ARTIGO – Quem não se comunica, se …Por Marli Gonçalves

CHAMANDO CACHORROSe ferra. Se trumbica. Se estrumbica. Dá com a cara na parede. Tem de sair por aí depois apagando a lousa, revogando as ordens, desistindo de suas próprias decisões antes irrevogáveis. Nossos políticos, os próprios exemplos de trumbicados, comprovam com louvor a teoria do Velho Guerreiro. Alopram. Quem quer um abacaxi? Roda, roda, roda e avisa: um minuto pros comerciais! chamando

Há algum tempo quero falar um pouco sobre a área na qual trabalho, de comunicação, de imprensa. Expor e questionar o que está acontecendo no mercado, a forma como a informação está sendo filtrada para os seus olhos e ouvidos, contar até de como está raro achar um personagem que esteja se defendendo porque teria uma reputação a zelar, um mínimo de vergonha na cara.

Repara. De uns tempos para cá virou moda: quem responde à imprensa é quase sempre o advogado do acusado, na vitrine, e que passa a ter visibilidade; afinal, muitos falam na porta das cadeias onde estão trancados os seu defendidos. Só que advogados advogam, não são obrigatoriamente bons comunicadores, por mais competentes que sejam em suas áreas, por melhores que sejam suas defesas diante de juízes, desembargadores e júris. Sua linguagem é outra, esse é o problema quando as ouvimos. A linguagem que usam é técnica, específica da profissão, estão sempre numa atitude meio defensiva, protegendo a linha da cintura de seus clientes. Nós estamos aqui fora, esperando não a redução de penas, mas explicações sobre o que aconteceu.895868a9-a721-4105-9f8f-5d09473792ff_18

Não é questão de certo ou errado. Mas é o que torna possível perceber – e é horrível isso -que querem que a opinião pública se esgoele; fatalmente se cansará da questão, substituída por outra gritaria, por outro assunto. A opinião pública é utilizada para fazer pressão, quando interessa – autorizam até entrevista dos clientes ao Fantástico. Quando essa pressão é contra, aí não há por que satisfazer ao seu apetite – e servem ao público as falas de suas defesas, repetitivas, monocórdicas (pois o texto já foi encaminhado aos magistrados, não pode variar), às vezes até desconectadas da realidade mínima dos fatos.

#chamaobolsonaropropauMas o que acelerou mesmo o tema foi esse caso de São Paulo com os garotos que ocuparam as ruas para protestar contra o que eles nem bem sabiam bem o que é, mas não gostaram. Não gostaram e pronto. Porque o que chegou é que fato x ia mexer muito com a rotina. Não houve da parte do governo Alckmin e nem do secretário com cara rude o cuidado de antes preparar o terreno para plantar a ideia. Aí ficou até engraçado porque a ideia de que ele desistiu antes que aparecesse um garoto morto ou machucado parece que era boa, defensável – todo mundo que tem filhos e que eu perguntei, achou legal, falou bem, gostou. Só que saber ou ver que a polícia estava dando umas bifas nos jovens não foi legal. Eu também não ia gostar de imaginar meus filhos sendo educados a cassetetes e bombas de gás. Assim, passou-se quase um mês só de bate-boca, prejuízos, invasão de escolas, quebra-quebra, ruas ocupadas e bloqueadas. Os meninos estavam tendo ali a sua primeira incursão no maléfico mundo da política, no caso representada pelos sindicatos instigando a rebeldia juvenil. Deixa. Assim aprendem, como alguns de nós que estivemos em outros lados, e que também um dia já acreditamos até num certo líder metalúrgico.

A presidente Dilma é outro exemplo de quem despreza a comunicação ou está cercada por não entendedores. Ou, ainda, é uma que só de birra não quer escutar, faz o que quer, contraria conselhos – como aquele que diz que em boca fechada não entra mosquito, ou outro, que quanto mais fala, mais se enrola, ou um terceiro: quem fala demais dá bom-dia a cavalo.

Só que o mosquito do momento, que prolifera junto com o abandono cívico, não entra na boca. Pica. E suas patinhas-agulha estão transmitindo males que não esqueceremos tão cedo, porque essas crianças de cérebro pequeno vão sobreviver e a imagem delas irá nos atormentar ainda mais lembrando dessa época agora, com esse grito parado no ar, momento que não anda nem desanda, nem sai de cima. E as explicações, quem irá dá-las? Quem vai contar por que aquele mosquito que Oswaldo Cruz eliminou do Brasil há um século hoje zomba de nossos Governos?vamos achar o Norte, o Nordeste... e mudar o Irã

Se a boca é feita para falar como se diz, não há porque ficarmos quietos com o silêncio deles em suas manobras.

Boca de siri! Não os deixe perceber que o povo já os viu sendo pegos com a boca na botija. Enquanto isso, tempo que esperamos explicações, a gente vai continuar botando a boca no trombone. Quem não fala, consente.

São Paulo, dezembro animado, 2015
MARLI GONÇALVES, JORNALISTA – Prontinha para libertar a Matilde, aquela da boquinha que vai adorar contar os bastidores dessas discussões que estão parando o país.

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ARTIGO – Os Humildes, os Irrevogáveis e os chatos, por Marli Gonçalves

angel188não basta o ingresso no assustador mês de agosto, a alta da inflação, o governo dando rodopios, fazendo e desfazendo birutices? Agora resolveram que se mexer significa anunciar fantasias, mentir, ludibriar, atacar e se fazer de bonzinhos, de transparentes, de acessíveis. Um monte de Marias Madalenas arrependidas e constritas, almas recuperadas pelo Papa Francisco

hothotSabe aquelas imagens de filmes que mostram pessoas pulando brasas? Ui,ui,ui! Pois é. Assim está o governo desta nossa a cada dia mais fantástica, surreal e divertida República. Outro dia li que, de tanto recuar no que decide, o governo vai acabar é caindo no abismo. Discordo, acho que não: vai para a frente, vai para trás, e não sai do mesmo lugar, fica ali cavando um buraco, rasgando o chão, igual mula quando empaca. O pior é que a sarna está se alastrando: governadores e prefeitos também estão que nem doidos. Parece que além do gás lacrimogêneo e de pimenta estão usando spray de inseticida: barata voa!

994Amigos que ainda acreditam em milagres: não venham me atacar! Só respondam: entre as medidas anunciadas naquele saquinho, quando os caras e as caras juravam que estavam ouvindo a voz das ruas, qual está em vigor? Oi? Hein? Fala mais alto que não estou ouvindo direito. Nenhuma, não é?

Nem corrupção é crime hediondo, o que também enquanto decisão é uma bobagem sem limite, nem os impostos caíram, nem os parlamentares passaram a prestar, nem reforma política, nem redução do número de ministérios, nem os custos do governo, enfim, neca de pitibiriba mudou. Resolveram trazer médicos estrangeiros, e estamos vendo no que esse tal programa “Mais Médicos” vai dar: se gastassem em Saúde o que gastam em pesada campanha publicitária cheia de gente sorridente e equipamentos hospitalares tinindo apresentados pelo Herson Capri, pelo menos um posto médico completo, quiçá um hospital, nasceria. Mas é mais fácil contratar globais – aliás, que vergonha! A lista inclui Regina Casé na Caixa, com a Caixa e suas bolsas, esquentando nossas orelhas e paciência, Milton Gonçalves, muitos, e ainda pagam por vozes, locuções, especialmente daquele ser, o tal Zé de Abreu. A ostensiva campanha da Friboi, acreditem, também tem forte viés político, além do privado. Aguardem, que a carne é fraca.

Outro dia, verdade seja dita, até que a presidente mandou bem ao sancionar a lei que garante apoio às vítimas de estupro, obrigando os hospitais a atender e fornecer assistência completa e a pílula do dia seguinte para as mulheres que sofreram abusos sexuais. O bando de crápulas reacionários que dizia que isso era o “caminho para a liberação do aborto”, e que ainda volitam e integram as esferas do poder tiveram de engolir essa. Mas continuam aí, com a cruzada pelo obscurantismo em outros temas, e todos aliados na base do governo, vale lembrar.

equilibristaO momento está muito difícil para quem tem um mínimo de raciocínio lógico e independência. Não há onde se agarrar, e a gente fica meio que solto no espaço. Todo mundo acha lindo quando detectamos e escrevemos sobre as falcatruas de uns e outros; ora atacados por ser de direita, ora por ser de esquerda, essas duas definições bem bobas, em geral vindas de quem está bem escorado, inclusive financeiramente, em algum desses muros. Não imaginam as correspondências que recebemos, nem como as nossas orelhas ardem, ou como nossos bolsos nada contêm. Nem têm ideia de como são operadas internamente as decisões, o que inclui pressões, cortes de trabalho, investigações especiais, grampinhos, etc., etc. Não tem refresco. Só pimenta.

Por essas e outras que cada vez que vejo esses verdadeiros anjos de candura se movimentando, declarando estar convencidos da justeza das reivindicações, falando em reforma política e economia, sinto terríveis câimbras. Quando vejo um indigitado como o Sergio Cabral falando que agora percebeu que não era humilde, mas que o Papa fez esse milagre, e logo depois pedindo trégua aos manifestantes pelos seus filhos pequenos – os vizinhos que explodam, não?- tenho vergonha. Aproveitando: cadê o Amarildo?

dynaAssim, modestamente, orgulhosamente, venho a público pedir caridosamente que cessem as tentativas vãs de nos engabelar a todos com medidas revogadas horas depois, ou apenas de papel. Aproveito e peço, sem máscaras no rosto – e atirando para todos os lados – que busquemos um caminho para superar este momento. Chega de teses mirabolantes, de conspirações malfeitas, de efeitos de marketing que não levam em conta a comunicação límpida, pura e simples, como a do Papa em sua histórica passagem pelo país.

Escute. Não é o imperialismo internacional que está promovendo os movimentos para desestabilizar o país. Os jovens que estão transmitindo ao vivo as manifestações com os seus celulares são de todos os matizes, incluindo petistas, comunistas, qualquer coisa, porque – coitadinhos – pouco informados que são, acreditam que a revolução que pretendem passa por aí. São idealistas. Apenas aproveite, assistindo, como se estivesse lá onde só eles têm coragem de estar. Os bobocas, BBs, black bobocas, que cobrem os rostos com máscaras, fabricam molotovs e saem quebrando coisas são apenas bobinhos perigosos porque pensam que o jogo de videogame e a realidade são a mesma coisa; estão brincando de ser gente grande, de guerra, de guerrilha – quando chegam em casa dizem sim, senhor e devem mesmo levar umas boas palmadas.

rexeyebh3Mas, finalmente, por favor, não façam nem permitam o que estão fazendo com a imprensa, com o jornalismo, com a minha querida profissão. Parem com essa bobagem de agredir repórteres, fazer com que os das tevês apenas sobrevoem as manifestações. Somos nós que as divulgamos e ampliamos, e que podemos fazer com que mais pessoas participem.

Somos nós, jornalistas, que estamos órfãos de quem nos defenda.

São Paulo, daqui a pouco até sem bancas de jornais, 2013

david_goliathMarli Gonçalves é jornalista Cordialidade tem limites.

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