#ADEHOJE – FOTO DA MALA, TURBULÊNCIAS E VITÓRIAS

#ADEHOJE – FOTO DA MALA, TURBULÊNCIAS E VITÓRIAS

 

SÓ UM MINUTO – Ufa! Pá, que foi bonita a vitória ontem contra a Argentina! Uns momentos de torcida e alegria. Bolsonaro foi lá – desta vez ganhou aplausos, mas também levou boas vaias. Ficou incrustado lá com Neymar, aquele que ainda está sob acusação. Bolsonaro legou o Paulo Guedes, mas devia ter levado o general Heleno que está bem chateado com o filhote do Capitão. Apareceu a foto dos 39 quilos de cocaína. Não estava nem escondido debaixo de nada. Purinha.

Puxa, fiquei chateada de saber que Marlene Matheus, ex-presidente do Corinthians, morreu. Ela foi bem combativa essa mulher! E era tão engraçada quanto o marido, Vicente Matheus.

O ministro da Justiça, Moro, ficou muitas horas respondendo a perguntas até que a cobra fumou, a situação complicou, teve brigas, xingamentos, baixaram o nível e ele aproveito para se mandar. Perda de tempo: ele só vai repetir o que já disse, até que haja novas investigações e mais profundas, além de vazamentos mais importantes…. Esses aí são fraquinhos…Não se sustentam.

Redes sociais instáveis !

#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

#ADEHOJE – ECLIPSE, MUITO ALÉM DO SOL

SÓ UM MINUTO – Hoje tem eclipse total do Sol, e tem muita gente lá no Chile que foi assistir, por ser um local mais adequado para acompanhar o fenômeno. Mas esse tipo de acontecimento muda muita coisa na geral, e nos faz pensar, e além até da astrologia. Há nesse momento – praticamente todos os dias – um eclipse da razão, da inteligência, da lógica, do relacionamento entre as pessoas.

Tenho lido, visto, ouvido, sabido, assistido a coisas que podem ser chamados do arco da velha, como diz a expressão popular. A internet, as redes sociais, a exposição absurda da vida privada e intima vem criando uma nova sociedade. Onde a intolerância acaba combatida com mais intolerância ainda, criando uma bola de neve perigosa, que pode se transformar em avalanche.

Bem, e hoje ainda tem também o jogo Brasil X Argentina, que nos conclama ao pior de uma torcida, sempre.

ARTIGO – Perdi. Por Marli Gonçalves

setimo-selo-gifA sensação louca de guerrear com um inimigo de que a gente não conhece o tamanho, mas sente a gigantesca dimensão, teme a força que se aproxima muito rapidamente de quem a gente ama, avança para levar esse ser embora com ela. A Morte nos deixa dialogar e faz queda de braço, mas também nos ensina muitas coisas para podermos seguir em frente

Não é tão elegante nem poético como no filme de Bergman no qual a Malvada joga xadrez com sua própria vítima. Aqui se trata de quando se aproxima como sombra para levar alguém que ama e você fica um tempo tentando negociar que Ela vá, desista, saia fora de mãos abanando. Uma vontade de mostrar uma placa “volte só quando for chamada”. Ou: “Não adianta bater, eu não deixo você entrar”.

Ela pensa, dá um tempo, você até chega a acreditar que desistiu e está dando uma chance. Mas, uma hora, Ela, traiçoeira, se volta e decide que não mais atenderá seu pedido. Positivamente, pelo menos, deixa a clara sensação de que estará aliviando o sofrimento daquele que você gostaria que não fosse embora.

Não é nem um pouco fácil, e sim muito doloroso, porque o filme inteiro passa em reprise e arranha a tela. Escrevo sobre isso, mas só porque acho que até poderei ajudar mais alguém que se encontre na mesma difícil situação em que me vi nos últimos mais de sessenta dias com o meu pai. Esta semana perdi a jogada, e a Morte deu a sua cartada.

É uma hora em que é difícil ser compreendido, mas mais ainda o é compreender suas próprias emoções. Olhar no espelho e aceitar quão egoístas podemos estar sendo quando acompanhamos alguém doente e queremos que ele continue com a gente.

Há poucas semanas escrevi o quanto a espera é difícil, associando-a a tantas coisas que todo o tempo aguardamos para o nosso país e em fatos do dia a dia. Percebia ali o quanto apenas o definitivo poderia cessar essa batalha. Que seria uma questão de tempo – quanto, como, o momento, a ação, reação é que eram as incógnitas.

– A espera não contém certezas – concluía. Mas o definitivo…

Esses dias não sairão da lembrança e sei disso até porque não é a primeira vez que me deparo com essa força no campo de batalha da vida. Teve amigo, teve minha mãe, e agora lá se foi meu índio véio. Cada um desses momentos trouxe uma condição, se deu em um momento ao longo dos últimos quase 30 anos, em alguma fase que se mostrou extraordinária.

Achei um paralelo entre essas situações. Em todas, fazer tudo o que podia ser feito, tentar aguentar firme, se dedicar com corpo e alma, e cercar de amor. Muitas vezes você se sentirá sozinho, deixará pedaços, outros serão arrancados, como quando nos enganchamos numa ponta de prego, ou damos uma topada bem na quina da mesa. Ficam cicatrizes.

Dessa conta vai sobrar paz depois do desfecho. A descoberta que quão maravilhosos podem ser amigos com os braços estendidos, prontos a socorrer a cada round, quando nos vemos nas cordas.

E a certeza de que tudo deve ser feito, reverenciado, amado, mas em vida. Porque aí você fica com a parte boa, a das lembranças e a do conforto. Seu travesseiro agradecerá.

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12032009510Marli Gonçalves, jornalista – Se alguém quiser adotar eu, meu irmão e a gatinha, inscreva-se.

São Paulo, verão de 2017

 

mao apontando direitaPS.: Só mais uma coisinha: não há ódio que possa aplaudir e escarnecer e se deleitar com a tristeza de alguém doente e seus familiares, desejando o mal e fazendo piada. Não há humanidade. Entenda que sangue ruim envenena a alma e você poderá um dia precisar da mesma transfusão. Você sabe bem do que estou falando.