ARTIGO – Uma indigesta sopa de letrinhas. Por Marli Gonçalves

Começo de ano já é bravo por si só: é IPVA, IPTU, IR e outros famigerados. Mas esse mês de fevereiro impressiona ainda mais. De um lado a corda puxa, para tentar puxar o saco da rapaziada, e começa a sacudir o F, o G, o T, o S – liberando coisa de ativo, inativo, passivo – como se isso fosse a redenção nacional em um saco de bondades que de vez em quando abre a boca e solta pérolas; de outro a turma da mão que vive embalando o berço bate igual à água mole em pedra dura com o L, o U, o L novamente e o A. Cada passinho para frente eles aparecem chamando molusco de meu loiro

frog-x-letterNão estou acreditando que a gente ainda esteja nessa. Que ainda haja gente brigando por causa deles. Custa muito admitir que a decepção é total, ampla e irrestrita ou é mais legal ficar pendendo de um lado ou outro nessa gangorra infernal, um tampando o olho do outro? Sempre um dos lados se estatela pelo chão, não brincaram já disso na tenra infância?

Ler o noticiário – eu obviamente faço isso não só diariamente como quase o dia inteiro – parece roteiro de filme dos Trapalhões, do Zorra Total. Não digo Praça da Alegria porque aqui não estou vendo nenhuma. No máximo posso citar o Pânico!

Quando a gente acha que a coisa vai mudar, vem mais do mesmo, muito mais, um fardo. E uma incapacidade de comunicação que dá gosto. Por outro lado, os que não querem admitir que sim, ele sabia, ou que sim, vocês todos foram enganados nessa de a turma acabar com a desigualdade social, governo popular, e apenas ter sido um tal de cada um para si e tudo para quem é da corriola, lambendo os beiços dos empreiteiros.

O bombardeio usa letras de todos os tipos e tamanhos. Desde as letrinhas dos institutos de pesquisa que andam por aí perguntando preferências impressas prontas a serem chutadas com respostas reumáticas dois ( imprevisíveis ) anos antes. E toma Lula na cabeça, Bolsonaro (!) correndo na raia, Joaquim Barbosa ressuscitando de sua caverna. Aí entram STF e STJ e fica todo mundo dando ordem. Dizendo, desdizendo, jogando peteca. Alguns comemorando o nada, só gás tóxico.

Poupe-nos, Senhor, deste Calvário!

Letrinhas escondem nomes cruelmente bestas e extensos em siglas. CNT, Confederação Nacional do Transporte (Transporte? Pesquisa? Um grita e o outro não escuta); FGTS, Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (já e coisa sua, de lei). São como quando formam siglas de órgãos públicos – usadas para que esqueçamos a inoperância contida em seus extensos nomes.

Esquecem ainda umas das regras principais do marketing político: quem antes aparece fica mais tempo à frente da linha de tiro; se o Lula já era alvo, agora está em um paredão com uma artilharia apontada. Ele sabe disso e está incentivando porque, já condenado, quer fazer um último pedido para deixar a galera em brasa. Uma estratégia deveras perigosa.

Vêm aí grandes emoções. Estava pensando em propor um novo quadro para a tevê. Uma nova moça do tempo, mas suas previsões diárias seriam desse nosso tempo político, passível de trovoadas, prisões, delações, reviravoltas, cataclismos, com abalos sísmicos e desmoronamentos. Fora as ventanias, redemoinhos e formação de nuvens.

Já vi, vivi, e imagino onde tudo isso vai parar. Lembrei até de que nos anos 80 foram algumas poucas fotos que abalaram durante um bom tempo o tal líder popular, quando o mostraram numa casa noturna da alta sociedade, charutão e boa bebida, companhias importantes como agora muito mais ainda sabemos o quanto ele gostou de conviver. Sempre gostou. Corre e busca o povo quando vê a coisa feia para seu lado. Chama as duas letras de seu partido e as muitas outras dos agregados movimentos para fazer barulho enquanto ele dança miudinho.

Todo mundo no samba.

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IMG_20170211_020937Marli Gonçalves é jornalista – O problema é que estamos sem alternativas para preencher os vazios. O Ó.

Brasil carnavalesco, pausa, 2017

marligo@uol.com.br

marli@brickmann.com.br

@MarliGo

Joaquim Barbosa: agora, o grande mistério é que rumo ele vai tomar. Leia essas notas do CH

  • hommes021Joaquim deixará STF com posse de Lewandowski

    O ministro Joaquim Barbosa não pretende permanecer “um só dia” no Supremo Tribunal Federal, após a posse, em sua presidência, do ministro Ricardo Lewandowski, por quem ele sentiria “verdadeiro horror”, segundo amigos próximos. Barbosa ainda não se entusiasma com a ideia de disputar a presidência da República, por isso não é um eventual projeto eleitoral que o desestimula a continuar no STF.

  • O carioca Ricardo Lewandowski, amigo pessoal de Lula, presidente que o nomeou, assume a presidência do STF em março de 2014.

  • hommes096Diferenças

    Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski sempre deixaram claras as diferenças durante o julgamento do mensalão.

  • Lewandowski procurar dar protagonismo suas funções de revisor do processo, tentando rivalizar com a atuação de Barbosa, o relator.

  • Em diálogo áspero, Barbosa acusou-o de fazer “chincana”, a serviço dos mensaleiros. E não se desculpou, como exigira Lewandowski.

    FONTE: COLUNA CLAUDIO HUMBERTO – DIÁRIO DO PODER

Cutuca-onça. Viu essa do Joaquim Barbosa? Porque será? O que ele sabe a mais ( ou a menos )?

Joaquim Barbosa

frank1-7Ele quer a cabeça da mulher do jornalista quem mandou “chafurdar no lixo”

Adriana Leineker Costa trabalha no gabinete do ministro Lewandowski

joaquim barbosa 2O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, recebeu um ofício do presidente da Corte, Joaquim Barbosa, pedindo a cabeça de Adriana Leineker Costa. Ela é servidora efetiva, mas casada com o jornalista Felipe Recondo, do Estado de São Paulo – o mesmo que, há pouco tempo, Barbosa mandou chamou de “palhaço” e mandou “chafurdar no lixo” por ter pedido, por meio da Lei de Acesso à Informação, dados sobre suas despesas. Na época, o ministro pediu desculpas ao jornalista e culpou as fortes dores que sente na coluna pela reação exagerada.

Adriana é cedida pelo TJ-DF ao STF desde o ano 2000. A cessão vence neste ano, mas Lewandowski decidiu pedir a permanência da servidora ao órgão. Com isso, Barbosa enviou o documento para pedir a Lewandowski que “reconsidere” a decisão e devolva a servidora ao TJ. O presidente alega que a manutenção de Adriana na Corte é “antiética” por conta de sua relação com o jornalista, fato que pode “gerar desequilíbrio” na relação entre jornalistas que cobrem o Judiciário. “Reputo antiética sua permanência em cargo de comissão junto a gabinete de um dos ministros da Casa, além de constituir situação apta a gerar desequilíbrio na relação entre jornalistas encarregados de cobrir nossa rotina de trabalho”, escreveu. “Estando a servidora lotada no gabinete de Vossa Excelência, agradeceria o obséquio de suas considerações a respeito”, concluiu.

Em nota enviada ao Estadão, Lewandowski garantiu que não observou, ao longo dos anos, qualquer tipo de relação da servidora com o jornalista que possa ter interferido no trabalho. O ministro disse ainda que vai manter Adriana no cargo porque não vê motivo que justifique o pedido de Barbosa.

FONTE; DIÁRIO DO PODER –

Leia esses detalhes sobre como já foram as provas do Itamaraty, e entenda a reclamação de Joaquim Barbosa, sobre racismo

277Sempre soube que era um exame difícil, especialmente no período da ditadura. Qualquer problema acabava com o candidato. Inclusive de voz – se não gostassem, fora!

Essa nota da coluna de Lauro Jardim, hoje, explica ainda melhor os detalhes

Prova oral

Barbosa: prova oral

Em entrevista a Miriam Leitão, em O Globo, no dia 28, Joaquim Barbosa acusou o Itamaraty de ser “uma das instituições mais discriminatórias do Brasil”. Disse que depois de passar nas provas escritas para a carreira diplomática, foi barrado por racismo nas provas orais.

Ficou a dúvida: afinal, que provas orais eram essas?

No exame psicotécnico, feito no dia 7 julho de 1980, a questão da cor de fato aparece. No relatório, o avaliador relata que Barbosa “tem uma auto-imagem negativa, que pode parcialmente ter origem na sua condição de colored”. Mais: diz que suas atitudes eram agudas demais para alguém da carreira diplomática.

Barbosa enfrentou ainda uma banca em que cinco diplomatas deram notas inclusive para a sua aparência — descrita como “regular”. Alguns desses diplomatas são hoje embaixadores.

A propósito, desde meados dos anos 80 as provas do Itamaraty são apenas escritas. As provas orais começaram a ser feitas no final dos anos 70.

Tinham como objetivo detectar “subversivos”  (o Brasil estava sob uma ditadura, enfatize-se) e a condição sexual dos candidatos.

Ou seja, se eram homossexuais. “Qual é o nome de sua namorada?”, chegava a perguntar um dos psicólogos incumbidos do psicotécnico para, em seguida, mostrar ao candidato a ilustração de uma vagina e lhe perguntar o que via, de acordo com o relato de um diplomata que fez o teste em 1981.

As entrevistas também serviam, claro, a  idiossincrasias dos avaliadores. O próprio item “aparência”, no qual Barbosa, obteve um “regular”, é uma prova disso.

Por Lauro Jardim – coluna Radar – veja online