JOÃO DORIA JR: O JOVEM PREFEITO IMPOPULAR

JOÃO DORIA JR:

O JOVEM PREFEITO IMPOPULAR

Marli Gonçalves

Só no telão

A queda de popularidade do prefeito João Doria agora pode ser medida proporcionalmente pelo número de grades e seguranças com caras de maus que o cercam.

A praça é do povo? Para João Doria Jr e sua equipe, não. Não mesmo. Perto deles, não. Na reinauguração da Praça Ramos de Azevedo hoje à tarde, 16, no centro da cidade de São Paulo, o “povo” ficou bem longe. Protegidos, separados por centenas de grades guardadas pelos policiais municipais fardados com todas as suas medalhinhas, e ainda por seguranças privados com caras de rottweillers famintos, o prefeito e seus poucos convidados sentiram-se em casa. Povo? Só depois que ele saiu, pela lateral, começo da noite. E olhe lá.

Houve protestos, claro, mas de poucos gatos pingados que apareceram para reclamar da tarifa de ônibus, e deram seus gritinhos. De cima do Viaduto do Chá, outros protestos foram abafados pelo som alto dos microfones de um púlpito onde repetiam a cada discurso a lista de empresas patrocinadoras. Uma lista.  Deu quase pra decorar.

Sou imprensa, aliás, há mais de 40 anos, com ampla e reconhecida  cobertura de jornalismo, como repórter, na cidade de São Paulo, o que por si só já me franquearia a entrada, tranquila, para poder me aproximar do prefeito, talvez entrevistá-lo, ouvir os convidados, fotografar, filmar. Enfim…

Mais: João Doria Jr é meu ex-companheiro de banco na universidade, FAAP; temos certa amizade e pedaços de história vivida. Mas ali naquele recinto, no castelo, ninguém entrava. (Ou melhor, entraria se estivesse carregando um dos lindos guarda-chuvas distribuídos pelos italianos, terninhos, olhos claros, devia ser esse o passaporte – já que o convite foi público, antes que eu esqueça de ressaltar).

os protestos! gatos pingados que mobilizaram a força policial

Para completar, me tirar do sério de vez, chamada para resolver, veio uma mocinha que se disse assessora de imprensa, sem noção, sem dar seu nome, e com total desinteresse – sabem aquela cara “não te conheço?”. Não me deu entrada e passou a perguntar, repetindo, insistente: “Qual é sua pauta?” “Qual é sua pauta?”. Respondi, não com muita calma,e nem exatamente o que me veio à cabeça,  claro, que minha pauta era o prefeito. Sabem o que ouvi? – “Eu mando o áudio da coletiva”.

Tá de brincadeira, né?

Para finalizar, só mais uma coisa: o discurso raivoso do nosso jovem prefeito não vai levá-lo a lugar algum e pode ser a chave de sua vertiginosa queda de popularidade, enorme também em quem nele votou. Não é porque alguém o questiona que é “Petista”, “desocupado”, “acorda tarde”, vagabundo. E dizer, batendo no peito, que foi na periferia, na Zona Leste, não é nada de mais. É obrigação.

O povo de São Paulo é um só. Sem grades. E a praça  que ficou mesmo muito bonita é do povo.

 Marli Gonçalves

Polícia, para quê polícia?!