ARTIGO – Carta às 77.649.568 eleitoras brasileiras. Por Marli Gonçalves

Mais precisamente às 77 milhões, 649 mil, 569 eleitoras, contando comigo, que estou e estarei bastante atenta às questões relacionadas às mulheres e a outras que poderemos influenciar muito com o nosso voto, agora em 2020, e em todas as eleições para as quais as brasileiras forem chamadas a opinar; e somos maioria. O voto é uma arma, pacífica. Precisamos usá-la. Por nós, mulheres, pelas nossas famílias, por todos os brasileiros, por um futuro mais digno.

ELEITORAS

Prezadas,

Vejam que estamos em 2020 e ainda não somos respeitadas e nem representadas na medida em que somos a maioria da população brasileira. Nem nos cargos legislativos, nem em outros, incluindo Executivo, Judiciário e, ainda, nem na sociedade, nem dentro de empresas, ou no comando, nem no respeito. A população brasileira é composta por 48,2% de homens e 51,8% de mulheres. (Dados IBGE/ PNAD Contínua/2019). Em termos eleitorais, somos 52,49% do total; os homens, 47,48% do total. (TSE/2020). Podemos ser a decisão, pela melhoria para todos.

Acredita? Por aqui, por exemplo, as mulheres compõem apenas 10,5% do conjunto de deputados federais. E de um total de 192 países, o Brasil ocupa a 152ª posição no ranking de representatividade feminina na Câmara dos Deputados, ficando até atrás de países como o Senegal, Etiópia e Equador.

A eleição deste ano, para prefeitos e vereadores, é aquela que está mais perto de nós, de nossa ação. É a que cuida de nossa região, onde vivemos e onde passamos nossas vidas, onde está a nossa casa, as mesmas casas onde um número absurdo de mulheres continuam sendo assassinadas por seus companheiros e ex-companheiros, e onde a proteção policial e as promessas de proteção ou garantias não têm passado em geral de apenas promessas. Você está vendo isso, não? Sentindo na própria pele, talvez?

São Paulo, por exemplo, registrou 87 mortes por feminicídio apenas no primeiro semestre de 2020. O maior número de casos desde a criação, em 2015, da lei que especifica o crime – é o homicídio praticado contra a mulher em decorrência única e exclusiva do fato da vítima ser mulher (misoginia e menosprezo pela condição feminina ou discriminação de gênero, fatos que também podem envolver violência sexual), ou em decorrência de violência doméstica. No Brasil todo dados preliminares mostram aumento de mais de 22% nesse crime, em relação ao ano passado, que já era absurdo, e apenas contando os primeiros meses do ano. Uma situação ainda claramente mais agravada pela pandemia, quarentena e necessidade de isolamento social, crise econômica, etc.

Esta é apenas uma questão, mais específica. Temos todo um país a resolver, atrasado com relação a tudo, Educação, Saúde, Saneamento, aprimoramento da cidadania. Não é só uma questão de cotas – temos 30% de cotas nas candidaturas, mas sempre manipuladas, usadas para obtenção do Fundo Partidário, com nomes que muitas vezes, usadas como laranjas, nem as próprias mulheres sabem que as colocaram para votação nas chapas partidárias. Anime-se inclusive a se candidatar, vamos!

Junte-se a todas as mulheres do mundo!

Meu apelo é para a consciência; não é reserva de mercado, nem obrigação de votar apenas em mulheres, mas que o façam, participem, votem, e em pessoas sérias, que estejam comprometidas verdadeiramente com a sociedade em geral, sejam de que gênero ou raça forem, idade ou classe social. Será esse comportamento que levará à melhoria das condições, não só na política. Nos fazer ouvidas.

De qualquer forma são as mulheres que sempre têm a maior noção do que todos enfrentamos, fatos tão agravados este ano e que terão ainda ampla repercussão pelos próximos tempos: desemprego, falta de assistência, necessidades especiais e de direito reprodutivo, segurança – as mulheres são sempre as primeiras vítimas. E é cada vez maior o número de nós chefes de família, como principais responsáveis pelo sustento.

Chega de nos contentarmos com migalhas, segundo plano, pequenas conquistas que chegam de forma tão lenta, e que nos são devidas há décadas.

Animated%20Gif%20Women%20(63)Peço encarecidamente que se informem, não acreditem em notícias falsas, pensem com suas próprias cabeças, sejam independentes, respeitem-se entre si, estendam a mão a outras mulheres ampliando nossa ação, explicando como se dá a igualdade de direitos, e quais são esses direitos, que as mulheres, merecidamente, tem até em maior número por conta de sua fisiologia. Estenda a mão e atenda os gritos de socorro ao seu redor.

Vamos parar de achar normal o que não é – e nesse momento nada está normal; estamos vivendo num país perigosamente flertando com o retrocesso em vários campos, e onde até nossas acanhadas conquistas estão em risco, desmerecidas diariamente que vêm sendo.

Chamo você para o nosso encontro mais importante este ano: domingo, 15 de novembro, primeiro turno; e domingo, 29 de novembro, segundo turno, onde houver. Se arrume toda, chama a família, aproveite para arejar as ideias. Pensa bem em quem vai acreditar. Ah, e use máscara, que até lá ainda estaremos em perigo.

Todas nós contamos especialmente com todas nós.

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MARLI GONÇALVES – Jornalista, consultora de comunicação, editora do Chumbo Gordo, autora de Feminismo no Cotidiano – Bom para mulheres. E para homens também, pela Editora Contexto. À venda nas livrarias e online, pela Editora e pela Amazon.

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#ADEHOJE – MUDANÇAS MORAIS, ACIMA DE TUDO. E CPI QUENTE

#ADEHOJE – MUDANÇAS MORAIS, ACIMA DE TUDO. E CPI QUENTE

SÓ UM MINUTO – O senhor Jair Bolsonaro apavora, apavora, mas não pode impedir que a sociedade reaja em suas vidas, e que o comportamento avance. O IBGE divulgou hoje dados de 2018, em número muito interessante sobre casamento civil de pessoas do mesmo sexo: casamentos LGBTs crescem 61,7% em 2018. Os casamentos civis, só 1,6%. Outro dado, também de 2018, que significa muito, inclusive para luta das mulheres: o número de mulheres que só tem seus filhos entre 35 e 39 anos aumentou 56 %. Elas esperam um maior equilíbrio em suas vidas, inclusive do ponto de vista profissional.

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) das Fake News, que investiga a divulgação de notícias falsas nas redes sociais e assédio virtual, ouve hoje a deputada federal Joice Hasselmann (PSL-SP), ex-líder do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Congresso. Ela brigou feio com os Filhos do Capitão, que puseram uma horda de robôs para atacá-la nas redes sociais. Joyce não tem tampa e podemos dizer que ela ficou muito…digamos, brava, com o fato de não ter sido reconhecida em tudo o que fez e apoiou o atual desastrado governo. Agora, se ligou na roubada que entrou. E vai abrir o bico para tentar se livrar dela.

VIVA YANSÃ EM SEU DIA!

 

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#ADEHOJE – EMOÇÕES FORTES NÃO FALTAM

#ADEHOJE – EMOÇÕES FORTES NÃO FALTAM

SÓ UM MINUTO – Dá até vertigem, tantas notícias, tantas coisas para comentar aqui. Vamos lá: o projeto de abuso de autoridade está dando o que falar. Ele tem muitos detalhes bons, para coibir os abusos que realmente ocorrem – alguns a gente até já assistiu em imagens, outros nem sabemos. Mas também tem coisas que serão objeto de muita litigância. Há uma queda de braço entre o Congresso, representado pelo Rodrigo Maia, que resolveu assumir um lugar ao SOL, e o presidente que perdeu rapidamente espaço nessa seara. Por exemplo, a história do Alexandre Frota, expulso do PSL por dele discordar…Agora Bolsonaro diz que não sabe nem quem é… Gente traidora, sem caráter fica marcada… Frota não foi o primeiro a ser chutado. Os outros se colocam na lista, vendo que na verdade não valem é nada para o Capitão.

Sobre as relações internacionais do Brasil: vão de mal a pior. Mais: parece que o mundo inteiro também anda se encrencando entre si.

Continua beirando os 13 milhões o número de desempregados no país.

TERÇA-FEIRA LANÇO MEU LIVRO AQUI EM SÃO PAULO, NÃO ESQUECE!

 

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#ADEHOJE – NÃO HÁ O QUE COMEMORAR, INFELIZMENTE

#ADEHOJE – NÃO HÁ O QUE COMEMORAR, INFELIZMENTE

Só um minuto – Enquanto o povo se descabela de forma impressionante por ingressos para assistir ao show de Sandy e Junior, e outros preferem ficar batendo na imprensa porque comentamos os fatos… o IBGE divulga: A taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,4% no trimestre, atingindo a marca de 13,1 milhões de pessoas. O Ministério da Educação, MEC, em crise, de entra e sai, e a situação da educação no país de mal a pior. O cargo número 2 tem um quarto candidato em poucos dias…agora, mais um militar.

Este domingo, 31 de março, e a segunda 1º de abril é dia de “relembrar” sim o Golpe de 64. O horror que foi. Mas o que a gente deve comemorar é a liberdade, só obtida 21 anos depois. Nas redes sociais há um movimento pelo protesto silencioso. Usar preto, colocar um pano preto no carro, nas janelas das casas. Nós também podemos ter uma Ordem do Dia: #ditaduranuncamais #64nuncamais.

#ADEHOJE, #ADODIA – COM A CORDA NO PESCOÇO. PORQUE ESTAMOS ASSIM.

#ADEHOJE, #ADODIA – COM A CORDA NO PESCOÇO. PORQUE ESTAMOS ASSIM.

 

O EX-MINISTRO ANTONIO PALOCCI ABRIU O BICO MAIS UMA VEZ E ENROSCOU AINDA MAIS O EX-PRESIDENTE LULA NAS GRADES. ELE TERIA AVALIADO A MP 471, ASSINADA EM 2009, E QUE PRORROGOU OS BENEFÍCIOS FISCAIS CONCEDIDOS ÀS MONTADORAS INSTALADAS NAS REGIÕES NORTE, NORDESTE E CENTRO OESTE. TUDO POR DOIS OU TRÊS MILHÕESZINHOS DE REAIS PARA SEU FILHO LUIS CLAUDIO LULA DA SILVA QUITAR UMAS PENDENGAS QUE TINHA. ENTENDEU PORQUE A MISÉRIA AUMENTOU, AUMENTOU, AUMENTOU? O IBGE ONTEM DIVULGADOS DADOS QUE MOSTRAM QUE A POBREZA E A MISÉRIA AUMENTARAM ESPECIALMENTE ENTRE 2016 E 2017. O DESEMPREGO AUMENTOU E, AINDA, MAIS DE DOIS MILHÕES DE PESSOAS ENTRARAM PAR A LINHA DE EXTREMA POBREZA – GANHAM 140 REAIS POR MÊS PARA VIVER. E OLHE LÁ QUANDO GANHAM, COMO GANHAM. AH, O CONGRESSO TODO DIA SOLTA UMA BOMBA A MAIS PARA O PRÓXIMO GOVERNO: ONTEM LIBEROU GASTOS QUE ANTES ERAM CONTIDOS PELA LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL.

Você tem bichinho em casa? Essa pode ser uma pergunta do próximo Censo.

catblackarg-cat-on-chair-128x128-urlCenso dos animais

Tripoli: censo de animais

Ricardo Tripoli propôs ao Ministério do Planejamento que o IBGE inclua perguntas sobre animais de estimação no censo nacional, indagando à população quantidade, espécie, porte e raça dos bichos que cada família tem em casa.

Não existem estatísticas oficiais do governo a respeito. O Planejamento ficou de analisar a ideia.NEWSDOG LENDO E SE COÇANDO

FONTE- COLUNA RADAR – VEJA ONLINE – Por Lauro Jardim

 

Sem palavras

ARTIGO – Ô Véi, vamos falar dos véios? Por Marli Gonçalves

peo-_dancer_old_dudeÉ véi para lá. Véi pra cá. Fala aí, véio! No pobre linguajar que se instala na nossa população o vocativo “Véi” virou uma daquelas pragas – de gíria e de muleta oral e verbal – que ninguém sabe onde começou nem quando vai acabar. O problema é que a rapaziada não sabe nem que o tal Véi/ véio que eles chamam significa velho: dito com uma certa preguiça, sarcasmo e ironia característica da geração net, velho virou véi. Todo mundo é véi hoje, sem lembrar que vai mesmo ser véio um dia e precisar de alguém, de algoAntes era tia/tio. Vá lá, mas se usam para me chamar já levam pernada. Agora é Véio, isso, Véio, aquilo. Eles – os velhos, os idosos, os anciões – portanto, estão na boca do povo. Não dá para dar um passo sem ouvir o Véio em alguma boca por aí, até nas entrevistas. Mas, véio, seria legal que também estivessem nas suas cabeças, com mais gente pensando sobre isso, cuidando disso, falando sobre isso. O Brasil tem mais de 20,6 milhões e já outros muitos quebrados de idosos, 13% da população. Em 50 anos, quando creio que não estarei aqui para contar e ser mais um neste número ao qual logo logo pertencerei, serão mais de 58 milhões de idosos. Cada vez mais vivendo mais, causando, consumindo, querendo votar, podendo ser votado. (Aqui eu estou tentando valorizá-los nesse aspecto, mais junto aos políticos, para que se voltem ao assunto, já que gostam de dinheiro, poder e …de votos! para ter dinheiro e poder).old people

Os velhos são fontes de luz e conhecimento, e podem colaborar com a sociedade até o finzinho de suas vidas, desde que ajudados, mais preservados, respeitados. E pode ter certeza: é o que querem fazer; até tentam, mas ainda são desprezados. Vejo casos de arrepiar de destratos, abandono e desinteresses por mais velhos, violência contra eles (outro dia um babaca universitário de merda quase matou um de porrada porque reclamou do barulho). Não há políticas públicas, atendimento. A maioria dos analfabetos vive no Nordeste e é idosa. Grande parte sem uma moradia adequada, sem recursos básicos e infraestrutura sanitária decente. Muita gente querendo beliscar seus caraminguás.

É difícil envelhecer. Sem dinheiro, então, mais ainda. Sem apoio, quase impossível. E estou afirmando com isso que não é só para eles que não há atenção. Cada vez é mais difícil para as famílias cuidarem de seus idosos. Remédios pela hora da morte. Planos de saúde sádicos e caros, muito caros. Mais fácil escalar uma montanha no Nepal do que poder pagar por um. Sem investimentos em casas de repouso, clínica para os que sofrem de males incuráveis, cuidadores bons, raros, caros e disputados, inflacionados. Não têm calçadas seguras para caminhar, equipamentos disponíveis, políticas públicas, orientação social, proteção legal, não têm, não têm, não têm também. É preciso tudo, mas principalmente com agilidade. O tempo urge. Carimba URGENTE no assunto.

Vivemos, nós, familiares, filhos ou filhas – e estou falando de muitas pessoas da minha geração que estão passando por esse dilema, um momento particularmente difícil, o fim, já que ninguém fica para semente e não inventaram a tal poção da juventude e nem ninguém aí tem pai ou mãe vampiro, imortal. Para nós, cada dia é uma surpresa, uma aventura, um compasso, um passo à frente na madeira do trampolim. A gente assiste (e ouve) dores, reza, sopra aqui e ali, ama, protege, chega a pedir a Deus que pare as tais dores, ou até, que se possível fosse, as transfira todas para nós. Por que não se fala nisso? Por que não somos notados? Nem os véios de verdade, nem nós, os que estamos com eles. Parecemos invisíveis, e muitos de nós cuidamos de idosos que já não sabem nem mais quem somos, ou são mais frágeis que louça fina. Sempre há um que fique com a responsa, carregue mais, se sacrifique mais, tente segurar o relógio do tempo.

oldsEssa semana meu pai fez 97 anos. 97. Tem noção? 35 mil, 405 dias. 849 mil e 720 horas. Começo do século passado, uma guerra mundial, várias revoluções e rebeldias, proibições e liberações, ganhos e perdas. Não, ele não fala sobre isso, porque o que passou de dificuldades para sobreviver desde a infância, vindo de paragens até hoje esquecidas do Amazonas, pulando de cidade em cidade, não mais o interessa. Ou prefere esquecer, o que compreendo porque foi uma vida toda difícil. O pouco que sei são informações esporádicas -só gosta de lembrar que comia jacaré e tartaruga, essa inclusive fornecia o prato com o seu casco. Da família, dos muitos irmãos, nada sobrou, que eu saiba. Minha avó, índia com nome dado de pedra preciosa, Esmeralda, morreu dando à luz a mais um caboquinho, que seria um tio se o tivesse conhecido, num barquinho no meio do Rio Negro. Do avô, o português, nada sei.

Com algumas capenguices, lúcido, mas com dores em todo o corpo e o constante lamento delas que não há como contornar a não ser com analgésicos paliativos. Trabalhou até os 90 anos de idade, desde os 10 anos, mas recebe hoje – e com toda sorte de obstáculos e dificuldades impostas por INSS e bancos – um salário mínimo. O mesmo que as parideiras do Bolsa Família recebem e, em geral, só começando nove meses antes pela parte boa.

Vivo o que falo. Mantenho meu pai vivo, da melhor forma que posso, me renegando outros prazeres; assim tentei manter minha mãe até o fim. Sobre o assunto, fui olhar o que o governo está fazendo e encontrei um mundo cor de rosa, cheio de cargos com nomes quilométricos, tipo “Coordenadora do Sistema de Indicadores de Saúde e Acompanhamento de Políticas do Idoso”, fora burocratas declarando que estão fazendo algo. Tive um ataque de riso quando li um desses burrôs do aparelhamento festejando estarmos na 31ª posição no ranking dos países que oferecem melhor qualidade de vida e bem-estar a pessoas com mais de 60 anos, segundo o Global AgeWatch. E enjoei de vez quando li um outro falando no programa de atendimento domiciliar e cuidado hospitalar garantido. Em qual país? – por favor, me diga!

Deus tá vendo. Deus tá vendo. E, como logo gírias e expressões são rapidamente substituídas e essa semana, Véi!, apareceu mais uma, acho mesmo que no geral, ainda, quando pensam nos mais velhos, pensam mesmo só como aquela fala do comendador no último capítulo da novela, ao balear seu inimigo:

– “Morre fela da pota!”

São Paulo, 461 anos de idade, muitas dores e decrepitudes, 2015.miror veioMarli Gonçalves é jornalista – – Depender da caridade alheia é mortal. Da boa vontade e compreensão dos parceiros e parceiras, então, chega a ser cruel. Acreditem. Vamos falar disso agora, porque todos estaremos chegando lá, juntos. Ou “juntos, chegaremos lá!” como diz sempre um político que hoje está aí no ministério das 40 cabeças.

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ARTIGO – Um grito parado no ar. Por Marli Gonçalves

getoutUm, não. Vários, muitos, um monte, entalados alguns deles. A boca seca, olho arregalado, o coração inquieto, descompassado, certa aflição, aquela inquietude de nada estar bom, nem lugar algum ser exatamente confortável, vontade de ter o dom da previsão. Só parará quando gritarmos Gol! Só que outros gritos e gritas gerais e danadas também virão, especialmente se a bola não entrar na rede tanta vezes quanto necessário

Gritos qugritando na tribunae se somarão a todos os tipos e formas de protestos dos últimos tempos, tão variados, diários e constantes que parece algo, um pote. Destampado, uma vez iniciado o que expele, não acabará tão cedo o vazamento. Temo especialmente que seja feita, inclusive, qualquer tentativa de tampar esse pote, sufocar esses outros gritos. Que Deus não permita isso nem em leis, nem em golpes, nem em palmadas ou pancadarias.

Fico ouvindo o povo comentar que não vai torcer pelo Brasil, ou que vai torcer contra e acho engraçado como as pessoas mentem sem nem saber mentir direito. Claro que vai se esticar para ver – nem que seja o rabicho do olho, de esgueira. Ou vai sumir para alguma caverna, fazer uma viagem de submarino, meditar no Tibete, uma vez que a Copa é do mundo, e esse mundo todo é bem chegado ao futebol. O que faz tão difícil apenas concluir que o problema é a Copa, desta vez, ser aqui? E que a maioria de nós, infelizmente, só notou agora a burraldice de termos nos candidatado como misses nesse concurso. Acabamos ganhando a faixa, com nossas belezas e gingar. Acostumamos há décadas a torcer, sim, muito, mas com outros pagando a conta geral, e nós, apenas convidados.huge.2.10733

A conjunção astral, no entanto, não está para peixe, nem para tatu-bola, bolinha ou fuleco. A econômica, então, nem se fala. Só pode ser sentida e vocês sabem bem onde o sapato de cada um vem apertando o calo. Os nervos estão tão à flor da pele que até astrólogo, se prever algo de que “eles” não gostem, acaba massacrado pelo rolo compressor que está montado, especialmente na internet, com argumentos assustadores para tentar justificar o nó que aparece no bordado, o macaco caindo do galho.

Essa semana mesmo, depois de passar algumas horas sem saber de alguns protestos por perto, já ia reclamar. Não deu tempo. Soube do protesto dos PMs? Sim, dos PMS, dos policiais, quem diria. E greves? Só falta mesmo as mulheres promoverem a greve dos sexos. Tem só uma greve que tenho certeza que não ocorrerá, porque a categoria ganhou um trauma e tanto no fim da década de 70: jornalistas. Esses (nós) não param. Nem para protestar contra esses seus sindicatos e federações literalmente infestados, inCUTizados. A coisa está preta, e devia estar verde e amarela.

grito de torcidaNão sei explicar com palavras exatas, mas você aí sabe muito bem do que estou falando, mesmo que esteja do lado de lá, e eu tenho muitos amigos queridos e todos bem inteligentes para admitir, mesmo que intimamente, que as coisas vão mal. Aliás, de mal a pior. Não é preciso nomear ninguém, nem acusar, está geral, no ar, intestina, desconfortável, perigosamente chato, triste, e o que não combina com a gente. Piora com as notícias de desemprego, paralisação da economia e, agora, com o índice do IBGE que demonstra que mais de 40 % da população não trabalha mais. É o efeito bolsas. Fiquei pasma e vou repetir: Mais de 40% não trabalha, não quer. Mulheres agora ficam em casa cuidando de filhos porque é mais econômico. Vivi para ver. Depois de tanta luta pelo mercado, pelo respeito. É desanimador.

brazilW_animadogrito de torcidaNão adianta vir e tentar criar paraísos artificiais com propaganda. Viram o filme publicitário federal vendendo, ou melhor, tentando comprar a nossa alegria? Coisa mais falsa só peitos de silicone e promessas de candidatos. Quando a alegria, no país do futebol, precisa ser incentivada… Ah, foi aí que tive a certeza. Pensava que o fato de ver no máximo umas cinco bandeiras por dia em janelas ou carros, era apenas falta de tempo do pessoal. Aqui em São Paulo, a coisa está tão silenciosa que até churrasco estão oferecendo para premiar ruas que se enfeitarem. Oficial, coisa de Prefeitura. Como diz uma amiga, picanha pode? Não é crime eleitoral?

grito cavernaAndei pelas ruas e, claro, vendo vitrines e lojas, que é bom bater pernas e sou mulherzinha. É visível o encalhe, pelo menos até esse momento, dos itens Kit torcedor. Em compensação, há vários meses observo um crescente “chegar” de estrangeiros que não vieram para Copa, não, não senhor! Estão vivendo aqui, pagando em dólar, e temo informar ao mercado que muitos vêm com maior preparo, buscam colocação profissional e dependendo do setor parecem mais bonitos aos olhos dos empregadores. Em quarteirões é possível ouvir o inglês, o francês, o alemão, o chinês, o coreano, línguas africanas. Tenho ouvido conversas em árabe, assim como está extraordinariamente alto o número de muçulmanas com seus véus e puxando seus filhinhos. Uma nova onda de imigração.cheerleader_0035

Gianfrancesco Guarnieri, a quem homenageio com esse título, botou um grito parado no ar nos palcos exemplificando aqueles momentos duros, 40 anos atrás. Nós poderemos emitir esse grito este ano de diversas formas.

Uma delas gritando GOL! As outras formas, bem, você sabe. Mas é preciso se esforçar e gritar, para que a voz saia bem clara e a mais uníssona possível, pedindo união, paz, verdade, humildade e revisão de erros, crescimento e, fundamentalmente, um futuro campeão.

A bola já está quicando na área.

São Paulo, ainda cinza, 2014bocafalanteMarli Gonçalves é jornalista Deseja a todos muita alegria, muitos gritos contentes e ainda espera ver um monte de bandeiras sendo agitadas – aquelas cheias de estrelinhas onde está escrito Ordem e Progresso.

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Novos comportamentos explicam popularidade do Tio Lula

da coluna de Claudio Humberto – www.claudiohumberto.com.br

Meu ídolo

Está explicada a popularidade recorde de Lula: o IBGE apurou que desde 2003 o brasileiro come menos feijão e bebe mais cerveja.