGÔ é autoritário, o dono da última palavra (como são os jupiterianos, em geral), capaz de dar socos na mesa para dramatizar sua expressão e exibir força física e arrogância. É sensual, majestoso, sólido, líder, difícil de ser derrubado. Seu ponto fraco é o coração, o que nos levaria a relacioná-lo a JUPITER e SAGITÁRIO.

Os filhos de XANGÔ são pessoas totalmente voltadas para a sexualidade e o egocentrismo. A parte negativa está na crueldade, injustiça, alienação, violência e orgulho desmedido, além da ambição cega.
Assim como Zeus no Olimpo, o elemento de XANGÔ são as pedras, os raios; é o Senhor da Força e da Justiça. Por ser a força, XANGÔ é considerado dentro do OBÁ como rei
XANGÔ rege, portanto, os signos de LEÃO e SAGITÁRIO. Autoritário, dominador, é um líder nato, um guerreiro difícil de ser derrotado, características dos nativos de Leão. Simboliza ainda a lei e a justiça, atributos de Júpiter. É sociável e aproveita o melhor da vida, o que o associa ao signo de Sagitário. Corresponde a Júpiter.

Os dias do ano em que é festejado: 25 de janeiro (Dia de São Paulo Apóstolo), 29 de junho (Badé)=Dia de São Pedro);dia 19 de março (Alafin=Dia de São José);dia 24 de junho (Afonjá= São João) e é claro, o dia 30 de setembro(Agodô=São Jerônimo). São-lhe sacrificados: carneiro, galo, cágado (ajapá). Sua comida é um caruru especial (amalá).
Atributos de Xangô: o machado duplo(oxê)e a pedra-do-raio (edun ará).

De acordo com a nação, Xangô recebe os seguintes nomes: Xangô(nagôs), Sobô, sogbo (jejes), Badé, Quevioçô (fanti-ashanti), Vonucon (tapa), Abaçucá (agrôno), Zaze, Cambãranguange ou Kibuco (bantos).

XANGÔ é associado ao deus grego ZEUS ou JÚPITER que, segundo dizem os poetas, é o pai dos deuses e dos homens, reinando no Olimpo, e com um movimento de sua cabeça, agitava o Universo.

Após uma batalha para destronar seu pai, e auxiliado por seu irmão NETUNO e PLUTÃO, JÚPITER recebeu dos Ciclopes (Titãs encarcerados no Tártaro, por ordem de seu pai Saturno) o trovão, o relâmpago e o raio; um capacete foi dado a Plutão e a Netuno um tridente. Com essas armas, os três irmãos venceram Saturno, expulsaram-no do trono e da sociedade dos deuses.

Depois do destronamento de Saturno, JÚPITER e seus irmãos repartiram os domínios daquele. A Júpiter coube a parte dos céus; a Netuno, o Oceano e a Plutão, os reinos da morte. A Terra e o Olimpo eram propriedades comum – Júpiter era o rei dos deuses e dos homens. O raio era sua arma e carregava um escudo chamado égide, feito para ele por Vulcano. A águia era sua ave favorita. Juno (Hera) foi sua esposa e era a rainha dos deuses. Íris, a deusa do arco-íris, era sua donzela e mensageira. O pavão real era seu pássaro favorito.

Na astronomia, assim como vemos no estudo do Orixá XANGÔ, e no deus Zeus, Júpiter é o maior planeta, capaz até de projetar sombra na Terra.

Segundo o mito, Júpiter é o pai Abraão, Brahma, Jeovah. O Sol é o poder espiritual e Júpiter é o pode temporal. Para os egípcios, era AMON, deus de Tebas, no Alto Egito.
O deus invisível que animava todas as coisas e acompanhava as guerra imperiais; o intrépido e insensato, mas o corajoso.

Os nomes Abraão e Brahma derivam do sânscrito e significam: luz.

Na Índia era também Vishnu, o preservador. Para os gregos era ZEUS, o grande deus que reinava no Olimpo, a montanha sagrada. Carregava um raio em sua mão e era o Todo-Poderoso, o onipotente. Mas um deus acessível, com defeitos humanos como a luxuria, e o furor. Teve vários amores e filhos. Seus atributos também eram a chuva, as nuvens, os raios e os trovões. Presidia toda a família divina.
SAGITÁRIO, signo regido pelo planeta Júpiter, mostra características de seus filhos, tão semelhantes as dos filhos de Xangô, com um temperamento ativo, expansivo e egocêntrico, são pessoas desprendidas, generosas, enérgicas e combativas; possuem um temperamento impulsivo, ambicionam posição e poder, além de serem caridosos com os infelizes e oprimidos.

Quem tem a proteção de Xangô sabe: não há nada nem ninguém que destrua um filho desse orixá. Podem até conseguir levá-lo ao fundo do abismo, mas depois de algum tempo ele renasce com mais vigor e volta a enfrentar o mundo de peito aberto. Sem medo. 
Essa é uma característica herdada do pai, Xangô, entidade mais forte do
Candomblé brasileiro. São dele a força, o poder e a capacidade de fazer e desfazer todas as coisas. Mas ele não age sem uma boa razão: Xangô tem um senso de justiça muito acentuado. Exige exclusividade, mas nunca consegue resistir a uma
aventurazinha. Segue os passos do pai, marido de muitas esposas, das quais as prediletas são a dengosa Oxum e a guerreira Iansã – esta, a parceira ideal, pois o acompanha a todas as frentes de batalha, luta sempre ao seu lado, ajudando-o a derrotar os inimigos.

 

São essas as características que os filhos de Xangô exigem dos parceiros.

Ousados e cheios de iniciativa, quando se apaixonam, fazem o impossível para conquistar o ser amado. São diretos, sem rodeios, vão logo ao que interessa.

Atrevidísssimos, não descansam enquanto não conseguem o que querem. E adoram variar as relações amorosas.

Xangô é o próprio Fogo, energia inesgotável, devastadora. Ninguém fica imune ou indiferente à sua passagem. Não há como ignorar a pompa e a altivez desse integrante da alta aristocracia africana que um dia, encurralado pelas lutas em torno do poder, acabou se suicidando em plena selva. Preferiu a morte a perder a dignidade. Além disso, Xangô nunca suportou disputas pelo poder.

Tem consciência de que só ele possui as qualidades necessárias para exercê-lo com vigor e justiça. Porque não conhece o significado das palavras obediência, submissão e medo.

Valente e protetor, ele foi rei de Oió, e fundou uma dinastia de heróis lutadores.
Orixá da Justiça e do Fogo, Xangô é o quarto Alafin de Oió, e viveu em 1450 A.C., destacando-se pela sua valentia e liderança. Foi marido de Oxum, Obá e Oiá (Iansã).

Ele é filho de Oranyian, e tem Yamasse como sua mãe. Castiga mentirosos, infratores e ladrões. Por isso a morte pelo raio é considerada infamante, assim como uma casa atingida por uma descarga elétrica é tida como marcada pela ira de Xangô.

O xeré é um chocalho feito de cabaça alongada, que quando agitado lembra o barulho da chuva. Ele é um dos símbolos de Xangô.

Garboso, Xangô é conhecido também como o “dono das mulheres”, mas mesmo assim frequentemente seus filhos do sexo masculino terminam a vida solitários. Um dos mais populares Orixás do Novo Mundo (não somente no Brasil, mas também nas Antilhas), seu arquétipo pode ser resumido assim: pessoa voluntariosa, altiva, mas que não tolera ser contrariada. Geralmente, imbuída de um profundo sentido de justiça e sinceridade, sendo bem consciente de sua própria dignidade e valor.

 

CARACTERÍSTICAS

 

Cor Marrom (branco e vermelho)
Fio de Contas Marrom leitosa
Ervas Erva de São João, Erva de Santa Maria, Beti Cheiroso, Nega Mina, Elevante, Cordão de Frade, Jarrinha, Erva de Bicho, Erva Tostão, Caruru, Para raio, Umbaúba. (Em algumas casas: Xequelê)
Símbolo Machado
Pontos da Natureza Pedreira
Flores Cravos Vermelhos e brancos
Essências Cravo (flor)
Pedras Meteorito, pirita, jaspe.
Metal Estanho
Saúde fígado e vesícula
Planeta Júpiter
Dia da Semana Quarta-Feira
Elemento Fogo
Chacra Cardíaco
Saudação Kaô Cabecile (Opanixé ô Kaô)
Bebida Cerveja Preta
Animais Tartaruga, Carneiro
Comidas Agebô, Amalá
Numero 12
Data Comemorativa 30 de Setembro
Sincretismo: São José, Santo Antônio, São Pedro, Moisés, São João Batista, São Gerônimo.
Incompatibilidades: Caranguejo, Doenças
Qualidades: Dadá, Afonjá, Lubé, Agodô, Koso, Jakuta, Aganju, Baru, Oloroke, Airá Intile, Airá Igbonam, Airá Mofe, Afonjá, Agogo, Alafim

 

ATRIBUIÇÕES

Xangô é o Orixá da Justiça e seu campo preferencial de atuação é a razão, despertando nos seres o senso de equilíbrio e eqüidade, já que só conscientizando e despertando para os reais valores da vida a evolução se processa num fluir contínuo

 

AS CARACTERÍSTICAS DOS FILHOS DE XANGÔ

 

Para a descrição dos arquétipos psicológico e físico das pessoas que correspondem a Xangô, deve-se ter em mente uma palavra básica: Pedra. É da rocha que eles mais se aproximam no mundo natural e todas as suas características são balizadas pela habilidade em verem os dois lados de uma questão, com isenção e firmeza granítica que apresentam em todos os sentidos.

Atribui-se ao tipo Xangô um físico forte, mas com certa quantidade de gordura e uma discreta tendência para a obesidade, que se ode manifestar menos ou mais claramente de acordo com os Ajuntós (segundo e terceiro Orixá de uma pessoa). Por outro lado, essa tendência é acompanhada quase que certamente por uma estrutura óssea bem-desenvolvida e firme como uma rocha.
Tenderá a ser um tipo atarracado, com tronco forte e largo, ombros bem desenvolvidos e claramente marcados em oposição à pequena estatura;

A mulher que é filha de Xangô, pode ter forte tendência à falta de elegância. Não que não saiba reconhecer roupas bonitas – tem, graças à vaidade intrínseca do tipo, especial fascínio por indumentárias requintadas e caras, sabendo muito bem distinguir o que é melhor em cada caso. Mas sua melhor qualidade consiste em saber escolher as roupas numa vitrina e não em usá-las. Não se deve estranhar seu jeito meio masculino de andar e de se portar e tal fato não deve nunca ser entendido como indicador de preferências sexuais, mas, numa filha de Xangô é um processo de comportamento a ser cuidadosamente estabelecido, já que seu corpo pode aproximar-se mais dos arquétipos culturais masculinos do que femininos; ombros largos, ossatura desenvolvida, porte decidido e passos pesados, sempre lembrando sua consistência de pedra.

Em termos sexuais, Xangô é um tipo completamente mulherengo. Seus filhos, portanto, costumam trazer essa marca, sejam homens, sejam mulheres (que estão entre as mais ardentes do mundo). Os filhos de Xangô são tidos como grandes conquistadores, são fortemente atraídos pelo sexo oposto e a conquista sexual assume papel importante em sua vida.

São honestos e sinceros em seus relacionamentos mais duradouros, porque para eles sexo é algo vital, insubstituível, mas o objeto sexual em si não é merecedor de tanta atenção depois de satisfeito desejo.

Psicologicamente, os filhos de Xangô apresentam uma alta dose de energia e uma enorme auto-estima, uma clara consciência de que são importantes, dignos de respeito e atenção, principalmente, que sua opinião será decisiva sobre quase todos os tópicos – consciência essa um pouco egocêntrica e nada relacionada com seu real papel social. Os filhos de Xangô são sempre ouvidos; em certas ocasiões por gente mais importante que eles e até mesmo quando não são considerados especialistas num assunto ou de fato capacitados para emitir opinião.

Porém, o senhor de engenho que habita dentro deles faz com que não aceitem o questionamento de suas atitudes pelos outros, especialmente se já tiverem considerado o assunto em discussão encerrado por uma determinação sua. Gostam portanto, de dar a última palavra em tudo, se bem que saibam ouvir. Quando contrariados porém, se tornam rapidamente violentos e incontroláveis. Nesse momento, resolvem tudo de maneira demolidora e rápida mas, feita a lei, retornam a seu comportamento mais usual.

Em síntese, o arquétipo associado a Xangô está próximo do déspota esclarecido, aquele que tem o poder, exerce-o inflexivelmente, não admite dúvidas em relação a seu direito de detê-lo, mas julga a todos segundo um conceito estrito e sólido de valores claros e pouco discutíveis. É variável no humor, mas incapaz de conscientemente cometer uma injustiça, fazer escolha movido por paixões, interesses ou amizades.

Os filhos de Xangô são extremamente enérgicos, autoritários, gostam de exercer influência nas pessoas e dominar a todos, são líderes por natureza, justos honestos e equilibrados, porém quando contrariados, ficam possuídos de ira violenta e incontrolável.

 

TENDÊNCIA PROFISSIONAL
Advogados, religiosos, mecânicos, dentistas, cabeleireiros, médicos, enfermeiros

 

SÃO AS SEGUINTES AS FALANGES DE XANGÔ

  1. Falange de Iansã – chefiada por Santa Bárbara
    2. Falange do Caboclo do Sol e da Lua – chefiada pela mesma entidade
    3. Falange do Caboclo dos Ventos – chefiada pela mesma entidade
    4. Falange do Caboclo das Cachoeiras – chefiada pela mesma entidade
    5. Falange do Caboclo Treme-Terra – chefiada pela mesma entidade
    6. Falange do Caboclo da Pedra Branca – chefiada pela mesma entidade
    7. Falange dos Pretos Velhos – chefiada por Quenguelê.

SÃO AS SEGUINTES AS LEGIÕES DE XANGÔ:

  1. Legião do Caboclo Ventania
    2. Legião do Caboclo das Cachoeiras
    3. Legião do Caboclo 7 Montanhas
    4. Legião do Caboclo Pedra Branca
    5. Legião do Caboclo Cobra Coral
    6. Povo de Quenguelê

 

master-chef-cooking-smiley-emoticon COZINHA RITUALÍSTICA

Caruru

Afervente o camarão seco, descasque-o e passe na máquina de moer. Descasque o amendoim torrado, o alho e a cebola e passe também na máquina de moer. Misture todos esses ingredientes moídos e refogue-os no dendê, até que comecem a dourar. Junte os quiabos lavados, secos e cortados em rodelinhas bem finas. Misture com uma colher de pau e junte um pouco de água e de dendê em quantidade bastante para cozinhar o quiabo. Se precisar, ponha mais água e dendê enquanto cozinha. Prove e tempere com sal a gosto. Mexa o caruru com colher de pau durante todo o tempo que cozinha. Quando o quiabo estiver cozido, junte os camarões frescos cozidos e o peixe frito (este em lascas grandes), dê mais uma fervura e sirva, bem quente.

 Ajebô

Corte os quiabos em rodelas bem fininhas em uma Gamela, e vá batendo eles como se estivesse ajuntando eles com as mãos, até que crie uma liga bem Homogênea.

Rabada

Cozinhe a rabada com cebola e dendê. Em uma panela separada faça um refogado de cebola dendê, separe 12 quiabos e corte o restante em rodelas bem tirinhas,
junte a rabada cozida. Com o fubá, faça uma polenta e com ela forre uma gamela, coloque o refogado e enfeite com os 12 quiabos enfiando-os no amalá de cabeça para baixo.

 LENDAS DE XANGÔ

largeA Justiça de Xangô

 

Certa vez, viu-se Xangô acompanhado de seus exércitos frente a frente com um inimigo que tinha ordens de seus superiores de não fazer prisioneiros, as ordens era aniquilar o exército de Xangô, e assim foi feito, aqueles que caiam prisioneiros eram barbaramente aniquilados, destroçados, mutilados e seus pedaços jogados ao pé da montanha onde Xangô estava. Isso provocou a ira de Xangô que num movimento rápido, bate com o seu machado na pedra provocando faíscas que mais pareciam raios. E quanto mais batia mais os raios ganhavam forças e mais inimigos com eles abatia. Tantos foram os raios que todos os inimigos foram vencidos. Pela força do seu machado, mais uma vez Xangô saíra vencedor. Aos prisioneiros, os ministros de Xangô pediam os mesmo tratamento dado aos seus guerreiros, mutilação, atrocidades, destruição total. Com isso não concordou com Xangô.

– Não! O meu ódio não pode ultrapassar os limites da justiça, eram guerreiros cumprindo ordens, seus líderes é quem devem pagar!

E levantando novamente seu machado em direção ao céu, gerou uma série de raios, dirigindo-os todos, contra os líderes, destruindo-os completamente e em seguida libertou a todos os prisioneiros que fascinados pela maneira de agir de Xangô, passaram a segui-lo e fazer parte de seus exércitos.

 

 

A Lenda da Riqueza de Obará


Eram dezesseis irmãos, Okaram, Megioko, Etaogunda, Yorossum, Oxé, Odí, Edjioenile, Ossá, Ofum, Owarin, Edjilaxebora, Ogilaban, Iká, Obetagunda, Alafia e Obará. Entre todos Obará era o mais pobre, vivendo em uma casinha de palha no meio da floresta, com sua vida humilde e simples.

Um dia os irmãos foram fazer a visita anual ao babalaô para fazer suas consultas, e prontamente o babalaô perguntou: Onde está o irmão mais pobre? Os outros irmão disseram-lhe que avia se adoentado e não poderia comparecer, mas na verdade eles tinham vergonha do irmão pobre. Como era de costume o babalaô presenteou a cada irmão com uma lembrança, simples, mas de coração e após a consulta foram todos a caminho de casa. Enquanto caminhavam, maldiziam o presente dado pelo babalaô, Morangas? Isso é presente que se dê? Abóboras? .

A noite se aproximava e a casa de Obará estava perto, resolveram então passar a noite lá. Chegando a casa do irmão, todos entraram e foram muito bem recebidos, Obará pediu a esposa que preparasse comida e bebida a todos, e acabaram com tudo o que havia para comer na casa. O dia raiando os irmãos foram embora sem agradecer, mas antes lhe deixaram as abóboras como presente, pois se negavam a come-las.

Na hora do almoço, a esposa de Obará lhe disse que não havia mais nada o que comer, apenas as abóboras que não estavam boas, mas Obará pediu-lhe que as fizesse assim mesmo. Quando abriram as abóboras, dentro delas haviam várias riquezas em ouro e pedras preciosas e Obará prosperou.

Tempos depois, os irmãos de Obará passavam por tempos de miséria, e foram ao Babalaô para tentar resolver a situação, ao chegar lá escutaram a multidão saldando um príncipe em seu cavalo branco e muitos servos em sua comitiva entrando na cidade, quando olharam para o príncipe perceberam que era seu irmão Obará e perguntaram ao Babalaô como poderia ser possível e ele respondeu: Lembram-se das abóboras que vos dei, dentro haviam riquezas em pedras e ouro mas a vaidade e orgulho não vos deixaram ver e hoje quem era o mais pobre tornou-se o mais rico.

Foram então os irmãos ao palácio de Obará para tentar recuperar as abóboras e lá chegando, disseram a Obará que lhes devolvessem as Abóboras e Obará assim o fez, mas antes esvaziou todas e disse: Eis aqui meus irmãos, as abóboras que me deram para comer, agora são vocês que as comerão. E quando o babalaô em visita ao palácio de Obará lhe disse: Enquanto não revelares o que tens, tu sempre terás. E foi assim que se explica o motivo que quem carrega este Odú não pode revelar o que tem pois corre o risco de perder tudo, como os irmãos de Obará.

 

0007ORAÇÕES E PRECES

 PRECE PARA XANGÔ

 

Oh! Senhor dos Trovões. Pai da Justiça e da retidão. Orixá que abençoa os injustiçados e castiga os mentirosos e caluniadores. Defenda, meu Senhor, minha casa, minha família dos inimigos ocultos, dos ladrões e dos mentirosos.
Oh! Xangô rogo-te as vibrações de amor e misericórdia, Pai da dinastia humana, livra-me de todo escândalo.
KAÔ CABECILE!

 

ORAÇÃO PARA XANGÔ

 

Poderoso Orixá de Umbanda,
Pai, companheiro e guia.
Senhor do equilíbrio e da justiça.
Auxiliar da Lei do Carma,
Só tu, tens o direito de acompanhar pela eternidade,
Todas as causas, todas as defesas, acusações e eleições,
Promanadas das ações desordenadas, ou dos atos impuros e benfazejos que praticamos.
Senhor de todos os maciços e cordilheiras,
Símbolo e sede da tua atuação planetária no físico e astral.
Soberano Senhor do Equilíbrio, da equidade,
Velai pela inteireza do nosso caráter.
Ajude-nos com sua prudência.
Defenda-nos das nossas perversões,
Ingratidões, antipatias, falsidades,
Incontenção da palavra e julgamento indevido dos atos
Dos nossos irmãos em humanidade.
Só Tu és o grande Julgador.
Kaô Cabecilê Xangô.

 

ORAÇÃO A XANGÔ

 

Bondoso São Jerônimo, o vosso nome Xangô, nos terreiros de Umbanda, desperta as mais puras vibrações. Protegei-nos, Xangô, contra os fluidos grosseiros dos espíritos malfazejos,
amparai-nos nos momentos de aflição, afastai de nossa pessoa todos os males que forem
provocados pelos trabalhos de magia negra.
Rogamo-vos, também, São Jerônimo, usar de nossa influência caridosa junto às mentes daqueles que por ambição, ignorância ou maldade, praticam o mal contra os seus irmãos empregando as forças elementais e astrais inferiores. Iluminai a mente desses irmãos, Afastando-os do erro e conduzindo-os à prática do bem.
Assim Seja!
Kaô Cabecilê

 PRECE A XANGÔ

 Senhor de Oyó. Pai justiceiro e dos incautos. Protetor da fé e da harmonia. Kaô Cabecile do Trovão. Kaô Cabecile da Justiça. Kaô Cabecile, meu Pai Xangô. Morador no alto da pedreira. Dono de nossos destinos. Livrai-nos de todos os males. De todos os inimigos visíveis e invisíveis. Hoje e sempre, Kaô meu Pai.graphics-religion-923789

Dia do Fotógrafo. Mas o profissional, não aquele que todos nós viramos e desviramos…

em selfies e yourfies…

 

Viva!

Minha homenagem vai para a Catherine Krulik, amiga, com quem tive o prazer de fazer um livro.  Um belo livro.

 

Índice

 

 

FOTO DO LIVRO – Carnavais Do Brasil/  Catherine Krulik
Carnavais do Brasil reúne 152 imagens antológicas da maior festa popular do mundo captadas nos últimos doze anos pela fotógrafa francesa Catherine Krulik, radicada no Brasil. O texto da jornalista Marli Gonçalves ganhou traduções para o inglês e o francês. O prefácio é assinado pelo curador Diógenes Moura.

A edição das imagens foi feita pela fotógrafa Maristela Colucci, editora da Grão. Carnavais do Brasil foi viabilizado pela Lei de Incentivo à Cultura do MinC com patrocínio das empresas Volvo do Brasil e Leroy Merlin.

Quer saber um pouco mais sobre Elio Gaspari? ABRAJI põe no ar a íntegra da hoimenagem a ele, durante Congresso. Aproveita que é raro vê-lo!

20140416-181327.jpgÍntegra da cerimônia de homenagem a Elio Gaspari está disponível on-line

Avesso a falar em público, “o mais brilhante jornalista de todas as gerações que virão” – nas palavras do amigo Zuenir Ventura – proferiu raro discurso durante a cerimônia em que recebeu homenagem da Abraji. No último 24 de julho, Elio Gaspari compartilhou com os mais de 400 presentes ao 9º Congresso passagens de sua carreira e lições da profissão.
“O jornalista não pode não saber nada; mas quando ele acha que sabe muito, em geral ele faz besteira”, disse Gaspari, emendando uma lição fundamental: “nós jornalistas precisamos saber só de uma coisa desde o início: quando o nosso interlocutor está nos fazendo de bobos”.

A íntegra da cerimônia de homenagem a Elio Gaspari, incluindo o discurso de Zuenir Ventura, o documentário produzido especialmente para a ocasião e o discurso do próprio Gaspari já está disponível on-line:

http://youtu.be/3Z2w0RAug-0