Ruy Castro, sempre genial. Hoje, sobre o assalto maluco da caixinhas do banco

RUY CASTRO – FOLHA DE SP DE HOJE, 12 DE SETEMBRO

Assalto em surdina

RIO DE JANEIRO – Às 23h30 do dia 27 de agosto, um sábado, 12 homens invadiram a agência do banco Itaú na avenida Paulista, em São Paulo, renderam o vigia e, pelas dez horas seguintes, dedicaram-se a saquear 170 cofres particulares numa sala do subsolo. O sistema de alarme, inclusive o que protege os cofres, foi desligado pelos bandidos antes da ação, embora o monitoramento desse sistema fique numa central distante da agência (não se informou onde).
Às 9h30 de domingo, os bandidos deixaram o banco levando milhões de reais em dinheiro e joias, com tempo de sobra para passar o dia lavando o carro ou pegar a macarronada na casa da nonna. Ao tomar conhecimento da tragédia, horas depois, o banco registrou queixa no 78º DP (Jardins). As vítimas só foram saber do assalto na quarta-feira, 31 de agosto, três dias depois, aparentemente porque um cliente descobriu e contou a outros.
Mais cinco dias se passaram até que a Polícia Civil encaminhasse o caso ao Deic (departamento da polícia especializado em roubo), a 5 de setembro. E este também esperou até o dia seguinte para ir ao local do crime e iniciar oficialmente as investigações. Do assalto a esse dia, foram, portanto, nove dias para que incontáveis pistas inevitavelmente deixadas por 12 homens durante 10 horas num recinto ficassem comprometidas.
Sherlock Holmes e seus discípulos Philo Vance, Bulldog Drummond, o Santo, o padre Brown, Ellery Queen, Hercule Poirot, Miss Marple, Charlie Chan, Dick Tracy, Nero Wolfe, Lew Archer e outros especialistas em pegadas e impressões digitais teriam ido ao desespero com essa morosidade geral.
O prejuízo dos 170 clientes varia, no mínimo, de R$ 1 milhão a R$ 3 milhões por vítima, o que torna esse roubo talvez o maior da história dos bancos no Brasil. E aquele que ninguém parece ter muita pressa para resolver.

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